TELESCÓPIO poema de solivan brugnara

                    Hei de um dia

                                         transbordar

           que meu coração e um ovo de águia,

                     e livre ver

          mar, estrelas, nebulosas,

                                 qualquer imensidão.

             Pastorear êxodos.

            Cavalgar manadas.

            Beber oceanos.

 Vou arrebentar, inundar, levitar,

       num púlpito qualquer

              rasgar o paletó

                           a camisa

                                  a pele

                                         a alma

                                                  e gritar

                                   voem poemas, estão livres, voem.

 

E leve vou ascender

cair no sentido inverso

da terra para as nuvens.

 

Sim, sim, acredito no improvável,

um dia! um dia!

 As paredes serão neblinas de concreto armado,

 todas as glândulas lagrimais hão de atrofiar por falta de uso

 e as fabricas de fechadura, de grades, de alarmes,

de tudo que prende terão suas ações desvalorizadas.

      

              E então vou apenas fecundar, reencontrar, gargalhar,

                         desconcertar com um tiro de plumas.

               E se morrer de jubilo,

  nunca mais quero ser de carne e alma,

   que ter uma alma e manter um pássaro na gaiola.

            Se puder escolher

                      vou de renascer telescópio

                          ou motor de avião.

 

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