PARÁBOLAS E OXÍMOROS por walmor marcellino

MUITAS DISCREPÂNCIAS

O mesmo processo de aculturação por dependência econômica, cultural e ideológica se reflete como desculturação por perda da faculdade própria da política. A escola histórico-cultural (Herskovits, 1952) mostrava que não se trataria apenas de um “empréstimo dos modos de vida e seus fatores materiais” e sim de trocas, nem sempre perceptíveis por suas características essenciais. Todavia medidas fixamente sociométricas nunca puderam ser suficientemente usadas na mensuração do objeto de desejo ou das nuances dessas trocas, que mais nos parecem miméticas; e, ademais, elas não se dão apenas no alargamento das relações nacionais e de grupos sociais definidos, pois afetam a todos, porém especialmente às culturas subordinadas ou dominadas; havendo também maior ou menor interesse material e estético, ou para algum evidente proveito social.

Entretanto, o próprio dinamismo social provoca os indivíduos e os estimula a assimilação de práticas de imediata vantagem, que se vão acomodando como fossem aquisições aculturadas. Assim, não é de estranhar que a política seja um proveito e uma satisfação, além de ser um ideário mítico.

Esopo, Fedro e depois Iriarte como Samaniego percorreram o filão das fábulas. Os modernos, no entanto, lembram apenas La Fontaine por fazer com donaire a metagogia do agrado preceitual em suas evidências. Mas todos sabemos quão exemplares podem ser esses feitos que se entranham em nosso cotidiano de classe.

A sua vez, Jules de Levère afirmou que a fisiognomonia esforçou-se em ser uma caracteriologia, isto é, pela aparência, logo suposição, e nelas pela fábula, procurava discernir as condutas e suas motivações. Porém acabou por enredar-se na própria aparência das pessoas e dos bichos dos quais extraíam alguns traços. De qualquer modo, os preceitos morais, as parábolas, as fábulas e os oxímoros sintetizam contradições, conflitos de interesses e preâmbulos éticos, impondo-se na forma de pequenos enigmas à moralidade e à cidadania. Essas foram as conclusões de Norman Malaídes (Essays of Fortunes), que emprestamos para salvaguardar nossa inteligência sem decair nas imprecações.

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