Arquivos Diários: 16 julho, 2009

“CARPE DIEM” in ODES (1, 11.8) do poeta romano HORÁCIO (65-8AC)

Carpe diem quam minimum credula postero

Tu ne quaesieris, scire nefas, quem mihi, quem tibi

finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios

temptaris numeros. ut melius, quidquid erit, pati.

seu pluris hiemes seu tribuit Iuppiter ultimam,

quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare

Tyrrhenum: sapias, vina liques et spatio brevi

spem longam reseces. dum loquimur, fugerit invida

aetas: carpe diem quam minimum credula postero.

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TRADUÇÃO:

Colhe o dia, confia o mínimo no amanhã

Não perguntes, saber é proibido, o fim que os deuses

darão a mim ou a você, Leuconoe, com os adivinhos da Babilônia

não brinque. É melhor apenas lidar com o que se cruza no seu caminho

Se muitos invernos Júpiter te dará ou se este é o último,

que agora bate nas rochas da praia com as ondas do mar

Tirreno: seja sábio, beba o seu vinho e para o curto prazo

reescale as suas esperanças. Mesmo enquanto falamos, o tempo ciumento

está fugindo de nós. Colhe o dia, confia o mínimo no amanhã.

“KINDLE” AMEAÇA ESNOBISMO LITERÁRIO – por joanne kaufmann / são paulo

Sara Nelson, ex-editora do periódico “Publishers’ Weekly“, estava recentemente num jantar quando Ed Rollins, consultor de campanha do Partido Republicano dos EUA, chegou carregando um leitor eletrônico Kindle.

“Falei: ‘Posso ver?’”, contou Nelson. “Você pode fazer de conta que está examinando o hardware e, na realidade, verificar o que seu dono anda lendo.” (Para constar: o Kindle de Ed Rollins estava repleto de jornais do dia.)
Sara Nelson possui um Kindle e um Sony Reader. Para ela, o fato de ser dona de um leitor eletrônico de livros, embora não seja necessariamente uma medalha de honra literária, transmite ao menos um interesse por livros.

“É realmente caro”, disse ela sobre o modelo Kindle 2, que a Amazon vende por US$ 359. “Se você se dispõe a pagar, está declarando ao mundo que gosta de ler -e que provavelmente não está usando a máquina para ler um livro barato,

ilustração do site.

ilustração do site.

de consumo de massas.”

Para outros escritores e editores, porém, o Kindle é uma péssima ideia.
A escritora Anne Fadiman ficou aliviada ao saber que sua coletânea de ensaios, “Ex-Libris”, não está disponível no Kindle. “Seria realmente irônico se estivesse”, disse ela. O livro trata de sua paixão duradoura pelos livros enquanto objetos. “Há uma opção [no site] da Amazon para o usuário ‘transmitir à editora que gostaria de ler este livro no Kindle‘”, ela comentou. “Espero que ninguém diga isso à editora.”

O mundo editorial debate intensamente o Kindle e outros aparelhos semelhantes -eles vão ajudar ou prejudicar as vendas de livros e os pagamentos adiantados feitos aos autores? Vão canibalizar a indústria de livros? Vão lhe infundir novo ânimo?
Essas discussões estão deixando de lado outro detalhe: como o Kindle vai afetar o esnobismo literário?

Se você tiver 1.500 livros em seu Kindle -capacidade máxima do aparelho-, isso significa que você é menos bibliófilo do que se tivesse os mesmos 1.500 livros expostos em estantes (partindo da premissa de que você tenha de fato lido alguns desses livros)?

A prática de avaliar as pessoas pelas capas de seus livros é antiga e consagrada. E o Kindle, cuja aparência lembra a de uma grande calculadora branca, é o equivalente tecnológico a um papel marrom opaco usado para encapar livros. Se as pessoas abrirem mão de suas coleções de livros ou deixarem de comprar novos volumes, será cada vez mais difícil formar opiniões imediatas sobre elas, simplesmente percorrendo casualmente suas salas de estar.

“Sempre observo quantos livros há nas estantes e quais são os livros”, disse Ammon Shea, que passou um ano lendo o “Oxford English Dictionary” inteiro e publicou um livro sobre a experiência. “É o equivalente falso-intelectual a fuçar no armário de remédios de uma pessoa.”

Ellen Feldman, que escreve ficção literária, se preocupa com o que vai acontecer à irmandade inefável entre os amantes de livros se o Kindlepassar a ser largamente adotado. Ela estava almoçando num restaurante em Nova York quando viu um homem na mesa ao lado lendo “The Collected Poems of Emily Dickinson“.

“Comecei a especular sobre ele”, contou Feldman. “Fiquei fantasiando, tentando lembrar se havia uma faculdade nas redondezas e especulando que ele talvez fosse professor.”
Nicholson Baker, também escritor, pensa mais ou menos o mesmo, apesar de definir-se pelo conteúdo de sua biblioteca (física).

Anos atrás ele chegou a seu trabalho, um emprego temporário, carregando uma cópia de “Ulisses”. “Queria que as pessoas soubessem que eu não era simplesmente um funcionário temporário, mas um funcionário temporário que estava lendo ‘Ulisses’”, contou.

Hoje em dia, disse Baker, “me emociono quando as pessoas leem meus livros. Não me importa como os leem.”

Ante a situação financeira lamentável em que se encontra o setor dos livros, é provável que a maioria dos autores se disponha a deixar preconceitos de lado. O romancista Chris Cleave, que assina uma coluna no “The Guardian“, foi franco. “Amo meus leitores e quero que leiam o que escrevo”, disse ele. “Se fosse preciso, escreveria meus textos à mão para eles.”

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