GRUPO TORTURA NUNCA MAIS realizou encontro para lançar o MEMORIAL DA LIBERDADE

 

O GRUPO TORTURA NUNCA MAIS DO PARANÁ  promoveu no dia 22 de abril as 19 horas  no auditório da Rua da Matriz, em Curitiba, o evento cívico-artístico MEMORIAL DA LIBERDADE.
Nesse dia aconteceram varias apresentações culturais, exposições, lançamentos de livros, declamações de poesias, depoimentos, contando um pouco da história acontecida em Curitiba, durante os anos de ditadura militar.memorial-da-liberdade-plateia-2009-261

 O projeto pretende lançar o movimento PRÓ- MEMORIAL e demonstrar que este espaço tem grande importância para a história de nossa cidade e de todo o país. Durante as décadas de 60 e 70, neste local existiu o QUARTEL DA POLÍCIA DO EXÉRCITO, onde todos os prisioneiros políticos, muitos menores, foram cruelmente torturados.

Também, neste mesmo local, estava a AUDITORIA MILITAR, onde aconteceram os “julgamentos” de grande parte dos presos políticos do Estado do Paraná e Santa Catarina.
Por todos esses motivos estamos apresentando este evento,mas, principalmente, para que essa história não fique esquecida e possa servir para educar as novas gerações.

HISTÓRIA

Na década de 1970, as famílias de mortos e desaparecidos durante o regime militar iniciaram a busca, difícil e dolorosa, de informações sobre as circunstâncias dos crimes. A missão era não somente esclarecer os acontecimentos, localizar restos mortais e identificar os responsáveis, mas principalmente preservar a memória do que ocorreu e, assim, contribuir para a difusão de uma cultura de defesa dos direitos humanos. 

“Dossiê Ditadura: mortos e desaparecidos políticos no Brasil (1964-1985)” é resultado desse trabalho incansável e sofrido, empreendido por uma comissão de familiares, muitos deles também vítimas da violência. Trata-se de um levantamento exaustivo e abrangente, cuja segunda edição, com incontáveis acréscimos, foi lançada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e IEVE (Instituto de Estudos sobre a Violência do Estado) no dia 25 de abril, no Memorial da Resistência, Estação Pinacoteca (Largo General Osório, 66, 5º andar, Luz). Houve debate com o jurista Fabio Konder Comparato, o professor Marcio Seligman Silva e a historiadora Janaina de Almeida Teles.

A primeira edição, após quase duas décadas de buscas por informação e algumas versões preliminares, foi publicada em 1995. A luta por esclarecimentos, porém, nunca cessou. Esta nova edição, revista e ampliada, reúne histórias ilustradas de 436 mortos e desaparecidos durante o regime militar. No Brasil, são 396, sendo 237 mortos e 159 desaparecidos políticos –desde a última edição, novas investigações acrescentaram as histórias de 69 pessoas, além de terem ajudado a corrigir várias das versões anteriores. 

No exterior, há 30 casos, incluindo mortos em decorrência de seqüelas de tortura ou de acidente no exílio. Há, ainda, 10 pessoas que morreram antes do golpe.

“Algumas pessoas que pensávamos terem sido mortas na rua em tiroteios foram na verdade presas, torturadas e executadas. Lembro que foram 132 casos em que provamos serem mentirosas as versões da ditadura de suicídios, atropelamentos e tiroteios”, afirma uma das quatro responsáveis pela redação final do livro, Suzana Lisboa, ex-guerrilheira cujo marido foi a primeira vítima a ser reconhecida oficialmente, em 1979. 

Este número de vítimas ainda não é definitivo. Não foram esgotadas as possibilidades de pesquisa e investigação, como as realizadas nos arquivos do antigo SNI, por exemplo. Nem foi possível, também, o acesso aos arquivos militares. É o que diz Criméia de Almeida, outra das responsáveis pela redação final do livro. Sobrevivente da guerrilha do Araguaia, ela perdeu o marido e o sogro: “Os arquivos nos são sistematicamente negados sob a alegação de que não existem, até mesmo quando ganhamos na justiça esse direito como é o caso do Araguaia, em out ubro de 2003. Até hoje a sentença não foi executada”. 

Grande parte das informações, segundo ela, foi obtida, direta ou indiretamente, com ajuda dos familiares. “Nossa meta futura é fazer com que os arquivos sejam realmente abertos e o país tenha uma Comissão de Verdade e Justiça que esclareça as circunstâncias em que se deram as mortes e desaparecimentos e puna os responsáveis por tais crimes”.

Ao comparar os dois momentos, o da primeira edição do “Dossiê Ditadura” e o atual, Criméia de Almeida diz que houve avanço, mas “num ritmo muito aquém do que seria necessário ou desejável numa democracia”. Para Suzana Lisboa, o Brasil está muito atrás dos países da América Latina. Desde a última edição, as denúncias aumentaram, vale destacar, porque outros países têm pedido a prisão de agentes do estado brasileiro. 

No livro, organizado cronologicamente, cada vítima tem sua história de vida e luta contada. Estão lá membros de partidos, militantes de grupos de esquerda e de movimentos sociais, além de outros que, sem qualquer atividade política, foram mortos “por acaso”, por terem sido confundidos. Existem casos famosos, como o do Capitão Lamarca e Iara Iavelberg, mortos na Bahia no começo dos anos 70, os dos participantes da guerrilha do Araguaia, que resistiram até 1974, e o do jornalista Vladimir Herzog, morto em 1975. O livro inclui também boxes temáticos que ajudam a contextualizar os crimes e a luta dos familiares, tais como aqueles que tratam do AI-5, do Congresso da UNE em Ibiúna, da Campanha pela Anistia, da Crise dos Desaparecidos de 1975 e das tentativas de criar a CPI da Tortura.

No prefácio à nova edição, o jurista Fábio Konder Comparato lembra que, ao ler qualquer das páginas, é praticamente impossível evitar as lágrimas. Porém, acrescenta ele, a consciência ética deve nos levar além de reações emocionais. Afinal, há várias perg untas que permanecem: “Por que razão tudo isso aconteceu entre nós durante anos, sob o olhar indiferente da maioria esmagadora da população? É decente virar as costas para essa fase ignominiosa da história brasileira, sem se importar com a identificação e a punição dos mandantes, financiadores e executantes de todos os crimes aqui descritos?”, diz.

Dom Paulo Evaristo Arns, arcebispo emérito de São Paulo –e, assim como Konder Comparato, uma das vozes mais ativas na luta pelos direitos humanos–, ressaltava já no prefácio à primeira edição que este livro, “de dor e melancolias”, surgia para “fazer pensar e fazer mudar o que deve ser mudado em favor da vida e da verdade”.

Por meio do site http://www.desaparecidospoliticos.org.br, mantido pelos familiares, tem sido possível receber informações. Se a redação final contou com quatro pessoas, o levantamento teve -e continua a ter — a contribuição de incontáveis participantes.

4 Respostas

  1. Concordo com nosso amigo poeta:”é preciso regar as lembranças de nossa flores” e concordo com tudo que ele diz

  2. Daniella, entre em contato com o Narcizo Pires, presidente do Grupo Tortura Nunca Mais do Paraná. Ele tem e sabe quem tem este material. Aqui em Curitiba, Pç. Osório, Ed. ASA, 19º andar. F.3079-1759 e 3079-1658.
    Parabéns a você e ao grupo. É preciso teatralizar aquela “Tragédia”. Abraços…, Manoel

  3. Olá venho estudado sobre a ditadura militar neste site, pois faço parte de um grupo de teatro “mutirão de teatro” e estamos com a peça “1964 DITADURA NUNCA MAIS”.
    Estamos precisando de doações de material ou mais imformações sobre o tema se voces poderem mandar pra nós via E-mail iremos agradecer profundamente, esta previsto pra entrar em cartaz em julho.
    desde já muito obrigada!!!

  4. Parabéns Vidal…, pela postagem dessa matéria. É imprescindível reescrever sempre essa “Memória”…, infelizmente com os gritos do suplício, com o sangue dos caídos e por tantas lágrimas derramadas na saudade daqueles que ousaram morrer por um sonho.

    É inexplicável termos tantos sobreviventes daquelas trincheiras atualmente no poder e ainda se manterem a sete chaves as portas do nosso “holocausto”. As ditaduras vizinhas já abriram as cortinas do confessionário para os devotos da opressão. Até quando…, até quando esperaremos. Mas se não tivermos o nosso tribunal de Nurembergue, haverá no âmago de cada um dos verdugos uma voz que não se amordaça ou, na imortalidade da vida, uma instância superior da justiça onde não existe a impunidade.

    Enquanto isso é preciso regar a lembrança das nossas flores. Daquelas que foram sacrificadas; daquelas que murcharam quando mataram também nossa utopia e daquelas que, apesar de tantas cicatrizes, sobreviveram. Não…, não podemos virar as costas pra tudo isso, seja em nome da bandeira daqueles que deram a vida por uma ideal, seja em nome dos que se preservaram no meio de tantos desencantos, que resistiram às ilusões do poder e caminham solitários pelo tempo, no rastro apagado do seu território de sonho, sobreviventes da dor e do silêncio.

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