Arquivos Diários: 24 maio, 2009

ENQUANTO ISSO…NUM PAÍS DA AMÉRICA DO SUL BANHADO PELO ATLÂNTICO…

“Um dia decidi sair do trabalho mais cedo e fui jogar golfe!
Quando estava escolhendo o taco, notei que havia uma rã perto dele.

A rã disse:

– ‘Croc-croc! Taco de ferro, número nove!

Eu achei graça e resolvi provar que a rã estava errada. Peguei o taco que ela sugeriu e bati na bola.
Para a minha surpresa a bola parou a um metro do buraco!
– Uau!!! – gritei eu, me virando para a rã – Será que você é minha rã da sorte?
Então resolvi levá-la comigo até o buraco.
– O que você acha, rã da sorte?
– Croc-croc! Taco de madeira, número três!
Peguei o taco 3 e bati. Bum! Direto no buraco!
Dali em diante acertei todas as tacadas e acabei fazendo a maior pontuação da minha vida!
Resolvi levar a rã pra casa e, no caminho, ela falou:
– Croc-croc! Las Vegas!
Mudei o caminho e fui direto para o aeroporto! Nem avisei minha mulher!
Chegando em Las Vegas a rã disse:
– Croc-croc! Cassino, roleta!
Evidentemente, obedeci a rã, que logo sugeriu:
– Croc-croc! 10 mil dólares, preto 21, três vezes seguidas.
Era loucura fazer aquela aposta, mas não hesitei.
A rã já tinha credibilidade.
Coloquei todas as minhas fichas e deu na cabeça! Ganhei milhões! Peguei toda a grana e fui para a recepção do hotel, onde exigi uma suíte imperial. Tirei a rã do bolso, coloquei-a sobre os lençóis de cetim e disse:
– Rãzinha querida! Não sei como lhe pagar todos esses favores! Você me fez ganhar tanto dinheiro que lhe serei grato para sempre!
E a rã replicou:
– Croc-croc! Me dê um beijo! Mas tem que ser na boca!
Tive um pouco de nojo, mas pensei em tudo que ela me fez e mandei ver!
No momento que eu beijei a rã, ela se transformou numa linda ninfeta de 17 anos, completamente nua, sentada sobre mim. Ela foi me empurrando bem devagarzinho para a banheira de espuma…

“Juro por Deus”, – disse o Senador ao Presidente da Comissão de Ética!
“Foi assim que consegui minha fortuna e essa menina foi parar no meu quarto”.

MILLÔR por hamilton alves

Quem sou eu para meter o pau em Millôr Fernandes ou lhe negar  talento para fazer humor, embora ultimamente deva-se reconhecer que anda meio por baixo, o que bem revela sua página na revista “Veja”, que segue dentro de um ritmo mais ou menos chato. Mas ele tem espírito de humor. Há poucas e boas dele. Uma vez inaugurou uma página inteira do Estadão. O que é que, afinal, se julgava que o homem fosse? Algum super-homem? Evidentemente que, por mais talento que lhe sobre, uma página de jornal é um peso demasiado grande. Mas foi numa dessas páginas que disse uma coisa genial: “andar de taxi é o melhor manual de sociologia aloprada existente”. Por isso, lhe passei um recado de cumprimentos. Em resposta, agradeceu-me com um desenho exatamente de um taxi com um motorista e um passageiro vistos no banco da frente.

                                   Millôr, não sei por que cargas d,água, não acerta com entrevistas. Talvez seja por causa dos maus entrevistadores, que lhe fazem perguntas imbecis e ele responde.

                                   Numa das últimas (para a revista “Bravo!”) proferiu essa lantejoula:

                                   “Machado de Assis não me diz nada”.

                                   A mesma coisa diz de Joyce. Claro, Ulisses é uma pedreira para qualquer um. Só quem gostou do livro e adquiriu uma primeira edição foi Anthony Burguess, que elogia essa obra num livro que denominou “Homem Comum Enfim”, que contém exatamente as iniciais do principal personagem de Finnegans Wake, ou Humphrey Chimpden Earwicker. O titulo original é Here Comes Everybody.

                                   Millôr pelo menos tem a ousadia de confessar a própria burrice, diferente de outros tantos, considerados geniais como ele, e que a escondem. Ou a escamoteiam.

                                   Escritor, segundo ele, é o Veríssimo (não menciona se é o pai ou  o filho), considerando-o consagrado. Nada contra. Nem a favor. Muito pelo contrário.

                                   Gênio, mesmo nacional, tem dessas incongruências desculpáveis. Afinal de contas, ninguém é perfeito. Não gosta de Machado de Assis, mas Veríssimo  coloca no pedestal. A pergunta é: o que Millôr leu de Machado para chegar a essa conclusão? Leu, ao menos, os contos “Missa do Galo”, “A igreja do diabo” ou “Teoria do Medalhão”? Só para citar três dos melhores. Não se fala de “Don Casmurro” ou de “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, que tem um capítulo – Delírio – que Eça de Queiroz declarou que sabia de cor.

                                   Redimiu-se, em parte, dessas naturais mancadas, destacando o fato de ter lido Proust em português, francês, inglês e espanhol. Méritos para ele. Há quem não o leu em língua alguma.  Para que também exagerar de lê-lo em quatro idiomas?

                                   Ele aborda um tema sério: o aumento vertiginoso do número de escritores e, principalmente, de poetas, a partir do momento em que se inventou o computador. O que tem pintado de blog e blogueiros na internet é incontável. Todo o dia aparece um poeta novo, supondo-se de cara um gênio. “Toda senhora de 50 anos, que não sabe mais o que fazer, vira poeta” – diz Millôr. Mas revela uma limitação própria de quem não é muito familiarizado com o assunto. Pelo que se deduz, só considera poeta quem sabe armar uns versos com rima e metro. Fora daí não há poema que possa ser considerado como tal.

                                   Lembro-me que certa vez Paulo Francis disse de Millôr que, se fosse americano ou inglês, estaria consagrado mundialmente. Mesmo que fosse apenas na arte de fazer humor.            

                                   Bem, nisso, na verdade, ele está entre os melhores, quem sabe, do mundo.

 

CASLA – CASA LATINO-AMERICANA (Curitiba) CONVIDA:

primo CASLA

SOCIOLOGIA NA SALA DE AULA por walmor marcellino

Quando se tentou explicar e justificar o estudo do pensamento organizado e das ciências sociais nas escolas de segundo grau, na verdade se estava falando da enorme lacuna política na vida estudantil, como um vestibular à efetiva cidadania. Do uso precário da língua, do escasso domínio das ciências, dessa algaravia comunicativa de informações imprecisas, inúteis, e desde tempos em obsolescência pelo menos em seus métodos de investigação e modos aplicativos, todos estamos conscientes, embora desconhecendo-lhes a cura. A escola preencherá a experiência do social na construção de realidades; oferecerá um cidadão pronto para uso e consumo? Ou precisaremos de uma verdadeira reforma da educação que não serão apenas melhorias ou adições curriculares enganosas?

E essas adições e especulações sob novas expectativas de maturar os jovens numa sociedade que não se deixa decifrar sequer pelos políticos que dominam as instituições públicas? Se ninguém é contra a substituição de parte do currículo por sociologia e filosofia, quais serão essas outras matérias descartáveis; ou quase tudo não convence ser prioridade no sistema educacional, que necessita ser afrontado e radicalmente mudado?

Se é verdade que nem a sociologia nem a filosofia estão no centro das carências estudantis e servem apenas como adição para “formar atitude racional” e método de pensamento e trabalho — além da necessária ampliação daquelas informações positivas que não encontram no agente social a persistência e a flexibilidade para uma ação proveitosa –; se é verdade que não são suficientes “para a ocasião e a reflexão”; de que política como prática e entendimento social, de que efetiva cidadania enquanto ação objetiva e reflexão racional e lógica estaremos falando?

Política e cidadania serão o começo de qualquer ação ou uma finalidade na busca de aperfeiçoamento dos indivíduos? A dialética nos ensina que nesse entrecruzamento de princípios e fins não estamos discernindo a gênese e o sentido de um problema em causa. Estaremos a divagar.

O homem pensa para viver — quer dizer que no geral o pensamento é uma resposta orgânica a um estímulo. Porém essa forma unilateral dá uma primeira resposta a devaneios e paranóias, à alienação que nos constringe à mitologia e aos deuses para obter resposta ao não-saber, ao duvidar da justiça na sociedade, à angústia do existir. E serão esses os temas-objeto dos estudos ou os silogismos da lógica formal seguidos dos grandes e imorredouros enigmas da história? e a tipificação das sociedades em seus modos de produção, organização social e cultura preencherá nossa ignorância? Estou, de qualquer maneira, pensando em voltar para a escola.

COMO QUALQUER VORAZ BESTA por alceu sperança

Ao assumir o papel de xerife do mundo e dar a errônea impressão de que isso dá certo, os EUA doutrinaram as pessoas a ter medo do outro, do diferente, do moreninho do terceiro Mundo. O Estado policial tem sido um instrumento de dominação da ideologia. Basicamente, ele cria o crime e o estimula, na medida em que concentra as riquezas em poucas mãos e produz uma revolta que é sufocada pela violência do Estado. Nesse caso, o Estado policial é um Estado da direita, que no seu rancor ao povo defende os muros e o extermínio dos pobres em massa.

Como o crime é criado? Pode-se ver com clareza através da realidade evidenciada nas grandes e médias cidades brasileiras. O povo é oprimido pela falta de emprego, a precariedade da situação laboral, a ameaça de perder a vaga, a insegurança da atividade informal – e o namoro desta com a contravenção e o crime. Ao mesmo tempo, ilude-se com programas sociais cujo alcance limita-se ao nome bonitinho, do tipo “Minha Casa, Minha Vida”: se a vida dependesse de ter casa, 30 milhões de pessoas que vivem no que não é seu estariam mortos.

Com isso, temos uma classe média empurrada para a proletarização e com medo até da sombra, espoliada pelos ricos e agredida pelos miseráveis, engrossando o coro dos fascistóides que querem mais polícia descendo o pau no lombo dos pobres e protegendo os ricos que, ao fim e ao cabo, são os causadores dos dramas tanto dos miseráveis quanto das classes médias.

Felizes com a situação armada, os ricos usam sua mídia para demonizar e criminalizar os movimentos sociais, como MST, que é o maior movimento popular organizado no Brasil e agora descobriu a pólvora: que a ação precisa ter um caráter continental, pois o Brasil não terá futuro dependendo eternamente dos EUA e da Europa: só a unidade latino-americana criará um polo de força no hemisfério Sul, pois hoje tudo aqui é pautado pela vontade e pelas regras do hemisfério Norte. Chegou a hora de Bolívar!

Há um novo tipo de escravidão, que é deixar os preços das coisas altíssimos, em comparação com salários arrochados. É monstruosidade o que se faz com o transporte coletivo: a tarifa é estratosférica, sobrecarregando principalmente as donas de casa com atividade apenas no lar, os trabalhadores informais e os desempregados. Exigir de um pai que pague meia passagem para um filho ir à escola aprender a trabalhar para sustentar uma Nação é uma atitude vergonhosa.

Os impostos elevados sobrecarregam ainda mais os preços para os setores mais pobres, e nada haveria contra impostos se eles servissem para resolver os problemas da população e não para pagar os juros de uma dívida trilionária imoral.

Que o dinheiro dos impostos é mal empregado se nota pela estrutura de saúde em frangalhos e a educação fragilizada. Piora tudo a insegurança pública decorrente de um conjunto de mazelas criadas e sustentadas pelos ricos, propositalmente, no afã de acumular em poucas, pouquíssimas mãos, a riqueza gerada por todos os que trabalham.

Isso dá numa síntese: o caos urbano, que endoidece, adoece, agride, polui e mata. Criam-se artificialmente o medo e a violência, retomando aquela velha agenda hidrófoba da questão social ser caso de polícia. Falta prestar um pouco de atenção ao conselho de Locke: “Abandonando a razão, que é a regra dada entre homem e homem, e usando a força, à maneira das bestas, ele se torna sujeito a ser destruído por aquele contra quem ele usa força, como qualquer voraz besta selvagem que é perigosa à sua pessoa”. Resumindo, violência gera violência.