A INTUIÇÃO e a INSPIRAÇÃO por ademário da silva

 

 

A intuição é o atributo do espírito, enquanto potencial adquirido ao longo das experiências milenares realizadas nas mais variadas dimensões existenciais. É o que permite essa troca de impressões, informações e práticas singulares, no cotidiano das relações imortais, que não acontecem apenas na faixa das percepções mediúnicas, mas, se manifesta também enquanto “voz da consciência”, no campo das nossas preocupações espirituais.

 

A intuição é o resultado das nossas aquisições sensitivas, que pode e é perfeitamente utilizada por nossos protetores e amigos espirituais, no prisma de relações fraternas que a interação existencial nos permite, segundo a faixa das nossas próprias vibrações morais. O que nos põe em alerta quanto aos cuidados com os nossos próprios pensamentos. Então o que inadvertidamente classificamos de “presença de espírito” em circunstâncias significativas da nossa vida, são na verdade o resultado dessas trocas mentais realizadas por nós, mesmo inconscientemente.

 

Trocas mentais neste caso significa visitas instantâneas (insights) nos escaninhos mais profundos da consciência, numa velocidade imperceptível aos sensores físicos, por isso não há registro consignado de ida e volta, do tipo viagem ao litoral e volta programada.

 

Não podemos e nem devemos confundir intuição com inspiração. São dois fenômenos distintos entre si. Como toda modalidade mediúnica tem por base a telepatia, enquanto recurso de comunicação, nos fenômenos de intuição e inspiração o pensamento também é o veículo principal de acesso as informações colhidas em âmbito mediúnico e anímico.

 

Na inspiração a moldura mediúnica está na razão de que o pensamento não nos pertence. E para reconhecer essa condição basta verificarmos e analisar nosso modo de pensar diário, vocabulário, modo de expressão mental, maior ou menor capacidade de exposição redativa, estilo de enfoque e de enquadramento da exposição oral ou escrita e assim por diante… Na verdade a fonte de inspiração é o éter universal, que se encontra permanentemente impregnado dos pensamentos dos espíritos superiores e também dos inferiores. O que se nos exige cuidado com as próprias vibrações e emanações mentais. A Doutrina Espírita afirma que o espírito sopra onde, e como toda ação gera uma reação, ele também recolhe onde quer. Ou seja, onde está seu coração, aí está o seu tesouro, nas vias saudáveis ou insalubres da afinidade.

 

A intuição se configura qual talento adquirido nos véus dos tempos vividos. De conformidade com a capacidade que se alcança de emancipação da própria alma, mais facilidade se encontra pra recolher da própria palma, pedras polidas ou puídas, preciosas ou enganosas no garimpo nas jazidas interiores, que cada um de nós carrega no torço da própria responsabilidade espiritual.

 

Em ambos os casos a mediunidade enquanto alça da caridade universal tem peso específico e distinto. Na inspiração a afinidade moral como que determina a subjetividade das relações do médium com os espíritos, dificultando inclusive o discernimento sobre o que pertence a cada um. Na intuição a ação dos desencarnados se limita a circunstâncias e injunções momentâneas, por quanto o ser encarnado mesmo sendo médium tem maior liberdade de escanear a memória de experiências já vividas por ele, em tempos, condições, culturas, religiões e países e idiomas os mais diversos, como que criando imagens e ambiências que facilitem ao intuitivo, encontrar o objeto de suas buscas.

 

Inspirar-se é buscar em referências externas, os exemplos, os ensinos e ajudas que componham um conjunto de recursos de ajuda, explicações, orientações e instruções que configurem caridade, fraternidade e solidariedade no colo do tempo e nos braços do amor universal.

Intuir-se é provar por instantes o sal dos mares navegados e temperar com sabor antigo o alimento atualizado. De tal modo que o designer da experiência não desminta o valor da convivência.

 

No livro dos Médiuns, Kardec nos demonstra com sua peculiaridade pedagógica, os riscos e escolhos da mediunidade e no Evangelho espíritos maiores se nos instruem quanto ao mal e o remédio. Esses dois pontos, científico e filosófico são os caminhos da oração e da vigília.

 

Desde que não mais se acredite que o silêncio (humano) seja prece, por que o pensamento em nosso interior efervesce, o equilíbrio que é esperado estremece e o médium inspirado envaidece, pondo em risco toda benesse, é neste momento que a humildade a gente esquece.

 

Inspiração é opção que afinidade e a conduta oferecem, requerendo responsabilidade e preces.

Intuição é atitude sensitiva, leitura dinâmica de antigas missivas, que exige interpretação lúcida e transparente, tendo a simplicidade qual lâmina damocliniana na pauta de responsabilidades imortais.

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