Arquivos Diários: 22 março, 2009

VERLAINE crônica de hamilton alves

 

 

 

                            Paul Verlaine foi um dos maiores poetas do século XIX, cujos poemas ainda ressoam, um dos quais com mais freqüência que os demais – “Chanson d’Automne” (ou Canção de Outono), que é de uma beleza fora do comum, pela sua musicalidade e feitura muito bem organizada, contendo os versos e as palavras estritamente necessárias, como se fosse concebido a compasso.

                            Verlaine foi amigo de Rimbaud. Os dois tiveram um envolvimento rumorosíssimo, inclusive no plano da recíproca homossexualidade. Eram dois libertinos em toda a extensão do termo, pouco se lixando para as convenções ou limites impostos pela sociedade da época.

                            Rimbaud, ao que se diz, virou a cabeça do amigo, que era casado e que, com a mulher, em decorrência de tal ligação, viveu momentos difíceis. Até que veio a se consumar quase um crime de homicídio, tendo Verlaine, numa acesa discussão ou conflito com Rimbaud, disparado um tiro de revólver, que por pouco não o atingiu mortalmente. A partir desse episódio, os dois se reconciliaram, mas não foram os mesmos amigos de antes. Até porque Rimbaud, na sua loucura de comportamento, acabou indo para uma cidade da Abissínia, onde, na intenção de enriquecer, ao que se diz, traficou com armas.

                            E a poesia onde ficou?

                            Teve uma única resposta, bem típica de seu temperamento: “à la merde la poésie”.

                            O fim de Rimbaud foi muito triste. Voltou à cidade natal, Charlesville, sendo acolhido pela irmã, que dele cuidou até o fim da vida. Amputou uma perna por essa ocasião. Viveu até os 37 anos. O suficiente para deixar um legado literário dos mais importantes e ricos, como é o caso de “Une saison en enfer”, sobre o qual exegetas dos mais renomados têm feito as mais extravagantes ilações.

                            Deixou poemas imortais, como “Le bateau ivre” (O barco bêbedo), que é vazado em termos extremamente herméticos, que ainda hoje não se conhece o verdadeiro significado. Uns reputam como sendo uma descrição da vida do poeta. Penso que essa interpretação está mais próxima da realidade. O “barco” seria o próprio Rimbaud, em sua difícil trajetória pelo rio em que navega, cheio de empecilhos e obstáculos de toda ordem.

                            Verlaine deixou igualmente sua marca de grande poeta. Seu momento apoteótico foi, sem dúvida, o poema já referido, “Canção de outono”, que, ainda hoje, é dito por inúmeras pessoas em todas as latitudes do mundo e, certamente, foi traduzido para todas as línguas cultas conhecidas.

                            Folheando há dias um livro de ensaios literários, de Milan Kundera, de uma das páginas colhi a seguinte informação: “Verlaine morreu num hotel modesto em Paris”.

                            Talvez tivesse morrido sozinho, sem um companheiro ou companheira (teria se separado da mulher?), com nostalgia de seu grande amigo, Arthur Rimbaud, com quem, afinal de contas, viveu dias marcantes, que passaram à história da literatura, no que ela possui de mais estranho e notável.

                            De quando em quando, para mim mesmo, em circunstâncias as mais imprevistas, recito esses versos de Verlaine:

                            “Les sanglots longs

                              Des violons d,automne

                              Blessent mon coeur

                              D’une langueur monotone”.

 

                              Esta é a primeira estrofe do belíssimo soneto “Chanson  d’automne”.      

 

 

(março/09)

LARGO DA ORDEM – VIDEO CLIP poema de e recitado por marilda confortin

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES. (22/03/09) – por juca (josé zokner)


Constatação I (Medidas não convencionais de tempo).

Por ficar esperando a mulher se aprontar, ele impaciente, sabia quantos passos mediam todas as peças da casa, inclusive os banheiros e quantas baforadas de cachimbo ela demorava.

Constatação II (Ah, esse nosso vernáculo).

Ela fazia fita para iniciar um tratamento fitoterápico: “Reflita, ele conflita com as minhas convicções alopáticas e alopráticas, quero dizer alopradas”.

Constatação III (De conselhos úteis).

Prova documental de entrada e saída de um estacionamento onde o sujeito costuma deixar o carro pode servir de álibi. Isso se a mulher não se der conta e aceitar a ponderação ao ter chegado tarde em casa. Na realidade, tal não prova absolutamente nada. O maridão pode, depois, pegar um táxi e ir pro motel com uma gata. O táxi não deve ser pego no estacionamento e, em nenhuma hipótese, ser aquele com motorista velho conhecido da família. Afinal, ele pode ter vocação para chantagista ainda não revelada. De nada!

Constatação IV (De uma dúvida crucial).

A Justiça tarda, mas não falha?

Constatação V (Quadrinha para ser recitada em festa infantil).

A fada madrinha

É muito boazinha

Ela me traz presente

Quando tô com dor de dente.

Constatação VI (De outra dúvida não necessariamente crucial).

O esporte radical foi inspirado em apresentações circenses?

Constatação VII (Teoria da Relatividade para principiantes).

É muito melhor vestir camisa de força do que pijama de madeira.

Constatação VIII

A vassoura de piaçaba também é um meio de transporte?

Constatação IX

Quando eu era criança eu olhava para o alto e nas nuvens vislumbrava rostos, árvores e animais; agora, com setenta e dois anos, eu só olho para baixo, cuidando para não tropeçar…

Constatação X (Teoria da Relatividade para principiantes).

A Guerra dos Cem Anos, que não levou exatos cem anos parece ser a mais longa da História. Esta como qualquer outra, para os familiares dos soldados levou e leva uma infinidade de anos para acabar. Se é que acaba…

Constatação XI

E como dizia aquele machista: “Mulher não raciocina jamais; ela apenas intui, quando muito”.

Constatação XII

Depois da promessa,

O candidato

Riu a beça:

“Enganei mais um pato”.

Constatação XIII (Mais uma dúvida crucial. Perdão antecipadamente caros leitores).

Dizem que a oportunidade

É careca.

Será que ela tem vontade

De passar na sua oca cabecinha

Alguma loção ou, de galinha,

Meleca?

Constatação XIV

Dizem que errar é humano e perdoar é divino. Data vênia, como diz nossos juristas, mas Rumorejando só acha divino para aquele – e só pra ele – que foi perdoado.

Constatação XV

A junta médica disse que o enfermo tava perdido. Perdidos estavam os médicos da junta. O assim chamado enfermo se curou com chás do tempo da vovó (dele) e, mais, sem o indefectível efeito colateral.

Constatação XVI

O bebê nasceu prematuramente. A sogra* não perdoou: “Também foi concebido prematuramente antes do casamento”.

*Não ficou claro se foi a sogra dele ou dela. Talvez as duas. Rumorejando se compromete a averiguar e tão logo saiba, dará a conhecer aos seus prezados leitores.

Constatação XVII (Crise financeira mundial).

Num banco, que a gente trabalha,

O meu saldo

É nada mais

Que um ínfimo rescaldo,

Uma migalha

Como nos demais.

Constatação XVIII

O pobre do marido

Em tempo assaz periódico

Escuta a peroração dela,

Bastante aborrecido,

Ar acabrunhado,

Prostrado,

Abatido

Que a compra foi uma bagatela

Por um preço módico.

Coitado!

Constatação XIX

Ela me fez seu joguete,

Disse que eu era mixo

E me deixou no lodo

Depois quis me varrer,

Com o rodo,

Para debaixo do tapete

Como ela faz desaparecer

O lixo.

Constatação XX (Quadrinha de onze estrofes (undeciminha?) de dúvida crucial troglodita, digo poliglota).

Quando o meu Paraná perde

Um coitado

De um torcedor francês

Será

Que ficará,

Como eu, insone

E, talvez,

Dirá

Merde,

Ou, se for educado,

Les cinq lettres de Cambronne?

Constatação XXI (E já que falamos no assunto…)

Recado ao Amigo Ernani Buchmann: Faz favor de dar uma mão – ou como se escrevia antigamente, na velha ortografia, u’a mão – ao nosso time Paraná. Tá feia a situação. Obrigado pela atenção.

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br

 

 

TEORIA DO CONHECIMENTO poema de joão batista do lago

Se há um indivíduo

Existe um animal;

Se há um sujeito

Existe um sentido;

Se há um sentido;

Existe um pensamento;

Se há um pensamento;

Existe uma idéia;

Se há uma idéia

Existe um discurso;

Se há um discurso

Existe o outro;

Se há o outro

Existe a comunicação;

Se existe a comunicação

Existe a linguagem;

Se existe a linguagem

Existe um signo;

Se existe um signo

Existe o significado;

Se existe o significado

Existe a interpretação;

Se existe a interpretação

Existe o ser;

Se existe o ser

Existe o complexo;

Se existe o complexo

Existe o não-idêntico;

Se existe o não-idêntico

Existe o social;

Se existe o social

Existe a Sociedade

 

[…]

 

Conhecimento!