“Me gustán los estudiantes” – por alceu sperança / cascavel.pr

“Que vivam os estudantes, jardim de nossa alegria (…) passarinhos libertários (…) o fermento do pão que sairá do forno com todo seu sabor!” Os estudantes e sua rebeldia, fome e sede de Justiça encantavam Violeta Parra, que também cantou em louvor à vida e preferiu sair dela em 1967. Mas seus versos ecoarão para sempre, tanto em agradecimento à vida que nos tem dado tanto quanto pelo amor aos estudantes e seu coração valente.

A professora Rosana Kátia Nazzari procurou ver a quantas vai esse encantamento no livro Empoderamento da Juventude no Brasil – Capital Social, Família, Escola e Mídia (Coluna do Saber, 2006), que trata de questões candentes da juventude brasileira. Meio anestesiada, a participação mais ativa da estudantada está de volta, finalmente, depois de perceber que foi enganada por seus “líderes” com a farsa lulesca. Quem apurar bem os ouvidos já começará a ouvir seus brados e cânticos anunciando uma nova era, pois a que aí está não presta nem é desejável que se sustente.

Trata-se, aliás, de um fenômeno mundial. Além da França, como sempre, e do México e Grécia, mais recentemente, no Irã os estudantes levantaram a voz para interromper um discurso do presidente Ahmadinejad, que, eleito em 2005 e novamente agora, em processo marcado por inúmeras suspeitas, irritou a juventude com medidas anunciadas como a salvação da Pátria, mas que beneficiam meia dúzia e prejudicam a muitos.

O presidente prometeu na campanha que iria dividir de maneira mais justa a riqueza do petróleo quando assumisse o poder, e essa “bolsa família” lhe garante o aplauso de multidões entusiasmadas, particularmente em províncias pobres, onde faz comícios a toda hora. Na prática, o que faz é cercear a liberdade de imprensa e restringir as organizações populares, inclusive as estudantis, enquanto gasta a rodo e provoca inflação. Os estudantes têm mesmo que reagir.

Depois de uma longa e infrutífera intervenção da ONU, os jovens perderam a paciência e se levantaram contra a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), para cujos dirigentes os estudantes estão sendo “manipulados”. Isso acontece sempre que os manipuladores de ontem não conseguem mais dominar como antes: “Essa vontade de criticar tudo deve ser lavagem cerebral que fizeram em vocês!”, ouvi na década de 70.

Os estudantes do Haiti têm toda razão em protestar: há um bocado de tempo, a intervenção da ONU é renovada a cada seis meses, mas agora a tal Minustah quer ocupar o país por pelo menos dez anos, enquanto oficialmente diz que “nosso objetivo é sair do país o mais rapidamente e para isso necessitamos da colaboração dos cidadãos”. Ou seja: se você não entregar a rapadura, nós não vamos embora…

No Brasil, os estudantes se anunciam através do Levante do Busão, em São Paulo. Foi uma reação ao aumento injustificado nas tarifas de lotação e metrô, pois enquanto o passe do transporte urbano aumentou 400% em doze anos, o salário só se reajustou em 120%. E 40% da evasão de alunos nas salas de aula se dá por falta de acesso ao transporte público.

Ocorreu na época um confronto com a Polícia, mas isso não desestimulou os jovens. Embora a manifestação dos estudantes fosse absolutamente pacífica, eles foram espancados, agredidos com balas de borracha, gás lacrimogêneo e de feito moral. Um estudante foi imobilizado, espancado com cassetetes e teve um braço deslocado. Preso e algemado, os policiais sequestraram seus documentos – bateram, literalmente, sua carteira.

É essa a democradura que temos neste País. Se não são os estudantes para nos mostrar essa realidade, comemos com farinha a propaganda “democrática” oficial.

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