RASGAR O VIDRO poema de bárbara lia


Lâmina brilhante beija
o vidro recôndito
das dobras da alma.

Secreto sofrer
adeja do olhar fendido,
de estar ferido
sem estar.

Nem a lâmina do sol
rasga a alma,
pois vidro não rasga vidro.

Estala a rir e estanca.
Cínico semblante,
dentro da alma, um gemido.

Uma certa saudade – fina agulha –
de quando era a alma uma mínima fagulha
do sol-lâmina que o fere agora.

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