LIVROS ELETRÔNICOS por marilda confortin (11/2008)

 

 

marilda-confortin-foto-livro-inicio-ebook21

 

 

 

Nos últimos dias, andei assistindo palestras e debates sobre “Literatura e as novas mídias”. Os escritores que ouvi, Miguel Sanches Neto, Ricardo Corona, Luci Colin, José Castelo, Daniel Pelizari e João Paulo Cuenca, se dividem entre resistentes, desconfiados e entusiastas das novas mídias.

Eu que tenho um pé na tecnologia e outro na literatura, não me preocupo muito com o tipo da mídia, desde que a palavra continue cantada e decantada em verso e prosa para todo o sempre, amém. Estou adorando essa era multimídia.

Os radicais, afirmam que o livro de papel nunca vai acabar. Engraçado… tenho a leve impressão de ter conhecido alguém assim, quando escrevíamos nas paredes das cavernas. E acho que já li uma afirmação parecida com essa num rolo de papiro na biblioteca de Alexandria. Será que esses escritores ainda usam máquina de escrever para datilografar seus livros? Nada contra. Tem gente que gosta de sofrer.

Os desconfiados, dizem que na internet só tem porcaria e que só usam como fonte de pesquisa. Estranho…usam a internet para pesquisar porcaria? Lêem o que os outros escrevem, mas não permitem que ninguém pesquise seus textos? É, tem gente que acha que o papel garante a qualidade do conteúdo.

Um deles, disse que tem uma relação de fetiche com o livro de papel e por isso não acredita na evolução do livro eletrônico. Eu também pensava assim até que um dia fiz um pequeno teste: Coloquei sobre a mesa o livro “O senhor dos anéis” em papel e a lado dele, um desses aparelhinhos para leitura de livros eletrônicos com o mesmo livro carregado. Pedi para meus filhos escolherem. Deu a maior briga. Ambos queriam o ebook. Lembrei das inúmeras pessoas que procuram as bibliotecas públicas ou empresas que reciclam papel para doar bibliotecas inteiras de seus recém falecidos pais… ai meus queridos livros… nosso fim está próximo.

O livro impresso em papel tem menos de 500 anos. Não vai demorar mais que 30 pra mudar de recipiente outra vez. O mercado editorial está se mexendo, assim como aconteceu com o mercado da música, dos vídeos, da telefonia. E quem não se mexer, está com dias contados. As editoras e distribuidoras que não se espertarem vão falir, mas, os escritores e leitores sairão ganhando porque a tendência é que o acesso aos livros eletrônicos e bibliotecas digitais seja completamente patrocinado por grandes instituições, como já está acontecendo com blogs e sites culturais.

Empresas como Yahoo, Microsoft, Google, eBoockCult, Sony, Amazon, Panasonic entre outras,estão investindo pesado no mercado de livros eletrônicos. Além dos bons e não tão velhos PCs e Notebooks, vários dispositivos específicos para leitura de livros eletrônicos estão sendo desenvolvidos e aperfeiçoados. Alguns modelos já estão a venda com apelos significativos como por exemplo: Compre nosso eBook reader e ganhe 100 livros clássicos de graça; Compre um livro e ganhe U$ 50 para gastar com outros livros; Compre nosso eBook e nós lhe damos serviço gratuito de banda larga sem fio e daí pra fora.

Para quem ainda não leu nada sobre esse assunto, vou mostrar algumas imagens e características desses ainda misteriosos e recém-nascidos dispositivos para leitura de livros eletrônicos.

 

marilda-confortin-foto-livro-meio-ebook

 

 

Os eBook Readers pesam em média 250 gramas, medem aproximadamente 17 cm de altura e15 cm de largura (tamanho de um livro normal), são revestidos por uma capa que imita a capa dura de um livro clássico, a tela é de mais ou menos seis polegadas, feita com uma tecnologia que não cansa nem agride os olhos e só consome energia quando você vira a página. Não precisa desligar o equipamento. É só fechar e largar na cabeceira da cama ou dentro da bolsa como se faz com qualquer livro de papel. Em uso, a bateria dura em média 6 horas. Por enquanto, comportam apenas 50 a 500 livros e possuem vários botõezinhos que fazem coisas interessantes, mas os mais utilizados são mesmo os de virar as páginas, o do índice de livros e o de aumentar o tamanho da letra (para quem já tem vista curta como eu, é ótimo).

 

Para aqueles que gostam de dialogar com o livro de papel interrogando-o, torturando-o com riscos e anotações, os eBooks mais modernos possuem uma canetinha mágica que faz tudo isso sem danificar a página e ainda cria marcadores para retornar às anotações e links para aprofundar a leitura.

 

Para quem viaja muito e fica preso em aeroportos, avião ou ônibus é uma beleza.

 

marilda-confortin-foto-livro-ultima-homem_no_avi_o

 

 

 

 

Imagine tirar férias e ir para a ilha do mel levando todos os seus livros preferidos? Ou ter que morar numa kitinete ou num quarto de hotel. Não seria bom ter uma imensa biblioteca na cabeceira da cama?

E como é que se carrega esse tal de eBook Reader? Com um cabo USB, igual ao que você usa para copiar arquivos para o pendrive ou descarregar a câmera fotográfica. E onde se compra o aparelho e os livros? Por enquanto, cada fabricante tem seu próprio modelo e sua própria editora. Você entra no site, compra o aparelho e os títulos, paga com cartão e baixa o livro como se fosse uma música, uma imagem ou um novo toque de celular. E o acervo? A Sony tem cerca de 20 mil títulos para venda e oferece mais de 100 gratuitamente. A Kindle anunciou que tem 90 mil títulos. O projeto Gutenberg oferece 20 mil livros eletrônicos de domínio público gratuitamente. Você também pode carregar seus próprios textos ou assinar os principais jornais e revistas. No Japão, já tem até um sebo virtual. E dá para emprestar livros também. Ele se auto apaga quando termina o prazo do empréstimo. E se cair, quebrar, molhar, estraga? Estraga. O livro de papel também estraga se molhar. O celular, a televisão, o notebook também. Mas o conteúdo do livro que você comprou, continua lá, no provedor para você fazer um novo donwload.

É claro que ainda tem muito pouco acervo traduzido para o português, que os dispositivos de leitura custam de 350 a 500 dólares, que os títulos custam de um a quinze dólares, que a indústria do papel vai resistir bravamente e que os escritores estão morrendo de medo do plágio e da pirataria. Mas, a revolução do livro eletrônico está só engatinhando. Tem menos de 10 anos de existência. Antes da metade desse século essa tecnologia estará mais segura, confortável e acessível até para nós, brasileiros. Tem quem aposte que o papel eletrônico ainda vai salvar a floresta Amazônica.

Cansado de ler esse artigo? Que tal pegar seu eBook e se distrair com um jogo ou um filme? Ou rever as fotos da família? Ou colocá-lo embaixo do travesseiro e dormir ouvindo uma música bem relaxante?

Se a evolução dos livros de papel para eBooks é uma coisa boa ou ruim, eu ainda não sei. O que sei é que quem gosta mesmo de ler, vai continuar lendo e escrevendo em qualquer dispositivo, em qualquer lugar, em qualquer tempo.

 

 

*marilda confortin é analista de sistemas.

11/2008.

 

4 Respostas

  1. Marilda falou e disse. Expresso minha concordância em gênero e número, aproveitando para abraçar eletrônicamente os amigos e “comentaristas” Cleto e Manoel.

  2. É, querido amigo Cleto… somos privilegiados por estar vendo e vivendo essa transição. E mais ainda, por entendê-la e poder conviver com o passado, presente e futuro. Essas transições são inevitáveis e relembrá-las como você fez é saudável, para que as pessoas percebam o quanto a humanidade evoluiu. Sou otimista. Creio que estamos evoluido para o bem. Não invejo as dificuldades e a falta de informação e de qualidade de vida dos meus bisavós. Não invejo os lutaram nas guerras, os desbravadores que destruiram as matas, os que escravisaram indios e negros, queimaram mulheres, mataram crenças, idiomas, costumes, saberes.. Não invejo os que morreram por epidemias que hoje estão controladas, os que foram torturados e mortos pela ditadura, os que nunca aprenderam a ler e escrever e consequentemente nunca leram um livro de papel, os que ainda não fazem idéia do que seja uma rede mundial de computadores e consequentemente nunca lerão esses nossos comentários.
    Querido Manoel, não se sinta excluído. Só pelo fato de você postar esse comentário, ser um Palavreiro virtual, usar um computador conectado, um celular, um pendrive, você já faz parte dessa história, sem perceber, sem doer, sem impedir. O século vinte e um está só começando.
    Obrigada pela leitura
    Marilda

  3. Marilda e Cleto…, que saudável inveja. Vocês estão por dentro de toda essa cibernética e eu ainda estou no be-a-bá. Teu excelente artigo, Marilda, excitou minha curiosidade e o Cleto “fechou”. Quem me espresta um “livrinho” destes pra mim dar uma olhada?
    Um abração, meus queridos.

  4. Parabéns, Marilda! Não tiro um ponto de seu artigo. Você só esqueceu de registrar a briga ocorrida antes da inauguração da Biblioteca de Alexandria, quando os fonecedores de barro para as tablitas cuneiformes fizeram piquetes para impedir o fornecimento de papiros e outros materiais “estranhos” para a confecção de livros e documentos.

    Também adoro os meus livrinhos de papel, amigos para sempre. Por algum tempo, estarei editando alguns. Mas já sou fã de carterinha dos livros eletrônicos, mais práticos e, principalmente, mais democráticos. Não têm limites de tiragem e serão cada vez mais baratos, acessíveis a todo mundo.

    E tem outra, que você sabem muito bem: o verdadeiro e-book não é a versão digitalizada do livro tradicional, de leitura linear. Há a adição da interatividade e da leitura hipertextual, além da hipermídia, que une às letrinhas “impressas” os demais meios de comunicação.

    Mas as versões eletrônicas dos velhinhos já ajudam um bocado. No começo dessa história, há alguns anos, comprei um CDrom por quinze dólares (o preço médio de um livro impresso no Brasil), com uma biblioteca clássica universal de nada menos que 5 mil títulos, com texto integral. Já naquela época, o CD trazia inovações: tem localizadores de textos, informações sobre os autores, modificação de família e corpo das letras.

    E os e-books – para usar uma expressão da moda – são ecologicamente corretos. Salvam nossas árvores da voracidade das máquinas papeleiras.

    Abs do Cleto

    Em tempo: estou montando um blog para a editora que tratará desse tema, ou seja, a evolução das artes gráficas. Gostaria de contar com sua colaboração, em breve.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: