Arquivos Diários: 18 maio, 2009

MÁRIO BENEDETTI MORRE e URUGUAI SE CALA – pela editoria

os PALAVREIROS DA HORA e o site PALAVRAS, TODAS PALAVRAS lamentam a morte do escritor e poeta uruguaio MÁRIO BENEDETTI ocorrida ontem (17/05/09)   . em 20/03/08 MÁRIO  BENEDETTIo site publicou o poema PORQUE CANTAMOS de autoria do grande poeta. escritor engajado nas lutas populares de seu povo, foi em suas escrituras um defensor ferrenho do amor e da solidariedade. vejamos a repercussão desta grande perda para a literatura mundial:

Escritora Mercedes Vigil lamenta perda de Mario Benedetti

Montevidéu, 17 mai (EFE) – A escritora uruguaia Mercedes Vigil disse hoje em Montevidéu que a morte do poeta Mario Benedetti representa a perda de “uma pluma reveladora e valente” e deixa “um vazio irrecuperável”.

Em declarações à Agência Efe, Mercedes elogiou a obra “monstruosa e monumental” que deixa o autor uruguaio, falecido hoje em sua casa de Montevidéu aos 88 anos de idade.

“As musas nunca o abandonaram”, acrescentou Mercedes, destacando que o escritor desenvolveu “todos os gêneros e estilos através de uma inspiração fantástica”.


“Não se pode esquecer que os poetas vivem do coração e para ele essa perda foi terrível, não pôde superá-la”, disse a escritora, que considerou que graças à qualidade e à quantidade de sua obra “Benedetti não vai morrer nunca”.

 

 

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MONTEVIDÉU -17 de maio- O governo uruguaio decretou luto nacional pela morte do poeta Mario Benedetti, que faleceu neste domingo, em sua casa em Montevidéu, aos 88 anos. Seu velório foi iniciado na manhã de hoje no Palácio Legislativo, sede do Congresso do país. O enterro será realizado nesta terça-feira, no Cemitério Central da capital uruguaia.

Para o funeral, espera-se o comparecimento do presidente Tabaré Vázquez e de figuras do mundo da cultura e política local.

Autor de uma obra com mais de 80 títulos, entre poesia, contos, novelas, ensaios e peças teatrais, Benedetti foi reconhecido ao longo de sua trajetória por diversas distinções, como o Prêmio Internacional Menéndez Pelayo, em 2005, o Prêmio Iberoamericano José Martí, em 2001, e o Prêmio Rainha Sofia de Poesia Iberoamericana, em 1999.

Sua última publicação, o poemário “Testigo de uno mismo”, foi lançado em agosto do ano passado sem sua presença, pois Benedetti já apresentava um delicado estado de saúde. Atualmente, ele trabalhava em uma nova obra, intitulada provisoriamente de “Biografía para encontrarme”.

A morte de Benedetti foi sentida por diversas personalidades da cultura local e internacional. “Bendito sejam os homens e as mulheres honestos e generosos como ele”, disse Eduardo Galeano, autor de “As veias abertas da América Latina”, ao tomar conhecimento do falecimento.

Ao lado de Galeano, Juan Carlos Onetti e Idea Vilariño, Benedetti se tornou um dos mais MÁRIO BENEDETTI - benedettiimportantes nomes da literatura uruguaia do século XX.

Para o secretário de Cultura de Montevidéu, Mauricio Rosencof, sua morte representa “uma perda para a literatura latino-americana”. Benedetti foi “um ser humano absolutamente excepcional e um amigo querido”, afirmou Rosencof, que foi companheiro de militância de esquerda do escritor uruguaio.

O secretário de Cultura argentino José Nun, por sua parte, afirmou que Benedetti “era um grande escritor, multifacetário, e um defensor incansável dos direitos humanos e das causas nobres”.

“Sentimos um vazio tão grande com sua partida, mas ainda que estou certo de que [Benedetti] ficará para sempre entre nós”, completou.

Segundo afirmou Raúl, irmão do autor de “La Tregua” (1960) e “Gracias por el fuego” (1965), a morte do autor uruguaio não era esperada. Embora ele estivesse com a saúde debilitada, “aparentemente estava melhorando, estava consciente, respondia quando lhe faziam perguntas”.

 

As informações são da ANSA.

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um poema de mário benedetti:

VIAJO

 

Viajo como los nómades

pero con una diferencia

carezco totalmente de vocación viajera

 

sé que el mundo es esplêndio

y brutal

 

viajo como las naves migratorias

pero con una diferencia

nunca puedo arrancarme

del invierno

 

sé que el mundo es benévolo

y feroz

 

viajo como las dóciles cometas

pero con una diferencia

nunca llego a encontrarme

con el cielo

 

sé que el mundo es eterno

y agoniza

O Rei e “o Cara” por sérgio costa ramos

No começo, bem que Lúcifer tentou estragar os dois espetáculos que a Ilha providenciou para rivalizar com os seus poentes sanguíneos, emoldurados pela Serra do Mar.

O fim de semana – cujo palco assistiria o 9º Congresso do Conselho Mundial de Viagem e Turismo e o indizível show do Rei Roberto Carlos, comemorando os 30 anos do Grupo RBS em Santa Catarina – nasceu entre as nuvens carrancudas de uma tempestuosa quinta-feira: uma lestada se instalou sobre a Ilha – com o seu “carnegão” sombrio e a velha promessa:

– Tempo de lestada, mar de rebojo, três dias de luto e nojo…

Como anjo decaído e magnífico “espírito de porco”, Lúcifer começou a sua grande conspiração. Já imaginaram um congresso de turismo numa ilha paradisíaca, sem um único momento de sol? Pior: três dias de chuva incessante, “regador” que transformaria o WTTC numa sinistra reunião de sapos e pererecas?

Lúcifer não pensou só neste prejuízo: o Rei Roberto Carlos, ainda jovem aos 68 anos, poderia pegar uma erisipela ou um reumatismo se o vento sul soprasse ali nas esquinas da Via Expressa Sul, onde se instalara um palco “Hi-Tech” para 80 mil pessoas encantadas com aquele “momento lindo”.

Como o Senhor não se rende aos seus anjos demitidos, a justiça divina restabeleceu a ordem natural das coisas e da natureza: um sol das Ilhas Gregas se dependurou no firmamento e a alta pressão atmosférica “ariou” a panela da abóbada celestial, deixando-a limpinha e brilhante. O pessoal do WTTC pode, afinal, ser apresentado à verdadeira Ilha, aquela que foi modelada com extremo capricho no último dia da “Criação”, antes que o Todo-Poderoso descansasse.

O tocante Roberto Carlos in Concert – com dupla celebração, o meio século de sua carreira e os 30 

O REI na Ilha.

O REI na Ilha.

anos do Grupo RBS na terra de Anita Garibaldi – foi o maior sucesso de um show ao ar livre em Santa Catarina: intensas emoções, vividas em detalhes cintilantes.

Foi tamanho o calor humano, que o vento sul de Cruz e Sousa – “a gemente sentinela, que a tudo desgrenha e gela” – concedeu uma trégua providencial. Milagre. De repente, a noite estrelada do 16 de maio de 2009 se transformou num aquecido útero de mãe: o céu firme, a temperatura em torno dos 18ºC, sem vento. No entorno do palco, enquanto o Rei Roberto relembrava “As Jovens Tardes de Domingo”, instalou-se uma espécie de sauna emocional: a água que não caiu com a suspensa lestada, boiou nos olhos da plateia e de seu Rei.

O fim de semana, graças ao “Cara”, foi tão azul que o Avaí voltou invicto do Maracanã. E a retina de cada membro do WTTC recebeu o “download” de uma paisagem inesquecível.

O que nos autoriza dizer: se, com tanta beleza e tantas emoções para dar, a Ilha acabar excluída da Copa do Mundo de 2014, pior para a Copa…

 

DC. – ilustração do site.

VINHA AO TEU ENCONTRO prosa poética de vera lúcia kalaari / Portugal

VERA LÚCIA KALAARI - VIANHA AO TEU ENCONTRO

 

 

Vinha vindo ao longo da vida e vinha ao teu encontro.

Por isso é que a vida sempre me pareceu bela e generosa.

Mas quando às vezes, sopravam os ventos adversos, havia qualquer coisa que, em meio da tormenta, falava ao meu coração. Era como a luz de um farol rasgando o nevoeiro, a noite, o temporal.

Vinha ao teu encontro.

Eras tu que eu sentia, como um encanto obscuro, uma fascinação misteriosa, além do horizonte.

E era a tua sombra que, às vezes, me fazia parar um pouco, junto do homem que passava.

E porque era a tua sombra fugaz apenas que me detivera, junto do homem que passava, logo o deixava passar.

E seguia a minha estrada, em busca do teu amor: o outro era apenas um caminho para o teu amor.

Vinha ao teu encontro… Como se seguisse na rota duma estrela, como se fosse no rumo do sol. Vinha ao teu encontro na certeza de encontrar-te, porque eras a promessa do meu destino. Sabia que existias e vinha vindo ao teu encontro, embora ignorasse se eras uma flor ou uma fonte, um raio de luar, uma nota de música, uma paisagem, um silêncio, um sonho.

Sabia que existias e vinha ao teu encontro, ao longo da vida. Assim, agora que te encontrei, tenho a certeza de que sempre estiveste em minha vida, de que sempre caminhámos juntos, pois vivias dentro do meu sonho. Agora tenho a certeza que vinha 

vindo ao longo da vida, caminhando ao teu encontro, como se seguisse na rota duma estrela – iluminada por sua luz distante.

ESQUECER AO CONTAR AS GOTAS poema de joanna andrade

Momentos que sufocam,

dor no peito, sem cura, o unico remédio é esquecer à conta gotas.

 

Cada  gota  é como chumbo,

 tão pesada é a dor.

 

Novo método contra cena  amortecida,

 sensação, sem paladar e insonsa.

 

O coração ao chão desenhado,

 para nunca ser esquecido ao ser pisado.

 

A  sola do sapato trilha a fama da vida,

 vermelho carmim ululante.

 

Rastros cirurgicos perseguem a sombra das sombras,

criando as cicatrizes históricas.

 

As lágrimas alvejam o caminho,

acionam todos os fantasmas para a super ação.

 

São esses os momentos que sufocam,

quando a chuva lava as almas deixando-as novinhas em folha.

 

Os momentos que sufocam o velho coração,

povoam as aortas com o sódio caustificante dos pensamentos residuais.

 

……… dor no peito, sem cura, o unico remédio é esquecer ao contar as gotas.

CARTA PARA ZULEIKA de sérgio oliveira

Cara Musgo
Espero que esteja tudo azul ( e musgo ou pedra ).
Pois é,aqui te encontro depois de tanto tempo.Pedra continua levando as ondas que insistem em bater sempre fortes.Fortes como ele ( Pedra ) parênteses para que os incautos não venham a confundir nada.Continuas macia Musgo? Com tua voz suave que confunde a Medusa?
Continuamos musgo e pedra,mas em lados diferentes da praia.Em comum apenas a agua que quebra e o sol forte que as vezes nos abrasa.Musgo-sereia pedra-sentinela que continuam a espera sem saber do que. Ou será que apenas Pedra espera ? Diga musgo, ainda esperas ? Ainda sonhas com meus campos floridos? As vezes ainda os vejo em sonhos pálidos,em elaborações laboriosas num lampejo de fechar e abrir os olhos  sem nada daquilo enxergar.
Quanto a sermos velhos, ” quem será mais velho ? meu musgo ou tua pedra ?” Somos todos velhos agora.Ou melhor sempre o fomos,so não sabiamos.
Sorria musgo,que verei teu brilho do meu lado da praia e acenarei como faço agora com esta carta.
Desculpe me pelos questionamentos mas os terei enquanto vivo.
mande uma palavra no vento que ele entrega sempre,enquanto isso vou fazer o que sei fazer de melhor,esperar em meu cansaço.
um longo abraço que esta carta carece de rimas
 
P(ha)edra