COMO QUALQUER VORAZ BESTA por alceu sperança

Ao assumir o papel de xerife do mundo e dar a errônea impressão de que isso dá certo, os EUA doutrinaram as pessoas a ter medo do outro, do diferente, do moreninho do terceiro Mundo. O Estado policial tem sido um instrumento de dominação da ideologia. Basicamente, ele cria o crime e o estimula, na medida em que concentra as riquezas em poucas mãos e produz uma revolta que é sufocada pela violência do Estado. Nesse caso, o Estado policial é um Estado da direita, que no seu rancor ao povo defende os muros e o extermínio dos pobres em massa.

Como o crime é criado? Pode-se ver com clareza através da realidade evidenciada nas grandes e médias cidades brasileiras. O povo é oprimido pela falta de emprego, a precariedade da situação laboral, a ameaça de perder a vaga, a insegurança da atividade informal – e o namoro desta com a contravenção e o crime. Ao mesmo tempo, ilude-se com programas sociais cujo alcance limita-se ao nome bonitinho, do tipo “Minha Casa, Minha Vida”: se a vida dependesse de ter casa, 30 milhões de pessoas que vivem no que não é seu estariam mortos.

Com isso, temos uma classe média empurrada para a proletarização e com medo até da sombra, espoliada pelos ricos e agredida pelos miseráveis, engrossando o coro dos fascistóides que querem mais polícia descendo o pau no lombo dos pobres e protegendo os ricos que, ao fim e ao cabo, são os causadores dos dramas tanto dos miseráveis quanto das classes médias.

Felizes com a situação armada, os ricos usam sua mídia para demonizar e criminalizar os movimentos sociais, como MST, que é o maior movimento popular organizado no Brasil e agora descobriu a pólvora: que a ação precisa ter um caráter continental, pois o Brasil não terá futuro dependendo eternamente dos EUA e da Europa: só a unidade latino-americana criará um polo de força no hemisfério Sul, pois hoje tudo aqui é pautado pela vontade e pelas regras do hemisfério Norte. Chegou a hora de Bolívar!

Há um novo tipo de escravidão, que é deixar os preços das coisas altíssimos, em comparação com salários arrochados. É monstruosidade o que se faz com o transporte coletivo: a tarifa é estratosférica, sobrecarregando principalmente as donas de casa com atividade apenas no lar, os trabalhadores informais e os desempregados. Exigir de um pai que pague meia passagem para um filho ir à escola aprender a trabalhar para sustentar uma Nação é uma atitude vergonhosa.

Os impostos elevados sobrecarregam ainda mais os preços para os setores mais pobres, e nada haveria contra impostos se eles servissem para resolver os problemas da população e não para pagar os juros de uma dívida trilionária imoral.

Que o dinheiro dos impostos é mal empregado se nota pela estrutura de saúde em frangalhos e a educação fragilizada. Piora tudo a insegurança pública decorrente de um conjunto de mazelas criadas e sustentadas pelos ricos, propositalmente, no afã de acumular em poucas, pouquíssimas mãos, a riqueza gerada por todos os que trabalham.

Isso dá numa síntese: o caos urbano, que endoidece, adoece, agride, polui e mata. Criam-se artificialmente o medo e a violência, retomando aquela velha agenda hidrófoba da questão social ser caso de polícia. Falta prestar um pouco de atenção ao conselho de Locke: “Abandonando a razão, que é a regra dada entre homem e homem, e usando a força, à maneira das bestas, ele se torna sujeito a ser destruído por aquele contra quem ele usa força, como qualquer voraz besta selvagem que é perigosa à sua pessoa”. Resumindo, violência gera violência.

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