Arquivos Diários: 29 maio, 2009

TONICATO MIRANDA, poeta, COMENTA em: “OFERTÓRIO-DOR” poema de jb vidal

 Tonicato Miranda

Novembro 21, 2008 22:29 pm às 22:29 pm | Responder


Devo estar mesmo cego, atingido pelos vaticínios de Saramago, com o seu Ensaio Sobre aTONICATO  MIRANDA - FOTO  008Cegueira. De fato, meu Caro Vidal, passei batido, desbengalado, e tropecei no vazio, quando a beleza estava aqui ao lado em seu Ofertório-Dor.

Permita-me somar algumas palavras às palavras da Zuleika, da Marilda, do Altair e à narrativa contundente, e afiadíssima qual navalha de barbeiro, do incansável e indescritível João do Lago.

Ofertório-dor é de fato obra rara. Certa feita, em uma raríssima oportunidade, num almoço em sua casa, quando ainda em Curitiba, você dizia que ao poeta basta apenas um poema para ser lembrado, declamado, e se fazer presente na memória dos seus pares e do povo em geral. Todo o poeta deve trabalhar num poema para servir-lhe de cartão de visita, daqueles para os quais nem a terra, nem os dentes das minhocas, nem dentes de qualquer verme poderão apagar.

Ofertório-Dor é seu poema chave. É de fato seu poema-cartão de visita, de permanência, de lucidez e de loucura ao mesmo tempo. Sua contribuição universal ao mundo da poesia. Ao mesmo tempo Dante, ao mesmo tempo Bukoviski, em certo sentido Dostoieviski, numa alto flagelação, numa sofreguidão, numa ânsia de entrega, capaz de causar inveja a Cruz e Souza se saltasse da tumba e viesse aqui nos visitar.

Vou discordar, mas somente um pouco. Vou maldizer, mas somente um pouco. Vou mentir, mas somente um pouco. Vou contrariar, mas somente um nada, do João do Lago. Este não é um poema de ocorrência de 10 mil anos, não. Bobagem. A eternidade não se escreve em anos. Para além de 10 mil anos todos serão esquecidos, inclusive Cristo, Nero, Cléopatra e todos os impérios. Nossa eternidade está na lembrança dos últimos súditos, às vezes nem com eles perdura, pára nos amigos. Nossa eternidade está na obra, que pode durar um, dois ou três mil anos. Ou simples horas. Quem saberá dizer?

O seu poema Ofertório/Dor é eterno porque vive em mim e sinto sua fragância me dominando, pairando para além dos meus dias, dos dias do João, da Marilda, do Altair e da Zuleika. Esta última tem razão quando afirma ser o verso “Ofereço a dor da ânsia divina de morrer” como um dos grandes versos já vistos por nós. Mas também é divino o ponto e o contraponto do tiroteio que lhe precede

“…da partida sem adeus
da saudade sem sentir
da espera inquietante
do futuro irrelevante
da ânsia divina de morrer”

E veja que quando Zuleika falou do último verso, associou a ele a metade do primeio verso da estrofe, recriando o poema. Ou seja, um poema que permite visitação pode ser considerado um poema-instalação.

Você conseguiu, Vidal.
Este é um transatlântico com rota, destino e perdição.
Quanto tempo perdi eu em não ter embarcado alguns portos antes para navegá-lo por mais tempo.

O João, a Marilda, a Zuleika me trouxeram de volta ao poema. Quanta cegueira na minha e na sua dor.

 

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ALTAIR DE OLIVEIRA, o poeta, COMENTA em: “OFERTÓRIO-DOR” poema de jb vidal

Julho 27, 2008 14:12 pm às 14:12 pm | ResponderAltair de Oliveira

Taí uma poesia que muito muito me toca. Este poeta Vidal é contundente, inquietante e não escreve mesmo por acaso!
Altair de Oliveira - O lento Alento 09Enfrentar-lhe os poemas é ousar cair em si. É tentar erguer os olhos a partir de nossa precariedade humana, da nossa sensibilidade arcáica, das nossas heranças escondidas ou ostentadas. Incrível, mas a poesia desse cara me faz sentir precisar de consertos se acaso um dia eu queira soar como concerto… Muito muito bom que o poeta tenha, enfim, se decidido nos presentear com a publicação deste “Ofertório”! Quando setembro vier a poesia estará mais orgulhosa disto!

Altair de Oliveira.

 

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RÁDIO E ELETROLA crônica de sérgio da costa ramos

O domingo tem sons que os outros dias não tem. É um som inconfundível, que mistura frigideira com churrasqueira, comida com futebol .

O rádio alto do vizinho. Jogo de futebol, portanto, é logo associado ao domingo. Há o ritmo da narrativa crescente, o ataque tecendo a armadilha para o tiro final – e o grito prolongado de “gol” – o locutor esticando a goela até cansar. Há o barulho da torcida, entre chiado e estática – sons que chegam pelo reboco das paredes, vindos provavelmente da “eletrola do vizinho”.

Eletrola. Palavra antiga. Móvel de madeira, sobre pés finos como palitos. Uma caixa para abrigar o prato, sobre o qual se assentam os discos negros de vinil.

Da minha infância, emanam sons misturados, rádio e eletrola. Gritos e atabaques. Canções melosas, boleros, cantoras “velhas” – Ima Sumak, Dalva de Oliveira, Isaura Garcia, Nora Ney, Linda Batista, Elizeth Cardoso, Aracy de Almeida. E canções antigas: Babaloo, Kalu, Risque, Jezebel, Quizás, Malagueña, La Vie en Rose… Isso, na primeira infância.

Da juventude, chega-me Roberto Carlos nada místico, cantando a Jovem Guarda, hoje mais do que grisalha: Calhambeque, A Namoradinha de um amigo meu, E que tudo o mais vá pro inferno…

Se há liturgias a se cumprir num domingo, a primeira delas é a de tornar o dia compatível com os seus sons. Num domingo, tilintam, em alguma paróquia, as campainhas da consagração, enquanto do altar se espalha o cheiro do incenso. Dentro de sua solene estola, um padre eleva a hóstia à reverência dos fiéis:

– Dominus vobiscum…

Há sons bem mais profanos. Em alguma outra sacristia, o som é o da descompressão de uma tampa de cerveja, ou da “chapinha” do líquido enlatado – e o som de ambos os movimentos é um dos mais repetidos do domingo. Segue-se outro som, ainda mais característico: o do entorno da cerveja, ganhando volume no copo, em espasmos de espuma. Não chega a ser o “chuááá” das propagandas, mas tem, sim, algo de sibilino, como os guizos de uma cascavel.

Até o início da tarde, mudam os sons: há o som da picanha, estalando em sua pele de sal grosso. O da costela, pingando gorduras sobre a brasa incandescente. As picanhas explodindo e estalando – como se alguém quebrasse uma noz na dobradiça da porta.

E se não for o som do churrasquinho, há de ser o de outras comidas. Som de batata frita, por exemplo. Dizem que inventadas por um agrônomo francês do século 18, Auguste Parmentier. Será “vero”?

Só espero que os sons deste domingo, barriguinha satisfeita, tragam a paz e o conforto aos trabalhadores do Brasil – e que lhes dê ânimo e disposição para salvar o Brasil, amanhã, segunda-feira, de manhãzinha.

VERA LÚCIA KALAARI COMENTA em: DEUS e o DIABO na barca de CRISTO – por viegas fernandes da costa

  1. em Agosto 24, 2008 8:04 am às 8:04 am1 vera luciaVERA LÚCIA KALAARI - ULTIMAS - Sem título1

Saramago sempre se caracterizou pela sua irreverência perante a religião cristã, aliás, perante qualquer religião. Ateu confesso, num país profundamente católico, onde Fátima continua a ser o expoente máximo, compreende-se porque encontrou tantos inimigos que lhe truncaram, por completo, a sua carreira.
Não sei, se com a idade, o seu cepticismo se manteve. Não sei, se tal como Guerra Junqueiro (a coroa de glória para a Igreja, que o conseguiu converter ) os anos lhe foram negando a sua falta de fé. No caso daquele, foi preciso que a avançada idade chegasse (morreu com oitenta e seis anos), para que o conseguíssem demover dos seus princípios ateus e da sua profunda negação ao papel da Igreja. Espero bem que isso não aconteça com Saramago.De qualquer forma julgo que quando se atinge “o fim da estrada” a incerteza do que nos espera é tão grande, que há a tendência de se “jogar” pelo seguro!

veja a matéria comentada: AQUI

FAMOSOS e suas FRASES sobre a POESIA – editoria

Eis que temos aqui a Poesia,

a grande Poesia.

Que não oferece signos

nem linguagem específica, não respeita

sequer os limites do idioma. Ela flui, como um rio.

como o sangue nas artérias,

tão espontânea que nem se sabe como foi escrita.

E ao mesmo tempo tão elaborada –

feito uma flor na sua perfeição minuciosa,

um cristal que se arranca da terra

já dentro da geometria impecável

da sua lapidação.’

Rachel de Queiroz, escritora brasileira

  • Ai as almas dos poetas

Não as entende ninguém;

São almas de violetas

Que são poetas também.’

Florbela Espanca

  • “O poeta é como o príncipe das nuvens. As suas asas de gigante não o deixam caminhar’

Charles Baudelaire

  • “O poema não é feito dessas letras que eu espeto como pregos, mas do branco que fica no papel’

Paul Claudel

  • “À pergunta habitual: ‘Por que é que escreve?’. A resposta do poeta será sempre a mais curta: ‘Para viver melhor'”

Saint-Jonh Perse

  • “O poeta faz-se vendo através de um longo, imenso e sensato desregramento de todos os sentidos”

Arthur Rimbaud

  • “A poesia não voltará a ritmar a acção; ela passará a antecipar-se-lhe”

Arthur Rimbaud

  • “A solidão da poesia e do sonho tira-nos da nossa desoladora solidão”

Albert Béguin

Fonte: “Poesia da Presença”

  • “Deus, que nos fizeste mortais, porque é que nos deste a sede de eternidade de que é feito o poeta?”

Luis Cernuda

Fonte: “As Ruínas”

  • “Todas as coisas têm o seu mistério, e a poesia é o mistério de todas as coisas”

Federico Lorca

Fonte: “Conversa Sobre o Teatro”

  • “E nunca o tormento acha um céu e nunca o desejo acha uma terra. É por isso que a poesia existe”

Birger Sjoberg

Fonte: “Pensamentos”

  • “A poesia não é nem pode ser lógica. A raiz da poesia assenta precisamente no absurdo”

José Hidalgo

Fonte: “Poema”

  • “Fazer poesia é confessar-se”

Friedrich Klopstock

Fonte: “Odes”

  • “Um poema é um mistério cuja chave deve ser procurada pelo leitor”

Stéphane Mallarmé

  • “A poesia é ao mesmo tempo um esconderijo e um altifalante”

Nadine Gordimer

Fonte: “Poema”

  • “A poesia numa obra é o que faz aparecer o invisível”

Nathalie Sarraute

  • “Para mim, o importante em poesia é a qualidade da eternidade que um poema poderá deixar em quem o lê sem a ideia de tempo”

Juan Ramón Jiménez

  • “A poesia é o transbordamento espontâneo de sentimentos intensos: tem a sua origem na emoção recordada num estado de tranquilidade”

William Wordsworth

Fonte: “Lyrical Ballads”

  • “A poesia é um nexo entre dois mistérios: o do poeta e o do leitor”

Dámaso Alonso

Decálogo do Bom Professor – por vicente martins

Apresento aos professores e futuros professores da educação escolar um decálogo contendo dez princípios para atividade docente de um bom professor do terceiro milênio, século marcado pela informação e pelo conhecimento tecnológico.
O professor do século XXI é aquele que, além da competência, habilidade interpessoal, equilíbrio emocional, tem consciência de que mais importante do que o desenvolvimento cognitivo é o desenvolvimento humano e que o respeito às diferenças está acima de toda a pedagogia.
A função do bom professor do século XXI não é apenas a de ensinar, mas de levar seus alunos ao reino da contemplação do saber.
Eis, então, os dez passos na direção de uma pedagogia do desenvolvimento humano:


1.º-Aprimorar o educando como pessoa humana

A nossa grande tarefa como professor ou educador não é a de instruir, mas a de educar o nosso aluno como pessoa humana, como pessoa que vai trabalhar no mundo tecnológico, mas povoado de sentimentos, dores, incertezas e inquietações humanas.
A escola não se pode limitar a educar pelo conhecimento destituído da compreensão do homem real, de carne e osso, de corpo e alma.
De nada adianta o conhecimento bem ministrado em sala de aula, se fora da escola o aluno se torna um homem brutalizado, desumano e patrocinador da barbárie.
Educamos pela vida como perspectiva de favorecer a felicidade e a paz entre os homens.

2.º-Preparar o educando para o exercício da cidadania

Uma dos pontos altos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) é o reconhecimento da importância do ensino e aprendizagem de valorez vinvulados à cidadania na educação escolar.
Para isso, assinala a LDB, uma “bíblia sagrada” do bom professor, que o fim último da educação é a formação da cidadania, incorpora nas finalidades da educação básica, princípios e valores fundamentais que dão um tratamento novo e transversal ao currículo escolar.
Anterior à promulgação da LDB, sabe-se que, tradicionalmente, afora o trabalho das escolas confessionais ou religiosas, os valores vinham sendo ensinados, em sala de aula, de forma implícita, sem aparecer na proposta pedagógica da escola, configurando o que denominamos de parte do currículo oculto da escola.
A partir da nova LDB, promulgada em particular com os Parâmetros Curriculares Nacionais, ficou explicitado para todas as instituições de ensino o reconhecimento da importância do ensino e a aprendizagem dos valores na educação escolar, e doutra sorte, o Conselho Nacional de Educação (CNE), ao estabelecer as diretrizes curriculares para a educação básica, deu um caráter normativo à inserção e integralização dos conteúdos da educação em valores nos currículos escolares.
A idéia de que a educação em valores permeia os dispositivos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional pode ser observada à primeira leitura do artigo 2º, que, ao definir a educação como dever da família e do Estado, afirma que a mesma é inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tendo por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Depreende-se da leitura do artigo 2º da LDB que a educação em valores dá sentido e é o fim da educação escolar já que, junto com aquisição de conhecimentos, competências e habilidades, faz-se necessário a formação de valores básicos para a vida e para a convivência, as bases para uma educação plena, que integra os cidadãos em uma sociedade plural e democrática.
No seu artigo 3º, a LDB elenca, entre os princípios de ensino, vinculados diretamente a educação em valores, a liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber (inciso II), pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas; (inciso III); IV – respeito à liberdade e apreço à tolerância (inciso IV) e gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino (inciso VIII).
O artigo 27 da LDB faz referência à educação em valores ao determina que os conteúdos curriculares da educação básica observarão, ainda, as seguintes diretrizes “a difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos direitos e deveres dos cidadãos, de respeito ao bem comum e a ordem democrática” (inciso I).
A educação em valores deve ser trabalhada na educação infantil, ensino fundamental e no ensino médio, etapas, conforme a nova estruturação da Educação Básica, prevista na LDB.
No artigo 29, a LDB determina que a educação infantil, sendo a primeira etapa da educação básica, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. É interessante assinala que a educação em valores se fundamental no respeito mútuo do desafio do professorado, do aluno e da família. Requer, pois, que as instituições de ensino utilizem o diálogo interativo, o envolvimento do professores, alunos e seus pais ou responsáveis.
No que se refere ao Ensino Fundamental, a LDB aponta a educação em valores como principal objetivo desta etapa da educação básica, a formação do cidadão, mediante aquisição de conhecimentos através do desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como estratégias básicas o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo e de três competências relacionadas explicitamente com a educação em valores: a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade (inciso II); o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores; (inciso III) e o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social (inciso IV).
Para o Ensino Médio, a LDB, no seu artigo 35, aponta além do desenvolvimento cognitivo, que se caracteriza pela a consolidação e o aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, possibilitando o prosseguimento de estudos (inciso I) e pela preparação básica do educando para o trabalho e a cidadania (inciso II) e explicitamente aponta o aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico; e mais ainda a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a prática, no ensino de cada disciplina (inciso IV).
A formação de valores vinculados à cidadania é a principal missão de uma escola verdadeiramente democrática e popular. A ética e a moral devem ser sistematicamente trabalhadas em sala para que o aluno, futuro cidadão, possa então, na vida em sociedade, saber conviver bem e em paz com o próximo.
Se de um lado, primordialmente, devemos ter como grande finalidade do nosso magistério o ministério de fazer o bem às pessoas, fazer o bem é preparar nosso educando para o exercício exemplar e pleno da cidadania.
Ser cidadão não começa quando os pais registram os seus filhos no cartório nem quando os filhos, aos 18 anos, tiram as suas carteira de identidade civil.
A cidadania começa na escola, desde os primeiros anos da educação infantil e estende-se à educação superior, nas universidades; começa com o fim do medo de perguntar, de inquirir o professor, de cogitar outras possibilidades do fazer, enfim, quando o aluno aprende a fazer-fazer, a construir espaço de sua utopia e criar um clima de paz e bem-estar social, político e econômico no meio social.

3.º – Construir uma escola democrática

A gestão democrática é a palavra de ordem na administração das escolas. Os educadores do no novo milênio devem ter na gestão democrática um princípio do qual não arredam pé nem abrem mão.
Quanto mais a escola é democrática, mais transparente é. Quanto mais a escola é democrática, menos erra, tem mais acerto e possibilidade de atender com eqüidade as demandas sociais.
Quanto mais exercitamos a gestão democrática nas escolas, mais os preparamos para a gestão da sociedade política e civil organizada. Aqui, pois, reside uma possibilidade concreta: chegar à universidade e concluir um curso de educação superior e estar preparado para tarefas de gestão no governo do Estado, nas prefeituras municipais e nos órgãos governamentais.
Quem exercita a democracia em pequenas unidades escolares, constrói um espaço próprio e competente para assumir responsabilidades maiores na estrutura do Estado. Portanto, quem chega à universidade não deve nunca descartar a possibilidade de inserção no meio político e poder exercitar a melhor política do mundo, a democracia.

4.º – Qualificar o educando para progredir no mundo do trabalho

Por mais que a escola qualifique os seus recursos humanos, por mais que adquira o melhor do mundo tecnológico, por mais que atualize suas ações pedagógicas, era sempre estará marcando passo frente às novas transformações cibernéticas, mas a escola, através dos seus professores, poderá qualificar o educando para aprender a progredir no mundo do trabalho, o que equivale a dizer oferecer instrumentos para dar respostas, não acabadas (porque a vida é um processo inacabado), às novas questões sociais, sem medo de perdas, sem medo de mudar, sem medo de se qualificar, sem medo do novo, principalmente o novo que vem nas novas ocupações e empregabilidade.

5.º – Fortalecer a solidariedade humana

É papel da escola favorecer a solidariedade, mas não a solidariedade de ocasião, que nasce de uma catástrofe, mas do laço recíproco e quotidiano e de amor entre as pessoas.
A solidariedade que cabe à escola ensinar é a solidariedade que não nasce apenas das perdas materiais, mas que chega como adesão às causas maiores da vida, principalmente às referentes à existência humana.
Enfim, é na solidariedade que a escola pode desenvolver, no aluno-cidadão, o sentido da sua adesão às causas do ser e apego à vida de todos os seres vivos, aos interesses da coletividade e às responsabilidades de uma sociedade a todo instante transformada e desafiada pela modernidade.

6.º – Fortalecer a tolerância recíproca

Um dos mais importantes princípios de quem ensina e trabalha com crianças, jovens e adultos é o da tolerância, sem o qual todo magistério perde o sentido de ministério, de adesão aos processos de formação do educando.
A tolerância começa na aceitação, sem reserva, das diferenças humanas, expressas na cor, no cheiro, no falar e no jeito de ser de cada educando.
Só a tolerância é capaz de fazer o educador admitir modos de pensar, de agir e de sentir que diferente dos de um indivíduo ou de grupos determinados, políticos ou religiosos.
O fortalecimento da tolerância recíproca só é possível quando, na escola, há respeito à liberdade e o apreço à tolerância, que são inspirados nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana.O educando, no processo de formação escolar, tem necessidade de amar e compreender. Da mesma forma, o professor, no exercício de seu magistério, tem necessidade de ser amado e ser compreendido.
Assim, a necessidade de amar do aluno e o desejo de ser amado do professor nunca andam separados, são a base de uma relação fraterna e recíproca entre professor e aluno.
Uma criança quanto mais sente que é amada, mais disciplinada estará para receber a ministração das aulas. Onde não há reciprocidade, isto é, o amor do aluno para com o professor e do professor para com seu aluno, não assimilação ativa, não há a razão de ser da educação escolar: o desenvolvimento do educando como pessoa humana.
A nova Lei de Diretrizes e Bases da da Educação Nacional (LDB), a Lei 9.394, promulgada em 1996, trouxe as bases do que venho denominando, nos meios acadêmicos, de Agapedia, a Pedagogia do Amor.
É a LDB que nos oferece os dois mais importantes princípios da Pedagogia do Amor: o respeito à liberdade e o apreço à tolerância, que são inspirados nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana. Ambos têm por fim último o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania ativa e sua qualificação para as novas ocupações no mundo do trabalho.
Na educação infantil, a Pedagogia do Amor torna possível o cumprimento do desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, na medida em que o processo didático complementa a ação da família e da comunidade.
No ensino fundamental, a Pedagogia do Amor se dá em dois momentos: no primeiro, no desenvolvimento da capacidade de aprendizagem do educando, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores e, no segundo momento, no fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social.
No ensino médio, a Pedagogia do Amor se manifesta na medida que nós, professores e futuros professores, aprimoramos o educando como pessoa humana, incluindo a formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento crítico.
Na educação superior, há lugar também para a Pedagogia do Amor. Ela se manifesta no momento em que os professores estimulam o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular, os nacionais e regionais. É a Agapedia que leva os alunos à prestação de serviços especializados à comunidade e estabelece com esta uma relação de reciprocidade.

7.º – Zelar pela aprendizagem dos alunos

Muitos de nós, professores, principalmente os do magistério da educação escolar, acreditam que o importante, em sala de aula, é o instruir bem, ou seja, ter domínio de conhecimento da matéria que ministra na aula.
No entanto, o domínio de conhecimento não deve estar dissociado da capacidade de ensinar, de fazer aprender. De que adianta ter conhecimento e não saber, de forma autônoma e crítica, aplicar as informações?
O conhecimento não se faz apenas com metalinguagem, com conceitos a, b ou c, mas sim, com didática, com pedagogia do desenvolvimento do ser humano, sua mediação fundamental.

 

O zelo pela aprendizagem passa pela recuperação daqueles que têm dificuldades em assimilar informações, seja por limitações pessoais ou sociais. Daí a necessidade de uma educação dialógica, marcada pela troca de idéias e opiniões, de uma conversa colaborativa em que não se cogita o insucesso do aluno.
Se o aluno fracassa, a escola também fracassou. A escola deve riscar do dicionário a palavra FRACASSO. Quando o aluno sofre com o insucesso, também fracassa o professor.
A ordem, pois, é fazer sempre progredir, dedicar mais do que as horas oficialmente destinadas ao trabalho e reconhecer que o nosso magistério é missão, às vezes árdua, mas prazerosa, às vezes sem recompensa financeira condigna que merecemos, mas que pouco a pouco vamos construindo a consciência na sociedade, principalmente a política, de que a educação, se não é panacéia, é o caminho mais seguro para reverter as situações mais inquietantes e vexatórias da vida social.
É preciso que a escola ensine aos educandos como se dão as coisas relativas ao conhecimento da linguagem, como se processa a informação lingüística. E isso serve não só para o ensino da língua materna como também para as demais disciplinas escolares.
Um cálculo como 34 x 76 tem muito a ensinar além do resultado. Há o processo (as etapas de uma operação matemática) que deve ser visto como algo mais significativo no ensino e, por que não dizer, mais significativo, também, no momento da avaliação formativa.
As crianças precisam aprender e apreender essas informações da linguagem, da leitura, da escrita e do cálculo, com clareza e de forma prazerosa, lúdica. Quem sabe, ensina.
Quem ensina, deve saber os conteúdos a serem repassados para o aluno. A escola precisa levar as crianças ao reino da contemplação do conhecimento. Vale o inverso: a escola deve levar o reino do saber às crianças.
Nas ruas, as crianças não aprenderão informações lingüísticas. Farão, claro, hipóteses, extraídas, quase sempre da fala espontânea. É nas escolas, com bons professores, que aprenderão que essas informações lhes darão habilidade para a leitura e para a vida fora da escola.
Nos lares, a tarefa de reforço do que se aprender na escola se constitui um complemento importante, desde que os pais se sintam parte do processo.
Aliás, a educação escolar, de qualidade, é um dever das instituições de ensino. Doutra, dever, também, compartilhado por familiares e co-responsabilidade dos que operam com os saberes sistemáticos, que envolve a sociedade

8.º- Colaborar na articulação da escola com a família

 

O professor do novo milênio deve ter em mente que o profissional de ensino não é mais pedestal, dono da verdade, representante de todos os saberes, capaz de dar respostas para tudo.
Articular-se com as famílias é a primeira missão dos docentes, inclusive para contornar situações desafiadoras em sala de aula.
Quanto mais conhecemos a família dos nossos alunos, mais os compreendemos e os amamos. Uma criança amada é disciplinada. Os pais, são, portanto, coadjuvantes do processo ensino-aprendizagem, sem os quais a educação que damos fica incompleta, não vai adiante, não educa.
A sala de aula não é sala-de-estar do nosso lar, mas nada impede que os pais possam ajudar nos desafios da pedagogia dos docentes nem inoportuno é que os professores se aproximem dos lares para conhecerem de perto a realidade dos alunos e possam, juntos, pais e professores, fazer a aliança de uma pedagogia de conhecimento mútuo, compartilhado e mais solidário.

9.º – Participar ativamente na proposta pedagógica da escola
A proposta pedagógica não deve ser exclusividade dos diretores da escola. Cabe também ao professor participar do processo de elaboração da proposta pedagógica da escola, até mesmo para definir de forma clara os grandes objetivos da escola para os seus educandos.
Um professor que não participa, se trumbica, se perde na solidão das suas aulas e não tem como se tornar participante de um processo maior, holístico e globalizado. O mundo globalizado para o professor começa por sentir parte ativa no terreno das decisões da escola, da sua organização administrativa e pedagógica.

10.º – Respeitar as diferenças

Se, de um lado, devemos levantar a bandeira da tolerância, como um dos princípios do ensino, o respeito às diferenças conjuga-se com esse princípio, de modo a favorecer a unidade na diversidade, a semelhança na dissemelhança. Decerto, o respeito às diferenças de linguagem, às variedades lingüísticas e culturais é a grande tarefa dos educadores do novo milênio.
O respeito às diferenças não tem sido uma prática no nosso quotidiano, mas, depois de cinco séculos de civilização tropical, descobrimos que a igualdade passa pelo respeito às diferenças ideológicas, às concepções plurais de vida, de pedagogia, às formas de agir e de ser feliz dos gêneros humanos.
O educador deve, pois, ter a preocupação de se reeducar de forma contínua, uma vez que, a nossa sociedade ainda traz no seu tecido social as teorias da homogeneidade para as realizações humanas, teoria que, depois de 500 anos, conseguiu apenas reforçar as desigualdades sociais.
A nossa missão, é dizer que podemos amar, viver e ser felizes com as diferenças, pois, nelas encontraremos as nossas semelhanças históricas e ancestrais: é, assim, a nossa forma de dizer ao mundo que as diferenças nunca diminuem, mas, somam valores e multiplicam os gestos de fraternidade e paz entre os homens.

Pela manhã, o bom religioso abre o livro sagrado e reflete sobre o bem e o mal. Por um feliz amanhã, o bom professor abre a LDB e aprende a conciliar o conhecimento e a humanidade.

 

Vicente Martins é professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do Ceará. Contatos: vicente.martins@uol.com.br

VILÃO poema de leonardo meimes

 

 

Quem inicia a reza

Quando não há irmão?

Quem reivindica a terra

Quando não há pão?

 

Quem quer é o bom

Quando não há opção?

Quem vira a besta

Quando encontra o vilão?

 

Quem sabe um dia chegarão

Quando ninguém mais pisar o chão

Quem um dia eu chamei

Naquela oração