Arquivos Diários: 17 julho, 2009

NA MORADA de marilda confortin / curitiba

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Na minha casa

não tem compartimento secreto

nem lugar proibido.

Minha casa é um livro aberto

Com meus amigos divido.

Na minha casa tudo combina

Com qualquer clima, qualquer astral.

O chinelo havaiana não reclama

De morar debaixo da cama

Com um velho sapato social.

As fotos dos filhos estão por toda parte

Exibo sim, são minhas obras de arte

Não importa que partam

Sou porto,

São partes de mim.

Uma erva daninha nasceu na floreira

E cresceu trepadeira, não posso arrancar

Um pé de gerânio abriu a cortina

E na surdina deixou o sol entrar.

Lá em casa tem creme pra cabelo seco,

molhado, pixaco, loiro, ruivo e preto.

Tem óleo, toalha e escova de dente

vá que alguém de repente resolva pernoitar.

Os livros povoam a sala, banheiro,

armários, gavetas e estantes.

São meus companheiros,

eternos amantes

nunca vão me abandonar.

Na parede não tem uma rede,

Mas tem um desenho de lápis de cor

Feito por minha mãe, num papel almaço.

Tem muito mais valor

Do que qualquer obra do Picasso.

Tenho tudo que preciso

No meu Cinema Paradiso:

Poderoso Chefão, Telma e Louize

Chico, Betania, Cartola e Gil

A Rita está ali, mas o Milton sumiu

Na cristaleira não tem taça de cristal

Mas tem cachaça, tequila e mescal

Um vinho barato, licor de pequi

E uma última dose de bacardi.

Na minha casa

Não tem compartimento secreto

Nem lugar proibido.

Minha vida é um litro aberto

que trago com meus amigos.

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ilustração da autora.

‘Dor da discriminação ainda é sentida nos EUA’, diz Obama / nova york

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um discurso histórico nessa quinta-feira (16), em Nova York, e comentou sobre os direitos civis dos negros diante da Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP, pela sigla em inglês).

O sacrifício dos outros “começou a jornada que me trouxe aqui”, afirmou Obama, o primeiro presidente negro dos EUA, falando da importância da instituição.
Não se deixe enganar: a dor da discriminação ainda é sentida na América”, disse o presidente, filho de uma mãe branca do Kansas e de um pai negro, do Quênia.

Obama cumprimenta Julian Bond, diretor da NAACP, e recebe aplausos do rapper e ator Sean Combs, em Nova York (Foto: Kevin Lamarque/Reuters)

Obama cumprimenta Julian Bond, diretor da NAACP, e recebe aplausos do rapper e ator Sean Combs, em Nova York (Foto: Kevin Lamarque/Reuters)

O mandatário americano afirmou ainda que a crise econômica afetou os negros. Comentou ainda que as crianças afro-americanas têm cinco vezes mais chance de parar na prisão do que as brancas. E disse que é preciso melhorar o ensino no país.

“Nós temos que falar para nossas crianças. ‘Sim, se você é um afro-americano, a chance de crescer no crime e em gangues é maior. Sim, se você vive em um bairro pobre, você vai ter mais dificuldades do que quem cresce no rico subúrbio”, disse. “Ninguém escreve o seu destino por você. Seu destino é escrito pelas suas mãos, não se esqueça disso.”

O racismo é sentido, segundo Obama, “pelas mulheres afro-americanas que recebem menos para fazer o mesmo serviço que as mulheres de diferentes cores. Os latinos ainda não são bem-vindos em nosso país. Os americanos muçulmanos são vistos sob suspeita só por estarem rezando. E nossos irmãos e irmãs gays ainda são atacados e têm seus direitos negados.”

G1. grifos do site.