Arquivos Diários: 19 abril, 2009

“PENSAR É TRANSGREDIR” por mari palmieri

 

“Pensar é transgredir”…sim…realmente! Me lembro que fiquei totalmente maluca quando li este livro da Lya Luft há alguns anos. Existem alguns livros que realmente nos marcam profundamente, e este certamente foi um deles… 

Neste mundo de bundas, BBB, superficialidade, consumo predatório, individualismo, etc, etc, pensar parece um ultrage, algo para o “freaks”, chato e fora da moda…rs 

Pensar pode mesmo ser um peso muitas vezes, principalmente pq começamos a observar e enxergar um mundo em que dá mesmo vontade de ser alienado…

Deve ser mais leve só se preocupar com a balada do dia, ou com o engov de amanhã, quantas (os) pensar-e-transgredir-cultura10eu “peguei” e quanto bebi. Quem foi para o “paredão” do Big Brother ou a última fofoca do escritório. De quem eu vou “tirar vantagem” hoje e qual vai ser a minha mais nova aquisição para “parecer” cool… Posso estar na merda, mas compro um estilo, uma ilusão, afinal a sensação de pertencer a este mundo, de “ser”alguém é extasiante.

E nesse contexto, formam-se os modelos em que deve ter essa atitude, estudar aquilo, almejar ser gerente, ter uma carreira perfeita à la Você S.A.,etc etc, mesmo que isso te foda. Será que as pessoas não percebem que não existem fórmulas mágicas e  how-to guides? Executivos precisam ter infartes aos 40 anos para perceberem que não vale a pena trabalhar 14 horas por dia e ferrar sua vida??

Bom, mas tmb temos um lado que vale a pena…nem tudo é ruim, mas como no filme “O dia em que a Terra parou” ainda somos muito muito imaturos e aprendemos batendo as nossas cabeças ou às vezes nem assim… Ainda somos crianças nesse caminho de evolução…

Agora que já saí totalmente sa linha que queria seguir, tento voltar para Lya Luft…. Segue um trecho especial do livro:

Não lembro em que momento percebi que viver deveria ser uma permanente reinvenção de nós mesmos – para não morrermos soterrados na poeira da banalidade embora pareça que ainda estamos vivos.
Mas compreendi, num lampejo: então é isso, então é assim. Apesar dos medos, convém não ser demais fútil nem demais acomodada. Algumas vezes é preciso pegar o touro pelos chifres, mergulhar para depois ver o que acontece: porque a vida não tem de ser sorvida como uma taça que se esvazia, mas como o jarro que se renova a cada gole bebido.
Para reinventar-se é preciso pensar: isso aprendi muito cedo.
Apalpar, no nevoeiro de quem somos, algo que pareça uma essência: isso, mais ou menos, sou eu. Isso é o que eu queria ser, acredito ser, quero me tornar ou já fui. Muita inquietação por baixo das águas do cotidiano. Mais cômodo seria ficar com o travesseiro sobre a cabeça e adotar o lema reconfortante: “Parar pra pensar, nem pensar!”
O problema é que quando menos se espera ele chega, o sorrateiro pensamento que nos faz parar. Pode ser no meio do shopping, no trânsito, na frente da tevê ou do computador. Simplesmente escovando os dentes. Ou na hora da droga, do sexo sem afeto, do desafeto, do rancor, da lamúria, da hesitação e da resignação.
Sem ter programado, a gente pára pra pensar.
Pode ser um susto: como espiar de um berçário confortável para um corredor com mil possibilidades. Cada porta, uma escolha. Muitas vão se abrir para um nada ou para algum absurdo. Outras, para um jardim de promessas. Alguma, para a noite além da cerca. Hora de tirar os disfarces, aposentar as máscaras e reavaliar: reavaliar-se.
Pensar pede audácia, pois refletir é transgredir a ordem do superficial que nos pressiona tanto.
Somos demasiado frívolos: buscamos o atordoamento das mil distrações, corremos de um lado a outro achando que somos grandes cumpridores de tarefas. Quando o primeiro dever seria de vez em quando parar e analisar: quem a gente é, o que fazemos com a nossa vida, o tempo, os amores. E com as obrigações também, é claro, pois não temos sempre cinco anos de idade, quando a prioridade absoluta é dormir abraçado no urso de pelúcia e prosseguir, no sono, o sonho que afinal nessa idade ainda é a vida.
Mas pensar não é apenas a ameaça de enfrentar a alma no espelho: é sair para as varandas de si mesmo e olhar em torno, e quem sabe finalmente respirar.
Compreender: somos inquilinos de algo bem maior do que o nosso pequeno segredo individual. É o poderoso ciclo da existência. Nele todos os desastres e toda a beleza têm significado como fases de um processo.
Se nos escondermos num canto escuro abafando nossos questionamentos, não escutaremos o rumor do vento nas árvores do mundo. Nem compreenderemos que o prato das inevitáveis perdas pode pesar menos do que o dos possíveis ganhos.
Os ganhos ou os danos dependem da perspectiva e possibilidades de quem vai tecendo a sua história. O mundo em si não tem sentido sem o nosso olhar que lhe atribui identidade, sem o nosso pensamento que lhe confere alguma ordem.
Viver, como talvez morrer, é recriar-se: a vida não está aí apenas para ser suportada nem vivida, mas elaborada. Eventualmente reprogramada. Conscientemente executada. Muitas vezes, ousada.
Parece fácil: “escrever a respeito das coisas é fácil”, já me disseram. Eu sei. Mas não é preciso realizar nada de espetacular, nem desejar nada excepcional. Não é preciso nem mesmo ser brilhante, importante, admirado.
Para viver de verdade, pensando e repensando a existência, para que ela valha a pena, é preciso ser amado; e amar; e amar-se. Ter esperança; qualquer esperança.
Questionar o que nos é imposto, sem rebeldias insensatas mas sem demasiada sensatez. Saborear o bom, mas aqui e ali enfrentar o ruim. Suportar sem se submeter, aceitar sem se humilhar, entregar-se sem renunciar a si mesmo e à possível dignidade.
Sonhar, porque se desistimos disso apaga-se a última claridade e nada mais valerá a pena. Escapar, na liberdade do pensamento, desse espírito de manada que trabalha obstinadamente para nos enquadrar, seja lá no que for.
E que o mínimo que a gente faça seja, a cada momento, o melhor que afinal se conseguiu fazer.

Lya Luft
Fonte do texto (ver site)

Este texto é ótimo, e digo o que gosto dele: é verdadeiro, profundo e nos provoca inquietação. Já falei de não gosto de pessoas que tem muitas certezas? Gosto mesmo da dúvida, daqueles que questionam e se questionam, daqueles que pensam e procuram enxergar até as mesmas coisas sob outras perspectivas. Tentam sair da caixa, mesmo que saibam que ainda estarão “lendo”o mundo através de suas próprias lentes. E que admitem que, por mais que estejam certos de algo, no próximo instante tudo pode mudar… Não existe verdade absoluta…

 

SE EU NÃO TIVESSE ALGUÉM PARA AMAR poema de joanna andrade

Se EU não tivesse alguem para amar,

Eu não pararia nem um minuto, continuaria em busca dos objetivos e nao perderia tempo,

Eu não saberia o que é chorar de saudade ou de medo de perder a pessoa tão importante e rara,

Eu só conheceria  a dor.

Se EU não amasse ninguém,

Eu não precisaria deixar de comer o maior pedaço de bife no prato,

Eu  não poderia levar café na cama de manha cedo esperando que o dia, que o ano, que a vida pudesse ser maravilhosa só por esse ato tão simples

 Eu teria ficado estática em minha vida

Se EU não amasse voce,

Eu não tentaria ser mais forte que Hercules para diminuir a distancia que nos separa,

Eu não esperaria ve-lo todas as tardes,

Eu não teria que parar no tempo para ver voce passar,

Eu não pediria tanto, indiretamente, para me incluir em sua rotina,

Eu seria fraca e não teria tido a coragem de lutar pelo que sinto,

Eu não saberia mais o seu telefone de cor e salteado como sei,

Eu não precisaria de sua mão, estendida, pois não amaria voce.

Eu teria todas as horas e minutos e segundos de todos os dias, livres, sem sequer lembrar de sua existência,

Eu levaria em consideração todas as malvadas combinações de palavras lançadas sobre mim

Eu usaria a força que tenho nao para amá-lo e sim para destruí-lo.

Se EU não amasse ninguem……..

Se EU não amasse voce……

Se……

JA/2008

 

 

DANÇA PARA UMA ALEGRIA MÍNIMA poema de altair de oliveira

Lembro do modo que a morte me convida

pra fazer vida consigo no pós-morte.

Penso comigo no medo que consigo

quando me vejo esquecido pela sorte

fico menor que o menor ser dividido

meio sem porto, sem norte, sem abrigo…

 

Sempre que sumo, espero e me procuro

sei que comigo amigo uns inimigos…

Sinto que a fome me come parasita

e cedo à sede em segredo, comovido.

Quero que o belo futuro me visite

e me permita o instante enfestecido:

desenharei alegria em surdos gritos

desdenharei os  demais dias vividos!

 

Altair de Oliveira – In: O Embebedário Diverso

 

A GALINHA por hamilton alves

 Numa certa ocasião, entre amigos (isso na mocidade), houve um grande problema.  Propúnhamo-nos a fazer um ensopado de galinha. Éramos quatro para uma galinha só.

                                   O problema surgido, de pronto, foi quem se incumbiria de matar a galinha.

                                   Nenhum de nós tinha até então vivido experiência igual.

                                   Havia três casas vizinhas. Era já noite fechada. Incomodar vizinhos para matar uma galinha não entrava na cabeça de nenhum de nós. Tínhamos que nos virar.

                                   Consultamos um vizinho mais próximo.

                                   – O senhor não conseguiria matar uma galinha que queremos ensopar?

                                   – Ó, meu caro – disse ele – nunca matei sequer uma mosca na vida, muito menos uma galinha,

                                   Não tinha jeito. A missão teria que caber a um de nós. E à qual?

                                   Houve um que teve uma idéia que nos pareceu salvadora: chamaria a irmã por telefone, que morava próximo – ela tinha habilidade de matar uma galinha com um mero golpe no pescoço.

                                   – Tua irmã vai demorar e acabamos não comendo essa galinha. – disse um dos mais famintos, apressado em resolver logo o impasse.

                                   A tal irmã demorou um bocado. A certa hora, bateu o telefone. Todos pressurosos corremos para atendê-lo. Era ela (a irmã).

                                   – Me desculpem (disse ela), mamãe acabou de chegar, não está se sentindo muito bem; não posso ir.

                                   Era a derradeira esperança de se resolver de modo não turbulento a morte da galinha para que, finalmente, a comêssemos.

                                   Um dos amigos propôs-se a pedir a um passante qualquer que o fizesse.

                                   Passou um praça da polícia.

                                   – Eu, meu filho, matar uma galinha? Nem por nada deste mundo.

                                   Passou uma velha senhora, sobraçando um pacote.

                                   – De modo algum, não conheço essas artes.

                                   Passou outro sujeito, metido num capote que o cobria de cima a baixo.

                                   – Não, não me peça para cometer um crime desses. Não levo jeito para matar nada.

                                   Caímos os quatros em desolação.

                                   Ou com receio de que um de nós teria que dar conta da triste missão.

                                   A galinha estava amarrada pelos pés. Olhava-nos numa expectativa tensa do que se faria com seu destino. Cacarejava, mal acomodada com o barbante lhe amarrando as perninhas ou pesinhos, coitada.

                                   Olhava-a de quando em vez. Morria de pena de saber que, por mal ou por bem, acabaria lhe cabendo o trágico destino na mão de um daqueles algozes.

                                   Foi então que, súbito, um de nós ergueu-se, impávido, depois de tocado por algumas doses de uísque. Pegou a galinha pelo pescoço, torceu-o duas ou três vezes, que estrebuchou até exalar o último suspiro.

 

 

(março/09)      

Marxismo: não conseguem inventar nada mais atual? – por alceu sperança


 

“Os donos do capital vão estimular a classe trabalhadora a comprar bens caros, casas e tecnologia, fazendo-os dever cada vez mais, até que se torne insuportável. O débito não pago levará os bancos à falência, que terão que ser nacionalizados pelo Estado” (Karl Marx, 1867). Quanto mais se estuda a obra de Karl Marx mais se tem convicção de que o velho sabia das coisas.

 

Acadêmicos, cá entre nós, não são meio chatos? Terrivelmente metódicos, adoram interromper a fluência da leitura com uma nota de pé de página recheada de referências quilométricas…

Não ligue, é apenas uma brincadeira: se Karl Marx fosse menos rigoroso com as fontes de informação e com as ideias que sorveu, não teria conseguido nos dar um dos mais importantes métodos para a compreensão das coisas que nos rodeiam.

Para nossa felicidade, apesar do lulismo e do antilulismo (duas faces da mesma moeda neoliberal), hoje os melhores professores cultivam o espírito crítico empregando as categorias marxianas. Há 50 anos isso dava demissão e até cadeia.

A Universidade Estadual do Oeste do Paraná tem sido uma das “oficinas” de vanguarda na investigação do pensamento marxista. Uma reflexão que ousou contrariar o pensamento dominante – o capitalismo –, que ainda paira sobre este mundo como cuspe de mosca.

A mosca, sabemos, alimenta-se depois de atirar sobre a vítima a gosma de seu ácido corrosivo. O capitalismo cmporta-se dessa forma para extrair lucro do trabalho humano e das necessidades dos homens.

As aberrações reacionárias da burrice paranaense fustigam implacavelmente a universidade paranaense, mas ela tira isso de letra – é um modelo.

Criada modestamente pela Prefeitura de Cascavel, incorpora hoje toda a região Oeste do Paraná e avança pelo Sudoeste, abrangendo também Francisco Beltrão.   

É um grande orgulho para os paranaenses e os brasileiros, pois temos aqui acadêmicos e professores de todo o Brasil.

Um pensamento vivo

De quando em vez, a Unioeste lembra a passagem do aniversário da morte de Marx (transcorrido em 14 de março) e quero crer que não esteja comemorando sua morte, mesmo porque teve o cuidado de meter Friedrich Engels na jogada.

E meteu bem, porque sem Engels a gente não teria aprendido coisas tão óbvias quanto estas, que tento traduzir para a linguagem da minha filha:

“Vocês, galera, se assustam porque queremos acabar com a propriedade privada. Mas aí nessa sociedade de vocês a propriedade não existe para 90% das pessoas. É porque 90% não têm nada que vocês têm tanto. Vocês acusam a gente de querer acabar com essa joça, que só existe impedindo quase todos de ter alguma coisa.  Cai na real: detonar essa droga injusta é exatamente o que a gente quer!”

Que Marx e Engels me perdoem pela tosquice da “tradução”…

De proprietário a próprio-otário

O que, realmente nos pertence? O conceito de propriedade é hoje muito fluido e complexo – não entendo nem metade. Recebi uma herança em terrenos, mas eles foram invadidos enquanto durava o inventário.

Dê-lhe usucapião urbano, advogado pedindo isenção de custas a seus clientes despossuídos, uns confirmando para os outros que moram no lugar há trocentos anos, juiz me intimando a comparecer às tantas horas de tal dia da semana lá nos cafundós, eu perdendo quase tudo e ainda tendo que dar o que sobrou à Prefeitura para pagar os IPTUs atrasados.

Os sem estão com e eu estou sem. Acho que sou dono da minha casa, mas pago IPTU, taxa de lixo, iluminação e o condomínio me põe no pau se eu atrasar.

Mas é tudo meu e ninguém tasca! Um sem-teto não paga IPTU e reza para pagar. Um caloteiro sonegador impatriota odeia pagar imposto de renda e eu, isento, adoraria pagar um milhão de reais desse imposto.

Glória e miséria da civilização

O capitalismo, no entanto, precisa de explicações bem melhores que as minhas. E a dupla Marx–Engels, até hoje, continua na frente quando se trata de trocar em miúdos esse fenomenal mecanismo de criar riquezas.

Nunca houve em toda a história algo tão capaz de gerar bens, suprir necessidades, fazer tudo avançar tão rapidamente. O capitalismo é, sem favor, o ápice da civilização.

Mas o capitalismo é a mosca, pois causa muito sofrimento. Não teríamos, mesmo ignorando Marx e Engels em definitivo, nada melhorzinho para pôr no lugar?

Afinal, há uma enorme e ofensiva mosca a esmagar!


….

O autor é escritor.

RUMOREJANDO. (Parentes com verba da Câmara viajando. Dúvida crucial: Será que eles não acham que estão nos roubando?) 19.04.09

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

Rico é caloroso; pobre, nebuloso.

Constatação II

Rico ganha cafuné; pobre, pontapé.

Constatação III

Ao gracejo

Ela respondeu,

Rapidamente,

Como um meteoro,

Com um sonoro

Bocejo

Tão-somente.

Aí ele perdeu

O rebolado.

Coitado!

Constatação IV

Com relação ao seu pedido de aumento,

Alegando a vinda próxima de um rebento

E o substancial e exagerado aumento

Do aluguel do seu apartamento,

Tenho a informar o seguinte argumento,

Que se refere ao posicionamento

Do meu Departamento:

Ultimamente o seu comportamento

De incitar os colegas a um movimento

De paralisação por um momento

Ou os trabalhos de retardamento

Da entrega das partidas de cimento

Revelando descumprimento

Da política de nosso enriquecimento,

Obriga-me a recusar o seu intento.

Sinceramente lamento.

Sem mais para o momento,

Apresento meu respeitoso cumprimento.

Antônio dos Anjos Sarmento

Ex – Primeiro Sargento

Do 2º. Batalhão de Provimento.

Constatação V

Aquele edifício,

Onde habitava

Gente não pontifícia,

Parecia um dentifrício:

Numa batida da polícia,

Rolava nada de carícia,

Pois ela apertava

A caterva

Aí, saía muita erva.

Nada a ver com erva-mate

O que seria um disparate,

Pois tomar um simples chimarrão

Absolutamente não é infração.

Constatação VI(Ah, esse nosso vernáculo ou como ensinar o a, e, i, o, u versejando, preferencialmente, para adultos).

Por causa de um perjúrio

De um mau augúrio

O cartorário

Teve um delírio,

Condenatório,

O que foi um martírio,

Além de um mistério

Que seu itinerário

Para o purgatório

Antes passava pelo cemitério.

Constatação VII

Encheu o bandulho

Com uma macarronada

Antes de visitar

A namorada.

A barriga se pôs a fazer barulho,

A roncar

Bem na hora de beijar

A idolatrada

A tão amada

Que caiu na risada

O que fez o encanto

Esmorecer.

Ficou chateado.

Tava nas preliminares

Naquela sublime ação

Da bolinação

Que afasta até azares

E que deveria acontecer,

Ou que se supõe suceder

Em todos os lares.

Pra não enroscar,

Já tinha tirado

Até os anéis e colares.

Teve que recomeçar

Com novo canto,

Com novos cantares.

Coitado!

Constatação VIII (Uma historieta).

A família era constituída pela mãe, o pai e quatro filhos, duas meninas e dois meninos. Tinham o habito de comerem todos juntos, ao contrário do que vem acontecendo na maioria das famílias. Mas isso já é outra história ou historieta que absolutamente, agora, não vem ao caso. A mãe mandou fazer uma mesa sextavada. Assim, cada um dos componentes sentava num dos lados do hexágono, no seu lugar já consagrado. Um dia, a filha mais velha trouxe o namorado para jantar. Era o professor da academia de ginástica, do tipo dois metros de altura por dois metros de largura. Quando começaram a comer, depois de dar um jeito de encaixar o namorado na mesa, se deram conta que teriam, nas próximas vezes, tirar os outros três filhos para irem comer na cozinha. É que o namorado comia com os cotovelos formando 90º com o corpo. Coitado! Coitados!

Constatação IX (Teoria da Relatividade para principiantes).

É muito melhor ter os olhos de rato e o sorriso da Mona Lisa do que os olhos da Mona Lisa e o sorriso de rato.

Constatação X (Pergunta ao meu amigo, o professor Luiz Gonzaga Paul).

Por que palavras como período, bugio, vazio e tantas outras a letra o tem o som de u?

Constatação XI (De diálogos tipo mea culpa).

-“A minha mulher é uma santa!”

-“Por que? Ela faz milagres?”

-“Sim. Ela faz o milagre de me aturar”.

-“Ah!”

Constatação XII

O eterno cordato

Acaba virando

Um pato

De quando em quando?

Constatação XIII

“Sinergia”, explicava o obcecado para a sua mais recente conquista, “é dizer sim com toda a energia para as minhas benévolas propostas”

Constatação XIV (De diálogos meio confusos e consequentemente pouco esclarecedores).

-“Ela tirou o corpinho. Revelou assim todo o seu antológico corpinho. Que eu cobri com o meu corpão”.

-“Cobriu o corpinho ou o corpinho?”

-“O corpinho”.

-“Ah, bom!”

Constatação XV

Era um político duplamente baixo: De altura e de propósitos.

Constatação XVI

E como poetava aquele filho para a sua – dele – intrometida mãe: “Não me impinja uma calipígia como é o caso da Ligia; não infrinja meu direito de escolha. Não seja bolha”.

E-mail: josezokner@rimasprimas.com.br