PLANTA DE PEDRA DE RUA poema de tonicato miranda

                                                                                  para Baden Powell e as mulheres esquecidas

 

Vem de manso

Vem de mansinho

Um dedilhado na alma

Quase um ruído na calma

É assim que vem o violão

Ele e ela vêm brotando do chão

Ela planta daninha, ele todos meus ais

Ela, planta sem semente e sem pais

 

Ninguém chegou bem perto

Ninguém voou do seu deserto

Para ver entre tantas plantas

Esta planta e outras mais e tantas

Oh, planta santa, tu planta puta e bela

Nasceste nesta pobre ruela

Nasceste assim quase nua

Parece que cresces com o sorriso da lua

Tu a olhar, chega mais perto, veja

Acho ali tem pequenina cereja

Se fores mais atento verás

Um quê de novo nos meus ais

Verás uma beleza tão natural

Toda uma manhã de Carnaval

A delicadeza que ela carrega

Para dentro do meu olhar a amar

Como carga de bateria

Acendendo eletricidades em meu ar

Brotando-me mais onde não queria

É assim esta pequenina planta

Que quase canta e me encanta

Eu que ao sabor do violão, escuto

Este som que em mim dá fruto

Quão suave é este amor tão delicado

Na planta de minha mão tuas nervuras

Este teu corpo querido e amado

Acredita sinto todas tuas curvaturas

 

Deixa-me correr a regar-te

Para nunca mais esquecer-te

 

Curitiba, 31/01/2009

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