Arquivos Diários: 26 julho, 2009

FATO ALARMANTE por hamilton alves (extra) / florianópolis

A sra. Otília da Silva Godinho, uma pessoa pobre, que conheço há muito tempo, avó de um afilhado meu, Giovani, e prima de uma pessoa que mantém longa relação de irmã natural, resultante de mais de 40 anos de convívio diuturno, que, por isso mesmo, está incorporada a minha família, veio a falecer hoje no Hospital Florianópolis, do Estreito, depois de ter sido ali internada, desde há aproximadamente duas semanas, acometida de enfarte. Aguardava vaga no Hospital Regional, de São José, para efetuar um tratamento de seu grave problema de saúde, devendo ali submeter-se a um cateterismo ou a outro procedimento semelhante.

A principio, da. Otília foi acolhida numa maca e assim ficou alguns dias no corredor do Hospital até que lhe fosse conseguido um quarto, onde se acomodasse melhor. O problema é que no Hospital Regional não havia vaga na UTI para onde ela deveria ser tratada após o ato cirúrgico.

Os dias se passaram. Não houve em aproximadamente quinze dias que ficou a espera dessa vaga para poder tratar adequadamente de seu problema cardíaco condições de lhe dispensar o devido tratamento médico. Ficou, praticamente, submetida a soro, sem alimentação adequada, pobre que era e carente que é o Hospital Florianópolis de recursos quanto à mantença de clientes do SUS (ou pobres) ou que dependem da assistência estatal.

Nenhuma atenção com o caso de da. Otília. Nenhum interesse maior pelo seu problema de saúde.

Por que é carente o Hospital Florianópolis de recursos? Por que há falta de leitos hospitalares na rede hospitalar a pessoas pobres? Por que uma pessoa atacada de um problema grave de saúde depende de vaga na UTI de um hospital? Por que a vida de uma pessoa tem que ficar à mercê dessas deficiências?

A quem cabe responder a essas perguntas?

Ao governo do Estado, que permitiu que em espaço nobre da cidade fosse erguida a Igreja do Edir Macedo, onde poderia ser construído um hospital?

Ou que simplesmente não providencia o melhor atendimento médico à população carente, com a construção de melhores e mais bem aparelhados hospitais, onde não falte vaga para receber doentes em regime de urgência em UTI,s ou em quartos em que possam ter o melhor atendimento? Ou ao governo municipal? Ou ao governo federal? Ou ninguém é responsável por essas mazelas?

Que interesse revela o poder público, seja municipal, estadual ou federal em prol da saúde ou do bem estar do povo?

Na visão da classe dirigente, esses governecos que estão aí só usufruindo das benesses do poder, dane-se o povo.

Morreu, hoje, da. Otília da Silva Godinho por falta absoluta de melhor atendimento e assistência hospitalar. Outros estão na mesma situação para morrer por falta de tais recursos assistenciais.

Até quando o povo ficará à mercê dessa irresponsabilidade do poder público no enfrentamento desse gravíssimo problema médico-assistencial?

MANHÃ SEGUINTE de joanna andrade / curitiba

Palavras arquivadas na memoria

Fugazes Faces Flashes

Um momento sem dono

A cada piscar de olhos um blackout

Um tiro Uma facada

Um  Coração Assassinado

Um vale de lagrimas caramelizadas no peito

Uma saudade Um adeus Um comfronto

Uma escapatoria Uma falta

Aleatoria Alegria Algoz

Um sorriso que mata

Em seu sinonimo social

Palavras modelos em perfis anorexicos

Cheios de pose cheios de posse

Gordas atras de suas grades

Finas nos chás da tarde

Intelectuais às 9 da noite

Voluptuosas na madrugada

Ensalivadas em bocas lacradas com o proprio orvalho na manha seguinte

Decoram o ceu das bocas

Ensimesmadas.

H1N1, PANDEMIA DE LUCRO – editoria

Que interesses econômicos se movem por detrás da gripe porcina???
No mundo, a cada ano morrem milhões de pessoas vitimas da Malária que se
podia prevenir com um simples mosquiteiro.
Os noticiários, disto nada falam!

No mundo, por ano morrem 2 milhões de crianças com diarréia que se poderia
evitar com um simples soro que custa 25 centavos.
Os noticiários disto nada falam!

Sarampo, pneumonia e enfermidades evitáveis com vacinas baratas, provocam a
morte de 10 milhões de pessoas a cada ano.
Os noticiários disto nada falam!

Mas há cerca de 10 anos, quando apareceu a famosa gripe das aves…
…os noticiários mundiais inundaram-se de noticias…

Uma epidemia, a mais perigosa de todas…Uma Pandemia!
Só se falava da terrífica enfermidade das aves.

Não obstante, a gripe das aves apenas causou a morte de 250 pessoas, em 10anos…25 mortos por ano.
A gripe comum, mata por ano meio milhão de pessoas no mundo. Meio milhão contra 25.
Um momento, um momento. Então, porque se armou tanto escândalo com a gripe das aves?

Porque atrás desses frangos havia um “galo”, um galo de crista grande.

A farmacêutica transnacional Roche com o seu famoso Tamiflú  vendeu milhões de doses aos países asiáticos.
Ainda que o Tamiflú seja de duvidosa eficácia, o governo britânico comprou 14 milhões de doses para prevenir a sua população.

Com a gripe das aves, a Roche e a Relenza, as duas maiores empresas farmacêuticas que vendem os antivirais, obtiveram milhões de dólares de lucro.

-Antes com os frangos e agora com os porcos.

-Sim, agora começou a psicose da gripe porcina. E todos os noticiários do mundo só falam disso…
-Já não se fala da crise econômica nem dos torturados em Guantánamo…Só a gripe porcina, a gripe dos porcos…

-E  eu me pergunto: se atrás dos frangos havia um “galo”, atrás dos porcos… não haverá um “grande porco”?

A empresa norte-americana Gilead Sciences tem a patente do Tamiflú. O principal acionista desta empresa é nada menos que um personagem sinistro, Donald Rumsfeld, secretario da defesa de George Bush, artífice da guerra contra Iraque…

Os acionista das farmacêuticas Roche e Relenza estão esfregando as mãos, estão felizes pelas suas vendas novamente milionárias com o duvidoso Tamiflú.

A verdadeira pandemia é de lucro, os enormes lucros destes mercenários da saúde.

Não nego as necessárias medidas de precaução que estão sendo tomadas pelos países. Mas, se a gripe porcina é uma pandemia tão terrível como anunciam os meios de comunicação.

Se a  Organização Mundial de Saúde se preocupa tanto com esta enfermidade, porque não a declara como um problema de saúde pública mundial e autoriza o fabrico de medicamentos genéricos para combatê-la?

Prescindir das patentes da Roche e Relenza e distribuir medicamentos genéricos a todos os países, especialmente aos pobres, essa seria a melhor solução.

CHATOS por hamilton alves / florianópolis

Alguém já tentou definir o que é um chato? Creio que seja um animal de difícil definição porque é tão múltiplo, tão variado em sua espécie, que se torna problemático achar um termo ou um conceito que o enquadre naquilo que é ou significa. Joyce certa vez disse que nunca encontrou um chato pela frente. Era um gênio e todo o sujeito que o é tem uma forma de enfrentar um chato. Ou fenômeno equivalente. Joyce, provavelmente, via, no chato, um motivo de análise ou de incorporá-lo ao anedótico da vida. E, por esse ângulo, o chato era uma riqueza. Ou um objeto digno de atenção. Também adorava cidades sujas, como se diz que Paris seja. Uma ocasião uma senhora, em Trieste ou outra cidade, lhe lembrou que Paris era muito suja. Joyce, com sua proverbial complacência com tudo neste mundo, lhe respondeu: “dirty is marvellous!”. Era um louco e, para loucos, a ordem estabelecida é o caos. Ou próximo disso.

Quanto a mim, tenho uma paciência (ou a revelo, pelo menos) com chatos sem limites.

Assim, sou capaz de entreter conversa com chatos por tempo sem fim, como me tem ocorrido sempre.

A última (ou uma das últimas) em que me deparei com um chato, narrou-me uma história que não fazia nexo, que mudava de tom e de tema de minuto a minuto. Mas como eu estava ligado em outros aspectos da figura dele, cor dos olhos, a forma dos dentes, o movimento das orelhas quando falava, a calvície que se apresentava nele já em estado de grande progresso, a cor do rosto, que se transmudava de pálido para róseo, dependendo do caráter de sua história, um cacoete de mexer com o nariz curioso, me entretinha com isso enquanto desenrolava sua narrativa mirabolante.

Até que me vi livre dele por um desses estratagemas que costumo usar em momentos assim. Disse-lhe que naquele momento tinha que comparecer à consulta de um dentista, estava com problema num dente meio sério – aí ele afavelmente me estendeu a mão, mas ainda me pediu um instante para concluir o derradeiro episódio de sua desarticulada história, toda cheia de instantes épicos.

Até que se aproximou outro chato e disse:

– Esse seu amigo não pinduca bem, não é?

Dei-lhe um sorriso em resposta, que entendesse como bem quisesse.

A minha admiração é que entretenho papo com chatos, mesmo quando seja o caso que os fatos que aborda não formem sentido. Entro na conversa do modo mais inesperado e surpreendente para ele, certamente, e para mim.  De repente, vejo-me como um maluco falando a outro maluco – e tudo acaba, em geral, para mim, num desfrute de bom humor, que produz o efeito psicológico de me tornar leve como um passarinho. Entenda-se tudo isso. Joyce e eu temos algo em comum – a tolerância com chatos.

TODO O PODER AOS BARNABÉS por alceu sperança / cascavel.pr

Os municípios brasileiros vivem dias muito difíceis. Os vereadores se desdobram para mostrar serviço e não têm como: nada que eles façam tem qualquer influência do que realmente importa para as pessoas – salário, renda, estrutura de saúde, domínio ideológico das grandes corporações mundiais sobre cada centímetro do planeta.

Em Cascavel, eles decidiram mostrar que fazem mais do que discutir sexo dos anjos e quadratura do círculo, passando a se exibir nos bairros para ver se a popularidade aumenta. O prefeito só enrola, pois o orçamento é um terror e as necessidades são imensas. Nem se arrisca a processar malfeitores, pois se estes vencerem na Justiça o Município tem que pagar custas judiciais proibitivas.

Há precatórios simplesmente criminosos, impagáveis, mas a espada de Dâmocles está sempre sobre o prefeito: intervenção, sequestro da arrecadação de impostos, quebradeira da estrutura de saúde, professor sem salário…

De resto, um dos truísmos mais cultivados por aqui desde a ditadura é que um prefeito só traz “benefícios” para a cidade se estiver de quatro debaixo de um presidente ou governador. Se for contra o estado ou o governador, não traz nada. Se é a favor, não passa de capacho e pau-mandado.

Por que os municípios vivem essa tamanha sensação de que tudo está errado? Por que houve a redução do número de vereadores? Não, porque quando havia mais vereadores a situação crítica era a mesma e o prefeito precisava “mensalizar” mais gente para aprovar projetos e ter à disposição o tal “cheque em branco” – margem de manobra imoral para dispor do dinheiro público sem o controle dos representantes do povo.

A crise se deve à imprensa, que não elogia os esforços hercúleos do prefeito para pôr a casa em ordem? Não, porque o velho Joseph Pulitzer (1847–1911), na mais magistral aula de jornalismo de todos os tempos, deu o tom: “Nossa missão é confortar os aflitos e afligir os confortados”. Puxador de saco na imprensa (“um abraço para o deputado Fulano”) é criatura desprezível. Desligue ou rasgue.

Todas as forças políticas ideológicas tradicionais, com exceção apenas dos comunistas (que jamais concorreriam à Prefeitura), já tiveram a chance de administrar municípios brasileiros e quebraram a cara neste período pós-ditadura. Estranhamente, os mesmos fracassados continuam vencendo eleições. Quer dizer, estranhamente para quem não sabe como as salsichas são feitas e como ocorre o financiamento das candidaturas…

A causa local da crise é que no geral não houve nenhuma reforma administrativa real nas Prefeituras. Mudam nomes de prefeitos e secretários, mas o organograma básico é o mesmo. Os cofres são raspados até o centavo, o povo não percebe melhorias e só vê a violência aumentar. O nepotismo, o loteamento de cargos, a troca de favores e o tráfico de influência estão na base de todos os quiproquós verificados há décadas.

Só proibir a nomeação de parentes seria um passo ainda muito tímido, pois pode ser contornado nomeando parentes dos cupinchas. Falta-nos uma reforma administrativa revolucionária, eliminando logo de cara todos os cargos de confiança, a não ser três ou quatro para ouvidoria, controladoria, auditoria, algo assim.

A fortuna economizada iria tapar um pouco o buraco da saúde e reforçar a Educação em Tempo Integral. É preciso extinguir todas as secretarias e seus salários milionários. É a hora de privilegiar exclusivamente os funcionários de carreira nas tarefas administrativas.

Todo poder aos barnabés! No lugar de secretários pagos a peso de ouro, governar só com a Câmara, já bem paga, e os conselhos populares. Os mamadores, que perderão a teta já quase seca da vaca-povo, vão odiar. Que odeiem. Vamos deixar esses homens trabalhar, mas na iniciativa privada.

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES por juca (josé zokner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

Deu na mídia: “Papa pede que fiéis com problemas econômicos tenham fé”. Data vênia, como diram nossos juristas, masRumorejando acha que ao invés de pedir aos fiéis que tenham fé, seria melhor que o Sumo Pontífice pedisse uma moratória, em nome dos fiéis aos seus respectivos credores.

Constatação II

Data vênia, etc., mas Rumorejando acha que no Senado da República não havia Diretor-Geral, mas sim Ditador-Geral e que, depois, foi alçado à condição de Secretário Geral para Assuntos Secretos…

Constatação III

E como se sentia desorientado aquele ex-ativista: “A gente pode se desencantar com a Esquerda, mas não dá para se encantar com a Direita. Ficar no Centro é filhadapu…ce.

Constatação IV (Pseudo-fanatismo, com tendências a corno).

Chegou

Resfolegante

No doce lar.

-“Está apurado?”

Perguntou,

Rindo à-toa,

Maldosamente,

A patroa.

Coitado!

-“Não é isso”,

Contestou

De modo elegante.

-“É que o meu Paraná,

Talvez

Graças a um Orixá,

Passou,

Milagrosamente,

A ganhar,

Mais de uma vez.

E ele vai agora jogar

Contra o Guaratinguetá

Ou o Fortaleza,

Ou o Ceará.

Sei lá!

-“Que beleza!”

-“Que torcedor

Você me saiu!”

E que amante!

Você nem viu,

Nem reparou

Que eu estou

Nua, perfumada,

Almejante,

Enfim,

Preparada,

Querendo,

Pretendendo

Fazer amor?

Coitada,

De mim!”

Constatação V (E já que falamos no assunto).

Surgiu um zunzum,

Um vavavá*

Que o meu Paraná

Ganhou outra porfia,

Mesmo com apatia,

Ou foi o contrário:

Perdeu de menos um

Adversário?

*Vavavá 1. barulho de vozes; algazarra, gritaria

2. agitação, alvoroço, tumulto. (Houaiss).

Constatação VI

Deu na mídia: “FGV: renda maior não alavanca qualidade de vida no Nordeste. O estudo apresenta amplo diagnóstico das mazelas e conquistas socioeconômicas dos nove Estados nordestinos, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe, entre os anos de 2001 e 2007”. Piauí e Maranhão foram os que apresentaram piores índices de desenvolvimento. Ainda a mídia, coincidentemente ou não, apresentou a seguinte informação: ‘Não sei por que esse bombardeio’, diz o senador Paulo Duque, novo presidente do Conselho de Ética, aliado do senador José Sarney, que tem a tarefa de investigar o presidente do Senado. Quem souber a razão do bombardeio, por favor, cartas diretamente e não através de Rumorejando, ao senador Paulo Duque…

Constatação VII

Madona e Jesus Luz não estão mais juntos, diz o jornal Daily Mail. Taí mais uma notícia de transcendental importância para o futuro da Humanidade!

Constatação VIII

Foi a formiga, montada no boi que disse para ele: “Veja quanto nós já puxamos o arado. Já vai dar para semear nesta área para o cultivo da próxima colheita. A cigarra nem se deu conta disso porque ela só fica cantando”.

Constatação IX

Este neto do senador José Sarney na gravação da conversa que teve com o pai, ao fazer troça de não aparecer para trabalhar, ganhando um salário de cerca de sete mil reais, revelou que tem o perfil das elites dirigentes, podendo, logo, logo exercer um cargo importante no nosso país.

Constatação X (De um pseudo-soneto, da série iniciada na semana passada: “Ah, o amor…”)

Você se despe na minha frente,

Fazendo surgir teus encantos

Eu fico com olhar nada inocente

E te cubro com beijos como se fossem mantos.

Teus arrepios ao beijar teu pescoço

Ao te abraçar fortemente por detrás

Você tenta se desvencilhar com alvoroço

E eu impeço que você seja capaz.

Você me sussurra “espere” e me pede calma,

Mas quem pode ficar calmo nessa hora

Com esse turbilhão todo que vai pela alma?

Diante da doce visão que me é dado a ver

A vazão do amor tem que ser já, já. Agora!

Depois? Ah, depois! Corre-se o risco de morrer.

Constatação XI

Com relação ao pseudo-soneto da constatação anterior, vale lembrar que a mídia noticiou: “governo vai comprar vacina contra gripe suína para 2010”. Será que não é muito temporão? Não se corre antes o risco de morrer? (Perdão, leitores).

Constatação XII

O sorriso da aeromoça

Era tão profissional.

E ela era tão insossa,

Tão amuada

Que parecia

Que nela não havia

Nem um pouco de sal.

Coitada!