Arquivos Diários: 9 abril, 2009

A MENINA AFEGÃ pela jornalista niara de oliveira

 


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Essa menina de olhos expressivos foi fotografada quando tinha 12 anos pelo fotógrafo Steve McCurry, em junho de 1984. Ela estava no acampamento de refugiados Nasir Bagh, do Paquistão, durante a guerra contra a invasão soviética. Sua foto foi publicada na capa da National Geographic em junho de 1985 e, devido à expressividade, a capa converteu-se numa das mais famosas da revista e do mundo.

Ninguém sabia o nome da menina, nem mesmo McCurry. Depois de 17 anos de busca, em janeiro de 2002 ele reencontrou-a, agora com 30 anos de idade, e pôde saber seu nome. Sharbat Gula vive numa aldeia remota do Afeganistão, é uma mulher tradicional, casada, mãe de três filhas. Ela regressou ao Afeganistão em 1992.

Para McCurry, “A Menina Afegã” era apenas mais uma de tantas crianças que fotografou naquela época, mas a foto fez tanto sucesso que o assombrou por anos como pesadelo.

O fotógrafo não sabia responder nem a mais simples das perguntas nas inúmeras cartas recebidas pela revista: Quem era a garota? Qual o nome? Como ela está hoje? A National Geographic produziu um documentário em 2002, intitulado: “Uma Vida Revelada”, que descreve a busca incansável e persistente de McCurry pelo paradeiro da menina que comoveu o mundo com seu olhar.


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A menina afegã, com olhar menos expressivo, mais maduros, experientes e tristes, reza para que suas três filhas tenham pelo menos uma boa educação, coisa que ela não conseguiu devido às condições financeiras e pelo sofrimento da guerra. Nem ela e nem o marido sabiam do sucesso da fotografia, são pessoas muito simples e não assistem tevê, não compram jornais e nem tiveram acesso à revista onde Sharbat foi capa. Na foto acima, em 2002, durante as gravações para o documentário, Sharbat não soube dizer se estava com 29 ou 30 anos porque não possui registro.

GAÚCHOS (sic) TEXANOS NA CULTURA – por ademir canabarro

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o peão GAÚCHO na doma. ORIGINAL, sem encenação e fantasias.

 

 

gaucho-texanos-na-cultura-materia-000747peão brasileiro  fantasiado de “peão texano” USA. se aculturando, infelizmente. os peões de todas as regiões do Brasil sempre usaram suas roupas tradicionais, que vestiam no dia-dia da vida campeira. lamentável. mas as griffes…$$$$$$!!!! 

 

Assistindo a um vídeo de um Rodeio Gaúcho aqui de Santa Catarina vi peões montando sem a indumentária exigida ou que deveria ser exigida nos Rodeios Crioulos.

O Art. 22 do Regulamento Campeiro do MTG/SC estabelece que: os participantes de todas as modalidades deverão apresentar-se devidamente pilchados, assim como os seus cavalos deverão estar devidamente encilhados. Vi, também, peões montando de calça jeans, bombachinhas argentinas – ou como se diz, calça com punho – e poucos usando a tradicional bombacha gaúcha da Tradição do Rio Grande.

Mas o que mais me espantou foi o uso indiscriminado da chaparreira, uma indumentária usada nos Rodeos norte-americanos e que entrou no Brasil certamente pelo Rodeio Country de Barretos, no Estado de São Paulo. Também conhecida como Charrão, a peça é uma espécie de calça de couro com franjas, que o peão coloca por cima do jeans, durante a gineteada.

 

Infelizmente, são poucos os Patrões de CTGs que exigem a tradicional Pilcha Gaúcha Brasileira nos Rodeios Crioulos Gaúchos. Aos que exigem a indumentária completa e correta dos sul-brasileiros, os meus parabéns! Estão preservando a pureza da Cultura Regional Gaúcha do Sul do Brasil. Aos que não a exigem, gostaria de lembrar que estão colaborando para a deturpação da rica Tradição dos Gaúchos Sul-brasileiros; que estão esquecendo do principal objetivo de um Centro de Tradições Gaúchas do Rio Grande do Sul, que é o de ser o mantenedor dos usos e costumes tradicionais dos interioranos sulinos e da História do Povo Gaúcho Brasileiro. Além disso, demonstram, agindo assim, uma grande ignorância ao permitirem que peões usem indumentárias estranhas à Tradição dos Campeiros do Sul do Brasil, no âmbito do Movimento Tradicionalista Gaúcho Brasileiro organizado.

 

Mas, será só por ignorância? Bem, aqueles que têm dúvidas devem ler, informar-se e melhor se preparar para que não venham a permitir essas e outras aberrações desse tipo em seus Rodeios Crioulos Gaúchos. E além do mais, as regras para um Rodeio da Tradição Gaúcha estão publicadas no sítio do próprio MTG/SC, à disposição de todos os interessados. Tornar-se-á cúmplice desse assassinato cultural só aqueles que assim o quiserem. Ou será que há outra explicação para essas incoerências? Ou quem sabe algum peão gaúcho foi ao Rodeio Country de Barretos e viu os peões usando a chaparreira – aquele pedaço de couro balançando nas pernas do cowboy -,e o chiru achou bonito e trouxe essa texana indumentária para os nossos Rodeios Crioulos – da Terra -, contando com a conivência ou a falta de pulso de alguns Patrões de certas Entidades Tradicionalistas Gaúchas?

 

E dessa forma entrou mais um objeto estranho no Tradicionalismo Gaúcho Brasileiro, sendo também aceito como algo normal nos Rodeios Crioulos Gaúchos Tradicionalistas.

Pergunta-se: qual a incumbência do Coordenador Regional do MTG? Não seria papel dele fiscalizar os Rodeios e exigir que as Patronagens cumpram as diretrizes culturais do Tradicionalismo Gaúcho?

 

Se não é dele esta tarefa, de quem seria, então?  

 

 

(do colaborador e Mangrulho do ONTG no Sul do Brasil, Ademir Canabarro: um Missioneiro!)

 

NÓS, SOMOS GAÚCHOS! poema de josé itajaú oleques teixeira

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Nós somos gaúchos e não sertanejos;

nós temos cultura e os próprios festejos;

nós temos uma terra, um regionalismo;

nós temos o nosso Tradicionalismo.

O nosso fandango nunca foi bailão;

nós temos um Pago e uma Tradição;

nós somos gaúchos bem brasileiros;

nós só imitamos o Rio Grande campeiro.

Nós somos gaúchos, não somos modistas, com fins culturais e não mercadistas;

não temos intuito perverso, assassino;

zelamos a História, a Cultura e um Hino.

Nós somos gaúchos, não só rio-grandenses;

não somos do Texas e nem rio-platenses;

nós temos um Pago, somos nativistas:

nós somos Gaúchos Tradicionalistas!

O SONHO GEOMÉTRICO DE ESCHER por flávio calazans

Mauritis Cornelius ESCHER nasceu na Holanda em 17 de junho de 1898; lá abandonou a escola de arquitetura para ser artista plástico, dedicando-se às obras de arte em sua possiblidade de reprodução em cópias múltiplas, as gravuras sobre metal, pedra e madeira.

            Em 1935 reside em Granada, Espanha, onde apaixona-se pelos arabescos geométricos do castelo de Alhambra, construído pelos árabes, e do estudo dos arabescos Escher desenvolve um estilo próprio, empregando brincadeiras com a geometria para ampliar a percepção e expandir a consciência por meio da arte.

            Incompreendido pela crítica de sua época, Escher escreveu artigos tentando explicar o inexplicável: um trabalho inovador e fora dos parâmetros previsíveis, obra coerente e original ao extremo, genialidade que hoje é “Cult” e clássico entre quem sabe apreciar a arte.

            Em um artigo sobre artista gráfico e artista plástico, Escher explicou que a vida só pode ser percebida pelos contrastes, e esta paixão quase barroca espanhola leva Escher a explorar o que a Psicologia da Gestalt chama lei da Figura-Fundo, contrastando massas pretas e brancas em gravuras com anjos e demônios, por exemplo, onde a consciência foca a figura dos anjos enviando os demônios como fundo subliminar, entre tantas outras.

            Por vinte anos Escher pesquisou cristalografia, a estrutura dos cristais (lembrando que o elemento carbono é a origem dos diamantes e da vida orgânica na Terra) e a refração da luz pela física óptica, além de estudar astronomia desenhando detalhados mapas estelares do céu noturno; chegando a desenvolver teorias próprias sobre cristais e estrelas que contribuiram para que desenvolvesse uma nova perspectiva na qual as linhas paralelas em um ponto do espaço tornam-se convergentes a um ponto de fuga piramidal; como se olhando sob fios de um poste telegráfico, deslocando a cabeça até o ponto em que as linhas paralelas correm para o horizonte.

            Escher afirma que seus contrastes e paradoxos visuais buscam causar um “salto” de percepção no observador-fruidor-público, questionando a realidade física, o continuum espaço-tempo, efetuando metamorfoses inesperadas entre formas de vida diversas e até elementos inorgânicos, além de imagens que encaixam-se umas nas outras reduzindo-se ao infinito (o que antecede em 1940 o que viria a ser a geometria fractal de Mandelbrot de 1980).

            Sempre dasafiando os limites, bordas e fronteiras, Escher cria uma arte delirante, diferente, subliminar, que atinge intensamente todos os que detem-se para sentir longamente seus paradoxos e impossiblidades visuais. Idéias e símbolos místicos e esotéricos preenchem sua obra discretamente, e Escher escreveu confirmando que depois de prontas descobria nas gravuras axiomas místicos como “o que está acima é como o que está abaixo” os quais eram ilustrados e demonstrados visualmente, evidências esotéricas iniciáticas de arquétipos do Inconsciente Coletivo..ouroboros, espirais, sinais zodiacais e cabalísticos, caveiras iconesas subliminares e camaleões cósmicos povoam as obras.

            Combinando e cruzando a Teoria Gravitacional de Newton com a Relatividade de Einstein e com imagens religiosas persas, egípcias, chinesas, etc…como conteúdo e como forma a geometria dos cristais e das mesquitas mouras, Escher surpreende o leitor atento a cada imagem com um desfile desafiador de impossiblidades que falam por sí, um discurso para quem abre bem os olhos.

            Consciente, Escher explica sua obra entre arte e ciência: “Minhas imagens requerem explanação por que sem isto elas permanecem muito herméticas”.

            Escher contava histórias em imagens, nas quais o espectador encontra a sí próprio refletido, suas próprias dúvidas e inquietações cósmicas sobre crescimento e metamorfose projetadas nas figuras.

            “O construtor, o arquiteto, nada mais é do que um escravo da gravidade” provoca Escher em outro texto.

            A gravitação de Newton é questionada nas perspectivas impossíveis de cachoeiras em castelos e escadarias múltiplas que inspiram até abertura de telenovelas de Hans Donner na Rede Globo de Televisão.

            O ritmo de suas gravuras é musical, ele mesmo pergunta-se: “É possível comparar a imagem visual com o som audível?”.

            Em uma crítica ao racionalismo, Escher mostra desenhos perfeitos em seus detalhes mas escondendo truques de perspectiva ilógicos em um desafio à razão, Koans, paradoxos visuais convidando a transcender a mente e os estreitos limites da lógica.

            Desafiando a Biologia, Escher cria o “Bicho-rodapé” como um tatú de seis patas que enrola-se sobre sí mesmo em espiral para andar, imagem de desenho animado.

            Incompreendido e isolado, fazendo imagens muito à frente de sua época, Escher cria um universo que esconde uma complexa superpopulação variada e rica como reflexo de seu mundo interior sensível e avançado, racional mas transcendendo os limites da razão.

            Escher demonstra que a arte tem um poder visual de ampliar os horizontes da nossa percepção da realidade, e hoje sua obra é estudada em faculdades de arquitetura e ilustra livros de física teórica.  

 

 

 

 

RETRATO poema/gaúcho de delci josé oliveira

(Romance das Mulheres dos Guerreiros)

 

 

De certo guardava luto,
porque sóbrio era o vestido.
Na linha austera dos lábios,
nem sinal do riso ausente
se podia adivinhar.
Havia traços do Oriente
e uma plácida tristeza
de névoa crepuscular.
Presos na coifa, os cabelos
sugeriam a nobreza
dessas damas de além-mar.

Eram tristes as mulheres,
no tempo desse retrato…

Mulheres de homens campeiros
nos horizontes abertos
para as grandes recorridas,
duras domas e tropeadas
como não se fazem mais.
Uma vez ganhando a terra,
os homens faziam guerra
pra garantirem a paz.

Homens chegados da Ibéria
ao chão dadivoso e rico,
onde o seu sangue beduíno
verteu-se em seiva de angico
e no pampa enraizou.

Quando os homens reuniam
laços, cavalos e lanças
e se alçavam ao campo
com indômita esperança,
essas místicas mulheres
sabiam do seu mister;
e nas casas das estâncias,
nos ranchos desamparados,
ficavam só as crianças
e os velhos – aos seus cuidados.

Elas cuidavam de tudo,
lavouras e plantação,
fiando a lã para os ponchos,
moendo o trigo para o pão;
criando gerações novas
de caudilhos e campeiros,
a rigor de sacrifícios,
de minuanos e mormaços,
porque esta terra pedia
as primícias do seu sangue
e as bênçãos do seu suor.

Eram fortes as mulheres
no retrato desse tempo….

Essas mulheres trigueiras
dos ranchos de palha e barro
faziam suas trincheiras
contra os bandidos andantes
e colunas estrangeiras;
e, das filhas que salvavam,
a seu exemplo formavam
novas mães e companheiras.

Aos fluidos da primavera,
quando o verde renascia,
e se tramavam os ninhos,
e floriam mal-me-queres,
e as fêmeas eram fecundas,
– coitadas dessas mulheres!

Na voz dos ventos pressagos
vinham cantigas ausentes,
apresilhando os sentidos
como silícios ardentes,
como pesados grilhões…
e a música igual dos grilos
espicaçava o silêncio,
como esporas anunciando
a volta dos seus varões.

Eles chegavam cansados,
quando não vinham feridos
(assim mesmo quando vinham),
para mudar de cavalo,
para fazer mais um filho,
porque a terra merecia
esse holocausto de sangue
em louvor a Liberdade,
para a nova sociedade
viver num mundo melhor.

E as mulheres prestimosas,
pacientes sacerdotisas,
bem guardavam na memória
de milenar ascendência
medicinas misteriosas
contra as dores e feridas;
e, em vigílias comovidas,
ao brando abrigo das quinchas,
dos seus dedos delicados
floresciam os bordados
das bandeiras e das vinchas.

Era servis as mulheres
no retrato desse tempo…

E como eram solidárias
na lida dos ajutórios,
nos partos e nos velórios
e nos transes e responsos
dos terços tristes, chorados
por alma dos que morriam!

Rijas mulheres do Pampa!
Enlutadas heroínas
que se chamaram de “chinas”
por esse esquivo recato
e pelos olhos rasgados,
deixados de herança índia
nos sangues miscigenados!

Decerto delas herdamos
essa força primitiva,
essa fé que nos anima,
que mantém a raça viva,
perene através da idade.
Da mulher quase cativa
nasceu essa gente altiva
que ama tanto a Liberdade!

Eram mulheres de fato
essas Senhoras do Pampa
no tempo desse retrato!