SORRIA! você está sendo enganado! / por alceu sperança

A atual crise mundial é a maior sacanagem de todos os tempos. Somente se compara ao aparecimento da escravidão. É cada vez mais evidente a imensa contradição entre os efeitos da crise e a falsa “liberdade” e a “democracia” que os capitalistas tanto apregoam mas não praticam. Ao contrário, impõem cada vez mais barreiras, exclusões, políticas racistas e concentração de renda: grandes conglomerados liquidando as pequenas e médias empresas, atropelando os micros empreendedores.

Se houvesse por lá realmente liberdade e democracia, como alardeiam os estadunidenses e europeus, haveria oportunidades para todos os cidadãos e não apenas para quem nasceu em determinado lugar e tem como reserva de mercado o direito a viver no bem-bom enquanto outros sofrem os horrores da miséria e da ignorância. Querem que suas empresas atuem livremente nos países pobres, mas rejeitam que os pobres trabalhem livremente em seus “paraísos” falsamente democráticos.

Os imigrantes que vieram da Europa conseguiram prosperar no Brasil e outros países do hemisfério. Mas quando os moreninhos do Sul tentam procurar oportunidades – e não de enriquecer, mas de apenas trabalhar – encontram barreiras, ódio, discriminação e bordoadas. É por essa injustiça nada poética que o sistema capitalista está em frangalhos e à beira da ruína: essa monstruosidade que expulsa, vitima, escraviza, asfixia e explora não pode continuar fingindo que é “liberdade” e “democracia”.

No século XIX, a expansão capitalista expulsou os filhos da Europa para novas terras. Eles foram usados para extrair as riquezas dessas novas terras para dar prosperidade ao Velho Mundo. Foi o ouro daqui que deu glória, poder e fortuna aos potentados europeus. Agora, depois de criar a mãe de todas as crises, essa coisa odienta rejeita que os filhos das terras exploradas queiram repartir com eles os frutos daquela riqueza extraída aqui.

Isso é imoral, ilegítimo e inaceitável, porque as crises, a rapina e a injusta repartição dos frutos da riqueza levaram a uma grande mobilidade na esteira da “globalização”. Que, aliás, seria um mundo sem fronteiras e com os mercados plenamente livres. Isso também deveria significar a liberdade de disputar empregos em qualquer lugar, assim como as empresas transnacionais disputam os mercados nacionais em todos os países. Como que a empresa pode ser transnacional, mas a mão-de-obra não? O capital não precisa ter pátria, mas o trabalho é forçado a ter certidão de nascimento local…

Jamais houve tanta gente procurando oportunidades fora de seus países de nascimento. Calcula-se algo em torno de 160 milhões de migrantes – um Brasil ou um Bangladesh inteirinhos – estejam hoje vivendo e trabalhando fora de suas nações. Da mesma forma que no fim do século XIX e início do século XX havia uma revoada em busca de melhores horizontes no Novo Mundo, hoje há uma revoada dos novo-mundistas aos países da União Europeia.

Os EUA se pintaram de grande Pátria da democracia e da liberdade e essas luzes atrativas respondem pelo ingresso de um milhão de estrangeiros por ano ao seu mercado de trabalho e consumo. Essa gente, se fica no lugar para onde foi, aceita regras de trabalho que beiram a escravidão. Se volta para seu país de origem, idem.

Sorria, você está sendo (mais uma vez) enganado. Sem essa de que a crise é democrática e atingiu a todos. Ela só é boa para os ricos. Os muito ricos.

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