APESAR de TUDO – de vera lúcia kalahari / portugal

E apesar de tudo

Ainda sou a mesma.

Filha de quanta rebeldia me viu nascer,

Irmã de toda a revolta que me viu crescer.

E desafio-te a que cales em mim

Esta ânsia de lutar.

Rio-me dos vossos preconceitos loucos,

Rio-me de tudo e de todos:

Da honestidade dos homens,

Dos cânticos dos vencedoras,

Das solicitações místicas…

Rio-me de tudo e de todos:

Da vossa condição de mundo civilizado…

Porque eu, sou livre…
Livre como o viço juvenil

Na sinfonia das árvores,

Como o odor inesquecível dos desertos em flor,

Como os rios borbulhantes,

Como o cântico dos tambores

Apelando ao amor…

Como as chamas das fogueiras

Ardendo nas sanzalas.

Como o ritmo febril dos batuques tropicais,

Como corpos que se entregam,

Como velhos embondeiros,

Como capim que nasce em profusão.

Livre como o tempo que não pára,

Como asa chuvas desabando

Em jeito de nunca findar.

E desafio-te a prender-me.

Eu sou, afinal,

A África-terra, a Àfrica – mãe.

Só isto…Nada mais.

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