Arquivos Diários: 16 abril, 2009

PLANTA DE PEDRA DE RUA poema de tonicato miranda

                                                                                  para Baden Powell e as mulheres esquecidas

 

Vem de manso

Vem de mansinho

Um dedilhado na alma

Quase um ruído na calma

É assim que vem o violão

Ele e ela vêm brotando do chão

Ela planta daninha, ele todos meus ais

Ela, planta sem semente e sem pais

 

Ninguém chegou bem perto

Ninguém voou do seu deserto

Para ver entre tantas plantas

Esta planta e outras mais e tantas

Oh, planta santa, tu planta puta e bela

Nasceste nesta pobre ruela

Nasceste assim quase nua

Parece que cresces com o sorriso da lua

Tu a olhar, chega mais perto, veja

Acho ali tem pequenina cereja

Se fores mais atento verás

Um quê de novo nos meus ais

Verás uma beleza tão natural

Toda uma manhã de Carnaval

A delicadeza que ela carrega

Para dentro do meu olhar a amar

Como carga de bateria

Acendendo eletricidades em meu ar

Brotando-me mais onde não queria

É assim esta pequenina planta

Que quase canta e me encanta

Eu que ao sabor do violão, escuto

Este som que em mim dá fruto

Quão suave é este amor tão delicado

Na planta de minha mão tuas nervuras

Este teu corpo querido e amado

Acredita sinto todas tuas curvaturas

 

Deixa-me correr a regar-te

Para nunca mais esquecer-te

 

Curitiba, 31/01/2009

OS DEZ ESCRITORES AMERICANOS MAIS BÊBADOS DA HISTÓRIA. por andré gazola

 

Para muitos, a bebida é simplesmente um vício. Algo ruim que acaba com sua vida, com sua família e com seu fígado — não necessariamente nessa ordem.

Para outros, pode ser um hábito não-regular que implica em simplesmente fugir um pouco da dura e injusta realidade. Ainda há os que bebem para perder a timidez, os que bebem por esporte, ou sabe-se lá que outros motivos.

E finalmente, encontramos os que bebem porque são gênios. Gênios cuja realidade é simples demais para suas mentes pretensiosas, indagadoras e irriquietas.

Encontrei essa lista de escritores que apreciam a bebida, no site Alternative Reel. Fiquem à vontade para sugerir traduções melhores, elas foram feitas de forma bem livre.

10. Raymond Chandler [1888-1959]

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O álcool é como o amor. O primeiro beijo é mágico, o segundo é íntimo, o terceiro é rotina. Depois dele, você tira as roupas da moça.

[Alcohol is like love. The first kiss is magic, the second is intimate, the third is routine. After that you take the girl’s clothes off.]

 

9. Frederick Exley [1929-92]

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Depois de um mês de sobriedade minhas faculdades se tornaram insuportavelmente agudas e me vi como uma espécie de vidente doentio, tendo visões de lugares aos quais nunca tinha ido. Diferentemente de alguns homens, eu nunca bebi por audácia, charme ou wit. Eu tenho usado o álcool precisamente para o que ele serve, um depressivo para checar a excitação mental causada por um período de sobriedade prorrogada.

[After a month’s sobriety my faculties became unbearably acute and I found myself unhealthily clairvoyant, having insights into places I’d as soon not journey to. Unlike some men, I had never drunk for boldness or charm or wit; I had used alcohol for precisely what it was, a depressant to check the mental exhilaration produced by extended sobriety.]

 

8. Harry Crews [1935-]

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O álcool me chicoteou. Nós tivemos muitos, muitos maravilhosos momentos juntos. Nós rimos, nós conversamos, nós dançamos juntos nas festas; então um dia eu acordei e a banda tinha ido para casa e eu estava deitado num copo quebrado com a camisa cheia de vômito e eu disse, “Ei, cara, o jogo acabou”.

[Alcohol whipped me. Alcohol and I had many, many marvelous times together. We laughed, we talked, we danced at the party together; then one day I woke up and the band had gone home and I was lying in the broken glass with a shirt full of puke and I said, ‘Hey, man, the ball game’s up’.]

 

7. Charles Bukowski [1920-94]

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Beber é algo emocional. Faz com que você saia da rotina do dia-a-dia, impede que tudo seja igual. Arranca você pra fora do seu corpo e de sua mente e joga contra a parede. Eu tenho a impressão de que beber é uma forma de suicídio onde você é permitido voltar à vida e começar tudo de novo no dia seguinte. É como se matar e renascer. Acho que eu já vivi cerca de dez ou quinze mil vidas.

[Drinking is an emotional thing. It joggles you out of the standardism of everyday life, out of everything being the same. It yanks you out of your body and your mind and throws you against the wall. I have the feeling that drinking is a form of suicide where you’re allowed to return to life and begin all over the next day. It’s like killing yourself, and then you’re reborn. I guess I’ve lived about ten or fifteen thousand lives now.]

 

6. Jack Kerouac [1922-69]

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Quanto mais velho eu fico, mais bêbado eu me torno. Por quê? Porque eu gosto do êxtase da mente.

[As I grew older I became a drunk. Why? Because I like ecstasy of the mind.]

 

 

5. Jack London [1876-1916]

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Eu estava carregando um belo fogo alcoólico comigo. A coisa era alimentada por seu próprio calor e queimou the fiercer. Não houve nenhum momento, enquanto estive acordado, que eu não quisesse uma bebida. Comecei a antecipar o término de minhas mil palavras diárias bebendo um drink quando apenas quinhentas haviam sido escritas. Isso não durou muito. Chegou o momento em que eu prefaciava as mil palavras com uma bebida.

[I was carrying a beautiful alcoholic conflagration around with me. The thing fed on its own heat and flamed the fiercer. There was no time, in all my waking time, that I didn’t want a drink. I began to anticipate the completion of my daily thousand words by taking a drink when only five hundred words were written. It was not long until I prefaced the beginning of the thousand words with a drink.]

 

4. F. Scott Fitzgerald [1896-1940]

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Primeiro você pega uma bebida, depois a bebida pega uma bebida, então a bebida pega você.

[First you take a drink, then the drink takes a drink, then the drink takes you.]

 

3. Edgar Allan Poe [1809-49]

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Eu absolutamente não tenho prazer em estimular algo que eu, por vezes, caí com tanta indulgência. Não foi pela busca do prazer que eu tenho arriscado a vida, a reputação e a razão. Foi apenas uma desesperada tentativa de escapar de memórias torturantes, de um senso de insuportável solidão e o horror de alguma estranha maldição repentina.

[I have absolutely no pleasure in the stimulants in which I sometimes so madly indulge. It has not been in the pursuit of pleasure that I have periled life and reputation and reason. It has been the desperate attempt to escape from torturing memories, from a sense of insupportable loneliness and a dread of some strange impending doom]

 

 

2. William Faulkner [1897-1962]

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Não há nada como um mau whisky. Alguns parecem ser simplesmente melhores que outros. Mas um homem não deveria enganar-se com a bebida antes dos cinqüenta; depois disso, ele é um grande idiota se não o fizer.

[There is no such thing as bad whiskey. Some whiskeys just happen to be better than others. But a man shouldn’t fool with booze until he’s fifty; then he’s a damn fool if he doesn’t.]

 

1. Empate: Ernest Hemingway [1899-1961] & Hunter S. Thompson [1937-2005]

 

ernest-hemingway2

Um homem inteligente às vezes é forçado a ficar bêbado para gastar um tempo com suas bobagens.

[An intelligent man is sometimes forced to be drunk to spend time with his fools.] – Hemingway

 

 

 

 

hunter-s-thompsonHUNTER S. THOMPSON

Eu odeio recomendar drogas, álcool, violência, ou insanidade para qualquer um, mas isso tudo sempre funcionou comigo.

[I hate to advocate drugs, alcohol, violence, or insanity to anyone, but they’ve always worked for me.] – Thompson

 

MARIA RITA entrevista com a gazeta do povo

 

Disposta a desfazer a imagem de diva criada em torno dela, Maria Rita não teme ser pessoal na entrevista que concedeu por e-mail à Gazeta do Povo esta semana. Diz-se “um ser inquieto”, mas, ao mesmo tempo, está mais calma e confiante para mostrar-se sobre o palco.

Gazeta do Povo – Você declarou, na ocasião do lançamento de Samba Meu, que não tinha a menor pretensão de virar sambista. O samba a fisgou ou ainda sustenta essa posição?

Maria Rita – O fato de eu ter gravado o disco não muda em nada essa minha posição – sou uma eterna apaixonada pelo samba, mas realmente não sou uma sambista. O que já até gerou bronca de alguns amigos, que dizem que sou, sim, sambista, que eu tenho que parar com essa bobagem de dizer que não sou. Acho isso bonito da parte deles! Existe toda uma subcultura do samba, de que eu participo, que eu consumo, que eu observo, mas não ouso me considerar sambista.

Como a mudança de São Paulo para o Rio de Janeiro alterou a sua vida?

Eu estou mais calma, acredite ou não. Consigo lidar melhor com os desafios, só de saber que pego meu carro e em dez minutos estou na praia, ouvindo o barulho do mar que me acalanta. O Rio é mais quente, e não lido bem com o frio… Me considero privilegiada, porque posso usufruir do melhor de ambas cidades.

O show Samba Meu está na estrada desde quando? Como tem sido a repercussão de público?

Estamos na estrada desde novembro de 2007, quando estreei na Fundição Progresso, aqui no Rio maria-rita-tn_280_651_maria_rita_entrevistamesmo. A repercussão tem sido melhor do que eu esperava. Estou muito realizada e com um orgulho tremendo da turma que reuni para montar esse show. A galera percebe minha alegria, comprou essa briga comigo, cresceu comigo. Adoro essa relação com o público.

Você sentiu alguma dificuldade em cantar samba e dançar ao vivo?

Dificuldade propriamente dita, não. Mas desafio, sim. Porque as canções que entraram no disco Samba Meu foram escritas por homens e, em sua maioria, para homens. Então a coisa de extensão vocal, de intervalo melódico, foi um desafio já em estúdio – para o palco então, em cima de um salto, mais ainda. Esse espetáculo era todo um grande desafio: é o show mais elaborado e interativo que já montei, com mais luz, mais cenário, troca de figurino, salto alto… Mas eu sou um ser inquieto, que sempre busca mais.

Quem assiste ao show se surpreende com a sua postura no palco, muito mais sensual do que costumava ser. O que mudou?

Nada! Só o meu conforto comigo mesma de me permitir mostrar um lado que antes eu nem sequer considerava mostrar. Sempre existiu uma pitada de sensualidade nos meus shows, mas de uma forma muito sutil e tímida, porque eu sou uma mulher tímida. O samba me libertou, por assim dizer. Não muito, claro, porque me recuso a abusar da liberdade que a música me dá em cima de um palco. Não sou uma mulher vulgar. Eu entendi, comigo mesma, que tudo bem ter um figurino mais ousado, que eu não estaria desrespeitando nem a minha história nem àqueles à minha volta. Mas é coisa de momento e eu celebro este momento.

A Maria Rita mais dramática, de músicas como “Muito Pouco”, ainda faz sentido para você? Deve reaparecer em discos futuros?

Absolutamente. Sou uma intérprete. Só consigo cantar o que me toca. Meus discos têm um tom autobiográfico. “Muito Pouco”, por exemplo, me remete a uma história que, sempre que a canto, os sentimentos voltam… É maravilhoso: exorcizo tudo todas as noites. Por isso saio tão cansada dos meus shows. Pode ter certeza que esse tom autobiográfico estará sempre presente nos meus trabalhos.

O setlist do show em Curitiba será o mesmo da apresentação fechada que aconteceu na cidade meses atrás? Ouvi dizer que “Santa Chuva” saiu… E, na ocasião, os insistentes pedidos por “Pagu” tiveram como resposta sua a possibilidade de a música entrar no show. Afinal, como está o repertório?

Está exatamente como você colocou!

Existe algum projeto de investir na carreira internacional? Caso sim, apostaria mais no jazz?

Na carreira internacional eu já invisto há seis anos, desde que começei a cantar profissionalmente. Mas, não, não apostaria mais no jazz. Eu sou cantora de música brasileira que gosta muito de cantar jazz. E tem uma grande diferença nisso. Descarto gravar em inglês? Não. Descarto gravar um disco em espanhol? Não. Descarto gravar jazz? De jeito nenhum.

Quando sai o DVD? E o que se pode esperar dele?

Primeira semana de setembro. Pode-se esperar o show como ele realmente é. Tudo o que está no DVD rolou no show daquele dia. Refizemos somente duas canções, mas ficamos com as primeiras versões de ambas – ou seja, o fã vai ver o show de cabo a rabo, como aconteceu, sem mentira nenhuma, o que, para mim, é uma vitória incrível. Colocamos o videoclipe de “Num Corpo Só”, dirigido pelo Hugo Prata, e ele também criou um videoclipe para a música do bis, “Não Deixe o Samba Morrer”, que ficou emocionante. Haverá um slide show com fotos do Marcos Hermes e um making of do dia do ensaio geral e do dia do show. Muito incrementado, porém muito direto ao ponto.

 

GP.

 

INEFÁVEL poema de cruz e souza

Nada há que me domine e que me vença  
Quando a minha alma mudamente acorda…  
Ela rebenta em flor, ela transborda  
Nos alvoroços da emoção imensa. 

Sou como um Réu de celestial sentença,  
Condenado do Amor, que se recorda  
Do Amor e sempre no Silêncio borda  
De estrelas todo o céu em que erra e pensa. 

Claros, meus olhos tornam-se mais claros 
E tudo vejo dos encantos raros  
E de outras mais serenas madrugadas! 

Todas as vozes que procuro e chamo  
Ouço-as dentro de mim porque eu as amo  
Na minha alma volteando arrebatadas