Arquivos Diários: 28 julho, 2009

FUGA PICTÓRICA OPUS 2002 – 4 / de tonicato miranda – curitiba

para Régis Duprat

20 de Março de 2002

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pim, pim, pam, pingos pingam e re-pingam na lata

tam, tam, tam, tooommm, dedos pingam no piano

pim, pim, pam, o pingo regular não me arrebata

tam, tam, tum, toommm, pingos leves e soltos, atonais

quem escuta delicia-se, aplaude, assobia, pede mais

o gênio nos emociona com seu gorro de um azul ciano

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é um urso, um gorila, um orangotango, ou um Monk?

está claro, falo de Thelonious Monk e seus pianos

com seus dedos de martelo nos dá algo mais que ronque

nós dá a delícia da música pulsante e suas surpresas

comida virtual a nos encher os ouvidos e as mesas

thank you Thelonious, por sua música em todos estes anos

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Monk é primata e gênio, símio sem similar entre humanos

qualquer ambiente noturno ou de tarde querendo escurecer

onde haja num canto de sala, modestos e afinados pianos

debaixo de vasos e seus panos – é preciso parar e ouvir

tam, tam, tooommm, dedos respingam no nosso sorrir

a magia do Deus musical Thelonious, algo além do viver

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muita fumaça no ar, contraste de sons do piano e da caixa

tam, tam, tooommm, continua a viagem por Round Midnight

tempos atrás parávamos, por horas repetindo a mesma faixa

viajávamos de Istambul ao Hemisfério Sul, e ao gueto

numa rua de Nova York onde jamais estivemos, nem em libreto

nossa ópera era mesmo aqui, com Monk, sob a luz difusa da “light”.

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Monk nos deu a paciência no pulo dos acordes levemente feridos

a pausa das notas machucando a dor de amores platônicos – puro funk

pingando na alma, vagarosamente, como o vagar dos convencidos

tam, tam, tooommm, jazz. Sal Peanuts – Charlie Park ainda por aqui

como o buquê de flores musicais debaixo de um grande pé de pequi

árvore goiana habitante da minha juventude, irmã dos acordes de Monk.