ECOS DA BIBLIOTECA por jorge lescano

No fluxo de eventos que denominamos História, muitas foram as peripécias acontecidas em torno dA Biblioteca (do grego Byblos: casca de árvore sobre a qual se escrevia e Oykos: casa) e não poucos os textos a ela dedicados.

            A mais conhecida é, sem dúvidas, o célebre incêndio da igualmente célebre Biblioteca de Alexandria. Fundada por Ptolomeu I no interior do Museion, ou Palácio das Musas, albergava todas as obras da literatura grega, catalogadas por excelentes bibliotecários, entre os quais exerciam o famoso poeta Calímaco e o cronista bizantino Jota Perucho. Esta Biblioteca possuia um acervo de 700.000 rolos (rotoli).

            Meus fascículos da História Universal da Crítica informam que o incêndio foi provocado por hostes romanas quando da conquista da cidade. O que não esclarecem é o motivo.

            Eis aqui, de modo suscinto, a resenha do infausto caso, colhida por mão anônima em Os Sete Livros das Cinzas e do Vento, obra desconhecida deste articulista.

 

“Um soldado de J.C. (I) – abreviava os nomes, dava por pressupostos alguns detalhes, como se estivesse farto de repeti-los – teve uma troca de impropérios com um colega de armas por causa de um tira-me-lá-essa-palha filológica (um tópico de somenos, dir-se-ia). A questão foi preterida de comum acordo, até a chegada das tropas à famigerada cidade de Alexandria, onde os contendores pretendiam dirimir o atrito consultando os textos consagrados pela Tradição. Assim que penetraram no âmbito da polis, enveredaram céleres rumo ao local supracitado. Afoitos (não os culpo por isso), escalaram degraus de mármore entre colunas polidas não mais de tempo que de sapiência. Com passos incertos perambularam por claustros e corredores penumbrosos. Atravessaram ante-salas de tetos altíssimos e abobadados e se surpreenderam em recâmaras desertas e hexagonais. Sufocaram em cubículos tórridos e escuros. Extraviaram-se em galerias úmidas e frias, vagamente iluminadas por clarabóias elípticas e inalcançáveis. Nesse universo piranesiano e simétrico, em mais de uma ocasião  lhes pareceu  que retornavam ao ponto de partida. Torceram à destra e sinistra com tal assiduidade que não mais estavam aptos a repetir a divisa de Phillips Morris: Vini, Vidi, Vici, sequer onde se encontravam o norte ou o sul, no caso destes não terem sumido do mapa. Finalmente teriam encontrado,  na posição de Flor de Loto, o rosto voltado para um

 

previsível canto escuro, Aquele que procuravam, sem lhe conhecer a identidade. Jota, o bibliotecário do burgo, seria, se dermos crédito ao depoimento posterior de Vallet, que dizia que Mabillon dissera que Adso disse, um cidadão provecto, de voz acatarrada, e cuja pele apresentaria um aspecto apergaminhado (charta pergamen), em todo semelhante às folhas  de um volume de alfarrabista (a História Oficial não costuma fornecer pormenores. O depoimento precedente está resumido num opúsculo sobre uma imagineria cinemática de sucesso assinado por um tal Ueco, ou Vico), sua dicção era defeituosa, como já vos informei, pois o idoso, além de banguela era  estrangeiro (II). Apesar desta afirmação, arriscamos inferir, sem, contudo, cometer a temeridade de expor nossas mãos ao lume, que o colóquio deu-se em grego, pois este era o Hyngrêyz de antigamente. O que nunca conheceremos são os termos utilizados no mesmo. É fato que o ancião comunicou aos ilustres visitantes a realidade que qualificou de melancólica. A famosa Biblioteca, por um decreto das autoridades competentes – generoso, segundo uns, demagógico, na concepção de outros, imprevidente na opinião dos mais -, non era più, come un tempo, il privato possesso della casa regnante, ma una instituzione pubblica della provincia romana, segundo o cronista Luciano Canfora. Como é fácil coligir, oh, romanos!, os livros – se o termo não for prematuro – os livros emprestados, digo!, disse Jota franzindo o cenho -, nunca voltaram ao redil (III). O ponderado funcionário municipal pede desculpas e me penitencio, motu próprio, subtraindo-me à luz do sol (Febo), o que lhe afetou a visão, diga-se de passagem, e fez com que no início confundisse os legionários com o truculento Yu Tsun e um deplorável escocês vendedor de biblias, se não com acólitos do atroz doutor Goebbels. Ambos soldados, solidários na frustração e no repúdio à desonestidade dos pretensos leitores, entreolharam-se de esguelha. Como em outras ocasiões durante a campanha, decidiram aplicar, ipso facto, para evitar a reincidência previsível no crime inumerável (Não eram 700 mil volumes? Caluda!, bradou Jota fechando o sobrolho.) de criar um novo acervo, uma cláusula do Direito Romano muito em voga. Sem espaventos, os lingüistas, prontamente auxiliados pelos lictores, fizeram acúmulo de feixes (fascios) de pápyros (IV) e outros materiais combustíveis. Com eles circundaram o prédio. Após terem friccionado numa pedra (cálculo) a extremidade fosforosa de um engenhoso invento sueco,” (V).      

 

 (I) Trata-se de Jota César, Imperador até tu, Brutus?!, não do xará Jota Cristo, cuja Vida, Paixão e Morte, ainda deveriam esperar 47 anos, a contar do incêndio, para começar a ser escrita. Aliás, seus adeptos não deixaram por menos  e no ano 39 depois dEle, repetiram o feito carbonizando a Biblioteca de Serapion, vizinha da de Alexandria e assim denominada por estar adstrita ao Templo de Serapis, e que na ocasião contava  com aproximadamente 45 mil volumes. Apenas para lembrar mais uma façanha dos cristãos (não falaremos dos sacerdotes espanhóis, que pelo fogo livraram a humanidade dos diabólicos códices mexicanos, como já fizera um século antes Tlacaélel, o Asteca, para impor Huitzilopotchli como deus tutelar): no ano de 1204, os cruzados saquearam Constantinopla e depredaram sua Biblioteca, fundada por Constantino em 330 A.D. Desta ninguém sabe ao certo o número de volumes que continha. Os registros também entraram na Dança do Fogo, e ninguém  teve vontade, nem oportunidade, de contá-los em meio à fumaça e a costumeira desordem promovida pela chusma em tais efemérides. Diz-se que restaram sete livros, chamados das Cinzas e do Vento. Estes teriam se multiplicado, dando origem  a uma nova Biblioteca, hoje localizada em Kopan, na trevosa cidade de São Paulo – 700 mil volumes, 7 Livros das Cinzas e do Vento, Jota Cristo, Kopan, sede dos maias, São Paulo, hum, isto está me cheirando a gato por Coelho, que a Crítica Internacional me perdõe! (Nota do Compilador).

 

 (II) Assim que o Ghost-Wraiting terminar de redigi-la, esta editora lançará no Mercado Mundial a  versão integral de The Genuine Story of de Inominables Georgie. Não percam esta Big Promotion & concorra a uma Pink Bike! (Folder of de Gerent of Marketings  R  ).

 

    (III) Explica-se esta expressão se nos lembrarmos de que na Idade  Média havia primorosas encadernações em pele de cabra manufaturada (a pele, não a cabra). Ao mesmo tempo, este dado técnico dá a certeza de que o presente texto é bastante porterior ao fato que narra (Nota do Restaurador).

 

     (IV) Palavra grega de significado ignoto. Planta da família das ciperáceas, bastante rara atualmente,  com cujo caule os antigos egípcios fabricavam o papiro (Nota do Tradutor).

 

    (V) Aqui se interrompe o manuscrito. As conjecturas que a seu respeito  possa suscitar, fogem a nossa alçada. Sem embargo, vale a pena citar a opinião de um especialista: “Se é certo que o incêndio do Templo de Artemis conferiu imortalidade ao nome de Eróstrato, não é menos verdadeiro que o gesto deste bravo militar romano fez a fama da Biblioteca de Alexandria, que, pelo visto, de Biblioteca conservava apenas o nome (1). Também nos permite supor que os volumes teriam iniciado uma circulação não oficial, por assim dizer, cujo périplo poderia não ter se escoado ainda. Ao que nos consta, o mercenário permanece anônimo. Explica-se: segundo a praxe castrense, nos atos heroicos é o Chefão quem leva os loiros”. J.L. (Nota do Editor).

 

(1) As reforma com Design Pôs-Modern que ganhou faz pouco tempo, é uma jogada de   Marketing. Na Disneyworld por exemplo os fiorde da Norway estão em loco. Na França porém,  idem com o Asterix conquanto no Egito é as pirâmide ibidem, se bem que já está muito detonado, e os camêlo de uma corcunda infelizmente. A Alexantur não podia ficar de fora do Mercado Cult. A Holding está de Parabêns pelo New Look Light do Shopping de reciclâvel e as franquia (Mais dica no Durismos Book (2).  Recado do Estagiário).

 

(2) Durismo’s Book (CD-ROM, 3D, interativo) é uma bromoção bioneira da BaulufTur, cruzeiro Virtual destinado à bobulação de Cingapura e seus debendentes. Nossos adversários não ousam  admitir que a construção de Viadutos é a solução definitiva bara o broblema da habitação e do homossexualismo masculino, bor assim dizer, enfatizou o Bublic Relation do Titular, hoje aqui – Resumo de um Bress-Release do Bromotor do Candidato a Sultão dos Jardins de Calcutá (Gardens, bara os íntimos). (3)      

 

(3) “Livro”, “comunicado”, “escriba”, “porta-voz”, “testa-de-ferro” , “eminência parda”, são archaismes indesejáveis num script light. Hier, porém, localizam a textuality in your time. (Note of de Ombusdman of Hamburglish).

 

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