MARIA LÚCIA MASCELANI MOURÃO abre exposição individual e lança livro

Maria Lúcia Mascelani Mourão

 

Voltando idéias e olhar para as circunstâncias contextuais que lhes são mais próximas e que por isso fornecem uma atmosfera peculiar ao desenvolvimento de sua obra, Maria Lúcia Mascelani Mourão nos últimos anos criou uma sugestiva série de calendários, inspirados sempre em elementos naturais ou arquitetônicos locais. Esse saber olhar foi aos poucos se direcionando para a natureza existente nos arredores da sua casa-ateliê. Na continuidade de suas pesquisas, focalizou os coqueiros de seu jardim registrando detalhes de todo o seu ciclo vital. Dessa minuciosa e silenciosa pesquisa surgiu a inspiração para os trabalhos que compõem esta mostra.

Estabelecendo relações formais entre cores, texturas, ritmos e movimentos, criou dinâmicas e expressivas composições de forte impacto visual. Mergulhando fundo na observação, apreendeu a essência estrutural destas formas, transformando-as em signos espaciais que nos revelam a misteriosa conexão entre essas estruturas naturais e as do próprio homem. A primeira vista estas composições poderiam parecer abstratas.  Observadas com mais atenção perceberemos que não se trata do antinaturalismo fundador da abstração.

Plasticamente autônomas, as composições de Maria Lúcia não recorrem, de forma explícita, ao tema do qual partiram. Há, no entanto, uma instigante ambiguidade no tratamento formal, quer seja nas formas geométricas ou orgânicas; cada traço do desenho  é ao mesmo tempo signo espacial e objeto, imagem e natureza.

Investigando a partir dos sentidos os fenômenos pelos quais a força telúrica da natureza rege-se e norteia-se, Maria Lúcia captou a medida exata com que tudo tem que ser recriado e transposto, resultando deste processo uma linguagem coerente com a definição de uma poética.

Para reforçar o caráter orgânico da série a artista utilizou cores obtidas com a mistura de terras a aglutinantes conferindo a pintura uma materialidade que corresponde plenamente as suas intenções expressivas. O desenho é sempre o elemento básico da obra dessa artista que nesta série utiliza-se de uma gama de cores sóbrias e comedidas. A palheta baixa com predomínio dos tons terrosos ganha expressão e clareza de legibilidade  através dos matizes contrastantes que surgem destacando um ou outro plano ou detalhe compositivo.

As tramas gráfico cromáticas deste trabalho realizam-se a partir dos limites do desenho de onde surgem oportunidades para a artista criar cores e formas a medida que os conhecimentos da natureza e do métier vão armando sua experiência neste domínio.

Vivenciando uma profunda relação ecológica com a natureza e o meio ambiente, Maria Lúcia, com sua capacidade de observação calcada na experiência comum de um olhar prescrutador, decifra e revela signos, mistérios e significados contidos numa raiz, numa folha, numa semente.

Sua série de pinturas sobre cartão, objetos e montagens mostra como através da arte é possível devolvermos ao olhar corriqueiro a possibilidade de perceber e revelar os valores poéticos da natureza e do ambiente que nos envolve.

 

João Otávio Neves Filho – JANGA

 

Ilha de Santa Catarina – Brasil – Abril 2009

 

O que: Exposição individual de Maria Lúcia Mascelani Mourão com lançamento do livro de sua autoria MIM.

Onde: Museu histórico de Santa Catarina – Palácio Cruz e Sousa

Quando: Dia 07 de Maio de 2009, às 19:00 horas.

Em visitação até 07 de junho de 2009.

 

Maria Lúcia Mascelani Mourão

                                                por Maria Lúcia

 

 

Falar da própria trajetória, do caminho que se percorre a cada dia dentro da solidão do atelier, refletindo o mundo interno e o externo do pretenso fazer arte não é usual mas é legitimo.

Inegavelmente somos bombardeados com interferências visuais e intelectuais tão aceleradas que se nos imprime algo superficial ou profundo não conseguimos deglutir  e o atônito nos induz a estagnar, parar e não agir.

No meu caso é preciso que haja um distanciamento desse bombardeio para que se crie um nicho vazio e único onde possa defrontar minhas questões, refletir e depois devolver um desenho, uma pintura, uma escultura, uma escrita.

Assim componho esta mostra, onde tento agregar a obra ao espaço expositivo – o Museu Histórico de Santa Catarina reverenciando Cruz e Sousa através do objeto Coração Confiante para seu soneto de mesmo nome; cujo foco pretendido é um chamamento à afloração do sentimento que transpõe o tempo. O tempo de todas as coisas se aprontarem num existir de coqueiro ou de humano. São mostradas 15 obras onde a trama , a rede e as intercecções e fugas constituem sua contrução e seu embate.

Será também lançado o livro MIM, que nasceu com o propósito de sintetizar a trajetória humana tão rápida e mirabolantemente assediada do acaso ou do propósito que necessitamos entender que somos sós, únicos e, felizmente, compartilhados.

Trata-se de uma poética sobre o individuo onde quem o legitima é o outro que o lê. O MIM é uma tentativa de foco na emoção do existir; no “anima” que todo o ser carrega.

Um livro de poucas páginas, feito a mão e editado pela editora Bernúncia. Sai com selo Infanto – juvenil muito embora não tenha restrição de idade.

Seu custo: R$15,00.

Ainda no período da mostra será promovida uma ação arte educativa no dia 21 de maio a partir das 14:00 horas para arte-educadores através de uma parceria com o núcleo de arte educadores do MASC e Museu Histórico Santa Catarina.

Uma resposta

  1. Vcs poderiam me ajudar a entrar em contato, via email com a Maria Lucia Mascelani? Obrigado.

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