MUSEU DE HOLOGRAFIA por flávio calazans


 

                                         

           

            Dia 11 de julho de 1995, terça-feira, Paris amanheceu ensolarada e feliz.

            Em uma caminhada sem destino pelas ruas da Cidade-Luz, bebericando nos cafés, visitando as livrarias, cheguei à uma praça arborizada e aprazível, que impressiona pelo edifício em cuja entrada empilham-se como que dançando letras gigantescas coloridas, as Vogais com as cores alquímicas atribuídas pelo poeta Arthur Rimbaud ( para quem, na Alquimia do Verbo, “O Poeta se faz vidente por meio de um longo, intenso e racional dersregramento de todos os sentidos”) , é  o “Forum des Halles-Grand Balcon” , dentro deste prédio encontrei o Museu da Holografia, aberto de segunda a sábado das 10 às 19 horas.

            A holografia é um processo de registro de dados ou gravação de imagens em uma matriz tridimensional que emprega o cruzamento de raios LASER e uma placa sensibilizada.

            A holoarte mantida neste museu é típica “obra de arte na era da reprodutibilidade técnica” como dizia Benjamim, brinda o fruidor com um tipo diferente de sentimento estético, diferente da pintura e da escultura, diferente da videoarte, é uma forma de expressão plástica pouco estudada e menos explorada pelos artistas e até mesmo ignorada pelos críticos de arte tradicionais.

Os hologramas coloridos impressionam pela qualidade e tridimensionalidade, não vou tentar descrever em palavras o indescritível, faltam conceitos verbais para tanto, a Holoarte transcende as palavras, é poesia e escultura em luz, eixos X. Y e Z da tridimensionalidade.

O Processo da Holografia e seu produto final- Holograma, foram criados por Dennis Gabor em 1947, valendo-lhe o Prêmio Nobel de Física pela criação deste novo gênero de imagens técnicas, uma nova tecnologia de registro de dados em suporte luz, empregando a luz condensada do raio Laser.

Lloyd Cross desenvolveu o holograma composto, ou holograma cinético, gerando uma segunda geração de imagens, agora com movimento, superando em muito o “trompe d’oeil” da perspectiva renascentista, imegens pós-fotográficas.

Segundo p Ph.D. David Bohn (Inglaterra) e o Ph.D. Carl Priban (USA), o novo paradigma holográfico propicia uma ruptura epistemológica com consequências imprevisíveis no estudo do pensamento visual, ambos aplicam os conceitos de Jung de sincronicidade aos hologramas.

A estas pesquisas de ponta acrescentam-se as considerações do artista plástico brasileiro Eduardo Kac, com sua Holografia Digital, empregando a computação gráfica para uma intersemiose das imagens virtuais, sintéticas, com modelos biológicos, analogias entre a Geometria fractal de Mandelbrot da IBM (Auto-similaridade de cada parte com o todo nela contido do holograma e dos fractais) com paradigmas como a Morfogêneses de Kawagushi no Japão.

Peças de Holoarte do artista australiano Alexander chegam a alcançar preço de mercado de 20 mil dólares, sendo o custo unitário de produção técnica em cerca de um dólar de despesas .

A holoarte, se insipiente no final do Século XX, pode estabelecer-se como signagem-linguagem plástica na era das tecnologias da luz, fibras opticas e CDRoms do Século XXI.

Vale a pena visitar este Museu indescritível e também o prédio de cristal que abriga a exposição de Holografias do Futuroscope em Poitiers.

Estranho que tão pouca gente o inclua nos roteiros turísticos, e tao poucos o visitem…

 

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