Arquivos Diários: 11 março, 2009

ILUSÕES DO AMANHÃ poema de alexandre lemos (aluno da APAE)

 ‘Por que eu vivo procurando um motivo de viver, se a vida às vezes parece de mim esquecer? 

Procuro em todas, mas todas não são você.

Eu quero apenas viver, se não for para mim que seja pra você .

Mas às vezes você parece me ignorar, sem nem ao menos me olhar, me machucando pra valer. 

Atrás dos meus sonhos eu vou correr. 
 
Eu vou me achar pra mais tarde em você me perder.

Se a vida dá presente pra cada um, o meu, cadê? 

Será que esse mundo tem jeito? Esse mundo cheio de preconceito. 

Quando estou só, preso na minha solidão, juntando pedaços de mim que caíam ao chão, juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou. 

Talvez eu seja um tolo, que acredita num sonho. 

Na procura de te esquecer, eu fiz brotar a flor. 

Para carregar junto ao peito, e crer que esse mundo ainda tem jeito. 

E como príncipe sonhador… 

Sou um tolo que acredita, ainda, no amor.’ 

PRÍNCIPE POETA (Alexandre Lemos – APAE) 
Este poema foi  escrito  por  um  aluno  da  APAE, chamado, pela sociedade,de excepcional. 
Excepcional é a sua sensibilidade! 

Ele tem 28 anos, com idade mental de 15 e peço que divulguem  para prestigiá-lo. Se uma pessoa assim acredita tanto, porque as que se dizem normais não acreditam?

“LIMITE” poema de bárbara carvalho


 

No primeiro dia, a morte me rondava.

Não havia cor no céu, nem luz.

Não podia ouvir qualquer som,

além do abafado pranto em meu peito

teimando por sair.

 

No momento segundo, tomei-me de todos os objetos

que me te traziam à lembrança

e os fechei em uma caixa.

Fixei-a em terra, para que somente eu pudesse levá-la e

deixei a chave esquecida em um canto conhecido apenas por mim.

 

No momento seguinte, busquei arrancar da alma e do peito

as memórias boas e más, o que fora desbravado e o que fora escondido

– bem mais, ainda, da tua invasão avassaladora – 

– bem mais, ainda, de ti, inteiro.

 

Arranquei de mim os dias e as noites de amor e os de desespero,

as marcas de todo o prazer e de toda a dor.

Desprendeu-se tua voz da minha memória,

teus escritos afastei dos meus olhos

e tua essência tirei do meu coração.

ONDE TÁ TU VIDAL? por cleto de assis

 

 

Palavras, Todas Palavras
congelou na Internet.
Se Vidal fosse budista
Estaria no Tibet.

Nem está mestre Vidal
(como budista não é)
lá pras bandas do Nepal.
Ou voltou para Bagé?

Ficou no meio da rota
no Desterro feito ilha
descalçou a sua bota
e abandonou a filha.

Sob chuva em abundância
por muitos dias e meses
tentou erguer nova estância
lá na Praia dos Ingleses.

Das Palavras o palrador
esqueceu completamente
nem abriu computador
pra mandar e-mail pra gente.

 

Sua filha eletrônica
tristinha e abandonada
nem poesia e nem crônica
publica mais a coitada.

Proponho aos caros amigos
e às amigas também
vivermos de comentários
enquanto Vidal não vem.

Um dia, tenho certeza
voltará o bom gaúcho
com farto vinho à mesa
e muita ostra no bucho.

Parece estar bem patente:
devido ao seu sibarismo
Vidal, momentaneamente,
condenou-se ao ostracismo…

Nós, aqui ao desamparo
sem saber fazer o quê
beberemos vinho amaro
E o Vidal, J.B…

Esperamos que essa féria
Nem forçada ou concedida
Não nos deixe na miséria
De ver Palavras perdida.

Volte, Vidal, à querência
da palavra e da poesia.
Ponha a mão na consciência
E deixe a ostracologia…