Arquivos Diários: 27 maio, 2009

PAULO LEMINSKI fala da ARTE de RETTA – editoria

 

 

a arte de retta: "cobra coral" - acrílico sobre tela.

a arte de retta: "cobra coral" - acrílico sobre tela.

 

“paraporque jesustificar a desobra dobra do retta, o mais curvo dos criadores do plantel local? ao falo ” não fique doente,ficção” passo a palavra. retta sempre foi pedra de escândalo. fonte de pânico. alteração. sub-supra-versão. acidente que aleija. acaso que enche o saco. a droga é que esse experimentador(não dá pra passar por cima bons mocinhos)tem um puta nível de competência na manipulação dos códigos. humor branco, amarelo. humor. vermelho. humor. azul. a coisa do retta se situa na terra cinzenta-de-ninguém. esses extremos guestalticos e cromáticos. essa fornocomunicação, que brinca de parecer tão facsimilar à primavista é uma introdustria, monstrução. sua imagem favorita : código devorando código. a fêmea do louva-deus come o macho depois da cópula, para refazer as forças. trocadilho entre dois ou mais códigos: traducadilho. arretação.cartoom.foto.filme.design.desenho. desígnio.lay out. lay in.enquanto menores cultivam o tema retta teima. o traço. a obra:tão difícil porque transparente transa aparente de entender.+ que conteúdo. toda significado. eros tanatos. no duro o seguinte: (como retta diz quando fala sério) vida e morte. vida e morte no trabalho deste gaúcho que (felizmente) se encontra entre nós.”

P.LEMINSKI

 

UM POEMA  de RETTA:

 

quando você se cala o silêncio fala
canta o galo zumbe a abelha
mia o gato pia o pinto ruge o leão

quando você se cala o silêncio fala
a baleia bufa o burro zurra
o bezerro berra o bode bala ladra o cão

quando você se cala o silêncio fala
grasna o ganso o rato guincha
o cavalo rincha bate meu coração

quando você se cala o silêncio fala
a cigarra estrila a hiena gargalha
o dedo estala e canto esta canção

 

 

retta, o multimidia . pinta e borda com os pés no chão.

retta, o multimidia . pinta e borda com os pés no chão.

PRYSCILA VIEIRA na final do HQMIX!!

O Paraná, considerado um polo de quadrinistas, ilustradores, chargistas, desenhistas enfim, emplacou dois representantes na 21ª edição do Troféu HQMIX, o “Oscar” brasileiro dos quadrinhos e do humor gráfico. Pryscila Vieira, de 30 anos, concorre na categoria Tira Nacional. José Aguiar, 33, está no páreo em outras duas categorias: Desenhista e Roteirista Nacional. Pryscila foi classificada pela sua tira Amely, veiculada na internet e no jornal PubliMetro. O álbum Quadrinhofilia, publicado ano passado pela editora HQM, credenciou Aguiar para o concurso. Os vencedores serão conhecidos dia 7 de agosto, em cerimônia agendada para acontecer nas dependências do Sesc Pompéia, em São Paulo.

 

PRISCILA VIERIRA -tn_620_600_priscila_acima                   a tira AMELY criada por priscila após uma decepção amorosa.

gp.

 

pryscila vieira

                                 PRYSCILA VIEIRA. foto sem crédito.

vamos lá querida amiga! os PALAVREIROS DA HORA estão na torcida por você! alguns colaboradores, do site, residentes em são paulo, estarão presentes no sesc pompéia para conhecê-la. grande beijo.

jb vidal

O HOMEM LOUCO poema de otto nul

Num discurso meio longo

O homem louco referiu

Todos os seus projetos

Próximos e distantes;

 

No meio de tudo

Não atinei com sua fala

Nem com seus sonhos

Nem com nada;

 

A certa hora, olhou-me

E sentiu piedade de mim

Que nada compreendera

De sua catilinária;

 

Saiu espavorido porta-fora

Sob o vento

sob a inclemência

da chuva que despencava,

 

Na busca de alguém

Que o ouvisse

Que o acolhesse

Que o amasse.

 

        x x x

 

(maio/09 – Otto Nul)

A DOR QUE DÓI MAIS por martha medeiros

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas. 
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.