Arquivos Diários: 1 junho, 2009

MUSEU NACIONAL DO PRADO – ESPANHA

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Seus Olhos Verdes – poema de tonicato miranda

TONICATO MIRANDA - Olhos Verdes - FOTO

 


 

para uma que sabe ser para ela

 

não sei de onde vem

este desejo de ser triste

qual um pobre passarinho

na busca de um só alpiste

 

não sei onde não lhe achei

em qual ponte de rio

em qual ponte do coração

habita-me este inverno frio

 

não sei onde não havia flores

nem águas, nem verdes

e mesmo assim era bom

bastavam-me seus olhos verdes

 

não sei onde capotei na estrada

onde descarrilei de mim

onde veio parar esta minha vida

cheia de saudades de você assim

 

não sei porque o triste é tão belo

não sei porque ele todo me dói

como picada de muitos mosquitos

dor gentil que consome e rói

 

não sei porque não parto agora

no rumo que o pé apontar

saindo de mim e da cidade

para o rumo onde a dor andar

AVISOS PARA QUEM VAI SE AVENTURAR EM MATA VIRGEM – poema de darlan cunha

 

 

olhar no olho do sapo, e ver que ele é cego

ouvir o gogó do sapo, e percebê-lo gago

 

olhai o duro orgulho do sapo

e notareis que ele é feito camaleão:

com os sons e a cores

do sim, contra o peso do não

(coisa de rhesus e de irmãos de jesus: írritos e nulos)

 

veja que a manhã renasce

com o sexo em riste: na cara do sapo

há inconfesso e irrefreado

ensejo por uma rã descabelada

(“eu quero essa mulher assim mesmo”)

 

atente à barriga do sapo

e verá a sua sinergia, que ele tem posses,

gorda manta de sexo envolve-o

à beira d’água ele é rei

sobre uma pedra lisa faz seu reino de heresias brilhar

PRINCÍPIO, MEIO e FIM – poema de joão batista do lago

disse-me el diablo:

– rezo diariamente para o deus

peço encarecidamente

contritamente

que me livre de ti

não te o quero aqui no tártaro…

vai de reto

vai

vai

vai

não me corrompas o inferno

não quero o caos administrado

 

 

…então voltei ao sagrado

disse-me ele:

– penas como quiseres

entre céus e terras (e)

procuras teu reino e trono

acima e abaixo do mar já têm donos

 

 

manifesto:

– absurdo

como não ser como eles

como não ter poderes

vou mostrar a ambos

não sou refém da minha ambição

serei maior que os dois

terra terei por redenção

 

 

agora os dois me suplicam

el diablo: – alma alguma me quer agora

acabaram-se os encantos do tártaro…

o sagrado: – deixe-me os anjos e os santos

não os roube…

ambos então se ajoelham:

– poeta, perdoai nossos pecados

vem-nos completar a trindade

nem o uno

nem o outro

sejamos três: alteridade