SEMELHANÇA da SEMENTE por walmor marcellino / Curitiba

In dies singulus (um a um, um depois do outro) o movimento se dá dialeticamente. Porém, como ressalta Paul Foulquié, na “Dialética”: “Não é a predominância dos motivos econômicos na explicação da história que distingue de uma maneira decisiva o marxismo da ciência burguesa; é o ponto de vista da totalidade. A categoria da totalidade, a predominância universal do todo sobre as partes, constitui a própria essência do método que Marx retomou de Hegel, que ele transformou de maneira a fazer dele o fundamento original de uma ciência inteiramente nova […]”. E acrescenta Georg Luckács: “A predomimância da categoria da totalidade é o suporte do princípio revolucionário na ciência”.

Exacerbar os ânimos na apreciação dos aspectos políticos parciais só poderá conduzir à radicalidade do oportunismo, pois o cotidiano político é a própria política no dia-a-dia que nos esconde a totalidade dos acontecimentos. Tal visão obscura do cotidiano não consegue ultrapassar o oportunismo e seu anedotário social nesta sociedade do espetáculo, principalmente porque nossa vivência é simplificadora e alienante, construída sob interesse e proveito de pessoas e suas classes sociais. Ademais, não poderia ser suficiente uma leitura tática do que acontece, nos passos que se revelam; e somente uma visão estratégica da política poderá evidenciar os fatos e seus desdobramentos à luz dialética de um racional discernimento político.

Como o movimento é o modo de existência da matéria, a própria vida orgânica é por ele determinada; e como a vida biológica e as ações sociais nos seus movimentos, também as políticas são práticas em processos de ações com sentidos contraditórios. Sua efetividade se expressa dialeticamente por aspectos positivados e sua negação ‑ sendo necessários ou causais, fundantes para… ou alienantes de…, oportunos, úteis ou anódinos. Importa-nos considerá-los se justos, oportunos e beneficiosos, porém sob as leis do movimento dialético qual será seu devir a partir das premissas? E se não podemos antevê-las nos pormenores, como saberemos de seu fio condutor no processo da luta de classes senão pela confirmação primacial de transformações revolucionárias (e não “evolucionárias” no sentido de conservação e consolidação das estruturas de dominação capitalista-imperialista, logo de aumento na opressão e exploração das classes trabalhadoras) e se se dirige à evolução das classes trabalhadoras, em especial do seu cerne operário-técnico-científico.

Não aprendemos ainda a distinguir a política Vargas (fundante do liberalismo social e da nacionalidade livre) da política Juscelino (consolidante da democracia liberal e da abertura de fronteiras à importação imperialista). Também não discernimos a função do BNDES de hoje como instrumento de extravasão econômica brasileira na Bolívia, Equador, Uruguai e Venezuela, daquela das relações com Colômbia, Chile, Peru e México (paises assumidamente “alinhados” a Washington). Porque não se trataria de apoiar e estimular a expansão capitalista da Camargo Correia, Odebrecht, Vale do Rio Doce e similares (sendo a lógica do capitalismo sua expansão e acumulação, etc…) e sim do contexto econômico polarizado e das relações políticas bilaterais e seu reflexo em nossa própria economia política. Pagamos assim um “superávit primário” a essa expansão monopolista. (Revisto de outro)

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