Arquivos Diários: 17 maio, 2009

II FEIRA CATARINENSE DO LIVRO por donato ramos*

Os Escritores da Ilha tentam mais uma vez ocupar o seu espaço, participando da II Feira Catarinense do Livro, promoção da Câmara Catarinense do Livro. Juntam o dinheiro entre os seus associados – porque nada é de graça neste mundo, fora o que Deus nos dá – e pagam o seu stand, na ordem de quinhentos reais. Eu juro que no início pensei que fosse de graça para os escritores da terra!

A abertura oficial já começa atrasada, porque a representante do Governador e do Secretário da Cultura, já incorporou o sistema de ação pública dos políticos e chega com mais de uma hora de atraso.

Lembrou-me Obama quando disse ao Lula e este repetiu à Dilma: “Você é o cara”!

Por que, você pergunta? Porque ela teve a coragem de dizer:

FEIRALIVRO4                                          foto de donato ramos.

“Sei que vocês estão decepcionados, porque esperavam a presença do Governador e do Secretário, mas eles estão ocupados com outras coisas. Não gosto de representar os outros, gosto de ser eu mesma, porque sei da decepção que as pessoas sentem quando esperam uma pessoa e é outra que vem”.

Deu, pelo menos, uma informação importante: O governo vai voltar a comprar livros de autores da Ilha. Não disse quantos de cada escritor, como isso será feito, nem quais os critérios, mas disse o que o dinheiro já existe. Mas não disse onde o dinheiro está e nem como vão comprar os meus livros.  Duvido.

 FEIRALIVRO1                                  foto de donato ramos.

 

Muita gente falou. O Vice-Prefeito de São Pedro de Alcântara disse da importância da sua cidade como berço dos primeiros alemães em Santa Catarina.

 

Falou até o proprietário das Livrarias Catarinenses sobre a epopéia vivida pelo seu pai, hoje já velhinho, mas muito interessado pelos livros. Vender livros, claro!

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                                    foto de donato ramos.

Falou sobre a importância dos livros de auto-ajuda que eles vendem muito. Mas não falou que vai dar destaque aos livros dos autores da Ilha nas suas inúmeras livrarias, inclusive a Livraria Curitiba que também foi fundada pelo seu pai.

Até se disse ali que o governo vai dar uma atenção maior para a Literatura trazendo grandes nomes – disseram assim mesmo -, grandes nomes de outras cidades para fazerem palestras aqui nos próximos eventos. Os autores da terra ficaram muito felizes com essa informação! Quase choraram de emoção!

Que bom, para nós escritores da Ilha: conhecer os“grandes nomes” porque serão úteis para nós, escritores com mais de setenta anos muitos deles, inclusive eu, que vou aprender com eles como se escreve uma crônica ou um romance. Assim, no futuro, também serei “um grande nome” e o governo de Santa Catarina poderá até comprar meus livros e me contratar para uma palestra…

Se apegue no Santo, minha Senhora! Se apegue no Santo meu Senhor!

 

donato ramos é jornalista, músico e escritor. mora na ilha de santa catarina.

“VIAS PARALELAS”, MARCO DA LITERATURA CATARINENSE por hamilton alves

(editado pela Academia Catarinense de Letras, o novo livro de Silveira de Souza é um repertório de seus bons poemas, traduções e memórias)

 

                                                                       (Hamilton Alves)

 

 

                                               Há pouco, Silveira de Souza me mandou um recado eletrônico me pedindo a opinião sobre seu novo livro, ”Vias Paralelas”, sobre o qual (dito por ele) alimentava algumas dúvidas.

                                               Disse-lhe de saída que um escritor de sua marca e experiência não precisaria auscultar a opinião de ninguém para saber da validade sobre o que produziu ou escreveu.

                                               Li o livro, que contém nas primeiras páginas um punhado de vinte e cinco poemas de sua lavra, alguns dos quais considero verdadeiras jóias da poesia brasileira, podendo rivalizar, em qualidade, com os melhores poetas que hoje pululam por aí, destacando-se principalmente o poema “Psique no bar do mercado”, sobre o qual já tinha me manifestado numa resenha que publiquei não faz muito em jornal. Referi-me a uma dúzia dentre os vinte e cinco, que me parecem de alto teor poético.

                                               O livro, de 158 páginas, termina com traduções de alguns poetas consagrados mundialmente, como Emily Dickson, com “Há um certo desvio da luz”, e outro de  Goethe, “Achado”, destacando-se dois outros, de Gottfried Benn, “Cocaína”, e Dante Gabriel Rossetti, “Luz Súbita”; a meus ver, esses dois últimos inferiores, em peso poético, aos dois primeiros. À guisa de amostragem do bom  nível da poesia de Silveira, segue um desses poemas a que me refiro como possuidores de alta voltagem poética:

 

                                               O médico e o monstro

 

                                               “   O eu-um caminha por alamedas

                                                    e ruas bem comportadas. Dele

                                                    os vizinhos e amigos, bzz, bzz,

                                                    comentam as ações previsíveis,

                                                    sérias, profissionais.

 

                                                    Eis que em certas noites do ano

                                                    ou do mês ou da semana, por vezes

                                                    emerge um eu-dois, freudiano, sor-

                                                    rateiro inquilino. Ah, a bebida! Ah,

                                                    as   mulheres e a música

                                                    das boates suburbanas! Ah,

                                                    o cheiro e o sabor de corpos jovens

                                                    em dormitórios e motéis!

 

                                                    Então não esconde o eu-dois

                                                    certa tristeza ao acordar 

                                                    nesse ano, mês ou semana. E

                                                    das janelas ver o nascer das manhãs

                                                     na cidade enevoada.

                                                     LÁ (na bruma, na bruma)

                                                     inflexível, monstro em seu papel,

                                                     o eu-um o espera”.

                                                                                                                                                                                

                                               Além de seus próprios poemas e desses outros poetas traduzidos, Silveira faz a tradução de um conto de muito boa feitura de Nathaniel Hawthorne, com o título “Wakefield”, de “O Corvo – Filosofia da Composição”, de Edgar Allan Poe, e, ainda, de “Aforismas”, de Kafka. Brinda-nos também com alguns artigos memorialísticos, em que se reporta a vários temas que tiveram destaque em sua passagem pelo jornalismo, especialmente no desaparecido e inesquecível “Diário da Tarde”, quando o dirigia Tito Carvalho, um dos grandes nomes à época do jornalismo brasileiro, reportando-se ainda a sua vida profissional fora das letras.

                                               Trata-se de uma obra bem realizada, como no recado aludido lhe ressaltei. Não vai nesse comentário qualquer propósito de bajulação fácil. É a realidade dos fatos que se recolhe à leitura de “Vias Paralelas”.  Ainda tive oportunidade de lhe dizer que, a meu ver, a parte que mais se destaca é a inicial, que contém seus vinte e cinco poemas. Nem o poema de Goethe nem o de Emily Dickson, formulado com a categoria de sempre, nem os dois outros fazem a menor sombra aos poemas excelentes de Silveira, com destaque, como dito já, para “Psique…”.

                                               O livro tem o prefácio de Lauro Junkes, vazado em seis páginas, que reflete bem a qualidade do livro e do autor.

                                               Como depois disse ao Silveira, afora os poemas, em torno de uma dúzia (mencionei todos os que gostei e, mais tarde, acrescentei mais um ou dois ao rol dos que têm mais teor poético), se não valesse por isso ou pelas excelentes traduções do trabalho dos autores referidos, do alemão e do inglês, (aliás, diga-se de passagem, Silveira é um excelente tradutor nesses dois idiomas), o levantamento da memória de fatos culturais ou simplesmente de registro pessoal de certos eventos, vividos por ele em tantas circunstâncias, seria já, sem dúvida, um documento de real valor  quanto à referência a figuras que marcaram essa época, notadamente na imprensa ilhoa.

                                               Por tudo isso, “Vias Paralelas” é uma obra bem-vinda que, enriquecendo a fortuna literária já considerável de seu autor, um dos nossos escritores mais renomados, por outro lado, dá uma contribuição importante à literatura catarinense.

                                                   

                                              
(abril/09)                                                             x x x

 

 

AOS BENDITOS por alceu sperança

“E ainda assim há os insatisfeitos”, dizia o ex-secretário municipal da Saúde de Cascavel, Nadir Wille, ao prestar contas de suas atividades em um ato promovido na Câmara municipal, achando que estava fazendo grande coisa pela saúde popular. Benditos insatisfeitos! Sem eles o mundo não evoluiria. E a saúde, que não anda nada bem em lugar nenhum, estaria muito pior.

John Stuart Mill (1806–1873) nos socorre, bendito seja: “É incontestável que todos os melhoramentos nas questões humanas são obra apenas de caracteres insatisfeitos”. O grande professor angolano Manuel Cruz Malpique, autor de Introdução Sentimental às Bibliotecas, chutava as canelas dos conformistas sustentando a idéia de que a civilização, todinha ela, é obra dos insatisfeitos: “Todas as grandes transformações sociais e materiais de que a História nos dá conta as devemos à rebeldia de alguns loucos contra os homens de bom-senso”.

Talvez não fosse preciso chamar outros testemunhos geniais para reforçar a idéia de que a insatisfação é um dos motores principais de qualquer desenvolvimento, mas não resisto a apelar para um depoimento conclusivo: Walter Savage Landor (1775–1864), o bendito autor britânico de Conversações Imaginárias, sentenciava que “os insatisfeitos são os únicos benfeitores da humanidade”.

Benditos os estudantes, que são, dentre os insatisfeitos, os que mais têm chances de vencer e transformar seu mundo. São eles que hoje, em todo o Brasil, puxam o movimento admirável que exige o passe-livre no lotação. O ônibus é a grande resposta para o caos do trânsito, com ruas entulhadas de veículos poluentes, conduzidos por gente estressada a um passo do assassinato ou do suicídio, como se viu no caso tenebroso do deputado Carli Filho.

É inconcebível, um crime contra a cidadania, que a tarifa esteja tão alta – ao redor de um dólar, contra alguns poucos centavos em Cuba e muitos outros países. É também inconcebível que justamente o direito de ir e vir, o deslocamento no espaço urbano, seja uma prova cabal da imensa desigualdade que existe neste País. Uma revelação clara de que estamos muito longe da democracia. Votar é só um grão de areia no universo da democracia, ao contrário do que julgam os banqueiros e outros riquinhos em geral, para os quais democracia é um curral inerme e abobalhado que os elege.

É antidemocrático e injusto alguém deixar de poluir a cidade com um automóvel e ao embarcar num lotação tenha que pagar não só a sua passagem, mas também a dos isentos. Os malandros que instituíram a isenção pensaram algo assim: “Vou fazer moral com deficientes, velhinhos e algumas categorias especiais de meus eleitores. O trouxa do usuário que continue pagando ou faça como aqueles que migraram para o transporte individual!”

O Movimento Passe-Livre faz manifestações por todo o País, encantando todos aqueles que sabem estar na bendita juventude e nos estudantes a energia que nos falta para obter uma conquista essencial na atualidade: que as melhorias nos serviços públicos sejam fruto da vontade das pessoas e não das trucagens dos técnicos oficiais e dos políticos boquirrotos. É preciso exigir a participação da sociedade na gestão da coisa pública.

A rigor, não há de fato democracia real neste País. Em pleno 2006, duas décadas depois que a ditadura fez o favor de se suicidar, estudantes de Florianópolis que pediam o passe-livre foram espancados por um bando paramilitar. Quando a polícia chegou, deu cobertura aos bandidos agressores e prendeu os estudantes, exigindo que o fotógrafo Cláudio Silva, do jornal Diário Catarinense, destruísse as imagens das agressões. Como se recusou, também foi preso.

Eu estou insatisfeito, sim. Exijo imediatamente a bendita bolsa-democracia!

CAOS poema de joão batista do lago

(dedicado ao poeta J.B. Vidal)


entre a tensão de mudanças e de origens
cobra-se a mudança da origem.
como mudar o caos da virgem?
nela não há céu, tampouco inferno;
não há terra, tampouco mar!
Ela é simplesmente caos:
abismo nebuloso que me faz vagar
como força misteriosa
moldada entre vazios diásporos.
e assim, filho do caos da virgem
vou-me originando em cada verbo
sem pressentir que em cada verso
pretendo transgredir a virgem
num poema feito de versos noviços
pensando rasgar o abismo
da virgem em palavra que me pariu poeta
poeta sem terra, nem céu!
poeta sem inferno, nem mar!

[…]

poeta do caos!

PARÁBOLAS E OXÍMOROS por walmor marcellino

MUITAS DISCREPÂNCIAS

O mesmo processo de aculturação por dependência econômica, cultural e ideológica se reflete como desculturação por perda da faculdade própria da política. A escola histórico-cultural (Herskovits, 1952) mostrava que não se trataria apenas de um “empréstimo dos modos de vida e seus fatores materiais” e sim de trocas, nem sempre perceptíveis por suas características essenciais. Todavia medidas fixamente sociométricas nunca puderam ser suficientemente usadas na mensuração do objeto de desejo ou das nuances dessas trocas, que mais nos parecem miméticas; e, ademais, elas não se dão apenas no alargamento das relações nacionais e de grupos sociais definidos, pois afetam a todos, porém especialmente às culturas subordinadas ou dominadas; havendo também maior ou menor interesse material e estético, ou para algum evidente proveito social.

Entretanto, o próprio dinamismo social provoca os indivíduos e os estimula a assimilação de práticas de imediata vantagem, que se vão acomodando como fossem aquisições aculturadas. Assim, não é de estranhar que a política seja um proveito e uma satisfação, além de ser um ideário mítico.

Esopo, Fedro e depois Iriarte como Samaniego percorreram o filão das fábulas. Os modernos, no entanto, lembram apenas La Fontaine por fazer com donaire a metagogia do agrado preceitual em suas evidências. Mas todos sabemos quão exemplares podem ser esses feitos que se entranham em nosso cotidiano de classe.

A sua vez, Jules de Levère afirmou que a fisiognomonia esforçou-se em ser uma caracteriologia, isto é, pela aparência, logo suposição, e nelas pela fábula, procurava discernir as condutas e suas motivações. Porém acabou por enredar-se na própria aparência das pessoas e dos bichos dos quais extraíam alguns traços. De qualquer modo, os preceitos morais, as parábolas, as fábulas e os oxímoros sintetizam contradições, conflitos de interesses e preâmbulos éticos, impondo-se na forma de pequenos enigmas à moralidade e à cidadania. Essas foram as conclusões de Norman Malaídes (Essays of Fortunes), que emprestamos para salvaguardar nossa inteligência sem decair nas imprecações.

ECOS DA BIBLIOTECA por jorge lescano

No fluxo de eventos que denominamos História, muitas foram as peripécias acontecidas em torno dA Biblioteca (do grego Byblos: casca de árvore sobre a qual se escrevia e Oykos: casa) e não poucos os textos a ela dedicados.

            A mais conhecida é, sem dúvidas, o célebre incêndio da igualmente célebre Biblioteca de Alexandria. Fundada por Ptolomeu I no interior do Museion, ou Palácio das Musas, albergava todas as obras da literatura grega, catalogadas por excelentes bibliotecários, entre os quais exerciam o famoso poeta Calímaco e o cronista bizantino Jota Perucho. Esta Biblioteca possuia um acervo de 700.000 rolos (rotoli).

            Meus fascículos da História Universal da Crítica informam que o incêndio foi provocado por hostes romanas quando da conquista da cidade. O que não esclarecem é o motivo.

            Eis aqui, de modo suscinto, a resenha do infausto caso, colhida por mão anônima em Os Sete Livros das Cinzas e do Vento, obra desconhecida deste articulista.

 

“Um soldado de J.C. (I) – abreviava os nomes, dava por pressupostos alguns detalhes, como se estivesse farto de repeti-los – teve uma troca de impropérios com um colega de armas por causa de um tira-me-lá-essa-palha filológica (um tópico de somenos, dir-se-ia). A questão foi preterida de comum acordo, até a chegada das tropas à famigerada cidade de Alexandria, onde os contendores pretendiam dirimir o atrito consultando os textos consagrados pela Tradição. Assim que penetraram no âmbito da polis, enveredaram céleres rumo ao local supracitado. Afoitos (não os culpo por isso), escalaram degraus de mármore entre colunas polidas não mais de tempo que de sapiência. Com passos incertos perambularam por claustros e corredores penumbrosos. Atravessaram ante-salas de tetos altíssimos e abobadados e se surpreenderam em recâmaras desertas e hexagonais. Sufocaram em cubículos tórridos e escuros. Extraviaram-se em galerias úmidas e frias, vagamente iluminadas por clarabóias elípticas e inalcançáveis. Nesse universo piranesiano e simétrico, em mais de uma ocasião  lhes pareceu  que retornavam ao ponto de partida. Torceram à destra e sinistra com tal assiduidade que não mais estavam aptos a repetir a divisa de Phillips Morris: Vini, Vidi, Vici, sequer onde se encontravam o norte ou o sul, no caso destes não terem sumido do mapa. Finalmente teriam encontrado,  na posição de Flor de Loto, o rosto voltado para um

 

previsível canto escuro, Aquele que procuravam, sem lhe conhecer a identidade. Jota, o bibliotecário do burgo, seria, se dermos crédito ao depoimento posterior de Vallet, que dizia que Mabillon dissera que Adso disse, um cidadão provecto, de voz acatarrada, e cuja pele apresentaria um aspecto apergaminhado (charta pergamen), em todo semelhante às folhas  de um volume de alfarrabista (a História Oficial não costuma fornecer pormenores. O depoimento precedente está resumido num opúsculo sobre uma imagineria cinemática de sucesso assinado por um tal Ueco, ou Vico), sua dicção era defeituosa, como já vos informei, pois o idoso, além de banguela era  estrangeiro (II). Apesar desta afirmação, arriscamos inferir, sem, contudo, cometer a temeridade de expor nossas mãos ao lume, que o colóquio deu-se em grego, pois este era o Hyngrêyz de antigamente. O que nunca conheceremos são os termos utilizados no mesmo. É fato que o ancião comunicou aos ilustres visitantes a realidade que qualificou de melancólica. A famosa Biblioteca, por um decreto das autoridades competentes – generoso, segundo uns, demagógico, na concepção de outros, imprevidente na opinião dos mais -, non era più, come un tempo, il privato possesso della casa regnante, ma una instituzione pubblica della provincia romana, segundo o cronista Luciano Canfora. Como é fácil coligir, oh, romanos!, os livros – se o termo não for prematuro – os livros emprestados, digo!, disse Jota franzindo o cenho -, nunca voltaram ao redil (III). O ponderado funcionário municipal pede desculpas e me penitencio, motu próprio, subtraindo-me à luz do sol (Febo), o que lhe afetou a visão, diga-se de passagem, e fez com que no início confundisse os legionários com o truculento Yu Tsun e um deplorável escocês vendedor de biblias, se não com acólitos do atroz doutor Goebbels. Ambos soldados, solidários na frustração e no repúdio à desonestidade dos pretensos leitores, entreolharam-se de esguelha. Como em outras ocasiões durante a campanha, decidiram aplicar, ipso facto, para evitar a reincidência previsível no crime inumerável (Não eram 700 mil volumes? Caluda!, bradou Jota fechando o sobrolho.) de criar um novo acervo, uma cláusula do Direito Romano muito em voga. Sem espaventos, os lingüistas, prontamente auxiliados pelos lictores, fizeram acúmulo de feixes (fascios) de pápyros (IV) e outros materiais combustíveis. Com eles circundaram o prédio. Após terem friccionado numa pedra (cálculo) a extremidade fosforosa de um engenhoso invento sueco,” (V).      

 

 (I) Trata-se de Jota César, Imperador até tu, Brutus?!, não do xará Jota Cristo, cuja Vida, Paixão e Morte, ainda deveriam esperar 47 anos, a contar do incêndio, para começar a ser escrita. Aliás, seus adeptos não deixaram por menos  e no ano 39 depois dEle, repetiram o feito carbonizando a Biblioteca de Serapion, vizinha da de Alexandria e assim denominada por estar adstrita ao Templo de Serapis, e que na ocasião contava  com aproximadamente 45 mil volumes. Apenas para lembrar mais uma façanha dos cristãos (não falaremos dos sacerdotes espanhóis, que pelo fogo livraram a humanidade dos diabólicos códices mexicanos, como já fizera um século antes Tlacaélel, o Asteca, para impor Huitzilopotchli como deus tutelar): no ano de 1204, os cruzados saquearam Constantinopla e depredaram sua Biblioteca, fundada por Constantino em 330 A.D. Desta ninguém sabe ao certo o número de volumes que continha. Os registros também entraram na Dança do Fogo, e ninguém  teve vontade, nem oportunidade, de contá-los em meio à fumaça e a costumeira desordem promovida pela chusma em tais efemérides. Diz-se que restaram sete livros, chamados das Cinzas e do Vento. Estes teriam se multiplicado, dando origem  a uma nova Biblioteca, hoje localizada em Kopan, na trevosa cidade de São Paulo – 700 mil volumes, 7 Livros das Cinzas e do Vento, Jota Cristo, Kopan, sede dos maias, São Paulo, hum, isto está me cheirando a gato por Coelho, que a Crítica Internacional me perdõe! (Nota do Compilador).

 

 (II) Assim que o Ghost-Wraiting terminar de redigi-la, esta editora lançará no Mercado Mundial a  versão integral de The Genuine Story of de Inominables Georgie. Não percam esta Big Promotion & concorra a uma Pink Bike! (Folder of de Gerent of Marketings  R  ).

 

    (III) Explica-se esta expressão se nos lembrarmos de que na Idade  Média havia primorosas encadernações em pele de cabra manufaturada (a pele, não a cabra). Ao mesmo tempo, este dado técnico dá a certeza de que o presente texto é bastante porterior ao fato que narra (Nota do Restaurador).

 

     (IV) Palavra grega de significado ignoto. Planta da família das ciperáceas, bastante rara atualmente,  com cujo caule os antigos egípcios fabricavam o papiro (Nota do Tradutor).

 

    (V) Aqui se interrompe o manuscrito. As conjecturas que a seu respeito  possa suscitar, fogem a nossa alçada. Sem embargo, vale a pena citar a opinião de um especialista: “Se é certo que o incêndio do Templo de Artemis conferiu imortalidade ao nome de Eróstrato, não é menos verdadeiro que o gesto deste bravo militar romano fez a fama da Biblioteca de Alexandria, que, pelo visto, de Biblioteca conservava apenas o nome (1). Também nos permite supor que os volumes teriam iniciado uma circulação não oficial, por assim dizer, cujo périplo poderia não ter se escoado ainda. Ao que nos consta, o mercenário permanece anônimo. Explica-se: segundo a praxe castrense, nos atos heroicos é o Chefão quem leva os loiros”. J.L. (Nota do Editor).

 

(1) As reforma com Design Pôs-Modern que ganhou faz pouco tempo, é uma jogada de   Marketing. Na Disneyworld por exemplo os fiorde da Norway estão em loco. Na França porém,  idem com o Asterix conquanto no Egito é as pirâmide ibidem, se bem que já está muito detonado, e os camêlo de uma corcunda infelizmente. A Alexantur não podia ficar de fora do Mercado Cult. A Holding está de Parabêns pelo New Look Light do Shopping de reciclâvel e as franquia (Mais dica no Durismos Book (2).  Recado do Estagiário).

 

(2) Durismo’s Book (CD-ROM, 3D, interativo) é uma bromoção bioneira da BaulufTur, cruzeiro Virtual destinado à bobulação de Cingapura e seus debendentes. Nossos adversários não ousam  admitir que a construção de Viadutos é a solução definitiva bara o broblema da habitação e do homossexualismo masculino, bor assim dizer, enfatizou o Bublic Relation do Titular, hoje aqui – Resumo de um Bress-Release do Bromotor do Candidato a Sultão dos Jardins de Calcutá (Gardens, bara os íntimos). (3)      

 

(3) “Livro”, “comunicado”, “escriba”, “porta-voz”, “testa-de-ferro” , “eminência parda”, são archaismes indesejáveis num script light. Hier, porém, localizam a textuality in your time. (Note of de Ombusdman of Hamburglish).