SENTADO À SALA DOS SUICÍDIOS de joão batista do lago / são luis.ma

Sentado à sala dos suicídios

Revi-os todos. Um por um.

De nenhum deles quero renascer!

Sentado sobre minhas tumbas

Assisto o desfile das carcaças

Condenadas à morte

.

Outrora, quando me era folião

Entrudo dos carnavais da vida

Sentia o gosto do mel

Agora, da corte do meu patíbulo

Vejo a sangria de cada ferida

Cantando loas, aos condenados, em vida

.

Já não me aquece o desespero de tê-la

Como dantes se fizera precoce:

Modelo que não sabia morrê-la…

Hoje desfilo todos os meus suicídios

Gerados na sacristia das minhas angústias (e)

Aplaudo com carinho todos os meus dissídios

.

Deem-me férias, pois, todos os deuses

Sacripantas que açulam pretendidos e puritanos e damagogos

Deixem-me suicidado diante de vossos cadafalsos

Aliterem-me como a miudeza dos pingos das chuvas

Como o eco de todas as dores do mundo…

Mas deixem-me sentado à sala dos suicídios

Uma resposta

  1. Prezado João,

    Vou reproduzir aqui a resposta que já lhe enviei ao seu magnífico poema.

    ———————————————–xxx————————————————–
    João do Lago,

    “Você nos deixou, mas nós jamais nos curaremos desta sua ausência.
    Quisera eu ser um dândi e ter muitos recursos para lhe patrocinar.
    Como outrora existiu nas cortes aqueles que eram patrocinados
    apenas pelo seu impressionante gênio.

    Pois bem companheiro, os recursos para mim não foram suficientes,
    e eu os pensara vultosos e fartos nas promessas infelizmente não cumpridas.
    A crise mundial atingiu a todos, como cinzas de um vulcão transoceânico.
    Como aos velhos, a sobra é a fila da lotérica. Esperança paga em Real, talvez.

    Sobre seu poema,
    resolvi lhe responder com um poema fabricado ainda agora
    e que colarei aqui embaixo.”

    Grande Abraço.
    Saudações @ltetaraturasempre.sem_ou_comabsintos
    TM

    ———————————————————————————————————

    Pequena Ode ao Suicídio

    para 4 “Js”: Joplin, Hendrix e Morrison

    Pensar no suicídio como esconderijo
    A raposa acuada na busca da toca
    Pensar no suicídio como o baque rijo
    O corpo vindo ligeiro ao beijo do cimento

    Pensar no suicídio como o balido da voz
    A carne dura do bode ferindo a faca
    Pensar no suicídio como o rio na sua foz
    Afogando-se nas águas ele feito de água

    Pensar no suicídio como bebida amarga
    O absinto sem sentido e fora de nexo
    Pensar no suicídio e a descarregada carga
    A arma prenhe de pólvora a explodir o ego

    Pensar no suicídio como tropel de cavalos
    Assustando a platéia meu corpo sob cascos
    Pensar no suicídio como o sangue nos ralos
    A gilete no chão, o pulso gotejando vermelhos

    Pensar no suicídio como o vôo de asa delta
    O precipício na montanha é sua eternidade
    O corpo voando ao nada e à música celta
    Mas no átrio da descida perguntei:
    Oh, mãe de verdes e de pedras:
    __ Por quantos anos meu corpo esteve por aqui?
    __ Por que perguntas? Não cabe entender,
    por que medras?
    A montanha sempre será mais do que a carne.

    Blumenau, 7/Jul/2009
    TM

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