Arquivos Diários: 13 novembro, 2008

CRÓNICA DO NOSSO DESCONTENTAMENTO – por vera lúcia kalaari / Portugal

 

 

 

 

 

                Estou farta! Na realidade, estou mesmo farta! Eu e milhões de portugueses.

A actuação do Governo é, indubitavelmente, marcada por amargas realidades das reduções orçamentais e, principalmente, reviravoltas políticas.

 

               A situação tornou-se de tal maneira grave, que já nem há lugar para promessas, essas mesmas promessas que, durante anos, manteve o eleitorado na expectativa.  Entretanto aconteceu

uma proverbial e  oportuna crise mundial, que justifica tudo. Não se lembram, isso não, que

durante estes anos, o grupo de homens que diariamente enchiam as bancadas da Assembleia,

tudo processavam sem pressas. Raramente começavam a horas, porque se perdiam pelos corresdores em conversas amorfas. Nada de ideias crepitantes. Nada  que pudesse perturbar o  espírito rotineiro dos debates.

 

               Desde a orla das praias douradas algarvias, às paisagens agrestes de Trás-os-Montes, nada era esquecido ali. Falavam nos problemas, encetavam discussões, planeavam soluções, mas tudo calmamente, amadorrados na sonolenta luz do Hemiciclo, esquecidos do País moribundo que agonizava lá fora. Mas é aqui, sobretudo aqui, nas bancadas imensas, no ambiente majestoso dos lustres das paredes magnificamente decoradas, que eles sentem ressuscitar a sua força de poder, a força que lhes dá para pensar que é nas suas mãos que está o destino deste Povo e desta Nação.

Por isso, essa vontade férrea de sobreviver nesses cargos que os faz barafustar uns com os outros, não para encontrarem soluções mas unicamente para se evidenciarem: cada um para parecer melhor,

mais entendido, mais dedicado. No fundo, a tentarem transmitir uma ideia que seria escandoloso

exprimirem mas que está patente em todas as expressões:”-Olhem aí, vocês que que me escutam.

Eu sou o melhor”!É essa vontade de sobreviver ali, que os faz discutir, barafustar, discordar, concordar, falando em tudo que não interessa, enquanto lá fora, o Povo estiola e morre. Porque é

só aqui, na majestosa imunidade de S.Bento, que eles se encontram a si próprios. E a fumaça dos charutos que fumam, uns após outros, nos gabinetes luxuosos, formam uma neblina tão densa por cima das suas cabeças, que as suas vistas dificilmente vislumbram horizontes mais longínquos.

 

             Porque antigamente, as fortunas passavam de geração para geração (ou não) dependentes

da capacidade de trabalho e gestão dos herdeiros. Hoje, as fortunas herdam-se através de tachos. Porque só com “tachos” se  alicerçam e aumentam. Tudo o que  estiver fora deste circulo (ora agora governas tu e enriqueces tu, ora agora governo eu e enriqueço eu) é para “inglês ver”.

 

      

            Hoje, a palavra de ordem para o Povo é: “apertem o cinto!”. É como se estivessemos

embarcados num avião , seguindo as instruções mecanicamente dadas por uma hospedeira afável,

enquanto duma fonte ausente se acendem os incómodos letreiros “só desapertar quando as luzes

se apagarem”. Não temos outro remédio senão seguir essas instruções, mas depois de meia hora, todos estão fartos de estarem incomodamente amarrados ao banco, e esperam ansiosos, pela liberdade. Imagine-se se fossem obrigados a permanecerem apertados pelo cinto toda a viagem!

Mas é isso o que acontece connosco! Até ao fim , a viajarmos de cinto apertado! Dá para acreditar?

Mas é claro que para aqueles que viajam em classe VIP, o percurso é muito mais cómodo! E quem são a maioria desses passageiros, quem são? Os nossos políticos , seus tachos/herdeiros e seus seguidores (principalmente aqueles que os mantêm no poder porque dá sempre geito ter um ministro

ou alguém que deve o seu cargo à nossa  comparticipação nos custos da sua campanha.

        

             Admiram-se então que os tentáculos da criminalidade se tenham espalhado, ramificado,

penetrado na nossa sociedade? Garantir agora que o seu controlo é possível, é absurdo. Porque a situação caótica em que caíu o País, torna inconciliável qualquer objectivo de paz e segurança.

Porque em vez dessa melhoria tão amplamente prometida, a verdade é que a situação chegou à ruptura. A inflacção e os impostos  paralisaram a actividade. O fluxo cambial dos emigrantes

está praticamente, parado. A fome e o desemprego assolam a nação. Já nem promessas há para oferecer! E o pior, é que existe uma fadiga depressiva que se apoderou do Povo. Representa hoje

a característica uniforme da sociedade, um sentimento radical e trágico que aumenta assustadoramente, como uma vaga que nenhum obstáculo pode deter. Pior que uma ameaça de morte, é a condenação por uma asfixia lenta que atrofia  a mente e o espírito.

 

            Foi nisto que os consecutivos e amorfos Governos  tornaram Portugal: Um País em derrocada, uma pequena nação mutilada, migalha caída  na mesa do mundo  que vive agora as

horas mais difíceis da sua história.

 

 

            Mas eles, lá continuam! Jornalistas transformados em Ministros da Defesa, passando de

contadores de histórias a  especialistas na arte de bem comprar equipamento bélico, de submarinos a aviões, acessores a Ministros da Agricultura sem nunca terem plantado mais do que um pé de salsa

nalgum vaso do seu apartamento, ou das Pescas, sem mais nada conhecerem de peixe do que aquele

que lhes apresentam num prato bem servido do “Tavares Rico” .

 

 

            Tudo  e todos se concentram aqui. Eles e os outros. Porque Lisboa é o exemplo acabado de tudo o que de mau e de bom uma cidade é capaz de produzir. Nos seus bairros superlotados, nos transportes , nos bares, nas esplanadas, milhares de indivíduos  de todas as nacionalidades assentam

aí arraiais para chorarem as suas mágoas. Fascinante nuns lados, imunda noutros é a cidade de

contrastes imprevisíveis de promessas, de esperanças e de desilusões. À porta dos hospitais, dezenas

de doentes morrem diariamente por falta de cuidados, enquanto equipamentos médicos sofisticados

quedam paralisados por falta de pessoal. Os bancos regurgitam de clientes. Mas, na sua maioria,

os seus haveres nem sequer chegam para pagar os juros dos seus empréstimos. Milhares de jovens

saiem das universidades e morrem de inacção à espera dum emprego, enquanto outros milhares

aguardam vaga nessas mesmas universidades, para virem engrossar o número de desempregados.

Restaurantes, esplanadas,bares, clubes nocturnos, enchem-se diariamente com milhares de habitantes de todas as camadas sociais. Mas milhares deles dependem da caridade social. É a cidade

do pré-apocalipse, onde dezenas de prédios ruem e outros são devastados pelas chamas. Que melhor

“habitat” dos nossos “Anjos” do pré-apocalipse?

 

 

              Vou terminar. Afinal, é humano ter que desabafar. Deixaram esticar de tal forma a corda,

que a crise mundial, veio mesmo a calhar! É tão fácil governar assim… E mais fácil ainda é governar uma Nação de parvónios como nós , que fizemos o favor de vos transportar  aí para cima, para S.Bento! Santa ignorância!

 

 

 

DESPEITO poema de solivan brugnara

                                    

 

 

  Chega

   de lamber  livros sujos e insossos

 nas bibliotecas municipais.                  Não bebo mais leite empoeirado

                                                                         de tetas velhas.  

             Quis meu lugar                   

          mas livrarias e medalha, medalha, medalha como Mutley.

    Agora vou jogar para o primeiro cão que aparecer

                        o osso de  Homero

 que comprei de um camelô de relíquias.         Eu e as pombas estamos

 cagando para as estátuas das praças.         Quero cuspir  na cara de um

            auto- retrato de Rembrant.

              E fazer salada

                       de ciprestes impressionistas roubados.         Sair                                      

                             Com um bando selvagem,

                    e matar a flechadas o touro de bronze da Wall Street.

                               Repartir em postas, assar

                             e comer com vinho barato

                          em um beco sujo.               

Não agüento mais  ver nos museus, a cara centenária, mumificada do novo em sua tumba.    Hora de procurar por outra coisa menos rançosa. 

                            Vou colocar       

                          um dedo de uma estátua grega

        dentro de lata de salsinhas.      E com o dinheiro da indenização

                                              tomar cerveja,transar e assistir  Pica-pau

      nas tarde quentes.    E quando estiver entediado

                       dobrar origamis e aviõezinhos com folhas  retiradas  da Divina Comédia

                                  e jogar pela janela do apartamento.

                         Impedirei que alimentem as obras de Botero   

                           Até elas virarem El Grego.

   Não cederei meu lugar neste metro lotado.      Nem que entre

                          uma Virgem Maria renascentista como o menino.  

                                                  Paguei pelo ticket.

                  E num dia de bebedeira, por fogo inquisitorial em uma livraria de shopping                  e gritar para os comparsas:

       Exagerem na gasolina  que os livros são aguados.      Há, sentar bebendo vodka e                  

              sentir o cheiro  bom de livros de bruxas e magos queimando,queimando,

                                        deliciosamente queimando.

 

POEMAS de sara vanegas \ Ecuador

mar: un cuchillo de sal me atraviesa el pecho y las palabras

 

————–

 

las voces llegan a borbotones. como el oleaje a las naves sumergidas de la catedral eterna. voces que ascienden al coro y las cúpulas. como alas o lluvia mansa

tras los vitrales encendidos: peces arrodillados y tu sonrisa

dormida

 

—————-

 

alguien dibuja en la arena el recuerdo de un nombre

y se arroja a la mar

 

—————

 

alguien me dice que es la luz azulada de la luna. y yo vuelvo a confundirla con un río submarino. nunca conoceré el origen del agua. me pregunto si el mar devorará sus propias lunas …

 

—————

 

la luna y sus manantiales. el mar henchido de campanas. aquí: castillos de espuma y sal. para tus ojos solos

 

 

 

—————

 

la tristeza del mar: borrachera de espejos. el planeta entero abierto. la luna: un carámbano sobre su piel huraña. sollozo imposible desde las profundidades. y esa música de agua y noche. de vidas ignoradas y multiplicadas muertes.

 

las palabras: inútiles huesecillos de pez en la inmensidad del oleaje

 

————

 

y te he esperado sin rastro

y sin prisa

sobre los puentes y las cúpulas azuladas del verano

a través de los túneles interminables de la noche

en todos los andenes

lejos del mar y sus sirenas

te he esperado en esta ciudad

y en todas las ciudades

mientras la sombra crece sobre mis manos y el viento

es un mensaje ronco sin ventanas

te he esperado de cara contra las vitrinas

en el eco intermitente del teléfono

en los cuadros del Prado

y en las calles

pero más te esperé en las paredes repetidas del Cristal

y puedes creerme:

solo asomó tu silueta tras una de ellas

en el momento exacto en que yo partía

 

 ————-

 

 

 

el cortejo de lunas es ya un recuerdo en tus ojos

náufragos

la noche nos juntará en lo más hondo:

como un aullido

 

————-

 

 

el fantasma de tu voz

aún me llama

hoy

 

por un nombre ya olvidado

 

————–

 

muerde mis labios la noche áspera y terrible

mis labios manchan tu nombre

 

————

 

 

se balancea el velamen aturdido de tus ojos

sobre mi mar oculto

ángeles gaviotas destejen tu corona

                                   soledad y espuma

 

el cielo es la campana de plata que guarda

                                                                       nuestros sueños mientras se alejan las barcas

 

y el mar desaparece

BORRA ASSINADA poema de lilian reinhardt


 

                         
   (líricas de um evangelho insano

                           No fundo da xícara 
             a borra do meu olhar. 
             Dos olhos borrados de pó, 
             de orvalho salgado, 
             no (dó)i do teclado que ouço 
             e não entendo…
             meu olhar geométrico 
             se perde na mancha abstrata,
            onde assino?!
 

 

ALEX GREY, A ARTE SACRA DO SÉCULO XXI – por flávio calazans


 

 

 

 

“and so we go away from Alex`s  vision a  little better than we were a minute before ”

 Ken Wilber, prefácio do livro teórico de Grey “The mission of art” p.xiv.

 

Visitando uma livraria mística num recôndido mercado de flores de uma antiga e perversa cidade, o idoso livreiro sem mais aquela intuiu que eu tinha interesse em simbologias (Semiótica da Arte) e indicou-me o setor de arte esotérica, lá reconheci em um lindo livro colorido imagens que já me fascinaram antes, vislumbradas sem créditos de autoria em diversas revistas de círculos de estudiosos das antigas tradições simbólicas.

 

O livro era ESPELHOS SAGRADOS, de Alex Grey.

 

Grey impressiona pela técnica das transparências com as quais dá verdadeiras aulas de anatomia humana, ilustra pessoas de ambos os sexos meditando, ou no ato sexual, e sempre demonstra uma impressionante maturidade mística ao apresentar suas intuições com clareza, mesclando com admirável precisão simbologias sagradas indianas, chinesas, astrológicas, alquímicas, cristãs, judaico-cabalistas e outras, sobrepondo em detalhados corpos humanos desde a  Otz Chain (árvore da vida –cabala e os escribas talmúdicos sofer concentrando-se na caligrafia sacra da Tora para atingir a intenção concentrada- kavanot, similar ao sho dô dos kanjis desmanchados chineses taoistas e zen nipônicos e a caligrafia sufi muçulmana de frases do Corão) com chacras (yôga da Índia) aos meridianos (acumpuntura chinesa) e fotografias Kirlian, harmoniosamente combinadas com Tantra (maithuna, coito sagrado indiano), xaman -pajelança e arabescos sufi árabes, escritas frases sagradas de orações em sânscrito, chinês, hebraico, latim, e diversas línguas sagradas antigas, combinando-se até com atuais dados científicos de DNA, física de partículas, campos, quanta, supercordas, etc..

 

A CATEDRAL de Grey, sua “Capela Sistina” é um projeto também on line em seus websites na Internet, existindo virtualmente como WEB ART, um trabalho de intensa religiosidade que introduz o fruidor em inevitável contato com o divino, até o nível de consciência que consiga suportar, em graus ascendentes de uma espiritualidade linda.

 

São os ESPELHOS SAGRADOS, alta arte sacra ecumênica, inserida em uma ética e estética da religiosidade tolerante e aberta a diversidade, apresentada com layers-transparências-palimpsestos tipicamente da sensibilidade do Século XXI; Grey mostra individualmente homem e mulher, brancos (caucasianos), negros (africanos) e asiáticos (mongolóides) simbolizando as raças humanas, o fruidor escolhe o sexo e raça, a seguir Grey nos mostra na série o corpo sem pele, e o conceito de raça começa a desvanescer-se…e vamos em um exercício de dissecação que é uma aula detalhada de anatomia onde nos vemos gente a um espelho analítico de tamanho natural onde reflete-se nosso sistema circulatório, sistema linfático, esqueleto, órgãos, músculos,cartilagens, etc.

 

O fruidor é desafiado  ir e voltar no corpo humano percebendo a relatividade de ser branco ou negro, homem ou mulher, des-identificando-se com o corpo físico (como no tibetano Bardo Thodol) convidando a mais pura meditação zen, tao, sufi, Buda…

 

E na escolha do corpo feminino, somos surpreendidos com a gravidez, a beleza da gestação alterando formas da bacia e ampliando o ventre, com a transparência do feto e embrião crescendo, comovente e tocante, uma experiência transcendental é olhar estas peças maravilhosas, um privilégio!

 

A arte a serviço da elevação ao divino, Grey nos leva além de preconceitos, mesquinharias e identificações ilusórias (MAYA), chegando ao campo infravermelho térmico do calor emanado do corpo, um campo energético que todos sentimos ao abraçar a amada em um dia frio; e daí Grey vai nos alçando a vôos maiores, mostrando o padrão vibratório das glândulas-chacras-sefirots gerando campos mais sutis como registrados nas fotografias kirlian, atingindo o eu espiritual, o self junguiano, composto de sutis campos quânticos de pura energia (matéria é energia), passando pelas representações do divino em diversas culturas até a imagem não antropomórfica de um sol ou bola de luz que vivenciamos nas mais altas projeções –viagens astrais fora do corpo físico, no espaço sem onde e no tempo do agora perpétuo, o gerúndio quântico, o presente permanente dos alquimistas, o giro sufi, o êxtase da iluminação, satori, samadhi…

 

O que São Franciso de Assis mostra em sua oração mais conhecida- “fazei de mim um instrumento de vossa paz”, o amém das orações onde “seja feita a Vossa vontade”…onde todos somos emanações do UM, filhos do mesmo pai-origem, irmãos… irmão Sol, Irmã Lua, irmã pedra, irmão jumento…

 

Outras obras, quadros a óleo como BEIJANDO que mostra em transparência um casal unido pelo beijo com o símbolo grego apeíron, infinito, o oito deitado, unindo-os pelo timo no peito e pela pineal na cabeça, outra imagem comovente que faz lágrimas de comoção saírem dos olhos, nos tocando com cores e luzes como O BEIJO de Rodin faz no tridimensional com volumes e sombras do casal congelado na ansiosa fração de segundo antes do toque dos lábios no primeiro beijo…

 

Outra obra mais comovente ainda é COPULANDO, que retrata um casal em intercurso sexual, entrelaçados em fios dourados flamejantes de apeirons sobrepostos, com corpos em transparências anatômicas, gerando um campo sexual que atrai os olhares cósmicos das forças de vida e morte, da continuidade da vida, da futura alma que deseja encarnar a sansara-ciclo kármico,  e no centro dos dois uma transparente e quase imperceptível mandálica Shri yantra do Tantra, símbolo da interpenetração dos opostos.

 

Outra imagem comovente de consciência ecológica é GAIA, onde a vida natural e o mundo industrial poluente-suicida são mostrado com o símbolo da grande árvore, Ygdrasil, um painel de complexidade indescritível, para ser admirado por horas fazendo o ego dilur-se e perder-se dentro dele, aliás, toda obra de Grey é assim meditativa.

 

Como  Wilber explica no prefácio de SACRED MIRRORS, após a tecnologia da fotografia (que Flusser explica) libertar os artistas do mero retratismo (mimesis aristotélica);  Paul Cézanne derruba a perspectiva renascentista, o que vem permitir outros impressionistas  como Matisse, pontilhistas como Seurat e expressionistas libertaram nossa sensibilidade para perceber as cores (chegando a Kandinsky com seu espiritual na arte Abstrata, para quem a verdadeira arte envolve o refinamento da alma, do espírito), os Cubistas nos trouxeram uma nova compreensão da forma, e Grey nos brinda com sua visão pessoal do espiritual em um outro nível, além do olho físico e corporal, além da mente culturalmente cultivada, para o transcendente, indo além  do corpo e da natureza como pré-verbal, pré-conceitual, pré-mental, chegando a nos fazer vislumbrar o transverbal, trans-egóico, transindividual, o espírito que é universal, além de formas e idéias, o DIVINO..

 

Assim, a ARTE primeiro envolve o desenvolvimento e crescimento do próprio artista no fazer sua arte-obra em processo (quando o tempo e espaço desaparecem no transe do fazer artístico, e o artista inexiste, o ego morre e se esquece de si, de comer e dormir possuído pelo “sobrenatural” envolvimento da obra-paixão), e em segundo lugar a arte compartilha o desenvolvimento espiritual do artista transpirada em sua obra para evocar intuições místicas similares no observador- fruidor, colaborando com a expansão de nossa consciência por meio da sensibilidade estética ao sagrado.

 

Desde 1973 Grey fazia PERFORMANCES muito interativas, e INSTALAÇÕES , todas obras sempre muito rituais; filho de um artista gráfico, criado convivendo com artes, realizou ousadias como METRO PRIVADO e a peregrinação ao pólo magnético no extremo norte do planeta, tudo registrado em fotografias como toda performance documentada; muitas explorando a perspectiva da morte como consciência da não-permanência, do efêmero e transitório de tudo, do desapego.

 

De 1975 a 1980 Grey realizou dissecações no necrotério de uma escola de medicina, aprofundando seus conhecimentos de anatomia e de ilustração científica de obras de medicina e anatonia (vivenciando o NIGREDO o PUTREFATIO alquímico, a obra em negro),  uma das obras deste período foi derramar chumbo no ouvido interno do cadáver fresco de uma mulher recém falecida, tirando um molde em chumbo dos espirais do labirinto dela…esta obra ocasionou um pesadelo iniciático em Grey.

 

Sonhos xamânicos como os descritos por Castañeda em livros como ERVA DO DIABO e CAMINHO DE IXTLAN acometeram Grey, em um dos pesadelos Grey viu-se em um tribunal, julgado por um juiz cego e um júri furioso e indignado, acusado de profanar o seu cadáver indefeso por aquela mesma mulher cujo corpo Grey tinha dissecado dias antes no necrotério (em seus estudos práticos de anatomia humana) e derramado chumbo derretido no ouvido dela …  e Grey conta que explicou a ela que retalhou seu corpo e derramou o chumbo em nome da arte…por fim  o juiz e júri o alertam para fazer obras positivas e deixar os mortos repousarem em paz, este sonho teria despertado-o para a obra SACRED MIRRORS (Espelhos Sagrados) realizada com devoção durante dez anos, de 1979 a 1989, até a animação pó computador em 1999, o website já no Século XXI e o projeto de construção física da Capela que hoje é virtual ou exibida em exposições.

 

Além de performances, instalações, esculturas, pinturas e arquitetura (a pirâmide dos espelhos sagrados, em animação computadorizada, video-arte de 1999), a obra de Grey existe em livros, posters, camisetas, ilustrações em livros e revistas, e na internet em seus websites disponibilizadas, demonstrando que, como o ideal do homem renascentista de Florença  (Leonardo da Vince e Michelangelo),  Alex Grey é um artista multimídia no conceito do Século XXI, desconhecer sua obra no mínimo é estar fora do que há de mais contemporâneo na arte.

 

 

Bibliografia.

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GREY, Alex. The mission of art. Boston: Shambala. 1998.   ISBN I-57062-396-1.

 

GREY, Alex. Transfiguration  . Rohester:Inner Traditions. 2001. ISBN 089281-851-4.

 

GREY, Alex. Sacred Mirrors, the visionary  art of Alex Grey. Rohester:Inner Traditions, 1990.  ISBN 0 89281-314-8.

 

www.alexgrey.com

 


 

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APCA por zuleika dos reis


 

 

 

                   Começou no ônibus, numa segunda-feira, a partir da conversa entre dois sujeitos sentados no banco lateral ao meu. Ouvia-lhes as vozes, sem prestar atenção às palavras, nesse estado meio sonambúlico em que alguns ficam quando estão sós, mas acordei subitamente com a decodificação da tal sigla e do endereço: Rua Independência, 520. Ouvira mesmo o que ouvira, de dois sujeitos comuns, às 9 da noite, assim, sem código ou senha? Em casa descobri que há, só na Capital e adjacências, dez ruas Independência, quatro da Independência, uma travessa e ainda três praças com o mesmo nome. Depois de muita procura lá estava, na lista de endereços da Zona Sul: APCA, Rua Independência, 520. Informaram-me que os encontros acontecem todos os sábados, às 16 horas. Nenhuma solicitação de qualquer dado pessoal.

                   Sábado, quatro da tarde. Atravesso a sala e entro no auditório onde já estão, pelo menos, umas sessenta pessoas. O coordenador chama-se Carlos, nos dá as boas-vindas, explica-nos os objetivos de tais reuniões e que seus princípios são os mesmos que norteiam o trabalho dos irmãos da A.A. Lê-se, no quadro negro, ao fundo: Posso viver minha vida somente um dia de cada vez, lembrando-me de que não tenho domínio sobre a vida de ninguém, a não ser sobre a minha própria. Carlos esclarece, antes de encerrar sua fala, que no primeiro sábado de cada mês, as reuniões são divididas em duas partes: a inicial, para depoimento dos ingressantes; a segunda, após breve intervalo, para realização de palestra sobre tema de interesse geral e, finalizando o encontro, atividade de integração dos novatos entre si e com os membros veteranos.

                   O primeiro depoimento nos vem de um senhor baixo e atarracado, calvo e corado, jeito de português dono de armazém. Logo me dou conta do clichê.

                   “Sou líder de um grupo dos sem-terra e minha companheira, que pertence à liderança das mulheres, acabou de receber um convite para posar nua na Playboy. O cachê é alto, quase tão bom quanto ela e com o dinheiro dá pra gente comprar uma bela casa aqui na Zona Sul, quem sabe até na Vila Mariana. Só que alguns dos companheiros não aceitam, alegam que o Sistema sempre agiu assim para neutralizar a ação revolucionária. Embora constituam minoria, tais companheiros têm ainda certo poder de influência. Retruquei que isso não passa de discurso ideológico da década de cinqüenta o qual, já desde muito antes do fim do Socialismo, não funciona mais. Não adianta, eles não arredam pé, dizem que se cedermos a esse jogo seremos considerados traidores e expulsos do Movimento. Não somos traidores, compreendem? Só é a nossa chance real de termos um teto e todo mundo sabe que a Sorte não bate na mesma porta duas vezes.”

                   Cala-se e nos encara, esperando uma reação qualquer. Não vem nenhuma, e então cede lugar ao próximo, homem jovem de bela aparência, mas com uma corcunda respeitável.

                   “Fico pensando num leque de soluções, por enquanto fechado: colocar carpete na sala, tradicional ou de madeira, recusar-me a sair de casa sob qualquer pretexto, ficar trancado no escritório, todos os dias, até alta madrugada, sumir cada fim de semana, ou separar-me da mulher. Minha mulher é, sem comparação, a coisa mais linda que jamais Deus pôs sobre a face da Terra e ao natural, senhores. O problema é que ela quer sair todas as noites e muito bem vestida, não importa para onde. Sempre concordo, apesar de exausto. Meu drama é que, entre o banho e o derradeiro retoque no cabelo, passam-se várias horas. Enquanto espero, vou contando os tacos do assoalho na sala de jantar. Não superei ainda a marca dos 2734, porque a sala é grande e com muitos empecilhos como a mesa, as cadeiras, os vasos… sobretudo os próprios tacos, por se revezarem nas posições horizontal e vertical, tudo isso dificultando, de modo extraordinário, a contagem que recomeço do zero na noite seguinte.”

                   Tive vontade de sugeri-lhe a Odisséia, à guisa de catarse, mas faltou-me coragem.

                   Linda mesmo é a jovem que neste momento se dispõe a falar. Olhos cor-de-outono – sei lá por que me ocorre esta imagem – mini-saia, meias pretas, batom e unhas vermelhas.

                   “Meu problema, com uma única exceção aos oito anos, é com os presentes. Não, não com vocês, sou bastante sociável. Já se detiveram alguma vez sobre os papéis com que se embrulham os presentes? O brilho, a magia, a sedução que oferecem? É sempre uma dupla agonia: por um lado, o olhar ansioso das pessoas, na expectativa da minha reação e por outro, o conhecimento de que nada, absolutamente nada que esteja dentro pode ser comparado àquela beleza primeira. E há comemorações demais, aniversário, Natal, Ano Novo, Páscoa, amigos secretos. À medida que cada festa se aproxima aumenta-me a angústia, e logo vem chegando a hora de outra.”

                   Que belas meias pretas!

                   A pessoa agora diante dos olhos é a antítese perfeita da anterior. Senhora de meia idade, ancas e seios fartos, ar de boa dona de casa e ainda melhor cozinheira. Diz, apenas: “Minha ampulheta está com defeito.”

                   Sob a estranheza geral, Carlos solicita-lhe que continue. Ela conclui com um peremptório não.

                   O que me ocorre imediatamente, e creio que a todos os demais, é que tal metáfora (só pode se tratar de metáfora, a não ser que “ampulheta” se reporte àquele pequeno ícone que aparece no computador e, nesse caso, basta chamar um técnico) se relacione a algum problema de natureza hormonal, a disfunções de menopausa, período sempre difícil na vida da mulher. Mas, e se a palavra em questão se refira a algo mais complexo, que ultrapasse a esfera individual? O tom solene com que foi pronunciada a frase e a própria palavra “ampulheta”, confere alguma legitimidade a esta terceira hipótese.

                   O próximo depoimento vem de um senhor sorridente de uns setenta e cinco anos, de terno, colete cinza, chapéu… a portar a elegância clássica dos que passeavam no centro de São Paulo quando a cidade ainda era a terra da garoa, dos saraus e de Mário de Andrade. Logo às primeiras palavras, percebe-se que é um dos membros veteranos.

                   “Estou aqui para lhes dizer que, afinal, conheço bem cada uma das páginas da minha vida, a qual me parece inteiramente satisfatória, uma vez superadas todas as antigas dúvidas. Venho para me despedir e para me colocar inteiro à disposição dos senhores.Terei imenso prazer em recebê-los no meu coquetel amanhã.” Cita o local e o horário, volta a sentar-se, cercado pelos aplausos e pelos tapinhas nas costas.

                   Atordoado por agudo e um tanto injustificável sentimento de decepção, penso: Também aqui? Como é possível?

                   Uma nova depoente já nos fita, por cima de seus óculos.

                   “Tenho trinta e cinco anos, sou funcionária do Estado e do Município. Não me lembro de qualquer página anterior nem me preocupam as vindouras. Minha função mais importante é ler o Diário Oficial, ainda que atenda também à portaria, ao telefone. Trabalho doze horas por dia, com duas de intervalo para o almoço, incluindo o tempo para me locomover entre ambas as repartições. Faço plantão um sábado por mês. Estou tranqüila, porque não há incompatibilidade entre os cargos que ocupo, afinal é preciso viver sempre dentro da Lei. Qualquer dúvida quanto a nomeações, demissões, promoções, cursos de reciclagem, qualidade total, decretos do Prefeito e do Governador, aposentadorias, inquéritos administrativos, é comigo mesma. Todos dizem que tenho excelente caligrafia. Por sinal, devo tirar um abono amanhã, para ir ao oculista.”

                    Uma pena que Gogol já tenha escrito a tua história, com o elemento fantástico que, para teu mal, talvez jamais chegues a experimentar.

                   Este parece um cientista-mirim. Doze anos, no máximo, e também usa óculos.

                   “Não estou aqui por minha causa, mas por causa do meu pai. Para facilitar-me as pesquisas, solicitei-lhe a compra de um computador. Ele assim o fez e tudo ia bem até que me pediu umas aulas para, segundo suas próprias palavras, “aposentar a velha máquina de escrever”. Sou filho temporão, meu pai tem sessenta e nove, é professor aposentado há muitos anos e, de uns meses para cá, começou a escrever crônicas. Já lhe dou aulas há uma semana e o velho ainda apresenta dificuldades para movimentar o mouse, quanto mais para digitar e salvar textos no Word. Descobriu que não tem controle motor e está com um terrível complexo de inferioridade. Quero muito ajudar meu pai, senhores, mas confesso que não sei bem o que fazer.”

                   Já este outro deve ser vendedor, talvez pela maleta, quem sabe pela precisão dos gestos e do olhar, que parece dirigir-se a todos e a cada um ao mesmo tempo. Também pode ser político.

                   “Há uma coisa que não consigo compreender e que me incomoda diariamente nas livrarias aonde vou por necessidade de ofício. Por que o formato dos livros continua retangular, desde o tempo de Gutenberg? Por que não pode haver livros redondos? Na literatura infantil até que venho observando algumas tentativas de inovação, mas na literatura para adultos… E agora, com bibliotecas inteiras à disposição via Internet, meu sonho parece de vez impossível, porque as telas dos computadores são tão quadradas – permitam-me o desvio conceitual – tão quadradas quanto a tela da TV. Num mundo onde todas as rodas são redondas, por que tudo se torna cada vez mais quadrado, a começar pelos livros?”

                   Ninguém arrisca resposta para sua inalienável questão.

                   Carlos intervém:

                    – Alguém gostaria de fazer o último depoimento de hoje, antes do intervalo para o café?

                   O rapaz alto e magro, cabelos negros e desgrenhados, fica em silêncio nos olhando… nos olhando…

                   “Eu já fui poeta…” e abarca toda a sala com expressão do mais absoluto desamparo.

 

 

 

                   Tento me aproximar da garota cujos presentes não podem ser abertos, é impossível. Vários sujeitos esparsos têm a mesma idéia e chegam primeiro. Ocorre-me que, há dez anos, jamais teria perdido uma corrida dessas. Agora cinco metros e com barreiras… Sem outra alternativa, ponho-me a percorrer a multiplicidade de cabeças, à procura, talvez, dos indivíduos do ônibus. Não os vejo, sua função deve ter sido apenas a de passar a deixa. Quem sabe, foram ao cinema. Só me resta circular pela sala e ouvir as conversas.

                   “… viajou uma semana sem deixar nada na geladeira… nem imagine comigo nas férias passadas… minha namorada tem doze anos e aparelho nos dentes… o tempo parou às seis da tarde durante oito dias… me deixou plantado no meio de uma frase durante um mês… ainda não sei o que fui fazer em Paris… será que esses encontros vão ajudar mesmo… esperar… esperar… esperar… nenhuma brisa… nada… ninguém… a terra é de todos… esse é papo do sem-terra… e se ficarem sabendo… claro que já sabem… deve haver vários aqui… aquele de paletó marrom parece um deles… as últimas estatísticas… filial em Nova Iorque… não gosto do modo como venho falando… ele ainda não percebeu… o meu anda meio cismado… já chegamos à nona página… ainda não sei a cor dos meus olhos… reparou Roberto, tudo parece coisa do mesmo autor, com alguma leitura mas iniciante, sem dúvida. Artur, se surgissem de novo um Quincas Berro D’Água, um Augusto Matraga, um Rosendo Juárez, uma Bola de Sebo… você concorda que prefeririam permanecer para sempre onde estão?”

                   Atraído por estas frases completas em tal contexto, custo a lhes compreender o significado, assim como a natureza dos indivíduos que as acabam de pronunciar. Assombra-me minha lentidão. Como se puderam fundir tão rápido os dois mundos dentro de mim? A colocação desse Roberto… Se eu estivesse inserido em uma estrutura perfeita, de linguagem sem fraquezas nem balbucios, toda plena de si mesma e contendo cada um dos meus pensamentos, atos, fatos, ainda que terríveis, até mesmo mortais e assim, completo, me tornasse para sempre conhecido, sem a necessidade de qualquer gesto autônomo, desde a primeira página até a última, preferiria abdicar de tal paraíso por destino ignoto? Agora, se eu fosse apenas um esboço… o papel abortado, no saco de lixo, faria a tentativa de existir pelo meu próprio esforço, no mundo exterior dos homens, até a vala onde todos as coisas e seres formam o mesmo húmus.

                   Acordo para o vazio ao redor. Todos já voltaram para o auditório.

                   Certa vez, há mais de vinte anos, publiquei um livro de contos. Depois, foram infinitas noites sem dormir, porque era um livro ruim, demasiado ruim. A partir daí, nunca mais ousei mostrar qualquer palavra a ninguém, apesar dos textos se acumulando nas gavetas.

                   Acabo de sair da Associação de Personagens de Contos Anônimos. Saio, felizmente ileso, na verdade menos do que desejava. Ocorre-me, por acréscimo, que ainda venha responder a processo pela apropriação indébita de uma sigla, o título deste conto (?) fato do qual acabo de me dar conta. A gargalhada pelo trocadilho idiota espanta as pessoas na calçada. Será que há algo mais importante no mundo do que diverti-las por um momento?

 

 

 

 

                   Olhos cor-de-outono, mini-saia, meias pretas, batom e unhas vermelhas. O acaso fez com que a reencontrasse alguns meses depois, já nem me lembrava mais daquele conto. Laura é muito mais do que um esboço, é a criatura que pretendo manter a meu lado e, para isso, só lhe dou presentes ao natural, exatamente como se mostram nas vitrines das lojas, nas prateleiras das livrarias, nas bombonières, onde quer que estejam, límpidos, lúcidos e nus de qualquer invólucro. Afinal, apenas eu conheço o único modo de torná-la feliz.

A FRAUDE NA EDUCAÇÃO por walmor marcellino

 

 

DÉFICIT EDUCACIONAL

Enquanto a prefeitura de Curitiba e o governo do Estado apostam políticas eleitorais sobre a eficácia de seu sistema de ensino e a eficiência de sua preparação pedagógica, a tragédia da educação continua à vista. Anísio Teixeira e Paulo Freire ficariam horrorizados com as pedagogias usadas em seu nome.

Em primeiro lugar, agrupamentos de 10 até o máximo de 30 crianças e adolescentes é o recomendado para uma sala de aula, para que o processo de ensino seja eficiente, supondo que o(a) professor(a) seja efetivamente habilitado(a) (e comprometido(a)) com sua escolha e adesão profissionais. E isso seria apenas o começo de uma solução educacional. (Nas escolas particulares e nas classes ricas, o critério seria nada menos do que o preço.)

Todavia, nem as políticas públicas nem os sistemas de ensino e formação (educação) conseguem equacionar esse número “funcional” de estudantes numa sala de aula; porém assim mesmo reconhecem que o coletivo de alunos numa sala deve ser proporcional a suas condições culturais, psicológicas e de capacidade de atenção-concentração (vale dizer, quanto mais pobre e “desassistido” ou sem recursos culturais e estabilidade emocional, maior atenção e menor deve ser o grupo discente para obter mais atenção pedagógica. E isso nega essa massificação de que “há escolas para todos”!). Mas eles não “conseguem equacionar” essa questão elementar, porque preferem a propaganda de que a UNESCO lhes reconhece o esforço (não a solução, mesmo porque as políticas da UNESCO são políticas de “boa-vontade” e estímulos).

Assim, secretários e assessores comissionados no geral não passam de pelegos oportunistas que, a serviço das autoridades que os nomearam, mentem para a população sobre a educação que lhe é oferecida e fingem preocupação com o sistema educacional, com as condições técnicas de ensino e com a preparação e eficiência dos professores e da sua burocracia política, pretendendo assim justificar essa sua formidável propaganda enganosa.