Arquivos Diários: 25 abril, 2009

SOLIDÃO poema de otto nul

 

Estou só

Sempre só

Solidão que insiste

Que resiste

 

De tal modo só

Nada mais existe

Tomo assim pos-

Se de mim

 

Pouco mais desejo

Que ser apenas eu

Comigo num so-

Lilóquio sem fim

 

Que bom ser assim

Nessa fala infinda

Tudo vem de mim

Embora só ainda.

 

 

        x x x

 

(abril/09 – Otto Nul)

 

 

 


REVISTA “O CRUZEIRO” – PRIMEIRO NÚMERO DE 10 DE NOVEMBRO DE 1928 – EDITORIAL

 


 

cruzeiro-i

 

 

Depomos nas mãos do leitor a mais moderna revista brasileira. Nossas irmãs mais velhas nasceram por entre as demolições do Rio colonial, através de cujos escombros a civilisação traçou a recta da Avenida Rio Branco: uma recta entre o passado e o futuro. Cruzeiro encontracruzeiro-2 já, ao nascer, o arranha-céo, a radiotelephonia e o correio aéreo: o esboço de um mundo novo no Novo Mundo. Seu nome é o da constelação que, ha milhões incontaveis de annos, scintila, aparentemente immovel, no céo austral, e o da nova moeda em que resuscitará a circulação do ouro. Nome de luz e de opulencia , idealista e realistico, synonymo de Brasil na linguagem da poesia e dos symbolos.

Timbre de estrellas na bandeira da Patria, o cruzeiro foi, desde o primeiro dia da sua historia, um talisman. Nas solidões do mar, era o fanal nocturno dos navegantes. Vera Cruz, Santa Cruz, foram os nomes sacros que impuzeram á terra nova os nautas-cavalleiros na semana mystica do descobrimento. A armada descobridora apontara á vista dos íncolas attonitos, com as vermelhas cruzes pintadas na pojadura palpitante das vélas. Na terra paradisíaca, por onde Eva andava na cxruzeiro-crucap01verde floresta mais nua do que anda hoje nas praias fulvas de Copacabana, arvorou-se em signal de posse uma cruz, em memoria daquella outra em que um Homem divino fôra crucificado no reinado do lascivo Tiberio. Volvidos quatro seculos, a bandeira nacional recolhia num losangulo de céo a constelação tutelar, restaurando na linguagem dos symbolos o nome do baptísmo de 1500. Cruzeiro é um título que inclue nas suas tres syllabas um programma de patriotismo.

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Uma revista, como um jornal, terá de ter, forçosamente, um caracter e uma moral. De um modo generico: princípios. Dessa obrigação não estão isentas as revistas que se convencionou apelidar de frívolas. A funcção da revista ainda não foi, entre nós, sufficientemente esclarecida e comprehendida. Em paíz da extensão desconforme do Brasil, que é uma amalgama de nações com uma só alma, a revista reune um complexo de possibilidades que, em certo sentido, rivalisam ou ultrapassam as do jornal. O seu raio de acção é incomparavelmente mais amplo no espaço e no tempo. Um jornal está adstricto ás vinte e quatro horas de sua existencia diaria. Cada dia o jornal nasce e fenece, para renascer no dia seguinte. É uma metamorphose consecutiva. O jornal de hontem é já um documento fóra de circulação: um documento de archivo e de bibliotheca. O jornal dura um dia. Essa existencia, tão intensa como breve, difficulta os grandes percursos. É um vôo celere e curto. O jornal é a propria vida. A revista é já um compendio da vida. A sua circulação não está confinada a uma area traçada por um compasso cujo ponteiro movel raro pôde exceder um círculo de raio superior á distancia maxima percorrivel em vinte e quattro horas. A revista circula desde o Amazonas ao Rio Grande do Sul, infiltra-se por todos os municipios, utilisa na sua expansão todos os meios de conducção terrestre, maritima, fluvial e aérea; entra e permanece nos lares; é a leitura da familia e da visinhança. A revista é o estado intermedio entre o jornal e o livro.

ø

Por isso mesmo que o campo de acção da revista é mais vasto, a sua interpretação dos acontecimentos deve subordinar-se a um criterio muito menos particularista do que o do jornal. Um jornal póde ser um órgão de um partido, de uma facção, de uma doutrina. Uma revista é ums instrumento de educação e de cultura: onde se mostrar a virtude, animá-la; onde se ostentar a belleza, admirá-la; onde se revelar o talento, applaudi-lo; onde se empenhar o progresso, secundá-lo. O jornal dá-nos da vida a sua versão realista, no bem e no mal. A revista redu-la á sua expressão educativa e esthetica. O concurso da imagem é nella um elemento preponderante. A cooperação da gravura e do texto concede á revista o privilegio de poder tornar-se obra de arte. A politica partidaria seria tao incongruente numa revista do modelo de Cruzeiro como num tratado de geometria. Uma revista deve ser como um espelho leal onde se reflecte a vida nos seus aspectos edificantes, attraentes e instructivos. Uma revista deverá ser, antes de tudo, uma escola de bom gosto.

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Porque é a mais nova, Cruzeiro é a mais moderna das revistas. É este o título que, entre todos, se empenhará por merecer e conservar: ser semrpe a mais moderna num paiz que cada dia se renova, em que o dia de hontem já mal conhece o dia de amanhã; ser o espelho em que se reflectirá, em periodos semanaes, a civilisação ascensional do Brasil, em todas as suas manifestações; ser o commentario multiplo, instantaneo e fiel dessa viagem de uma nação para o seu grandioso porvir; ser o documento registrador, o vasto annuncio illustrado, o film de cada sete dias de um povo, eis o programma de Cruzeiro.

É pelo habito de modelar o barro que se chega a bem esculpir o marmore. Esta revista será mais perfeita, mais completa, mais moderna amanhã do que é hoje.

 

memória ativa.

 

 

SOBREVOO RASO POR TRECHOS DO NOVO MILÊNIO poema de zuleika dos reis

 

                                                                      à memória de José Paulo Paes

               

                           

 

    

 

Tabuleiro medieval.

As tochas iluminam a Morte e o cavaleiro

no jogo que prossegue…

 

 

Algumas torres se preparam para a morte

outras, não. Enquanto isso, desde o primeiro lance,

os peões tremem.

 

Sem os peões, o jogo não existe.

 

O morto no campo de batalha

Olha o inimigo ao lado e pensa:                            O outro morto:

Esse está mais morto do que eu.                          Você se engana.

                A seguir se quedam calados sobre a terra:

                É impossível dialogar com o inimigo.

 

 

 

Atravessamos o milênio, e daí?                            Eu vejo:

Não vejo qualquer diferença no rio.                     Acaba de passar

                                                                           um cardume

                                                                           morto.

 

 

 

Se você pretende atravessar comigo                    Você consegue

neste barco                                                          ver esse

até o outro lado da linguagem                               outro lado

é mais seguro ir nadando.                         da linguagem?

 

Que nada!Parece que o rio vai longe!

 

Talvez – ainda é tempo –                                      Ou

sábio seja deletarmos rio                                      permanecermos

barco fazendo água                                              no ínfimo

passageiros…                                                       do deus

                            tal os múltiplos

                            os tantos

                            ainda aqui

                            reinventando liras

                            reinventando perguntas

                            reinventando o pânico dos antigos.

 

 

 

Pelas ruas, o pânico dos velhos caminha lento…

 

 

 

Minha eternidade pelo reinado de um dia.

Só libélulas são felizes.

 

As diversas tribos, cada qual balançando

em seu ritmo próprio

vão puxando alegremente a passeata

por aumento de salários.

 

 

 

Meu corpo silicônico absoluto perfeito

não precisa de futuro. Identidade?

Excesso de bagagem, problemas na Alfândega.

 

 

Me vendo na TV, no cruzamento da Ipiranga

com a São João.

Na telinha também os meus guris

os demais companheiros

os nossos piolhos

os carros estacionados.

Que belo enquadramento! Estamos ótimos!

SATURAÇÃO NA CAPACIDADE DE EXPANSÃO CAPITALISTA por walmor marcellino

 

 

“Amigos 25 anos” tem capeado informações e artigos instrutivos, ou meramente ilustrativos quando não ultrapassam meras constatações, às vezes sem uma perspectiva crítica; quer dizer sem tocar o cerne das contradições ou desvelar o antagonismo. Um destes é o de Limites do Crescimento (comentados por Enrique Leff). Questões como a substituição dos insumos correntes e, em conseqüência, dos seus processos produtivos; enfrentam contradita do poder econômico-político nas sociedades e no mundo (com especial destaque para o forte complexo industrial-militar que se mostrou endógeno às estruturas políticas engendradas pelo “capitalismo de vanguarda” nas sociedades imperialistas).

Outra relevância é que a saturação produtiva é horizontal e vertical, em reciprocidades, dependentes de tecnologias mutantes e vórticas que não admitem a ilusão de “voltar ao pequeno” (Il Piccolo è bello), não bastasse o poder inalterável de empuxo do próprio capitalismo.

Assim, se não está no horizonte do possível um “consenso” de auto-controle capitalista-imperialista e a extinção, sponte sua, do próprio sistema capitalista de produção, o que se apresenta nesse enigma, de predação da natureza‑saturação do meio humano ambiental, como racionalidade e sua razão política?

István Mészáros em “Produção Destrutiva e Estado Capitalista”, uma parte de seu “Para Além do Capital” (não apenas “Além do Capitalismo”), coloca e debate a transformação da “Destruição Produtiva”, que formou o capitalismo com a transformação de bens naturais para o uso humano, em “Produção Destrutiva” como processo-limite nesse processo de transformação de insumos.

O cientista marxista húngaro nos impõe uma análise sistêmica do capitalismo contemporâneo a partir da sua dinâmica concreta de expansão e poder na sociedade contemporânea. Não creio que possa aqui suscitar os temas do antagonismo capitalista com as forças sociais postas na produção, senão remeter os interessados para o estudo de sua magistral obra, que resgata as idéias e o espírito de Karl Marx e adverte contra as simplificações políticas que administram a sobrevida desse sistema de opressão, exploração e destruição que vai sendo mantido por um sistema mundial “jurídico-político” de forças e fomentado pela positividade da estultice “politicamente correta” de dominação das mentes.

Quanto aos caminhos da superação dialética dessa crise incontornável do sistema capitalista, além do forum social mundial de práticas e idéias políticas e da resistência a todas as formas de opressão, exploração e destruição, cada qual encontre sua comunidade organizada e se descubra no processo político com um agir comunicativo, aglutinante.

miedos humanos – poema de francisco cenamor/ Espanha

 


no entiendo ser humano

golpe violencia y bomba

no entiendo el lamento

ingratitud patada y tumba

 

no no precario preso y extraño

presidio genocidio y moro

no entiendo cada arañazo

fusilamiento violación infarto

 

me siento tumbo me levanto

y siento miedo por ti

pequeño humano

A VOZ DO SILÊNCIO poema de autor não identificado.

Pior do que a voz que cala,
é um silêncio que fala.

Simples, rápido! E quanta força!

Imediatamente me veio à cabeça situações
em que o silêncio me disse verdades terríveis,
pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.
Um telefone mudo. Um e-mail que não chega.
Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca.

Silêncios que falam sobre desinteresse,
esquecimento, recusas.

Quantas coisas são ditas na quietude,
depois de uma discussão.
O perdão não vem, nem um beijo,
nem uma gargalhada
para acabar com o clima de tensão.

Só ele permanece imutável,
o silêncio, a ante-sala do fim.

É mil vezes preferível uma voz que diga coisas
que a gente não quer ouvir,
pois ao menos as palavras que são ditas
indicam uma tentativa de entendimento.

Cordas vocais em funcionamento
articulam argumentos,
expõem suas queixas, jogam limpo.
Já o silêncio arquiteta planos
que não são compartilhados.
Quando nada é dito, nada fica combinado.

Quantas vezes, numa discussão histérica,
ouvimos um dos dois gritar:
“Diz alguma coisa, mas não fica
aí parado me olhando!”

É o silêncio de um, mandando más notícias
para o desespero do outro.

É claro que há muitas situações
em que o silêncio é bem-vindo.
Para um cara que trabalha
com uma britadeira na rua,
o silêncio é um bálsamo.
Para a professora de uma creche,
o silêncio é um presente.
Para os seguranças de um show de rock,
o silêncio é um sonho.

Mesmo no amor,
quando a relação é sólida e madura,
o silêncio a dois não incomoda,
pois é o silêncio da paz.

O único silêncio que perturba,
é aquele que fala.

E fala alto.

É quando ninguém bate à nossa porta,
não há emails na caixa de entrada
não há recados na secretária eletrônica
e mesmo assim, você entende a mensagem.

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em 26.04.09

recebemos do poeta e editor cleto de assis, colaborador e leitor desta página, um email elucidativo, em parte,  a respeito do poema acima que nos foi enviado, também, como anexo, por um leitor do site. Considerando-se a qualidade do poema, resolvemos publicá-lo com a indicação de “autor não identificado”. o editor.

Transcrevo parte do texto:

“Li o poema A Voz do Silêncio, que você publica hoje. Segundo a inscrição, “poema de autor não identificado.”. Como sou um pouco exigente e não gosto desse anonimato eletrônico, saí à caça para descobrir a autoria, tal qual professor que desconfia da redação do aluno, feita na base do copy & paste.

Descobri coisas. Por exemplo, os dois primeiros versos (Pior do que a voz que cala, é um silêncio que fala) virou frase da moda em vários blogssites. Autores tomam-na como mote para artigos distintos. Fui mais fiundo e, de repente, surge uma autora para o poema. Marta Medeirtos, que, em seguida, descobri que se escreve Martha. E quem é ela?, segundo a Wikipédia, é escritora e colunista do Zero Hora, de Porto Alegre, e do Globo, do Rio de Janeiro.

O importante é saber que ela é autora do texto, mas não do poema! O texto virou poema depois que alguém modificou o primeiro período e versificou as frases que, aliás, têm força poética. Mas ela, na crônica, se refere a outra poeta (veja texto completo abaixo) que escreveu um poema de dois versos.”

Cleto de Assis.

Pior do que a voz que cala,

É um silêncio que fala

A VOZ DO SILÊNCIO

Paula Taitelbaum é uma poeta gaúcha que acaba de lançar seu segundo livro, Sem Vergonha, onde encontrei um poema com apenas dois versos que diz assim: “Pior do que uma voz que cala/É um silêncio que fala”.

Simples. Rápido. E quanta força. Imediatamente me veio a cabeça situações em que o silêncio me disse verdades terríveis, pois você sabe, o silêncio não é dado a amenidades.

Um telefone mudo. Um e-mail que não chega. Um encontro onde nenhum dos dois abre a boca. Silêncios que falam sobre desinteresse, esquecimento, recusas. Quantas coisas são ditas na quietude, depois de uma discussão. O perdão não vem, nem um beijo, nem uma gargalhada para acabar com o clima de tensão. Só ele permanece imutável, o silêncio, a ante-sala do fim.

É mil vezes preferível uma voz que diga coisas que a gente não quer ouvir, pois ao menos as palavras que são ditas indicam uma tentativa de entendimento. Cordas vocais em funcionamento articulam argumentos, expõem suas queixas, jogam limpo. Já o silêncio arquiteta planos que não são compartilhados. Quando nada é dito, nada fica combinado.

Quantas vezes, numa discussão histérica, ouvimos um dos dois gritar: “diz alguma coisa, diz que não me ama mais, mas não fica aí parado me olhando”. É o silêncio de um mandando más notícias para o desespero do outro.

É claro que há muitas situações em que o silêncio é bem-vindo. Para um cara que trabalha com uma britadeira na rua, o silêncio é um bálsamo. Para a professora de uma creche, o silêncio é um presente. Para os seguranças dos shows do Sepultura, o silêncio é uma megasena. Mesmo no amor, quando a relação é sólida e madura, o silêncio a dois não incomoda, pois é o silêncio da paz. O único silêncio que perturba é aquele que fala. E fala alto. É quando ninguém bate a nossa porta, não há recados na secretária eletrônica e mesmo assim você entende a mensagem.

MARTHA MEDEIROS.

como o leitor pôde ver nosso amigo cleto desenvolveu um trabalho de pesquisa, louvável, na medida em que tenta elucidar prováveis fraudes e plágios contra os verdadeiros autores de poemas, artigos, contos, crônicas e tudo o mais que ocorre, lamentávelmente, no mundo virtual.

por mais atentos e criteriosos que sejamos com referência aos trabalhos literários e artísticos que recebemos para publicação – tudo que aqui é publicado vem como anexo de email do autor ou de quem indica e ficam todos arquivados para dirimir prováveis futuras demandas – não nos é possível “checar” à todos e, por isso,  pode ocorrer que se publique uma fraude ou plágio de algum desonesto. em toda a nossa existência, com 1.465 textos publicados até agora, ocorreu uma única vez e restou esclarecido.

fica, ainda, a busca pelo o autor que manipulou o texto transformando-o em em um típico poema, o que não deixa de ser um trabalho desde que assuma a origem.

ao poeta/editor e amigo cleto de assis registramos, de público, nossos agradecimentos por tal “vigilância” o que nos permite seguir em frente sem tantas preocupações.

os PALAVREIROS DA HORA, os milhares de leitores que nos visitam e o editor.

26/04/2009