Arquivos Diários: 1 maio, 2009

COMO ENTENDO A TEORIA DA AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM por vicente martins

 

No presente artigo, tratarei da aquisição da Linguagem como componente pedagógico no âmbito da formação dos profissionais da educação escolar. O que devemos conhecer e estudar, de forma profunda, no âmbito da Piscolingüística sobre Aquisição da Linguagem, especialmente a da criança?

A título de ementa, tem visto a disciplina Aquisição da Linguagem como estudo das suas teorias, fatores condicionantes e as etapas pré-lingüística e lingüística que explicam o aparecimento da linguagem (fala, escrita, leitura e escuta, portanto, habilidades lingüísticas) no processo de desenvolvimento e processo lingüístico.
Esta disciplina, nos cursos de formação de professores e psicopedagogos, tem por objetivo levar o aluno a discutir as diferentes propostas teóricas que pretendem dar conta do processo de Aquisição da Linguagem e a relação entre os diversos componentes da linguagem e seu desenvolvimento à luz de dados – fonológicos, sintáticos e semânticos – da aquisição.
Em sala de aula, meu trabalho tem assinado os seguintes objetivos específicos da disciplina Aquisição da Linguagem:

– Proporcionar um panorama do estado atual das pesquisas na área de Aquisição da Linguagem
– Conhecer os processos psicológicos envolvidos na aquisição da linguagem oral e escrita
– Propiciar um espaço de reflexão, discussão e intercâmbio de experiência no âmbito dos estudos de Aquisição da Linguagem.
Em se tratando de distribuição de conteúdos da disciplina, tenho procedido assim:

Unidades/CH CONTEÚDO A SER TRABALHADO
Unidade I
08 horas/aula
1. A Psicolingüística e a Aquisição da linguagem 1.1. Conceito de Psicolingüística
1.2. Conceito de Linguagem
1.3. Conceito de Aquisição
Unidade II
16 horas/aula
2. Relação entre linguagem e pensamento 2.1. Piaget e o determinismo cognitivo
2.2. Vygotsky e o pensamento verbal
2.3. Whorf e o determinismo lingüístico
2.4. Chomsky e sua visão psicolingüística
Unidade III
16 horas/aula
3. Modelos de aquisição da Linguagem.
3.1. Modelos empiristas
3.1.1. Behaviorismo
3.1.2. Conexionismo
3.2. Modelos racionalistas
3.2.1. Inatismo
3.2.2. Construtivismo
Unidade IV
8 horas/aula
4. Aquisição da linguagem: fatores condicionantes e etapas
4.1. Fatores pessoais
4.2. Fatores familiares
4.3. Fatores ambientais
Unidade V
12 horas
5. Prática de Pesquisa na área de Aquisição da Linguagem
5.1. Elaboração do Glossário de Termos Psicolingüísticos relacionados com a Aquisição da Linguagem (GTPAL)
5.2. Aplicação de um pequeno teste para analisar processos e distúrbios na Aquisição da Linguagem

Quanto à metodologia em sala de aula, a disciplina Aquisição da Linguagem tem sido ministrada através de aulas teóricas. Serão expositivas, acompanhadas de diversos exemplos, que deverão auxiliar os alunos na reflexão e crítica dos textos apresentados na disciplina. Para a aplicação dos conhecimentos adquiridos em sala, os alunos deverão elaborar as seguintes atividades acadêmicas: a) Comentários críticos aos textos indicados pelo professor; 2) Resenhas de textos e 3) Elaboração de um Glossário de Termos Psicolingüísticos Relacionados com a Aquisição da Linguagem um trabalho final, de caráter individual, seguindo as orientações metodológicas do professor e o rigor do trabalho cientifico e normalização da ABNT.
Por fim, a bibliografia adotada e sugerida como complementar para estudos de Aquisição da Linguagem é a seguinte:

  1. BALIEIRO JR, Ari Pedro. Psicolingüística. In MUSSALIM, Fernanda; BENTES, Anna Christina. (orgs.). Introdução à lingüística: domínios e fronteiras, v.2. São Paulo: Cortez, 2001. pp.171-201
    2. CHAPMAN, Robin S. Processos e distúrbios na aquisição da linguagem. Tradução de Emilia de Oliveira Diehl e Sandra Costa. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
    3. FERRACIOLI, Laércio. Aprendizagem, desenvolvimento e conhecimento na obra de Jean Piaget: uma análise do processo de ensino-aprendizagem em Ciências. In Revista Brasileira de estudos Pedagógicos, Brasília, v.80, n.194, p.5-18, jan./abr.1999. pp. 5-18.
    4. FERREIRO, Emilia; TEBEROSKY, Ana. Psicogênese da língua escrita. Tradução de Diana Myriam Lichtenstein, Liana Di Mraco e Mário Corso. Porto Alegre: Artmed, 1999. pp. 17-42.
    5. JAKUBOWICZ, Célia. “Mecanismos de mudança cognitiva e lingüística”: princípios e parâmetros no modelo da gramática universal. In In TEBEROSKY, Ana; TOLCHINSKY, Liliana (orgs.). Mecanismos de mudanças lingüísticas e cognitivas. Tradução de Ernani Rosa. Pp.57-97.
    6. KARMILOFF-SMITH, Annette. Auto-organização e mudança cognitiva. In TEBEROSKY, Ana; TOLCHINSKY, Liliana (orgs.) Mecanismos de mudanças lingüísticas e cognitivas. Tradução de Ernani Rosa. Pp.23-55.
    7. KATO, Mary A. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística. São Paulo: Ática, 1990. pp. 98-138.
    8. KAUFMAN, Diana. A natureza da linguagem e sua aquisição. In GERBER, Adele. Problemas de aprendizagem relacionados à linguagem: sua natureza e tratamento. Tradução de Sandra Costa. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996. pp.51-71.
    9. LYONS, John. Linguagem e lingüística: uma introdução. Tradução de Marilda Winkle Averbug. Pp.219-243
    10. MAROTE, João Teodoro D’Olim; FERRO, Gláucia D’Olim Marote. Didática da língua portuguesa. 8ª ed. São Paulo: Ática, 1996. pp. 17 -24
    11. MAROTE, João Teodoro D’Olim; FERRO, Gláucia D’Olim Marote. Didática da língua portuguesa. 8ª ed. São Paulo: Ática, 1996. pp. 17 -24
    12. MELO, Lélia Erbolato. Principais teorias/abordagens da aquisição de linguagem. In MELO, Lélia Erbolato (Org.). Tópicos de psicolingüística aplicada. 2ª ed. São Paulo: Humanitas/FFLCH/USP, 1999. pp.25-53
    13. MELO, Lélia Erbolato.A psicolingüística: objeto, campo e método. In MELO, Lélia Erbolato (Org.). Tópicos de psicolingüística aplicada. 2ª ed. São Paulo: Humanitas/FFLCH/USP, 1999. pp.13-23.
    14. PETTER, Margarida. Linguagem, língua, lingüística. FIORIN, José Luiz (org.). Introdução à lingüística: I. objetos teóricos. São Paulo: Contexto, 2002. pp. 211-226.
    15. RAMBAUD, Margarita Goded. Influencia Del tipo de syllabus en la competência comunicativa de los alumnos. Madri: Ministério de Educación y Cultura/CIDE, 1996.pp.90-115 (Colecci[on Investigación, nº 121)
    16. SANTOS, Raquel. A aquisição da linguagem. FIORIN, José Luiz (org.). Introdução à lingüística: I. objetos teóricos. São Paulo: Contexto, 2002. pp. 11-24
    17. SAPIR, Edward. A linguagem: introdução ao estudo da fala. Tradução e apêndice de J. Mattoso Câmara Jr. São Paulo: Perspectiva, 1980.
    18. SCARPA, Ester Mirian. Aquisição da linguagem. In MUSSALIM, Fernanda; BENTES, Anna Christina. (orgs.). Introdução à lingüística: domínios e fronteiras, v.2. São Paulo: Cortez, 2001. pp.203-232.
    19. SCLIAR-CABRAL, Leonor. Introdução à psicolingüística. São Paulo: Ática, 1991. (Série Fundamentos, 71). pp. 8-32.
    20. VENEZIANO, Edy. “Ganhando perícia com a idade”: uma aproximação construtivista à aquisição inicial da linguagem. In In TEBEROSKY, Ana; TOLCHINSKY, Liliana (orgs.). Mecanismos de mudanças lingüísticas e cognitivas. Tradução de Ernani Rosa. Pp.99-126.

 

 

Vicente Martins é professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, estado do Ceará.

O ESPÍRITO DA CORTE por walmor marcellino

A CORTE E OS NOBRES

 

Quantos assistiram à troca de doestos entre os ministros Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes se sentiram árbitros do insólito. Um episódio “insólito” como raridade e não como rústico e aberrante ‑ infelizmenre ainda inusitado sempre que houver mais em jogo do que opinião e discurso. Sobressaindo-se, a contrapelo do fato, surge alguma acusação subjacente à troca de insultos, a de haver “rusticidade” por falta de “polidez” e “prudência”; a esconder, porém, em cada acusador o cortesão que se confirma um meritocrata de origem, conformação notável e ademais vezeiro no uso de ademanes nas ritualísticas institucionalizadas.

Em verdade, verrinas partiram de Joaquim Barbosa enquanto Gilmar Mendes tentava desviar-se da enodoada imagem pública que lhe está sendo imputada nesta sociedade à procura de modelo democrático jurídico-político.

A conduta civil pública dos ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa de imediato foi distendida: ao presidente do STF por intervenções políticas e jurídicas indevidas ‑ como no “affaire” Daniel Dantas, a Operação Satiagraha, as acusações sem provas da existência de escutas telefônicas. e a formação de entidade e grupo jurídico-dependente de sua tutela privada ‑ enquanto ao ministro (do “baixo clero”?) Joaquim Barbosa pelo destempero com que costuma retrucar desconsiderações no colegiado e pela retórica contundente contra os desafetos; fatos pouco comuns no “aerópago de Minerva”.

Não seja porque a investidura na Suprema Corte deva brunir noviços em cortesãos polidos e afetados e sim porque sua prática corporativa deva aplainar contradições e conflitos ideológicos, de formação e caráter; para que a função precipua de analisar-e-julgar deva ser ponto de equilíbrio de um poder que ao extravasar julgamentos não extravase idiossincrasias e vantagens.

Todavia, além de vontades e personalidades contidas nos ritos e procedimentos tradicionais a ideologia de classe e a ética de compromisso, mais do que de “responsabilidade”, acabará identificando cada membro do colegiado do STF. E então sua representatividade ético-social vai suplantando o brilho da retórica e suas tecnicalidades de valor e proveito.

Têm sido constrangedores os débitos morais e a exótica vassalagem com que os ministros Celso Mello, Vitor Peluso, Menezes Direito et têm encabeçado “a corte ofendida” pela irritabilidade contundente do ministro Joaquim Barbosa. Isso em nome de um “colegiado de iguais”, essas atitudes de vassalagem ao eventual “chefe de poder” ocultam  mais do que ressaltam.

 

evolucao-da-especie EVOLUÇÃO DA ESPÉCIE. ilustração do site. autor ilegível. livre na internet.

TABOADA/NO JARDIM DE SOFIA/zocha – poema de lilian reinhardt

             
 Não sei de cor a cor da Taboada
 preciso da tua mão para atravessar a rua
 nunca sei qual o tom do mosaico da estrada
 esta via única há milênios  congestiona
 as minhas artérias
 Mas, na  igreja bizantina 
  na colina da Vila G 
  repicam os sinos
 vai começar a missa ortodoxa
 das seis horas
Seu Emídio  crente  sai com sua
 bicicleta preta para ir trabalhar
 na fábrica no bairro do Portão
 é operário religioso
enquanto a polaca Tida sua mulher gratina
 o pão com gema de ovo
 No bagageiro da bicileta ele leva
 a bíblia cristã
 ele a lê todas as noites em suas vigílias
 de guarda noturno
 eu não entendo  a bíblia de Descartes
 seus capítulos eróticos de fast foods
 meu olhar reciclável busca Rembrandt
 Veermer Van Gogh Velásquez
  Gibran
  Ainda piso descalça sobre os pregos
  O martelo repica aos meus ouvidos
  na acústica dobram os cravos
  de purpura  evapora a rosa 
  aos meus sentidos!

DA MENTIRA À INJUSTIÇA poema de joanna andrade

Da mentira à injustiça – um passo apenas para o crime,

A mentira não premeditada tomou forma em sua omissão pueril -talvez

Mesmo assim ELE foi pego -com a boca na botija

As desculpas esfarrapadas sem o ar de pedinte -fizeram da não intenção o corpo da dor

Quanto mais se escondia atras das brancas palavras  -mais  latejante o coração batia no peito

Mais justa a causa parecia – menos servia

O pobre inocente ignorante mentiroso – trilha

Seu único intuito – não ser descoberto

Sua falha inicial – não reconhece

Seu ponto final – matar

Fingir  não ter as mãos sujas para ser levado ao ápice do tormento pela fadada vítima enlouquecida – manipulação não prescrita

O mal-feitor desaparece – objeto

A vítima ressurge das cinzas – sujeito

Da mentira- à injustiça

Uma conjugação para a elevação de um covarde – criado à merce da própria voz

A falsa maciez da palma de suas mãos acetinadas-  lustro de um verniz qualquer

Suas verdades – suas enganações

Sua seriedade – seu esconderijo

Seu sorriso  – suas tristezas

Suas alegrias- seu troco

A mentira – seu defeito

A Injustiça – sua defesa

Seu próprio espelho  – que brado!

CLAREIRAS poema de solivan brugnara

 

 

O sol estilhaçou-se em estrelas

     houve um cheiro de cio

naquele início de noite quente, embalsamada.

Os grilos retiniam cios

   pavoneavam suas orgulhosas caudas sonoras.

  E eu

  estava todo concentrado nos meus olhos

    eles escutavam os sons

      e tocavam as bromélias.

Estes meus pássaros castanhos

porque o resto de mim

é casulo.

A única parte visível do meu corpo

        meus braços brancos

                      eram objetos cruzados

por sobre a cerca de velhas tábuas cinzentas.

E acima deles via

os cimos com poucas folhas do outono

    os galhos negros como sombra

transpassados por estrelas

pareciam ter floração de estrelas.

A íris

passeava dos cimos à clareira,

   ia de uma constelação à outra

   (um beija-flor de estrelas).

Aspirava à movimentação silenciosa de

                                      Ursas, Zodíacos, Cruzeiro

quase sem quebrá-la com o mastigar das pálpebras.

Essas imagens eram musicadas por

                                       sentimentos

em uma composição que misturava em meu interior

antagônicas emoções    

de paz, angústia, alegria, comunhão e solidão.

MUNDO MODERNO prosa poética de chico anísio (aliteração)

 

Mundo moderno, marco malévolo, mesclando mentiras, modificando maneiras, mascarando maracutaias, majestoso manicômio. Meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres, miscigenação, morticínio – maior maldade mundial.

Madrugada, matuto magro, macrocéfalo, mastiga média morna. Monta matungo malhado munindo machado, martelo, mochila murcha, margeia mata maior. Manhãzinha, move moinho, moendo macaxeira, mandioca. Meio-dia mata marreco, manjar melhorzinho. Meia-noite, mima mulherzinha mimosa, Maria morena, momento maravilha, motivação mútua, mas monocórdia mesmice. Muitos migram, macilentos, maltrapilhos. Morarão modestamente, malocas metropolitanas, mocambos miseráveis. Menos moral, menos mantimentos, mais menosprezo. Metade morre.

Mundo maligno, misturando mendigos maltratados, menores metralhados, militares mandões, meretrizes, marafonas, mocinhas, meras meninas, mariposas mortificando-se moralmente, modestas moças maculadas, mercenárias mulheres marcadas. Mundo medíocre. Milionários montam mansões magníficas: melhor mármore, mobília mirabolante, máxima megalomania, mordomo, Mercedes, motorista, mãos… Magnatas manobrando milhões, mas maioria morre minguando. Moradia meia-água, menos, marquise.

Mundo maluco, máquina mortífera. Mundo moderno, melhore. Melhore mais, melhore muito, melhore mesmo. Merecemos. Maldito mundo moderno, mundinho merda.

ALITERAÇÃO – editoria

Aliteração é uma figura de linguagem que consiste em repetir fonemas num verso ou numa frase, especialmente as sílabas tônicas. A aliteração é largamente utilizada em poesia mas também pode ser empregada em prosa, especialmente em frases curtas.

Há duas formas de aliteração:

assonância, que utiliza de modo repetido o som de uma vogal;

consonância, que repete o som de uma consoante.

POESIA DO ALITERADO poema de joão batista do lago

 

meu amigo

teu verso (in)criado é reino

linguagem de ausente fala

vasos de flores sobre túmulos

 

 

tua cabeça de burro

tua pela de leão

\o/

vontade tanta – pra quê?

 

 

tuas leiras de frases

tuas montanhas esquizofrênicas

tremeluzir megalomaníaco

esconde sob pele de leão

ouro Equus asinus

 

 

tua crina

dna de escuridões

adorna

denuncia

falencia

caixa de pandora

vontade tanta

esperança tanta

pra quê?

 

 

teu jardim

comercia excremento

dizes de tudo – o tempo todo –

novos tempos

tu regas (com)paixão

teu é catacumba

tua miséria

entoa tua valsa de sorte

 

 

tua vida atoa

teu carnaval difuso

teu desfile de verborreia

não consegue essência do leão

tua eterna perseguição: \o/

 

 

teu pedido

será configurado

grafado

regristrando eternidade

\O/

sob pele de leão

esquecimento

solidão

A PEDRA E A CHUVA poema de otto nul

 

 

 

A pedra dura

A dura pedra

 

A flor in natura

Que madruga

 

Que matura

Na brancura

 

A chuva que cai

A chuva que chove

 

A flor que fenece

A pedra que dura

 

O sol que vem
O sol que vai

 

O vento que sopra

Que irrompe na rua

 

No meio da chuva

E da pedra dura

 

          x x x

 

 

(abril/09 – Otto Nul)

aventuras de barrio / poema de francisco cenamor

aventuras de barrio

 

mis aventuras son de aquí de barrio

 

de amores imposibles cuando descubres a la chica

que en el tren te mira a los ojos cada mañana

haciendo cola en el banco con su novio

 

de miradas furtivas en la misa de once

que acaban en una cita en el discobar

 

de bares con olor a frito donde se niegan penaltis

 

de goles marcados al sábado

como si en ello nos fuese la vida

 

de aceras por descubrir

ínsulas extrañas do luchar contra los coches

los nuevos gigantes sancho

 

de valiente muerte juvenil

sobre las ruedas del fin de semana

 

de equipo de piernas para sillas de ruedas

 

de mujeres con depresión

que se asfixian subiendo al cuarto piso

 

de david ecologista intentando abatir

a goliath ministerio de obras públicas

 

de cola del paro y ley de extranjería

 

de olmos y plátanos por palmeras y lianas

 

sin salir de mi ciudad

el mundo se ha convertido

en una apasionante aventura

MAR DE PALAVRAS poema de ana carolina cons bacila

 

 

É um sentimento estranho,

Como se me quisesse jogar no mar da fantasia,

Lugar que me rodeiam, me deixam iludida.

 

Voltar à realidade é sem graça,

Me parece arrancar a asa

De minha mísera liberdade.

 

Creio que seja por tal motivo que escrevo.

No mar das palavras onde deságuam

Tanto fantasia quanto realidade.

HORÓSCOPO GAUDÉRIO por rose porto alegre

Doze Lôco Solto

A primeira coisa a entender é que não é só tu que existe, tem mais onze loquinho. A segunda, é que não tem signo melhor, nem signo pior. É um pior que o otro. Áries – 21/03 a 20/04

Bicho mais fogueteiro e metido não tem. Ele atropela todo mundo, que nem bagual solto em feira de porcelana. Tem mania de ser sempre o primeiro. E é: o primero… loco! Touro – 21/04 a 20/05

Esse, quer ser o maior dos latifundiários: é o dono da estância e das plantação. Se bobear, invade o planeta inteiro. Mas tem desculpa: sabe fazer um doce de abóbora daqueles, e, enquanto mexe as panela, fica te declamando e trovando cosas lindas de sua autoria. Êta, índio animal!!! Gêmeos – 21/05 a 20/06

Esse vivente só quer prosear, assuntar. É o mascate do Zodíaco, o leva-e-traz. Sabe de tudo, e sabe contá causo que é uma beleza. Não esquenta banco, e parece que tem bicho carpintero. Lá em Brasília, até pouco tempo atrás, tinha um desses (Agora, tem de novo). O índio velho só queria andar de avião, pra lá e pra cá, com a prenda do lado. Uma batata doce, pra quem adivinhá quem é o dito. Câncer – 21/06 a 21/07

Esse, é chorão que é um inferno. Tem uma memória do cão e se lembra tim tim por tim tim quem ganhou cada Califórnia e cada Grenal. Sabe de cor tudo o que tu disse pra ele naquele 4 de maio de 1984. Mas, é o dono da posada, e o que te prepara o putchero nas noites de Minuano. É dos piores. Leão – 22/07 a 22/08

Foi por causa desse que inventaram o tal de Complexo de Superioridade. Bicho mais convencido, não há. É o primeiro prêmio em interpretação nos festival, arrasa na chula, é a mais bela prenda, e o rei do gado. Exige respeito, e não consegue ficar na mesma sala com uma tv ligada, pôes que não admite concorrência. Vai ser o chefe da ala dos Napoleão, lá no São Pedro. Virgem – 23/08 a 22/09

Virge! Cruzes! esse é roxo por limpeza: limpa e lava o que encontrar pela frente. Mas , como só é loco de facero e não de sem-vergonha, pelo menos, nunca foi visto lavando dinheiro nas ilhas Caimãs. Tem cuia própria pro mate, porque é mais higiênico, e tá sempre de vassoura na mão. Parece normal, mas é dos mais maníacos. Libra – 23/09 a 22/10

É danado de namorador. Só quer pezinho pra cá e pezinho pra lá. Não faz outra cosa. Também adora se metê em política, mas só fica olhando, em cima do muro, enquanto a indiada dá um duro, aqui embaixo. Nem sei se não usa cuecão de florzinha por baixo das bombacha… Mas pode ir tirando o cavalinho da chuva, porque é só frescura. Ele não é veado! Escorpião – 23/10 a 21/11

O loco dos loco. Prá puxá o facão, não faz cerimônia. Mas, depois de todo o estardalhaço, fica com uma cara de culpado e arrependido que irrita até a mãe dele. Não perde a mania de mexer nos trauma… dos otros. O velho Freud, que também não era dos mais normal, tinha o tal de Ascendente em Escorpião. Esse, nem com banda… Sagitário – 22/11 a 22/12

O índio aqui, acha que é o verdadeiro Centauro dos Pampas, citado várias vezes pelos nossos historiadores. Se perdeu do seu bando e não sabe se foi perto de Vacaria, ou de Pelotas, de tão loco. Se alguém quiser se comunicar com ele, o email é: coicemanotaç (mogango) pampa.com.rs Capricórnio – 23/12 a 20/01

Esse é o introvertido! Metido a tímido, mas foi ele quem descobriu o Complexo de Inferioridade. Não quer incomodar e, pra fazer ele entrar no rancho ou se chegar pra roda de chimarrão, é um custo. Não se acha nada, sonha com ele no futuro, que é, quando ele acha que vai existir. Otro que só internando!!! Aquário – 21/01 a 19/02

Ele quer mudar o mundo. Não muda nem as tela dos galinhero e as lâmpada queimada. Adora uma revolução, um protesto, ou deixar o povaréu de cabelo em pé. No fundo, o que ele quer é aparecê. Peixes – 20/02 – 20/03

Já esse, o que quer é desaparecer. Vive com a cabeça nas nuvens, viajando… Diz que conversa com a Mboitatá, já viu o Negrinho do Pastoreio, e recebe o Sepé Tiarajú. Mas, o que tem de doido, tem de bonzinho. É só não contrariar.

SENTIMANIA poema de altair de oliveira

 

 

Já sei sorver de leve a tua fala

banhar-me nos resquícios do teu cheiro

eu posso ver teu rosto em quase tudo

imaginar vertigens nos teus pêlos…

 

Sou coisa de acender quando te vejo.

Só quero te encontrar quando procuro.

Só penso em te ouvir quando me calo.

Te quero no início do futuro

enfrutecida árvore de beijos.