LARVÁRIO poema de jairo pereira

Larvo misógino até outro poema

que se inscreva em mim furioso

poema de proliferar inverdades poema

de colecionar mnemônicos objetos

larvo lavro nas embiras rasgadas

uma vida de intenções megacósmicas

larvo cor de erva-mate moída na cuia

a salada de maionese tava ótima

neste domingo de dia dos pais

tranço eclipsemas vários

os pés no chão agora úmidos

da horta úmida

anis expostos sálvia mastruz

de pôr na cachaça

tenho sede de biodiversidade

uma joana ilustrada ilustra

a gola de minha camisa

na água da pia escorrida na terra

a lesma gorda túmida

lâmia lêmea límia estacionada

um rastro prateado de signos diluídos

a lesma esma resma vesma

tenho sede de biodiversidade

sede dos amplos espaços azuis

no cipó-açu

improscrito liquem-rosa atrai insetos

a aranhinha negra tece sua teia núbia

vertigo vezdigo vertrigo velíquo

meu corpo

de estar no dentro de tudo

que vejo e sinto

pensamento e extensão

:extensão: os longos

braços do pai provedor no tempo

o pai de matas mares rios tempestades de

areia nos desertos o pai de tudo que é

toca-se

:pensamento: pensar imaginar sonhar

emoções essências do ser e estar no mundo

aqui existem as emoções verdadeiras

aqui tudo é de se azulescer reverdescer

mosqueio descarregos de coisas guardadas

mosqueio o lixo reciclado mosqueio

vidros mascados

trabalhos nos fundos das minas

mosqueio mosqueio

passos inacertados

inseto construtivista

erijo prédios repartidos na significação

sobrepostos nas tentações erijo com signos

cagados de pássaros meu dizer rural rurícola

atabalhoado cego pra tudo quanto é lado

inseto construtivista traço linhas brancas

no nada nas telas planas do .invisível-indizível

um pedaço de dois centímetros

de meu cipó-açu

por aquele casaco de couro argentino

lembro do dia que construi

com os pequenos ossos

do animal morto ou melhor

reconstrui o bicho vértebra sobre vértebra

parecia um Et meio metro braços longos

pernas curtas: não seria um grande

bugio amarelo!?

na toca escura sem claridade alguma

olho pro negro do nada nada a terra fresca

meu corpo morno no fresco da terra fresca

pisanças de bichos no porcima um bicho na toca

o outro eu ali estático extático

semente na casca do fruto

o grão de terra na terra

eu na toca nua e escura

pra que ficar sempre ali

no tempo e no vento

meu outro eu entocado

livre de quaisquer relações

com os outros homens e mulheres!?

uma vida na toca ampla confortável

no resto de mata

sobrevivida q. sobrevivi

a filosofia do estar só e nu

estar só e nu no mundo entre as coisas

aiayaculerêdurimdyé aiayaculerêdurimdyé

:vida q. se perdeu nos objetos:

me perco e me reencontro pés no chão unhas

encardidas fiapos de idéias fieiras de eclipsemas

novos para materializar nos pêlos do tapir

eclipsemas de se brincar

e arranjar significação

pra entreter a vida.

 

 

 

jaIrO  pEreIrA

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: