UM MUNDO DE COITADINHOS por philio terzakis

Dia desses, assisti ao tão falado documentário “O segredo”, da australiana Rhonda Byrne.

Pra quem não sabe, é o tal filme da polêmica, que fala da lei da atração universal: pensamento positivo atrai coisa boa, e pensamento negativo atrai coisa ruim (grande novidade!).

É um trabalho interessante pra quem nunca ouviu falar do poder da mente e quer aprender um pouco sobre o assunto. Quem já estuda o tema pode achar o filme superficial e materialista.

Já os anti-auto-ajuda vão vomitar.

Pra esses, ninguém pode dizer: “Vamos lá! Mude sua vida! Você pode! Tente pelo menos! Acabe com esse casamento que não funciona! Largue esse emprego do qual você não gosta! Sua vida é você quem faz! Faça um esforço, puxa!, em vez de ficar aí se lamentando nesse buraco!”.

Não, não. É coisa feia e tola de se dizer. É de dar vergonha, né? Em nosso mundo, o pessimismo e a crítica são muito mais chiques que o otimismo. Cabra inteligente não sai por aí dizendo que o mundo é lindo. Isso é coisa de gente burra, desse povo que lê livro de auto-ajuda.

Mas de se fazer de vítima, ninguém tem vergonha, né? De dar uma de coitadinho e acusar os outros das próprias misérias, todo mundo gosta e acha inteligentíssimo. Eu nem sei como o mundo agüenta essa superpopulação de coitadinhos. Todos são vítimas de tudo: do Estado, da crise econômica, do chefe, do marido, da esposa, dos filhos, dos países imperialistas, da televisão e de quem mais chegar.

É tanta inocência, Meu Deus! É tanto “eu não tenho nada a ver com isso”! Ô, tadinhos! Será que se criam?

Perfeitamente compreensível. O que é mais fácil: acusar os outros ou tentar mudar a si mesmo? Precisa responder? Se eu posso reclamar, porque danado vou fazer um esforço e tomar decisões radicais e enfrentar meus medos e talvez até, Meu Deus!, que terror!, quebrar a cara? E na frente de todo mundo!!!

Não. Melhor ser um coitadinho, né? E botar a culpa no Lula. Ou em qualquer outro aí, que esteja de bobeira, disposto a carregar o peso da minha ignorância, da minha preguiça e da minha covardia.

Quanto ao termo “auto-ajuda”, eu o acho até interessante, embora meio redundante. Que tipo de ajuda não é auto? Qualquer ajuda começa dentro da gente. Nem que seja pelo simples fato de pedir ou de aceitar uma ajuda.

 

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