Arquivos Diários: 20 julho, 2009

Para começar a Semana – de tonicato miranda / curitiba


TONICATO MIRANDA - Semana de Julho

para todos amigos

(e espero ainda preencher uma barca de Noé com eles)

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Ainda não fui.

Ainda trabalho desesperadamente.

E ainda não totalmente amei ninguém, não matei ninguém.

Ainda não consegui deixar de gostar de “My funny Valentine“.

Ainda me extasio com a música, com o sax e os trompetes.

E sinto muito frio.

Ainda morro de amores pelos amigos.

Ainda estou preso ao Rio de Janeiro, seus morros, meus parentes.

Deslumbro-me com as barcas cruzando a Baía de Guanabara.

Das barcas miro o Cristo, e ele mira o Pão de Açúcar que mira Copacabana e Botafogo.

Ainda continuo torcedor do Fluminense.

Ainda o Pico do Papagaio, há todo um Grajaú dentro de mim.

Saudades do bonde, da Borda do Mato, dos tamarindos estalando na língua.

Ainda Lúcio Alves cantando “Valsa de uma cidade“.

Ainda fiel a Curitiba, ao Rio Marumbi do Cardoso.

Fiel ao Bife Sujo, ao Bar da Mara, ao Metrô, ao Stuart e ao Hermes.

Ainda o Passeio Público de outrora, seus macacos e os pés de amora.

Ainda que viva mais do que Matusalém, que dizem viveu 300 anos, não serei rei.

Mesmo que viva como ele, não encontrarei palavras mais fortes do que a música, eu sei.

Ainda que seja gentil, tomarei porradas, sentirei dores.

Ainda que pense em todas mulheres, não terei seus amores.

Mesmo que viva ou não viva, a vida passará na estrada.

E mesmo que não vá com ela, serei testemunha do vento que ela faz.

Ainda que não vá ao Barigüi, sei do bem que a paisagem me faz.

Ainda que a palavra seja forte, ela não trina no bico do passarinho.

Tenho carinhos na caixinha, dedos gentis sob a luva

E mesmo que goste mais do vinho, aceito mordiscar a uva.

E sendo apaixonado por pães, aceito um chá quente com cuca.

Ainda gosto mais do calor, peitos expostos, dos corpos seminus.

Ainda gosto de Gauguin, Toulouse Lautrec e Dalí.

Estou morrendo por aqui, voando em palavras a Parati.

Ainda admiro Bashô, Whitman, Maiakovski, Pessoa e Gerson Maciel.

Ainda me transporto com Neruda, Chico, Lorca e Mallarme.

Ainda “Yesterday“, “Summertime“, Joplin, Hendrix, Coltrane, “My favourite things“.

Não queria terminar, mas o amargor do trabalho diz muitos sins.

Ainda me despeço com Valentine, Bill Evans e Chet Baker na agulha.

Ainda desejo a você um Bom dia!

E um dia será mais do que bom, será terno.

Ainda vestirei um terno e casarei com o dia, com a noite e a madrugada por testemunhas.

Ainda cortarei os cabelos e a barba, totalmente careca de pelos e unhas.

Deixarei “Angel eyes” me acompanhar ao inferno dos sentimentos.

Wynton Marsalis me devolverá a ilusão.

Ainda tomarei com prazer um chimarrão.

Ainda irei preferir a amizade de um cão.

Serei dos tolos e tordos um simples irmão.

Ainda me despedirei de todos ou não.

Ainda prefiro as conversas durante a sobremesa.

sempre prefiro sair da reunião à francesa…

Ainda…

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ilustração do autor.

IMAN MALEKI, o pintor HIPERREALISTA do IRAN – editoria

Fotografia ou obra de arte? Uma obra de arte, principalmente porque parece uma fotografia daquelas tiradas com uma máquina fotográfica digital moderna de muitos pixels, que permite observar cada detalhe e colorido da cena, objeto ou personagem fotografado. Assim é a arte do iraniano nascido em 1976, em Teerã, Iman Maleki, considerado o principal pintor de arte realística vivo.

IMAN MALEKI

No mundo das artes, muitos artistas torcem o nariz para obras figurativas, mas até os puristas rendem-se às pinturas do artista iraniano. Segundo a artista plástica e professora de artes do Rio de Janeiro, Gabriela Irigoyen, a principal qualidade do trabalho de Iman Maleki está em criar esse jogo com o observador de suas obras. “Será uma fotografia, será uma pintura?”, diz Gabriela, acrescentando que outro aspecto interessante das pinturas do artista é de permitirem constatar que a beleza retratada em seus quadros é exemplo vivo que existe na natureza e no cotidiano das pessoas.

IMAN MALEKI - 1Sisters-and-a-book

“Em um mundo repleto de relativismos, de ‘achismos’, de ‘incertezas’ e de negação da realidade, onde ladrões se dizem inocentes e mentiras são ditas com a certeza de verdades, apreciar as pinturas de Iman Maleki nos deixa mais esperançosos”, assina Gabriela. Ela acrescenta que o realismo contemporâneo é também uma resposta ao caos da pós-modernidade. “É como dizer; olhe bem, com bastante atenção e você será capaz de ver coisas no nosso cotidiano que são extremamente belas e que pintadas ficarão para sempre. Essa também é uma questão sempre presente na humanidade: eternizar o momento”, completa a artista.

IMAN MALEKI - boy

Iman Maleki o faz com uma poesia e destreza admiráveis. Ele desenha como ninguém. Pronto, já sabemos que não é mais necessário saber desenhar bem para ser um grande artista, mas deixem quem sabe expressar-se através do bom desenho fazê-lo.

IMAN MALEKI - Omens-of-Hafez

Iman Maleki é fascinado pela arte da pintura desde que era criança. Aos 15 anos, começou a aprender pintura com quem foi seu primeiro e único professor, Morteza Kautozian, até então o maior pintor realista do Irã.

IMAN MALEKI - Composing-music-secretly

Enquanto estuda, começou a pintar profissionalmente. Em 1999, graduou-se em desenho gráfico pela Universidade de Arte de Teerã. Desde 1998 tem participado de várias exposições. Em 2000, se casou e no ano seguinte criou o ARA Painting Studio e começou a ensinar pintura, considerando os valores clássicos e tradicionais.

IMAN MALEKI - Memory-of-that-house

As mais importantes mostras de que Iman Maleki participou foram: The Exhibition of Realist Painters of Iran, no Tehran Contemporary Museum of Art (1999) e The Group Exhibition of KARA Studio Painters at SABZ Gallery (1998) e SA’AD ABAD Palace (2003).

Em 2005, recebeu os prêmios William Bouguereau Award e Chairman’s Choice Award no Segundo International ARC Salon Competition.

Exéquias midiáticas – por cleto de assis / curitiba

CLETO DE ASSIS - EXÉQUIAS Michael_Jackson

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No dia 07 de julho de 2009, o mundo inteiro, enlaçado pela TV e pela Internet, viu um espetáculo meticulosamente produzido, dentro da tecnológica mise-en-scène de Hollywood, precisamente na terra do cinema, Los Angeles.

Compreendo: a indústria do entretenimento, ao transformar cantores e jogadores de futebol em semideuses, cativa milhões de mentes que também buscam, por meio de seus ídolos, alcançar extática plenitude, embora uma felicidade engastada em fantasias. Mas não pude deixar de sentir como somos nutridos por sentimentos paradoxais.

Ao mesmo tempo em que perdemos dias a velar e a chorar um distante personagem sabidamente produzido pela fábrica de ilusões – e que já foi causticamente imolado por erros e desencontros, em passado recente, pela mesma mídia que agora o coloca em altar mais alto do que os dos santos – conseguimos não perceber o desafortunado que passa por nosso lado e esquecer rapidamente a criança que morre de fome ou frio, a mãe que mingua por não ter como socorrer seus filhos.

Hoje uma família (os Jackson’s Five, que já devem ser Jackson’s Ten, Twenty or more) fez o seu espetáculo lacrimejante e, muito possivelmente, douradamente tilintante, capaz de fazê-los gastar 25 mil dólares em uma urna mortuária banhada a ouro. Hoje Stevie Wonder, um dos amigos do menor dos Jackson que cantaram em sua homenagem, disse singelamente que Deus precisou de Michael antes de findar seu tempo de permanência na Terra. E todos choraram e aplaudiram. Mas também hoje a mesma CNN, que transmitiu segundo por segundo as cenas do fantástico funeral,  noticiou que os Taliban, lá no Paquistão, estão comprando crianças para treiná-las em ataques suicidas. Quantos de nós protestamos e choramos por isso? Que deus está chamando prematuramente as crianças paquistanesas?

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C. de A.

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Desculpem-me os fãs de Michael Jackson, mas tive que recorrer à poesia para fazer meu contrachoro.

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Memorial a Peter Pan

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Aprendi a rezar pequenininho, ajoelhado ao pé da cama.
“Santo anjo do senhor, meu zeloso guardador…”
Aprendi sem saber o que era zeloso
e nem piedade divina.

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Depois conheci outras orações

as decoradas e ditas sem sentimentos

improvisadas e cheias de sensações
rezas medicinais de curandeiras
preces de urgência socorrista
súplicas de desespero de última hora
ladainhas repetitivas e sem sentido
apressadas jaculatórias
ladários corta-tempestades
litanias por amores perdidos
padre-nossos e ave-marias de carpideiras incontritas
reza braba e despachos de encruzilhada.

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Desaprendi a rezar depois de pequenininho.

Aprendi a buscar dentro de mim
na vida e na viva deusa Gaia
energias mais próximas,
nem por isso distantes da energia cósmica,
nem por isso menos miraculosas, menos reconfortantes.

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Mas não conhecia ainda a oração que hoje,
pasmo ser vivente do terceiro milênio,
testemunhei no mega-espetáculo, no mega-funeral,
na mega-encomenda fúnebre sacramentada por hinos profanos,
na produzida despedida do Peter Pan midiático
saído prematuramente da terra do agora
em busca de uma sonhada terra do nunca.

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No adeus televisivo, vinte mil curiosos
inauguradores dos funerais com bilhetes e lugares marcados
representantes de milhões de órfãos e viúvas
do cantor bailarino de mil faces e de uma só e terrível solidão.

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Ao ver, em cores e ao vivo,
diretamente da cidade dos anjos
as exéquias do agora outro arcanjo Miguel,
son of Jack, o predador,
pensei no esquecimento constante imposto por seus milhões de órfãos e viúvas
a milhares de mães e filhos anônimos
que ontem, hoje e manhã
sofreram e penarão a dor e a solidão da morte,
sem ter ao menos uma pequena criança a rezar por eles
para pedir a um anjo menos holiudiano
que os reja, os guarde, os governe, os ilumine,
amém.

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Cleto de Assis

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Foto: CNN

RENATA ANTUNES comenta em ASSÉDIO MORAL NA ESCOLA de josé dagostim

Comentário:

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Boa tarde!
Sou professora de filosofia do segundo segmento do ensino fundamental e ensino médio.
Estava passando um filme, inclusive sobre menores infratores (JUÍZO), quando um aluno que estava atrapalhando todo o grupo com conversa se negava a fazer silêncio.
Após meus pedidos insistentes para ele ficar quieto, não obtive sucesso e acabei falando mais forte para que ele “calasse a boca”. Ele me respondeu que nem o pai o mandava calar a boca. Eu respondi que isso era uma pena, mas não o estava xingando nem desrespeitando, apenas queria silêncio e não havia sido atendida, mas que ele deveria, naquele momento, se calar.
Isso gerou polêmica entre meus colegas que acreditam que um professor, principalmente de rede particular, não pode “mandar”calar a boca.
Isso pode ser considerado assédio moral por esse aluno????
E toda a falta de respeito que sofremos por parte deles?? Realizo um trabalho com muita dedicação nesta mesma escola há 21anos e hoje tenho me feito várias perguntas a esse respeito. Que escola enfrentamos hoje?
Espero que me ajudem….
Obrigada
Renata Antunes

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