Arquivos Diários: 23 março, 2009

INCOERÊNCIA CATÓLICA por drauzio varella

 

 

AOS COLEGAS de Pernambuco responsáveis pelo abortamento na menina de nove anos, quero dar os parabéns. Nossa profissão foi criada para aliviar o sofrimento humano; exatamente o que vocês fizeram dentro da lei ao interromper a prenhez gemelar numa criança franzina.

Apesar da ausência de qualquer gesto de solidariedade por parte de nossas associações, conselhos regionais ou federais, estou certo de que lhes presto esta homenagem em nome de milhares de colegas nossos.

Não se deixem abater, é preciso entender as normas da Igreja Católica. Seu compromisso é com a vida depois da morte. Para ela, o sofrimento é purificador: “Chorai e gemei neste vale de lágrimas, porque vosso será o reino dos céus”, não é o que pregam?

É uma cosmovisão antagônica à da medicina. Nenhum de nós daria tal conselho em lugar de analgésicos para alguém com cólica renal. Nosso compromisso profissional é com a vida terrena, o deles, com a eterna. Enquanto nossos pacientes cobram resultados concretos, os fiéis que os seguem precisam antes morrer para ter o direito de fazê-lo.

Podemos acusar a Igreja Católica de inúmeros equívocos e de crimes contra a humanidade, jamais de incoerência. Incoerentes são os católicos que esperam dela atitudes incompatíveis com os princípios que a regem desde os tempos da Inquisição.

Se os católicos consideram o embrião sagrado, já que a alma se instalaria no instante em que o espermatozoide se esgueira entre os poros da membrana que reveste o óvulo, como podem estranhar que um prelado reaja com agressividade contra a interrupção de uma gravidez, ainda que a vida da mãe estuprada corra perigo extremo?

O arcebispo de Olinda e Recife não cometeu nenhum disparate, agiu em obediência estrita ao Código Penal do Direito Canônico: o cânon 1398 prescreve a excomunhão automática em caso de abortamento.

Por que cobrar a excomunhão do padrasto estuprador, quando os católicos sempre silenciaram diante dos abusos sexuais contra meninos, perpetrados nos cantos das sacristias e dos colégios religiosos? Além da transferência para outras paróquias, qual a sanção aplicada contra os atos criminosos desses padres que nós, ex-alunos de colégios católicos, testemunhamos?

Não há o que reclamar. A política do Vaticano é claríssima: não excomunga estupradores.

Em nota à imprensa a respeito do episódio, afirmou Gianfranco Grieco, chefe do Conselho do Vaticano para a Família: “A igreja não pode nunca trair sua posição, que é a de defender a vida, da concepção até seu término natural, mesmo diante de um drama humano tão forte, como o da violência contra uma menina”.

Por que não dizer a esse senhor que tal justificativa ofende a inteligência humana: defender a vida da concepção até a morte? Não seja descarado, senhor Grieco, as cadeias estão lotadas de bandidos cruéis e de assassinos da pior espécie que contam com a complacência piedosa da instituição à qual o senhor pertence.

Os católicos precisam ver a igreja como ela é, aferrada a sua lógica interna, seus princípios medievais, dogmas e cânones. Embora existam sacerdotes dignos de respeito e admiração, defensores dos anseios das pessoas humildes com as quais convivem, a burocracia hierárquica jamais lhes concederá voz ativa.

A esperança de que a instituição um dia adote posturas condizentes com os apelos sociais é vã; a modernização não virá. É ingenuidade esperar por ela.

Os males que a igreja causa à sociedade em nome de Deus vão muito além da excomunhão de médicos, medida arbitrária de impacto desprezível. O verdadeiro perigo está em sua vocação secular para apoderar-se da maquinária do Estado, por meio do poder intimidatório exercido sobre nossos dirigentes.

Não por acaso, no presente episódio manifestaram suas opiniões cautelosas apenas o presidente da República e o ministro da Saúde.

Os políticos não ousam afrontar a igreja. O poder dos religiosos não é consequência do conforto espiritual oferecido a seus rebanhos nem de filosofias transcendentais sobre os desígnios do céu e da terra, ele deriva da coação exercida sobre os políticos.

Quando a igreja condena a camisinha, o aborto, a pílula, as pesquisas com células-tronco ou o divórcio, não se limita a aconselhar os católicos a segui-la, instituição autoritária que é, mobiliza sua força política desproporcional para impor proibições a todos nós.

 

——————————————————————-

tortura-nanide NANI. ilustração do site.

pacote. – de jorge lescano

 

 

                                                                                                                                                                           pacote.

A bem da verdade, a designação é tecnicamente incorreta, ou ao menos arbitrária. Trata-se de um saco de papel Kraft, com o nome de um supermercado perfeitamente visível, impresso com tinta azul. Parece-nos que o conceito pacote pressupõe, sugere, talvez requeira, determinadas dobras e barbantes ou fitas com laço ou papel adesivo para prender as abas de tendência triangular. Este não respeita esses requisitos. Mantém sua natureza de saco, reiterada pelo conteúdo que podemos adivinhar na estrutura vagamente cúbica da base. Estreita-se em direção à abertura por uma dobra realizada não de maneira casual, mas respeitando o plissado lateral, que faz do saco um retângulo de papel marrom quando, ainda virgem, repousa junto a outros congêneres na prateleira.
 A dobra, sem violar o plissado original, faz duas abas quase triangulares. Talvez isto crie um certo ar de família com o pacote propriamente dito. O vértice superior das abas vão em direção, ou nascem, impossível determinar com precisão o sentido original, do vinco do plissado; a base do triângulo fica na boca dentada, ou, se preferirmos, recortada à moda de uma onda contínua, acentuada no centro por um corte maior em semicírculo numa das faces, precisamente na qual se encontra impresso o nome da loja. Estas duas abas foram dobradas duplamente no sentido vertical, ou seja, em direção ao fundo do saco, formando uma alça.
 A coisa — hesitamos quanto à sua designação — se encontra no terceiro degrau, a contar de cima, da escadaria de concreto que dá acesso à entrada de um banco. O prédio da instituição financeira está fechado. Estamos na hora do crepúsculo vespertino de um  dia de outono. Confessamos que o objeto em questão foi o responsável pela interrupção de nossa caminhada.
 No primeiro momento — parece-nos que esta atitude é comum à espécie — olhamos em torno do embrulho — que daqui em diante chamaremos pacote —  procurando seu proprietário. Ao não o acharmos, ampliamos o raio de nosso olhar ao redor da escadaria e de nós mesmos. Como não avistamos ninguém na vizinhança, intuímos que o pacote foi esquecido por alguém que por um momento se deteve para descansar. Tal intuição, acrescida pela curiosidade, autoriza-nos a nos considerarmos donos do pacote abandonado.Para confirmar esta nova qualidade, insistimos em olhar em torno procurando seu legítimo proprietário, porém, já com o secreto desejo de não vermos ninguém a quem lhe falte este pacote.  
   Dispomo-nos a nos apropriarmos dele. Provemos o passo acelerado que nos afastará do local, e a concentração mental necessária para vencer o impulso de olhar para trás, denunciando-nos, caso um pedestre trilhe o mesmo caminho que nós. A certeza de nosso próximo gesto faz com que nos demoremos em especulações sobre seu conteúdo.
 A aparência conservada pela base do saco permite imaginar um corpo rígido e, insistimos, vagamente cúbico. A conclusão parece-nos óbvia: uma caixa. A medida que o recheio do pacote solitário ganha altura, perde a rigidez, sugerindo vultos menores, de forma orgânica e de matéria flexível. Pensamos em frutas miúdas e saquinhos de legumes. Talvez um maço de verduras. A caixa é menos previsível, tanto pode conter flocos de trigo como sabão em pó ou facas afiadas. Melhor não nos apressarmos no prognóstico.
 Subitamente nos ocorre que nada impede que o(a) ex-proprietário(a) do pacote tenha usado o saco  para guardar, ou  esconder, objetos  outros que não produtos  de supermercado. O retângulo-cubo
 
poderá ser um cofre ou estojo, os outros volumes algumas peças de pano usadas. Luvas, por exemplo, um par de meias de mulher. Enfim, coisas pequenas, de configurações, pesos e usos variados, dispensáveis no momento em que foram esquecidos ou abandonados.
 A ausência de marcas de outras dobraduras — além do vinco e o plissado — dão ao pacote aspecto de novo. A superfície lisa da face anterior sugere leveza.
 Custa-nos admitir que no interior possa haver algum mecanismo explosivo, programado para entrar em funcionamento quando alguém o toque. Que esconda ninhadas de animaizinhos mortos, retalhos de vísceras ou membros humanos, parece-nos intolerável pelas características externas supracitadas. Contudo, a caixa poderá conter aranhas venenosas vivas. Os volumes moles poderão ser: a) um feto de mamífero em avançado estado de putrefação; b) fezes contaminadas; c) uma substância química de efeitos imprevisíveis sobre o organismo humano; outros (?). Como se vê, material inadequado ao conceito tradicional de pacote. Este termo tem um caráter, não direi aristocrático, mas respeitável, a ponto de merecer seção especial nas lojas; embrulho é mais condizente com os pretensos conteúdos citados. 
 Somos tentados a procurar um policial e duas testemunhas de nossa inocência. Desejamos que o agente da ordem pública proceda ao desvendamento do mistério sob nossas vistas; gostaríamos de convocar a imprensa falada, escrita e televisionada para que noticie o achado bizarro. Ao mesmo tempo, desconfiamos que não seríamos levados a sério. Não é impossível, todavia, que sejamos incriminados. O policial não se deixará envolver num episódio sórdido sem alguma vantagem pessoal.
 Há um momento de fraqueza ou lucidez no qual optamos por nos desentender do pacote. Podemos imaginá-lo só, intacto no terceiro degrau, a contar de cima, próximo da coluna dórica que sustenta a cornija sobre a qual se lê, em letras góticas, o nome da instituição. Sim, urge que nos afastemos das implicações nocivas do seu incomprovável recheio.
 Torna-se necessário, porém, que aproveitemos a passagem de outra pessoa para desentravar os músculos tensos. No momento em que o pedestre se aproxime simularemos consultar o relógio. O gesto será largo e demorado. Precisamos ter a certeza de que foi percebido e interpretado corretamente. Isto é, não como simulação, mas como se de fato olhássemos o relógio pela derradeira vez, antes de desistirmos de uma espera que a esta altura dos acontecimentos se manifesta inútil.
 Talvez seja convincente acender um cigarro. É preciso ter calma e inspirar confiança na moça antes de começar a andar em ritmo e velocidade normais a alguns passos à sua frente. Assoviemos uma valsinha. Não!, tal dança não faz parte do seu repertório, e isto nos tornaria suspeitos. No entanto devemos impedir a todo custo que ela atribua a decisão de abandonarmos nossa atalaia, agora que a noite envolve o local, a uma futura abordagem ou perseguição, intenções totalmente estranhas à autora, bem como ao personagem e à sua sombra.
 A tudo isto se mantém alheio o

 Jorge Lescano

 
Para Daniela Delamare

DÉCIMAS poema de gregório de matos

Estais dada a Bersabu,
Chica, e não tendes razão,
Sofrei-me Maria João,
pois eu vos sofro a Mungu:
vós dais ao rabo, e ao cu,
eu dou ao cu, e ao rabo,
vós com um Negro diabo,
eu com uma Negrinha brava,
pois fique fava por fava,
e quiabo por quiabo.

Vós heis de achar-me escorrido,
não vo-lo posso negar,
eu também o hei de achar
remolhado, e rebatido
assim é igual o partido,
e mesmíssima a razão,
porque quando o vosso cão
dorme c’oa a minha cadela,
que fique ela por ela,
diz um português rifão.

Vós dizeis-me irada e ingrata,
c’oa a mão na barguilha posta”
eu me verei bem disposta”
e eu digo-vos: “Quien se mata?”
eu vou-me à putinha grata,
e descarrego o culhão,
vós ides ao vosso cão,
e regalais o pasmado,
leve ao diabo enganado,
e andemos c’oa a procissão.

Chica, fazei-me justiça,
e não vo-la faça eu só,
eu vos deixo o vosso có,
vós deixai-me a minha piça:
e se o demo vos atiça
mamar numa e noutra teta,
pica branca e pica preta,
eu também por me fartar
quero esta pica trilhar,
numa grêta e nutra grêta.

Dizem que o ano passado
mantínheis dez fodilhões
branco um, nove canzarrões,
o branco era o dizimado,
o branco era o escornado,
por ter pouco, e brando nabo;
hoje o vosso sujo rabo
me quer a mim dizimar,
que não hei de suportar
ser dízimo do diabo.

Chica, dormi-vos por lá,
tendo de negros um cento,
que o pau branco é corticento,
e o negro jacarandá:
e deixai-me andar por cá
entre as negras do meu jeito,
mas perdendo-me o respeito,
se o vosso guardar quereis,
contra o direito obrareis,
sendo amiga do direito.

Sois puta de entranha dura,
e inda que amiga do alho
sois uma arranha-caralho
sem carinho, nem brandura
dou ao demo a puta escura,
que estando a tôdas exposta,
não faz festa ao de que gosta;
dou ao demo o quies vel qui,
e não para quem a encosta.

Quem não afaga o sendeiro,
de que gosta, e bem lhe sabe,
vá-se dormir cuma trave,
e esfregue-se num coqueiro:
seja o cono presenteiro,
faça o mínimo agasalho
ao membro, que lhe dá o alho,
e se de carinho é escassa,
ou vá se enforcar , ou faça,
do seu dedo o seu caralho.

 

TRANSFORMA-SE O AMADOR NA COUSA AMADA poema de luís vaz de camões

 

Transforma-se o amador na cousa amada,
por virtude do muito imaginar;
não tenho, logo, mais que desejar,
pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minh’alma transformada,
que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si sòmente pode descansar,
pois consigo tal alma está liada.

Mas esta linda e pura semideia,
que, como um acidente em seu sujeito,
assi co a alma minha se conforma,

está no pensamento como ideia:
o vivo e puro amor de que sou feito,
como a matéria simples busca a forma.

A FALÊNCIA LIBERAL por walmor marcellino

DE ONDE PROVÊM?

 

 

De algum modo, somos vítimas do “paradoxo da informação ideal”, de que nos advertem os filósofos. Sob os interesses de classe (e caráter), tendemos a assimilar a ideologia sociopolítica que nos convenha; e então “nossos compromissos” objetivos e subjetivos desprezam quaisquer informações negativas, contrárias. Dessa maneira a intelligentsia contemporânea poderá afirmar e reafirmar a substância social da igualdade de direitos econômicos, sociais e políticos e a liberdade política concreta para consegui-los, o “idiota privatista” prosseguirá rejeitando o “interesse público” que não aproveite ao seu arrivismo.

Mesmo a produção destrutiva do capitalismo tem (teria?) uma finalidade que a sustém; e assim o sistema capitalista chegou a esta fase AD 2000, em que seu impulso-intenção produtora se liquefaz (naufraga) estrondosamente; com as pessoas que acreditavam na falácia liberal-produtiva (ainda que avassaladoramente destruindo natureza e comunidades) aturdidas no que se vai comprovando sua ”má-fé” ante a sociedade e a natureza ‑ sempre ameaçadas pela “ousadia” e cupidez imperial. Quanto a nós, reputados “imbecis coletivistas”, éramos a um tempo “ignorantes dos fundamentos dessa excelsa liberdade” como induzidos por uma “falácia patética” (sentimentalismo orientado para uma “humanização absoluta” ou simples “frustração ante as realizações alheias”) no desprezo à “única fonte real de progresso”: o próprio sistema capitalista e sua “lógica política liberal-democrático-representativa”.

Não pretendia aqui falar das “grandes virtudes” que, de uma ou outra forma, atraem e condicionam nossas atitudes e comportamento, e sim reconhecer que se consensuam nelas, por mais de 2.500 anos, aqueles “valores sociais” que a cultura eclética capitalista diz ter trazido à convivência no trabalho e na sociedade: a justiça, a coragem, a fidelidade, a compaixão, o amor, a temperança e a prudência, para apenas exemplificar, e não com o escopo de contrapor ao “malin génie” (má-fé intrínseca) de que padece a pós-modernidade.

Sabemos de onde provêm as idéias corretas ‑ da prática social, da experiência científica e da teoria crítica que viemos estruturando ‑; porém “o pensamento politicamente correto” é uma convenção do poder econômico-político, uma falácia alienante jogada sobre o vulgo. Então por que a polidez nos leva a admitir o falaço do provisionado intelectual a babar em nossos ouvidos e a nos reciclar a paciência com essa contumélia filosófica da burguesia?

Sugiro-lhes: não acalentar as burrices e dogmas de direita ou esquerda, de alienados e interesseiros, quando pretendem replicar ‑ ao modelo Fernando-Henrique Collor Cardoso, Gilmar Perlífero Mendes, Olavo Oh de Carvalho ou Diogo Decúbito Mainardi, assim alcunhados, respectivamente, como pelegos políticos: 1 – canhestro sociólogo neoliberal, 2 – jurisproduto e “patife ilustre”, 3 – filósofo fementido e 4 – pensador reciclado ao cotidiano. ‑ no que as práticas econômica, política e científica confirmam. wmarcellino@yahoo.com.br

 

GUERRA do CONTESTADO – CARTA ABERTA à NAÇÃO

Guerra do Contestado

 

Carta aberta à Nação


Eu, D. Manoel Alves de Assunção Rocha, aclamado Imperador constitucional da Monarquia Sul Brasileira, em primeiro de agosto do corrente ano, com sede no reduto de Taquaruçu do Bom Sucesso, convido a nação pra lutar para o completo extermínio do decaído governo republicano, que durante 26 anos infelicita esta pobre terra, trazendo o descrédito, a bancarrota, a corrupção dos homens e, finalmente o desmembramento da pátria comum.


Comprometo-me:
 
1º – O Em pouco tempo eliminar o último soldado republicano do território da Monarquia, que compreende as três províncias do Sul do Brasil – Rio Grande, Santa Catarina e Paraná;
2º – Para o futuro, anexar ao Império o Estado Oriental do Uruguai, antiga Província Cisplatina;
3º – Organizar um exército e armada dignos da Monarquia e reorganizar a guarda nacional;
4º – Dar ao país uma constituição completamente liberal;
5º – Reduzir os impostos de importação e exportação e bem assim estabelecer o livre câmbio dentro do território do Império;
6º – Fazer respeitar meus súditos, logo que me seja possível, em qualquer ponto do planeta;
7º – Fazer garantir a inviolabilidade do lar e do voto, tão menosprezados pelo decaído regímen;
8º – Fazer respeitar, em absoluto, a liberdade da imprensa, também menosprezada pela antiga República;
9º – Tornar inexpugnável a barra do Rio Grande e todo o litoral do país;
10º – Guarnecer a fronteira como Estado de São Paulo e fronteira argentina, logo que seja reconhecido oficialmente o novo Império e organizado o exército imperial;
11º – O Assumir, relativamente, todos os compromissos do antigo regime, que relativamente couberem ao Império Sul Brasileiro;
12º – O exército imperial será a primeira linha e a guarda nacional a segunda linha;
13º – Unificação da lei judiciária do país;
14º – Restringir a autonomia dos municípios;
15º – Emitir provisoriamente numerário nominal e em seguida a conversão metálica;
16º – A religião oficial será a católica apostólica romana;
17º – Liberdade de culto;
18º – Cogitar do desenvolvimento da lavoura sem desprezo da indústria;
19º – O imposto protecionista a indústria e lavoura do Império;
20º – Livres os portos do Império a todos estrangeiros sem cogitar-se da raça, crença etc;
21º – Serão considerados nacionais todos os estrangeiros que residirem dois anos no país;
22º – Modificar o atual sistema do júri, que não está mais compatível com o século;
23º – O ensino será obrigatório, tanto para a infância como para o exército;
24º – A criação do exército aviador que atualmente está dando resultado na guerra européia;
25º – Edificação da Corte Imperial que será no centro do território imperial;
26º – A bandeira e coroa do império Sul Brasileiro serão adotadas as antigas da decaída Monarquia Brasileira;
27º – A pena de morte em vigor, com a forca;
28º – O serviço militar será obrigatório;
29º – A agricultura nacional será dado uma área de terra independente de pagamento, em terras nacionais;
30º – De lº de setembro em diante entrará em vigor a lei marcial aos inimigos da Monarquia.
 

Viva a Monarquia Sul Brasileira!
Deus guarde e vele pela Monarquia!

Reduto do Taquarussú do Bom Sucesso, em 5 de agosto de 1914.

O Imperador Constitucional da Monarquia Sul Brasileira.

Ass. D. Manoel Alves de Assumpção Rocha

 

teria sido melhor?