Arquivos Diários: 10 novembro, 2008

UM OLHAR NO ESPELHO poema de leonardo meimes

 

Não suporto um olhar no espelho.

Me aterroriza a expressão

Plácida e ao mesmo tempo mórbida

Que me acomete

 

Como mantenho esta face angelical

Sendo que, pouca fama

Têm minhas ações mais perversas,

Minha intro-perversidade?

Sois vil, vil, vil!

 

Refletindo agora percebo

O quanto sou vil.

Percebo a malícia perene,

A cadência intrigante

De meus pensamentos mais

ridículos

 

Brincas com sentimentos?

Brincas com as dificuldades?

Brincas com a ignorância?

SIM, sim, sim

 

Quase me quebro no espelho

Por não querer beijá-lo.

Eis uma aversão a mim mesmo

Aversão mais perigosa

 

Abre-se a notória realidade

Cai em meu colo como um fado

Não aquele que soa lindo e triste

E sim o que pronuncia o oráculo

Que sela o destino

E termina em fatalidade.

BOCETA e EDUCAÇÃO por joão batista do lago


 

 

 

Pois é… Taí uma solução para a “solução” da Educação!

Claro, os moralistas de primeira hora… de primeira ordem; as beatas e os “ministros”; padres e pastores; igrejas e botecos da fé dita cristã; poetas e escritores da ética almofadada; senhoras e moçoilas moralistas da sociedade desvirginada; pais e irmãos, motores do sexo capital ou do capitalismo sexual – vão se indignar com a moça que está oferendo a boceta – a nossa xana ou xoxota querida – por 1 milhão de dólares.

 

Natalie Dylan, pseudônimo utilizado pela última virgem – possivelmente! – do século XXI, tem 22 aninhos. E este fato tem uma importância fundamental, melhor dizendo, tem dois enunciados [entre outros] “históricos”: 1) ajuda a construir o discurso do feminismo no sentido de que a mulher é dona total e absoluta do seu corpo e pode dele fazer o que se lha dê na telha; 2) ajuda a desconstruir o discurso religioso e político de tez moralista, que pretende o corpo da mulher como propriedade – seja de igrejas, seja de estados nacionais.

 

Mas, como sou um curioso inveterado, penso cá com meu botões! E bem ou mal chego a uma inferição hipotética: esse “objeto de desejo”, a boceta, seria o significado mais forte do Capitalismo… De uma tipologia de “capitalismo selvagem”, segundo conceito de alguns estudiosos… Ao mesmo tempo fico imaginando: como seria uma campanha publicitária para “vender” esse produto, fonte de desejo de [alguns!] homens e mulheres? Não lhes tirarei a primazia e o privilégio da criação. Eu, cá, tenho já as minhas imagens! Inclusive o slogan do discurso da campanha…

 

Mas, outra coisa está zunindo no meu ouvido: será que no Brasil encontraríamos esse produto? Digo, uma jovem de 22 anos virgem?! Será! Tenho cá minhas dúvidas! Mas consideremos que exista: como reagiria a tal campanha um país que tem para além de 70% de católicos? Como reagiria um país, com mais de 80% de população cristã? Qual seria o enunciado discursivo para implementar uma campanha publicitária que visasse vender uma “xana” virgem? Onde estaria a concentração dessas “xoxotas”, nas jovens negras ou nas jovens brancas? Qual o mercado potencial? Qual o mercado real? Enfim… Quem mais “comeria” essas bocetas: homens ou mulheres? Aqui também não lhes privarei da primazia e do privilégio de suas respostas.

 

Bem, para terminar esta prosa informo a quem mais interesse houver sobre este produto que a notícia foi divulgada ontem pela Agência Reuters, desde Los Angeles, Estados Unidos da América.

AZUL NOTURNO poema de bárbara lia

O anjo louco do casario deserto.
Era invisível feito música.
De noite subia na árvore.
De dia descia ao poço.

A voz – imã de luz.
O perfume – avenca suave.
A sombra – azul noturno.
O olhar de mar – salgado.

Anjo sem céu.
Anjo da terra.
Enlouquecido
de som e luz.