Arquivos Diários: 14 abril, 2009

UMA ANDORINHA SÓ, NÃO FAZ VERÃO! poema de deborah o’lins de barros

Andorinhas solitárias: uni-vos!

Vamos de encontro às teorias ultrapassadas

da sociologia clássica!

Façamos nossos pedaços de verão

e, de grão em grão,

a revolução se fará.

Cruzar os braços é como votar em branco,

e não sejamos brandos:

o conhecimento é socialista,

somos pássaros com sementes nos bicos,

não temos o direito de ser egoístas.

Andorinhas solitárias, não somos elite,

apenas temos nosso feijão-com-arroz cultural diário,

e nosso dever é dividi-lo,

para depois vê-lo multiplicado.

A cultura agoniza,

a educação agoniza,

e nos resignamos com o ditado.

Andorinhas solitárias, uni-vos,

e, de grão em grão,o

verão estará no papo.

Mosca usa “computador de bordo” para escapar dos nossos tapas – editoria

 

Cientistas descobriram como elas fogem do perigo com tanta tranqüilidade. Acha que é mais rápido que elas?

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Ela vem sorrateira. Voa tranqüila. Pára bem na sua frente. Você se prepara. Respira fundo. Tenta ser o mais rápido possível. E a mosca voa com serenidade para um local seguro. Parece até rir da sua cara. Como é que pode? Cientistas descobriram. As moscas sempre escapam do seu tapão porque possuem uma espécie de “computador de bordo”. Elas são capazes de calcular com precisão a velocidade e o trajeto do perigo, e voam para bem longe dele.

Mas se elas têm “computadores”, os cientistas não devem nada nesse quesito. E foi com a ajuda deles que os pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia, nos Estados Unidos, descobriram o truque das mosquinhas. E publicaram na revista “Current Biology” desta quinta-feira.

Com câmeras de alta resolução e computadores avançados, os cientistas conseguiram filmar uma mosca em ação. E calcularam que cerca de 100 milissegundos antes de levantar vôo, seu pequeno cérebro já percebeu que há uma ameaça, já viu de onde ela vem e para onde está indo e obteve a velocidade do perigo. Ela então adapta sua postura e, com facilidade, voa para longe. Ao todo, o processo leva 200 milissegundos. Você consegue ser mais rápido? Tente!

A descoberta “ilustra quão rapidamente o cérebro das moscas pode processar informações e dar a resposta motora apropriada”, explicou o autor do estudo, Michael Dickinson, em nota.

A operação toda não pode ser considerada um “reflexo”, porque a mosca pode mudar de idéia e ir para outro lado quando bem entender. Ela sabe muito bem o que está fazendo. Dependendo do que a ocupa no momento (ela pode ser se alimentando, “paquerando” um potencial parceiro ou simplesmente irritando alguém), a reação é diferente, mas o resultado, o mesmo.

Um cérebro tão esperto em um bichinho tão minúsculo faz Dickinson pedir um maior “apreço” à melhor amiga dos cientistas. “Pense antes de tentar matá-las”, diz ele. Mas pense rápido.

G1/agência

 

CHIMARRÃO E POESIA poema de jayme caetano braun

 

O payador missioneiro
Sente o calor do braseiro
Batendo forte no rosto
E vai mastigando o gosto
Da velha infusão amarga,
Sentindo o peso da carga
Que algum ancestral comanda
Enquanto o mundo se agranda
E o coração se me alarga

Sempre a mesma liturgia
Do chimarrão do meu povo,
Há sempre um algo de novo
No clarear de um outro dia,
Parece que a geografia
Se transforma – de hora em hora
E o payador se apavora
Diante um mundo convulso
Sentindo o bárbaro impulso
De se mandar campo fora!

Muito antes da caverna
Eu penso – enquanto improviso,
Nos campos do paraíso
O patrão que nos governa,
Na sua sapiência eterna
E eterna sabedoria,
Deu o canto e a melodia
Para os pássaros e os ventos
Pra que fossem complementos
Do que chamamos poesia!

Por conseguinte – o Adão,
Já nasceu poeta inspirado,
Mesmo um tanto abarbarado
Por falta de erudição
E compôs um poema pagão
À sua rude maneira,
Para a sua companheira,
A mulher – poema beleza,
Inspirado – com certeza
Numa folha de parreira!

Os Menestréis – os Aedos,
Os Bardos – Os Rapsodos,
Poetas grandes – eles todos,
Manejando a voz e os dedos
Vão desvendando os segredos
Nas suas rudes andanças,
As violas em vez de lanças,
Harpas – flautas – bandolins,
Semeando pelos confins
As décimas e as romanzas!

Tanto os poetas orientais
Como os poetas do ocidente,
Cada qual uma vertente,
Todos eles mananciais,
Nos quatro pontos cardeais
Esparramando canções
E – no rastro das legiões
Do lusitano prefácio,
A última flor do lácio
Nos deu Luiz Vaz de Camões!

No Brasil continental
Chegaram as caravelas
E vieram junto com elas
As poesias – com Cabral,
Para um marco imemorial
Nestas florestas bravias
Perpetuando melodias
De imorredouro destaque:
Castro Alves e Bilac
E Antônio Gonçalves Dias!

Neste garrão de hemisfério
Quando a pátria amanhecia
Surgiu também a poesia
No costado do gaudério
Na pia do batistério
Das restingas e das flores
E a horda dos campeadores
Bárbara e analfabeta
Pariu o primeiro poeta
No canto dos payadores!

E foi ele – esse vaqueano
Do cenário primitivo,
Autor do poema nativo
Misto de pêlo e tutano,
De pampeiro – de minuano,
Repontando sonhos grandes;

Hidalgo – Ramiro – Hernández
El Viejo Pancho – Ascassubi
Mamando no mesmo ubre
Desde o Guaíba aos Andes!

Há uma grande variedade
De poetas no meu país,
Do mais variado matiz
Cheios de brasilidade,
De um Carlos Drummond de Andrade
Ao mais culto e ao mais fino,
Mas eu prefiro o Balbino,
Juca Ruivo e Aureliano,
Trançando de mano a mano
Com lonca de boi brasino

João Vargas – e o Vargas Neto
E o Amaro Juvenal,
Cada qual um manancial
Que ilustram qualquer dialeto,
Manuseando o alfabeto
No seu feitio mais austero,
Os discípulos de Homero
De alma grande e verso leve,
Desde sempre usando um “breve”
De ferrão de quero-quero!

Imagino enquanto escuto
Esse bárbaro lamento
Que a poesia é o som do vento
Que nunca pára um minuto,
Picumã vestiu de luto
A quincha do Santafé,
Mas nós sabemos porque é
Que o vento xucro não pára:
São suspiros da Jussara
Chamando o índio Sepé!

 

 

gaucho-mate

POEMA PARA MEU PAI – de ivo barroso

Meu pai morreu longe de mim
(eu é que estava longe dele).
Tantos anos se passaram
e ainda não lhe vi a sepultura.
Continuo longe. Mas sua presença
me sacode como um choque elétrico,
uma bebida forte que me arde
por dentro.
Está vivo nos meus dedos,
nos cabelos ralos
— a nuca, dá arrepios de se ver.
Está cada vez mais perto de mim
(eu é que estou mais perto dele).

FOTOGRAFIA poema de joanna andrade

Longa omissão,

covas e mais covas,

intermináveis lacunas sem expectativas,

sem cadáveres,

um infinito mar de sangue insipido claro e invisivel,

nada.

 

réquiem prum inimigo – poema de jorge barbosa filho

eu fico extasiado

com teu olhar de abismo

onde me atiro,

e procuro louco

o meu abrigo.

 

enterrar meu corpo,

no cemitério

de teu sorriso…

é vôo impreciso,

e minha língua prova

as asas de tuas salivas…

.

ah! me leva pro céu!

só pra soprar um risco..

uma nuvem…

me faz um anjo lindo,

enquanto eu traço

a dor que imagino.

 

chorei bastante,

te enterrei dentro de mim

me matei , te matei

tanto, que nem te digo…

você morre comigo!

o dilúvio das fronhas

não eram apenas chuvas!

 

ei, baby, aceite

o bônus track

da escuridão

de nossas palavras…

perdi a noção do perigo

te deitei na minha cama

pra sonhar contigo

e acordei com o inimigo!

 

mas ainda saí vivo!

vivo!

MARILU WOLFF abre exposição no JOKERS

A artista plástica curitibana Marilu Wolff abriu nesta segunda-feira, dia 13, às 20 horas, a exposição individual As Cores da Periferia, no Jokers (R. São Francisco, 164). Na ocasião ela selecionou 13 obras que, como o próprio título adianta, apresenta figuras humanas ligadas, principalmente, as pessoas que moram e trabalham na periferia, no campo, às margens da grande cidade. “Esse é um tema que me atrai bastante e me identifiquei muito. O meu trabalho mostra as pessoas que trabalham no setor primário da economia, com obras muitas vezes inspiradas nas fotografias do Sebastião Salgado”, define Marilu. A exposição tem entrada franca e permanece aberta até o dia 13 de junho.

Ao falar sobre sua obra Marilu acredita que por intermédio da figura humana ela consegue expressar muitas coisas que gostaria de passar para as pessoas. “As minhas obras estão relacionadas ao trabalho do homem do campo, do carpinteiro e outras funções que muitas vezes não são valorizadas”. O tema é recorrente na sua carreira. “Acho que agora meu trabalho está mais seguro e percebo que criei um estilo próprio. É uma marca que pode ser reconhecida quando as pessoas olham a minha obra”, comenta.

No início essas figuras eram representadas pela artista de forma mais suave e, ao poucos, elas foram ganhando mais expressão. Principalmente por conta evolução cromática da artista. “Eu percebo que há um amadurecimento não só das expressões mas, também, pelo uso da cor dos ambientes que são bem vivas, que faz um contraste com a cor das pessoas”, avalia Marilu.

Marilu conta que vai apresentar telas que foram produzidas por ela a partir de 2005. “Ultimamente tenho usado nas figuras humanas uma cor violeta que traduz uma expressão maior para as dificuldades enfrentadas para os personagens que eu apresento nas telas. Hoje estou totalmente satisfeita com esse resultado”.

Serviço:

As Cores da Periferia. Exposição da artista plástica Marilu Wolff. No Jokers (R. São Francisco, 164 – centro Histórico). Abertura segunda-feira, dia 14, às 20 horas. A exposição permanece até o dia 13 de junho. Horário de visitação: de segunda a sábado, das 18 horas até meia-noite. Entrada franca. Informações: 41 3324 2351.

Mais informações e entrevistas:
RB – Escritório de Comunicação
Rodrigo Browne 41 9145 7027
Bárbara B. 41 3363 775

 

PAIXÃO DE COSMONAUTA poema de leonardo meimes

 

Uma caindo aqui

Outra lá

Branquinhas.

 

Redondas, espaçadas

Algumas até enfurecidas.

 

Negra por excelência

Da carne.

 

Vermelha no coração

Fervente

 

Azul… por que é sim azul

Mas também por ser Blues

 

Macia para os que

A tocam com respeito

 

Dura e pesada

Para quem dela usa

Sem medo

 

Marcada pelos carimbos

Do sol

 

Pelas intempéries

Do mundo…

Não será ela o mundo?

 

Feminina no nome

Nas ações maternas

 

Masculina na ferocidade

Das reações

 

Dúbia por ser linda, amável

Perigosa, incontrolável

E tudo que realmente

Nos é valioso

 

Passam muitos dias

Sem que ela seja percebida