Arquivos Diários: 7 maio, 2009

ERGOCHÃS ESPACIAIS (série) poemas manuscritos de jairo pereira

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A IGREJA INVISÍVEL lança o PROJETO SOCIAL DE SAÚDE MENTAL AUSTREGÉSILO CARRANO BUENO

meu caro e bom amigo carrano, já falecido, autor do livro Canto dos Malditos ( onde ele descreve a sua odisséia numa clínica psiquiatra de curitiba aos 17 anos) e que se transformou no filme O Bixo de 7 Cabeças  (laís bondansky) ganhador de diversos prêmios, me informa, póstumamente, através de sua amiga talita rhein  que havia fundado uma igreja invisível ! que loucura fantástica!!!! se Deus é invisível, os espíritos são invisíveis, se o mundo onde vivem é invisível, porque não uma igreja invisível? mais coerente e não precisa de sacras mansões!! aliás a mansão é o mundo virtual!!

publico abaixo o email enviado por talita.

 

jb vidal

 

saul, do movimento afro-brasileiro, o poeta e editor jb vidal, o artista visual rettamozo, o "louco" dramaturgo austregésilo carrano e o artista visual claudio kambé. todos grandes amigos.

saul, do movimento afro-brasileiro, o poeta e editor jb vidal, o artista visual rettamozo, o "louco" dramaturgo austregésilo carrano e o artista visual claudio kambé. todos grandes amigos.

 

 

Atualmente o assunto ‘saúde mental’ tem ganhado espaço na mídia devido a sua abordagem na novela de Gloria Perez “Caminho das Índias“. A novela tem mostrado um esquizofrenico paranóico e pouco sociável, mas alguns especialistas contestam a forma que o doente é tratado na trama. Há muita controversia sobre o assunto, mas poucas pessoas apontam a inclusão social do doente como uma forma de tratamento, e, menos ainda, é falada sobre a possível cura de um esquizofrenico. A Igreja Invisível, organização de cunho social, criou o “Projeto Social de Saúde Mental Austregesilo Carrano Bueno” com o objetivo de desmistificar os temas ‘saúde mental e loucura‘. Carrano, que foi um dos idealizadores da Igreja Invisível, era famoso pela luta para a reforma psiquiátrica no Brasil, e deixou um legado a ser seguido, questionando a forma que os doentes mentais são tratados dentro e fora de hospitais, sendo marginalizados e diminuídos. O Projeto Carrano conta com especialistas que lidam com doentes e não-doentes mentais através de terapias alternativas, auto-conhecimento, meditação e trabalho com artes. O foco é a conscientização, a inclusão e a oportunidade de aprenderem coisas novas. Para por em prártica todo conhecimento dessas pessoas, o Projeto Carrano produzirá uma série de dez curtas-metragens sobre saúde mental. Nesses curtas, as pessoas terão oportunidade de atuar, filmar e adquirir conhecimentos dentro e fora da sua área de trabalho.

O Projeto também organiza palestras e oficinas, na área de artes, terapias alternativas e, claro, na discussão sobre saúde mental. Dennis Brandão, diretor da Igreja Invisível, criou o conceito de vídeo solidário, no qual o participante não precisa ter nenhuma experiência em teatro ou interpretação para ser uma personagem. Além dos curtas da série, serão criados curtas a cada treinamento proposto sobre o tema saúde mental.
Apoiado pelo site www.deliriocoletivo.com.br, de Dayan Paiva – uma pessoa que, como Carrano, luta para a conscientização da sociedade na questão da aceitação de pessoas doentes mentais – o Projeto Carrano está em busca de doações e espaço, para poder concretizar seus planos e conseguir, enfim, dar mais voz à luta pela verdadeira reforma psiquiatrica no Brasil.
 
  
 

O QUE É A IGREJA INVISÍVEL

 

     A Igreja Invisível é uma organização que trabalha a integração e a espiritualidade em um sentido pleno e coletivo, desenvolvendo ações artísticas e sociais para um mundo mais solidário e emocionalmente mais saudável, unindo filosofia, artes, meditação e outras técnicas de desenvolvimento humano.

 

 

PROJETO CARRANO

 

     A I:I criou o Projeto Social de Saúde Mental Austregésilo Carrano Bueno, em homenagem ao Carrano, amigo pessoal de alguns dos idealizadores da Igreja Invisível. O escritor Austregésilo Carrano Bueno foi um ícone da luta pela Reforma Psiquiátrica Brasileira e autor do livro Canto dos Malditos, que inspirou o filme Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bondansky. Utilizar seu nome no título do projeto, mais do que uma simples homenagem, é o modo que encontramos de fazer com que sua luta pela Reforma Psiquiátrica Brasileira continue. O Projeto Carrano visa a desmistificação das doenças mentais e o tratamento através das terapias alternativas e integração social, poupando o doente de isolamento e marginalização. Além disso, o projeto também lida com profissionais da área de comunicação e artes, dando oportunidade de aprendizado e trabalho. A intenção é produzir uma série de curtas-metragens abordando o tema saúde mental (‘loucura’) de forma direta e com participação de pessoas com doenças mentais. O objetivo da série de curtas-metragens é expor à sociedade que há outras formas de tratamento aos distúrbios mentais antes da internação, e tentar expor às pessoas que a pior doença é o preconceito.
   

CONTATO

 

www.igrejainvisivel.com

 

Rua Tonelero, 854 , Vila Ipojuca, 05056-001, São Paulo – SP. 
Contato: (11) 2771-5607

APENAS UMA COISA poema de nauro machado

Existe amor?
Palpável como o dia,
como a matéria com que é feito o objeto
chamado mesa, catedral ou baço
nitrindo em tantas coisas?

Como amar
esta incorpórea substância carnal,
este lampejo de chão no infinito?
Existe amor?

Palpável como a terra?
Debaixo ou sobre a terra, ainda carne,
algum finado saberá do amor,
essa chama votiva a brilhar ainda?
Amou Torquato a Maria? Amou deveras?
Digam-nos os anjos corcundas do além,
a ave agoureira ao céu crucificada,
o revoar de asas na papal coroa.
Amou Torquato a Maria, ainda carne?
Ama Maria a esse pó apenas nome
legado aos filhos como letra morta,
como moeda gasta em mão mendiga?
Chupando um dedo só, o amor se alimenta

CRUZ E SOUSA – editoria

João da Cruz e Souza nasceu em 24 de novembro de 1861 em Desterro, hoje Florinaopolis, Santa Catarina. Seu pai e sua mãe, negros puros, eram escravos alforriados pelo marechal Guilherme Xavier de Sousa. Ao que tudo indica o marechal gostava muito dessa família pois o menino João da Cruz recebeu, além de educação refinada, adquirida no Liceu Provincial de Santa Catarina, o sobrenome Sousa. 

  cruz-e-souza-foto-cruzApesar de toda essa proteção, Cruz e Souza sofreu muito com o preconceito racial. Depois de dirigir um jornal abolicionista, foi impedido de deixar sua terra natal por motivos de preconceito racial. 

Algum tempo depois é nomeado promotor público, porém, é impedido de assumir o cargo, novamente por causa do preconceito. Ao transferir-se para o Rio, sobreviveu trabalhando em pequenos empregos e continuou sendo vítima do preconceito. 

Em 1893 casa-se com Gravita Rosa Gonçalves, que também era negra e que mais tarde enlouqueceu. O casal teve quatro filhos e todos faleceram prematuramente, o que teve vida mais longa morreu quando tinha apenas 17 anos. 

Cruz e Souza morreu em 19 de março de 1898 na cidade mineira de Sítio, vítima de tuberculose. Suas únicas obras publicadas em vida foram Missal e Broquéis.

 

Cruz e Souza é, sem sombra de dúvidas, o mais importante poeta Simbolista brasileiro, chegando a ser considerado também um dos maiores representantes dessa escola no mundo. Muitos críticos chegam a afirmar que se não fosse a sua presença, a estética Simbolista não teria existido no Brasil. Sua obra apresenta diversidade e riqueza. 

De um lado, encontram-se aspectos noturnos, herdados do Romantismo como por exemplo o culto da noite, certo satanismo, pessimismo, angústia morte etc. Já de outro, percebe-se uma certa preocupação formal, como o gosto pelo soneto, o uso de vocábulos refinados, a força das imagens etc. Em relação a sua obra, pode-se dizer ainda que ela tem um caráter evolutivo, pois trata de temas até certo ponto pessoais como por exemplo o sofrimento do negro e evolui para a angústia do ser humano. 

 

Vida Obscura

Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro,  
ó ser humilde entre os humildes seres.   
Embriagado, tonto dos prazeres,  
o mundo para ti foi negro e duro

Atravessaste no silêncio escuro  
a vida presa a trágicos deveres  
e chegaste ao saber de altos saberes  
tornando-te mais simples e mais puro.

Ninguém te viu o sentimento inquieto,  
magoado, oculto e aterrador, secreto,  
que o coração te apunhalou no mundo.

Mas eu que sempre te segui os passos  
sei que cruz infernal prendeu-te os braços,  
e o teu suspiro como foi profundo! 

 

LIVROS DE CRUZ E SOUZA:

 

Broquéis (1893, poesia)

Faróis (1900, poesia)

Últimos Sonetos (1893, poesia)

Tropos e Fanfarras (1885, prosa – em conjunto com Virgílio Várzea)

Missal (1893, poema em prosa)

Evocações (1898, poemas em prosa)