Arquivos Diários: 20 abril, 2009

MARX ou HOAX por cleto de assis

Sou um entusiasta da Internet. Ela se tornou a maior fornalha de conhecimento jamais construída pela humanidade. Mas, como toda fornalha, ela pode forjar o aço e também produz impurezas. Todo bom ferreiro deve saber separar o metal precioso da ganga.

A citação marxista trazida a este blog porAlceu Sperançaem seu texto Marxismo: não conseguem inventar nada mais atual?,  é uma das que me causam um pouco de temor, quando se é inclinado a tomá-la como verdadeira. Por isso, tenho sido rigoroso na verificação das fontes  – tese, aliás, defendida por Sperança, ao citar, logo no início de seu texto, essa coincidente preocupação de Marx. Pesquiso, vou atrás do início da conversa, das obras e sites eventualmente citados. A rede está cheia de hoax, palavra inglesa que significa trote, peça, brincadeira. Hoje há sites dedicados a esse tema, pois é muito fácil afirmar coisas que não existem, já que muitas das citações são feitas anonimamente. Mas isso tem levado a aborrecimentos e, muitas vezes, a confusões dolorosas, se o trote for mal intencionado. Não raro, servem a objetivos propagandísticos, fazendo crer ao leitor, que tal “verdade” pode ser incondicionalmente aceita. No mínimo, colaboram com a difusão de conhecimento inexato ou falso.

A frase atribuída a Karl Marx, e escrita n’O Capital, não está fácil de encontrar. Tenho o livro, mas como é mais difícil localizar a citação no texto impresso, busquei versões on line e nada. Pedi ajuda ao Google e ela só aparece no mesmo contexto: que Marx teria afirmado, em 1867, na sua bíblia. Fui a outras fontes e descobri o texto do comentarista de economia do Times, Tom Petruno, que também está com a mesma dúvida. Vejam o que ele escreveu, há pouco tempo.

Karl Marx pode ter sido presciente, mas não teve esta presciência

10:24, 11 de fevereiro de 2009

Se ele tivesse efetivamente dito isso, os americanos poderiam ter um novo saudável respeito – ou talvez medo – de Karl Marx. Essa citação do gênero hoax vem circulando na Internet há pelo menos um mês, atribuída ao homem mais associado ao surgimento do comunismo:

“Proprietários de capitais deverão estimular a classe trabalhadora para comprar mais bens, casas e tecnologia mais caros, a empurrá-los para ter mais e mais caros créditos, até que a dívida se torne insuportável. A dívida não paga vai levar à falência dos bancos, que têm de ser nacionalizados, e o Estado vai ter que tomar a estrada que vai acabar por conduzir ao comunismo. ” – Karl Marx, Das Kapital, 1867

Na blogosfera, nenhuma pessoa que tenha pesquisado encontrou qualquer citação de Marx nesse sentido. Não foi possível encontrá-la, ou algo remotamente com som similar, nem em marxists.org.

Como escreveu Megan McArdle na revista Atlantic, a frase soa imediatamente “um pouco a propósito, como se Marx a tivesse escrito diretamente na sala verde da CNN.”
Mesmo assim, Marx previu que o comunismo seria a última etapa na evolução da sociedade humana, uma vez que a classe trabalhadora finalmente se revoltaria contra a exploração da classe capitalista. Sua visão, entretanto, foi de um comunismo utópico, não o comunismo autoritário da antiga União Soviética.

Quanto a verdadeiras citações de Marx a propósito da atual confusão da conjuntura econômica e financeira do sistema, aqui vai uma:

“Em todas as trapaças das bolsas, cada um sabe que em algum tempo ou outro, a queda deve chegar, mas cada um espera que ela possa cair na cabeça de seu vizinho, depois de ele próprio ter acumulado a chuva de ouro e a colocado em lugar seguro. Après moi le déluge! é o lema de todos os capitalistas e de cada nação capitalista. Daí que o capital é temerário para a saúde ou duração de vida do trabalhador, a não ser sob coação da sociedade. ” – Tom Petruno in http://latimesblogs.latimes.com/money_co/2009/02/karl-marx-hoax.html

Sem demérito ao trabalho de Alceu – de quem tenho admirado outros textos aqui postados – seria muito bom se o autor nos esclarecesse a origem da citação, se possível com a página, o capítulo e o volume d’O Capital, se é ali que ela se encontra. Por favor, não me obrigue a ler o livro inteiro novamente.

Aliás, essas dúvidas têm me convencido, mais e mais, que os textos publicados na rede devem ser acompanhados de todas as informações complementares, principalmente de fontes e datas, para que a ganga da Internet seja perfeitamente visível.

Mas não finalizarei sem outro comentário: não posso concordar que só os professores que cultivam o espírito crítico e empregam as categorias marxianas são os melhores. Há bons, excelentes e péssimos professores em qualquer categoria de pensamento filosófico ou político. O que devemos combater é que a universidade brasileira, que já está corroída por problemas educacionais e administrativos, faça uso de uma só linha de pensamento para desenvolver conhecimento e formar profissionais. Deixaria, assim, de ser Universidade, onde se deve debater o pensamento universal (de todos os tipos).

karl_marx_001                  o filósofo karl marx. foto livre.

A VÓS JUVENTUDE! poema de vera lúcia kalaari / Portugal

A vós, 
Juventude incompreendida, 
Á vossa voz, 
Á vossa sede incontida 
Da vida, 
Eu dou os versos que faço. 
A vós, 
Que quereis tudo e não quereis nada… 
Que sonhais sonhos acordada 
Meus irmãos heróis, 
Meus irmãos loucos, 
Eu ofereço quanto tenho: 
Estes sonhos, este andar de estrela para estrela. 
Escutai! 
Rir-nos-emos do mundo que não vale nada! 
Porque nós, juventude transviada 
Estamos acima de todos! 
Estamos lado a lado com o céu firme, brilhante, 
Sob as cores dum arco-íris. 
E abaixo de nós 
Está o bando de gente dispersa, superior, 
Que arrasta os pés, tacteando, 
No crepúsculo das ruelas. 
A nós, o sol da esperança, 
Aquece-nos as mãos, reacende-nos os olhos. 
Hoje, tu, mocinha louca 
Tens o próprio sol nas mãos! 
Qu’importa o amanhã? Um amanhã que talvez nunca virá? 
Um amanhã com carga de canhões, com nuvens de fumaça, 
Com ondas púrpuras de sangue 
E gemidos de queixas e prantos? 
Vivamos o hoje! 
Sigamos um só caminho! 
O caminho sem preconceitos! 
Um caminho em pontes erguidas 
Sobre pântanos, sobre estradas abertas 
Entre corrupções e ódios. 
Ninguém sabe, ninguém, 
Se a primeira gota de sangue dos nossos corpos, 
Gotejará amanhã. 
Porque a terra, as águas, o ar, 
Estão transformados! 
Porque por toda a parte, 
Há almas enlouquecidas, implorando: “Paz”! 
Porque a terra está nua! 
Porque o mundo todo, é uma orgia sangrenta 
Sem auroras puras iluminando rostos de crianças! 
E talvez, sim, talvez, jamais volte cor 
Sobre o estertor do mundo sem alento! 
E nós, crianças, nós, juventude revoltada, 
Ovelhas negras dum rebanho de ovelhas negras, 
Cruzaremos os braços d’espanto e gemeremos: 
-Senhor, que fiz eu? 
E teremos, revoltados, os pensamentos parados! 
Guardaremos no peito, o ódio e o desespero. 
Perderemos a esperança duma felicidade futura! 
Pisaremos com rancor as flores, 
Embriagados pelo sangue, os dentes rangendo d’ódio! 
E os nossos olhos verão o dia transformar-se em noite! 
Veremos as estrelas que se acenderam para nós 
Sufocadas pelo brilho ardente das armas nucleares! 
(Oh tristeza! Oh horror d’um céu sem estrelas!) 
Por isso somos a juventude revoltada. 
Por isso caminhamos de rua em rua, de cidade em cidade, 
Jogando sem preconceitos a alegria e o riso, 
Como o bimbalhar de sinos festivos, tocando a finados! 
E tentamos a mente embriagar. 
Tentamos que o mar, imponente, se deite a nossos pés. 
Que a terra, a humanidade, nos tema, nos odeie. 
Mas vede: Tudo é uma farsa! 
Porque sob o menino orgulhoso, 
Se esconde o temor da redenção. 
Se alastra a solidão entre imagens de pedra, indiferentes, 
Que nunca estendem a mão ao vagabundo que passa. 
Porque o suspiro dos nossos peitos, é o suspiro, 
Duma estrela moribunda! 
Porque somos os filhos do vazio, 
Porque nossas vozes secas, são fracas, insignificantes! 
São preces de vento, rolando em erva seca! 
Porque somos os homens d’amanhã, 
Carne para canhão, corpos sem forma, sombras sem cor, 
Aqueles que nasceram já no reino da morte: 
Os guardados em conjunto, os empalhados, 
Para uma luta final, 
No reino crepuscular. 
E nesta derradeira jornada, 
Neste caminhar por um vale sem estrelas, 
Continuaremos cegos, independentes, 
Um rebanho sem pastor 
Caminhando… caminhando… 
Entre o desejo e a revolta, 
Entre a emoção e a decepção, 
Entre a claridade e a sombra, 
Entre o sonho e a realidade, 
Nas asas dum tempo, 
Sem ontem nem amanhã.

O REBELDE CHINÊS por niara de oliveira

rebelde-chines-foto-tank-man_widenerfoto de Jeff Widener.

 

Essa foto foi intitulada “O Rebelde Desconhecido“. Mesma alcunha atribuída ao jovem estudante anônimo que se tornou internacionalmente conhecido ao ser gravado e fotografado em pé em frente a uma linha de tanques durante a revolta da Praça de Tiananmen em 5 de junho de 1989 na China.


A foto foi tirada por Jeff Widener, e na mesma noite foi capa de centenas de jornais, noticiários e revistas de todo mundo. O jovem estudante se interpôs a duas linhas de tanques que tentavam avançar. No ocidente, as imagens foram apresentadas como um símbolo do movimento democrático chinês: um jovem arriscando a vida para opor-se a um esquadrão militar.

Na China, a imagem foi usada pelo governo como símbolo do “cuidado dos soldados do Exército Popular de Libertação para proteger o povo chinês: apesar das ordens de avançar, o condutor do tanque recusou-se a fazê-lo se isso implicava causar algum dano a um cidadão” – versão chinesa.

“Eu estava no 5 º andar do Hotel Pequim. Consegui contrabandear minha câmera dentro de vasos chineses antigos com a ajuda de um estudante americano chamado Kirk, que estava hospedado no hotel. Esse estudante levou as imagens ainda no filme dentro da cueca de volta para o escritório da agência, de onde foram transmitidas para o mundo. (…) Quando vi a coluna de tanques achei que o solitário homem iria estragar a minha foto. Eu não estava conseguindo raciocinar direito porque estava muito gripado. Apenas alguns dias mais tarde, quando outros fotógrafos internacionais começaram a me cumprimentar pela foto foi que me dei conta da importância da imagem,” declarou Widener, da Associated Press.

Junto com as imagens da queda do Muro de Berlim, a foto do estudante enfrentando os tanques chineses foi um sopro de democracia e liberdade para o movimento estudantil mundo afora. No Brasil, o movimento estudantil se referia a essa imagem como “A primavera de Pequim”.

BÁRBARA LIA lança seu livro: SOLIDÃO CALCINADA

Terça Músico-Literária no Realejo Culinária Acústica
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.
Os poetas: Bárbara Lia e Samir Benjamim
Apresentando
Poesias inéditas de Bárbara Lia
Música:
Violonista João Francisco Paes

Lançamento do romance
Solidão Calcinada
 – Bárbara Lia

Dia 21 de Abril – 20h30

 

Sakountala

 

Cinzel de prata esculpindo pés
Cada fagulha vermelha
um fio de cabelo do amor

Cinzel de prata treme
acende astros
de um azul escuro
em meu olhar algodão

Rodin!
Rodin!

Tantos pés teci
em mármore angustiado
-trilha de pés moldados-

esquerdo / direito
esquerdo / direito
esquerdo / direito

Tantos pés
emprestei-te
para ter-te assim
ajoelhado
enlaçado
abismado
abandonado

Augusto espectro
de fogo
onde queima
a aurora

Sei!
Tudo isto
é mármore!

Mas, antes
foi carne
vermelho abandono
amor petrificado


Antes do fim
às margens
do Rio Loire
nossa carne carmim
foi mármore.

 

 


Local: Realejo Culinária Acústica
Rua Coronel Dulcídio 1860 – esq. c/Petit Carneiro

Água Verde – Curitiba
Entrada: R$ 5,00