A PAELLA de LUCÍA poema de tonicato miranda


                                                                    para JB Vidal

 

Quando doces pomares

encantam os olhos mais que o paladar

Quando anjos imaginários quase

pisam nos tentáculos moles de um calamar

sem se importar com suas não-pegadas na areia

que em parceria com a água tece desenhos na beira-mar

O sorriso foge de mim para cair no colo de uma sereia

 

Quando os ossos da perna e do andar

movimentam mais o caminho do que meu corpo

Quando o céu se enche de aves a migrar

e um ganso voando baixo voa com elas mesmo torto

sinto todos fugindo na retirada com o tem e o não tem

pois nada pode ser definitivo antes de estar morto

mesmo faltando o ar, a voz e estando ausente um bem

 

Quando um Concerto de Aranjuez lhe parte em dois

deixando os movimentos parados e a mente muito além

um Paco de Lucía pode lhe trazer a tristeza dos bois

enforcando-lhe na cordoalha da viola com dedos mais de cem

mesmo assim agora entendo na paella qual o sabor do arroz

também como homens e mulheres podem se tornar tristes

quando vivem a luta, deixando a vida pra depois

 

TM

Curitiba, 1/5/2009

10 Respostas

  1. NOOSSSAAAAAA !!!!!!!!!!!!!!!!

  2. Então vamos lá TONICATO MIRANDA. Para ficar claro: não conheço pessoalmente você, nem o Manoel de Andrade e nem o JB Vidal, ok? O assunto era como o Manoel se referiu ao JB Vidal no comentário. Por desconhecer as relações entre vocês, entendi que o Manoel conhecia você e não conhecia o JB Vidal, apesar de todos publicarem no mesmo blog como percebi. Entendi a referência do Manoel como um “achincalhe” ao poeta do qual tenho lido alguns poemas nesta e em outras páginas da net que são verdadeiras pérolas da poesia brasileira e universal ainda mais neste momento em que o mundo virtual se presta para a publicação de poesias (sic) de toda ordem. É um poeta de primeira linha, não descoberto, desconhecido como tantos outros inclusive você. Pesquisei nas livrarias para encontrar algum livro de autoria dele, não encontrei, do Manoel de Andrade já vi, aqui mesmo, lançamento de livro. Voltando, em nenhum momento do meu comentário me referi ao seu A PAELLA DE LUCÍA, que confesso, fui ler em razão do título que me pareceu interessante e me deparei com o comentário do Manoel. Acho que você se sentiu “ignorado” porque falamos de outra pessoa no seu poema, acho que você tem consciência que escreve, neste ou em outros, “versinhos bonitos” e “riminhas”. Adianto à você que gosto de “versos bonitos” e de “rimas”, podes compreender a diferença? Ainda, não poderia ter citado no corpo do comentário os poetas que citaste porque não comparo JB Vidal com eles e você os cita, como minha falta, sem nenhum critério no mínimo razoável. Apenas com a intenção de atingir-me, não conseguiste, é claro, e estou, devagarinho, desconstruindo tua construção de “versinhos resposta” ao que não foi perguntado nem referido. “Um anão!” ( cheio de falsa humildade). És, pela tua reação, realmente um anão. – “conspurco com a beleza menor das riminhas os “verdadeiros talentos” dos que têm pegada e culhão” que mediocridade! Quanta inveja! Que ciúmes! Que vida subalterna deves levar. Que filho mimado! Sente-se perseguido! “ atirem no Tonicato”, quem quis atirar em você ? só se foi o o teu vizinho porque aqui você não era o sujeito ao qual nos referíamos. Ou você próprio, ao admitir construir “versinhos bonitos” e riminhas”? para finalizar, esquivo-me de te perdoar porque não me senti ofendida e, ainda, te informo que gosto muito de paella ainda mais sob o som de Paco de Lucía.! Te dei, por minha conta e risco, 2 minutos de sucesso, que é o tempo que estou gastando para te esclarecer. Era o querias, entrar na conversa, pois bem, consenti.
    TONICATO MIRANDA, na poesia quem não é, nunca será! Tua reação afirma, definitivamente, isto. Lamento saber disto.

    Serenamente,

    FLÁVIA CASTAÑO

  3. Ela não gosta da rima
    diz que faço “riminhas” e “versinho” bonito
    o diminutivo reverberando como um palavrão

    Ela cita Whitman, também deveria citar Bashô
    Maiakovski, Cruz e Souza, Shakespeare,
    Mallarmé. No meio deles sou mesmo um anão

    Ela não gosta da trama e da sua prima
    não percebe que a rima é a voz da harmonia
    quando a flora repetindo-se vira sagração

    ela diz que faço versinho
    conspurco com a beleza menor das riminhas
    os “verdadeiros talentos” dos que têm pegada e culhão

    Ela tem no nome o castanho e diz ser passageira
    Atirem no Tonicato – ele se arvora em voar com anjos e aves
    A ti que não gostas de paellas e rimas, peço perdão

    TM

  4. Caramba, Flávia, o que escrevi sobre o Vidal, é uma suave ironia. É apenas pra mexer com ele. Faz parte das nossas constantes provocações. Nos telefonamos quase que diariamente. Nossa fraterna e imensa amizade permite que eu faça esta brincadeira. Só não tinha previsto esta tua lógica interpretação. Que bom que você fez este alerta. Só agora é que me caiu a ficha. Afinal este é um espaço público e por isso vai este esclarecimento. Talento ele tem pra dar e vender.
    Um grande abraço…, Manoel

    1. ….every word is directed toward an answer and cannot escape the profound influence of the answering word that it antecipates…(Bakhtin)

      digamos q esse dialogismo acima é composto de várias vozes, as quais ocupam diferentes posições de poder.
      A clareza de quem fala, de quem ouve e de quem le “entrou em colapso” e levou o Vidal junto.

      Interessante!

  5. Manoel o Vidal a que te referes é o JB VIDAL que publica aqui uma série, acho que seja, denominada Ofertório? Se for esse cara, tenha paciência Manoel. Eu entro de vez em quando e dou uma navegada por aqui, tem muita coisa boa escrita por gente que nunca ouvi falar, mas tem também umas drogas.Já conheço alguns de vocês, você por exemplo já li algumas coisas. Mas esse JB VIDAL é o único, que leio aqui, que é poeta de verdade, o cara tem “pegada” tem muito sentimento ele não faz “versinho” bonito e “riminhas” ele escreve com fôrça poética, ele muda o leitor, o cara é fera mesmo me lembra o Withman. Se merece ou não “tanta beleza” imagino que ele, pelo estilo, não está nem aí. Vamos respeitar os verdadeiros talentos.

    FLÁVIA CASTAÑO

    1. Re-examine all that you have been told… dismiss that which insults your soul……Whitman

      1. haaaaa
        verso tem ke chamar a atençao do leitor k no caso sera eu
        eu achei k vc deveria ter colocado mais…
        sei la vc inventa tem k ter mais criatividade
        pow

  6. Que belo poema Tonicato, com este céu cheio de aves a migrar, e dedos sedutores do Paco. Será que o Vidal merece tanta beleza?
    Um fraterno abraço…, Maneco

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