Arquivos Diários: 14 julho, 2009

SENTADO À SALA DOS SUICÍDIOS de joão batista do lago / são luis.ma

Sentado à sala dos suicídios

Revi-os todos. Um por um.

De nenhum deles quero renascer!

Sentado sobre minhas tumbas

Assisto o desfile das carcaças

Condenadas à morte

.

Outrora, quando me era folião

Entrudo dos carnavais da vida

Sentia o gosto do mel

Agora, da corte do meu patíbulo

Vejo a sangria de cada ferida

Cantando loas, aos condenados, em vida

.

Já não me aquece o desespero de tê-la

Como dantes se fizera precoce:

Modelo que não sabia morrê-la…

Hoje desfilo todos os meus suicídios

Gerados na sacristia das minhas angústias (e)

Aplaudo com carinho todos os meus dissídios

.

Deem-me férias, pois, todos os deuses

Sacripantas que açulam pretendidos e puritanos e damagogos

Deixem-me suicidado diante de vossos cadafalsos

Aliterem-me como a miudeza dos pingos das chuvas

Como o eco de todas as dores do mundo…

Mas deixem-me sentado à sala dos suicídios

NENA INOUE convida para PROJETO 70

Mostra70+2

Meus Caros Amigos…

Nesta quarta e quinta-feira  faremos a 1.a Mostra do Projeto  70,  que trata sobre o período da Ditadura no Brasil.

Na programação, um texto do Boal, um encontro com Gloria Ferreira e ainda uns vídeos depoimentos de pessoas que entrevistamos em ruas, feiras, bares e casas de Curitiba  sobre a memória dos fatos/pessoas dos anos de chumbo no Brasil.

A entrada é franca e sua presença será muito bem vinda.

E pra aquecer ainda mais e arrecadar fundos, caldinho de feijão, caldinho de peixe, vinho e cachaça mineira.

Apareçam… será um prazer.

Gracias,

Nena Inoue

SERVIÇO: PROJETO 70/ MOSTRA DE PROCESSO

Dias 15 e 16 de Julho. 20h.

PROGRAMAÇÃO: Dia 15: Leitura do texto Murro em Ponta de Faca, de Augusto Boal. Com André Coelho, Moa Leal, Nena Inoue, Patricia Ramos, Raquel Rizzo e Rodrigo Ferrarini.

Dia 16: A Arte dos Anos 70 e a Vivência no Exilio. Bate papo com  Gloria Ferreira (RJ)

Local: ACT – Ateliê de Criação Teatral. Rua Paulo Graeser Sobrinho, 305. CURITIBA.

Informações: 3338 0450

ENTRADA FRANCA!!

“SESC CAMPINAS” DORME COM OS COTURNOS DA DITADURA (veja a carta do hélio leites)

o reconhecido artista curitibano HÉLIO LEITES foi censurado e humilhado pelo general/diretor do sesc e viúva da ditadura, de 1964, sr. danilo santos de miranda, representante direto do todo poderoso marechal/presidente, através de seu ajudante de ordens o soldado sérgio conhecido pela alcunha de “conceito” e seus sucessores de plantão na ” guarita”  sesc/campinas, onde exercem, por saudosismo e outros interesses, a ditadura do patrocínio. é necessário que os artistas e pessoas ligadas a arte e a cultura repudiem e se neguem a participar de eventos em ambientes rançosos como este.

leia, abaixo, a carta do artista.

helio3helio

Ao Sr. Presidente do Sesc

Danilo Santos de Miranda

Sesc – SP

.

ref.: “Sesc Campinas censura contador de histórias”

ou “a ditadura do Patrocínio”

ou “Era uma vez outra vez…”

ou “Solidariedade não dói.”

.

Eu, Hélio Leites, contador de histórias de Curitiba-Pr, fui censurado no Sesc Campinas pela segunda vez. A primeira vez ocorreu no ano passado quando fui convidado a participar do I Encontro de Contadores de Histórias – organizado pela Cia Narradores Urbanos e impedido de participar do evento, quando me indispus com o funcionário Sérgio “Conceito”, que me proibiu de vender minhas inutilidades artesanais nas dependências do burgo. A alegação foi que era proibida a comercialização de produtos no interior do Sesc, quando no entanto, era permitido vender coca-cola na lanchonete. Neste ano, sem justificativa aparente, tive meu nome censurado pela diretoria cultural do Sesc Campinas, no dia da abertura, no hall do teatro, apesar de meu nome constar na programação do evento. Eu lhe pergunto: até quando vai persistir essa censura? Vim à Campinas este ano porque, quando fui convidado para o evento, alegaram que o funcionário birrento tinha sido transferido para São Paulo. Deve, pensei, deve ter recebido uma promoção pelo seu auto desempenho. Ledo engano, a mágoa ainda lateja, e eu, que acreditava que ela saía na urina.

Nem sei se ele foi, mas deixou aqui sua escola, o ranço de sua intransigência ainda cheira no ar; a intolerância de sua disciplina ainda reverbera nas portas e guardas, bem como a soberba de sua ditadura ainda pulsa nos remanescentes, que me censuraram novamente. Impedir um velho de trabalhar no último ofício que a vida lhe reservou deve ser crime inafiançável moralmente, e passível, espero, de processo judicial. A humilhação, a decepção e a violência moral não tem preço. Quando se adquire cabelo branco, vem junto no mesmo pacote, imunidade para lamentar. Velho não tem vez, nem voz neste país, tanto que qualquer funcionariozinho com seu cetro de rádio-comunicador sente-se autoridade para praticar a censura. Se um Sesc desses, verdadeiro templo erigido ao Deus Comércio, proíbe um pobre artesão de contar histórias num evento coletivo, está no fundo demonstrando necessidade de reciclagem. Não é só lixo que se recicla, educação também. Revela ainda total incompetência para gerenciar conflitos, revela também sua truculência cultural e sua vaidade arrogante e deixa à mostra a ditadura do patrocínio. Quem paga pode censurar. A censura acabou no Brasil, menos no Sesc Campinas.

Depois de viajar sete horas de Curitiba à Campinas, arrastando bagagens e histórias pelas rodoviárias da vida e ser “barrado no baile” e impedido de comungar histórias com meus pares, lhe confesso que isso não me engrandece nenhum pouco, acredite, estou me sentindo um refugo. Uma tristeza profunda me abalou até as varizes e paira sobre o meu coração velho. O que me consola é uma réstia de esperança, nuvem que de Campinas vai até o Pilarzinho onde moro. E é essa nuvem de solidariedade que não me deixa abandonar essa profissão que amo e que o mundo me reservou. Contar histórias é a profissão mais antiga do mundo e a mais nova.  Quando você não conseguir fazer nada na vida e nada em sua vida der certo, vá contar a história de seus fracassos. O povo adora ouvir histórias de fracassos dos outros que é pra não cometer os seus. Desisti sim, mas foi do Sesc Campinas, não dos outros “Sesquis” do Brasil, os quais espero que sejam mais dóceis, receptivos e amigos do que o Sesc Campinas.

Continuo levantando a bandeira de contador de histórias, com o propósito de juntar pessoas, falo de amizade, solidariedade, honestidade, auto-estima, terapias alternativas e vivências de humor, matéria prima tão em falta no mundo corporativista. Espero que este grito seja jogado no ventilador da internet e espalhe essa nuvem de esperança pelo ar. Para que nunca mais na história desse país, um velho precise se humilhar escrevendo um S.O.S. e colocando dentro de uma garrafa e jogando no mar. Só estou procurando dignidade. Alguém viu alguma por aí?

.

Saudações

Hélio Leites

“Solidariedade não dói”

.

o artesão e contador de histórias HÉLIO e a participação das crianças em suas apresentações pelo Brasil.

o artesão e contador de histórias HÉLIO e a participação das crianças em suas apresentações pelo Brasil. foto de deborah schwanke.