Arquivos Diários: 21 abril, 2009

POLITICA EM FRAÇÕES por walmor marcellino

REESCREVENDO UM PROJETO

 

 

Fui a Caldas da Imperatriz rever um ambiente natural para quem deseja combinar trabalho silente em descanso de águas termais e com a natureza; e revisar meu ensaio-novela-história “Ulciscor” que empatou na ducentésima-quadragésima página. Temperado pela natureza e com a presença de mulher, filha e neto só me adverti de que “ligeira indisposição física” em perturbação de saúde desde o início da viagem vingara em pneumonia, obrigando-me a antecipar o regresso, sem visitar o Salim Miguel, o João Paulo, o Vidal, o Hamilton e o Vinicius Alves, o Boos Jr. e tantos outros maratonistas dessa incrível excursão que vamos fazendo. Peço-lhes desculpas pela ameaça da visita, embora os considere figuras raras do “interlocutor paciente e promitente” nestes tempos em que faltam referências culturais: para quem tem interesse e boa intenção, falta humildade aos ignorantes para perguntar o que não sabem e existe presunção em demasia para todos aqueles que são “seus concorrentes em potencial” nalgum projeto tecó que não começa “hoje” nem terminará nunca.

Sei que é muita pretensão, num relato de tantos anos de circunstâncias políticas e emocionais, no que me aproxima do ensaio e contém episódios históricos e acomoda ficções, produzir um livro fundamentalmente político ‑ fracionado em três CDs, à espera de críticas, sugestões, correção e contestações reveladoras, assim acreditando que nem os intelectuais se tornaram “nerds” a trocar cumplicidades e festividades pelo computador e que outros intelectuais mais capazes tenham seus interesses e parâmetros pela ofuscagem do “best-seller” ou mesmo sejam empalados pelas relações sociais de sujeição e proveito. A palavra está aberta; naturalmente se o tema, a escritura e a “distinção da mídia” permitirem.

 

PERSEGUIR UM SONHO por donato ramos

 

Há dez anos eu escrevia sobre as dificuldades de se fazer jornal no interior e o Jornal Folha de Itapoá publicou com destaque. Com destaque por falava do sonho de Beth e Marcelo, os donos do “pasquim-nanico” e porque a Folha completava seu primeiro aninho. Era uma criança. E como a grande maioria das crianças recém-nascidas, feio pra burro, parecendo um joelho. Depois, já com dez aninhos, que gracinha. Fica até colorido!
Na Capital sempre foi uma dificuldade manter-se um periódico, mesmo que fosse mensal; nas cidades grandes, a mesma coisa. Nas cidadezinhas então, praticamente impossível. Anunciante só se for parente bem chegado ou amigo do peito, que faz anúncio “pra ajudar”. Mas não vou me deter nisso, por uma série de fatores, os quais não vou mencionar porque o que eu quero falar é de perseguição de sonho.
A FOLHA DE ITAPOÁ completa dez anos. Beth Fagundes completa meio século, com toda a festa de que é merecedora por seus grandes méritos e vai lotar o Maresia (local obrigatório das grandes festas em Itapoá), Marcelo, como marido, amante e puxa-saco da grande jornalista, “a beijará na boca” e, como sócio, vai fotografar tudo e, depois, publicar uma edição especial, enchendo as páginas com as carinhas bem cheias e coloridas dos seus amigos – eu e o prefeito Erwino na frente – com uma manchete bem pomposa: FOLHA DE ITAPOÁ: DEZ ANOS DE SUCESSO!
BETH: MEIO SÉCULO FAZENDO AMIGOS!
Uma das coisas gratificantes na vida é ver reconhecido o caminho percorrido por alguém em busca dos seus objetivos, por mais estranhos que possam parecer esses objetivos aos olhos de incautos observadores. E esses dois jornalistas são reconhecidos hoje, depois de dez anos de luta.
Agüentar o tranco durante dez anos, numa cidade que nem maior de idade ainda é, merece aplausos em pé! Por essa razão não me sentei pra escrever estas palavrinhas a eles endereçadas: por respeito! Respeito muito, demais, os sonhadores como Beth e Marcelo,
 “tomando as suas” juntos, brigando entre si por qualquer motivo banal – e todos os motivos são banais na vida, nada existindo de muito importante , escrevendo juntos as manchetes, editoriais, nascimento de criança ou morte de velho – que são poucas, pois vivem num paraíso chamado Itapoá e com uma vida dessas as pessoas custam muito pra morrer -, sofrendo todas as agruras das negativas de anunciantes que seriam possíveis patrocinadores do sonho de se fazer jornal no interior, mas, no final da madruga, juntos, na mesma cama e sonhando – de novo – novos sonhos. Amanhã, outra vez, correrão atrás deles, como quem persegue uma sombra fugitiva.
Corra, Lola! Digo, corra Beth! Corra, Marcelo! Não deixe o sonho fugir!

DONATO RAMOS mora em Florianópolis e é proprietário do Jornal Cultura & Lazer, Presidente do Instituto Vida & /Cidadania, Presidente da Associação Catarinense de Idosos e Pré-idosos.
Nas horas vagas pinta, escreve livros, faz música, toca gaita de boca e vive feliz ao lado de Dalila e seus quatro filhos.

 

Donato Ramos – Jornalista/Escritor

MAS NÃO PARA MIM poema de tonicato miranda

sou mesmo um tolo

adoro este seu jeito solto

brincando com as pessoas

soltando encantos ao ar

mas parece de mim caçoas

 

sou bobo demais, pobre de mim

lobo velho com coleira e amarras

mas adoro este seu olhar à toa

que por todas as paredes voa

mas ele não voa para mim

 

sou um idiota aprisionado sim

pelo seu doce sorriso de algodão

esfregando o branco dos dentes

nos entusiasmos mais dementes

mas ele não vem até a mim

 

sou eu o vento sul, sim

passo de leve por seu pescoço

e você rola a cabeça, sorri

aos forasteiros e aos homens daqui

mas não sorri para mim

 

sou mesmo um tolo

acreditando que chapeuzinho

um dia poderia se perder comigo

mas você jamais se perderia assim

pelo menos não para mim

 

não sou mais nenhum tolo

aprendi – você não é de ninguém

sorri porque gosta de ser assim

um sorriso solto ao prazer da noite

mas não para mim

 

TM, 26/03/2009.

VER poema de otto nul

 

 

 

vejo o que vejo
 só não vejo
 o que me causa pejo

 

E o que é visto

Me anima a vista

Quando em revista

 

Quando vejo

Tudo vejo

Sem grande desejo

 

Embora veja

Pouco que seja

Isso me enseja

 

A voltar a ver

Com que prazer

O que quer que seja

 

           x x x

 

 

abril/09 – Otto Nul)