Arquivos Diários: 30 julho, 2009

JB VIDAL INTERPRETA SEU POEMA “OFERTÓRIO-OLFATO” – VÍDEO

o poeta interpreta seu poema OFERTÓRIO-OLFATO na segunda noite do evento PRIMEIRA SEMANA DA POESIA PARANAENSE promovida pelo ESPAÇO CULTURAL ALBERTO MASSUDA na primavera de 2008. em Curitiba.

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DÊ UM CLIQUE NO CENTRO DO VÍDEO:

MENOS CIVITAS por sérgio da costa ramos / florianópolis

Será que a velha definição latina de cidade ainda está valendo? Civitas-civitatis. Reunião de cidadãos, nação, pátria, lugar onde se respeita o direito do cidadão. Aglomeração humana de certa importância, localizada em área geográfica circunscrita, com numerosas casas próximas entre si e destinadas à moradia, ou a atividades culturais, mercantis, industriais, financeiras e outras não relacionadas com a exploração direta do solo.

Hoje, a “cidade moderna” vai perdendo o seu significado institucional. Avança sobre todos os solos e tornou-se vítima de outras atividades sinistras, como o furto, o roubo, o assassinato.SERGIO DA COSTA RAMOS

Eça de Queiróz não gostava das cidades, como deixou claro no seu libelo contra essa “criação antinatural”, em Cidade e as Serras. Na comparação entre as selvas, a verde e a de pedra, o monóculo do escritor só tinha olhos para a primeira:

“Na natureza, nunca se descobriria um contorno feio ou repetido. Nunca duas folhas de hera se assemelharam na verdura ou no recorte. Na cidade, pelo contrário, todos repetem servilmente a mesma casa, todas as faces reproduzem a mesma indiferença ou a mesma inquietação.”

Dizem os pragmáticos que esse hábito de condenar as cidades e enaltecer a natureza é apenas “uma licença para a poesia”, uma chispa para o gênio criador do homem romântico. A cidade é a “realidade” – que a maioria das pessoas acha “um Inferno”, embora recuse o “Paraíso” do meio do mato.

As pontes de Floripa foram concebidas para um fluxo de 40 mil veículos/dia. Já recebem mais de 80 mil. Trata-se do próprio Inferno (Ro)Dante…

É o progresso, dizem. E o homem vai atrás, cada vez mais absorvido por esse mundo de gases, óleos, resinas e misturas químicas, que envenenam os poros, a alma, a mente.

Sempre que o ser humano aspirou pela paz de espírito procurou um jardim – pois se ressente de um, desde que foi expulso do Éden. Não por acaso os lugares de paz e meditação religiosas se assentam em jardins: o claustro dos mosteiros, os canteiros das casas muçulmanas, as fontes dos jardins hindus, símbolos do Paraíso.

Sempre que se deixou subjugar pela cidade, o homem perdeu o melhor dos seus dons – a capacidade de continuar humano, como lamentou Eça, contemplando as vinhas da Serra da Estrela:

“Os sentimentos mais genuinamente humanos se degeneram nas cidades. Nelas, os rostos humanos nunca se olham.”

Muitas vezes, não se olham para não testemunhar a violência. Transita pela internet uma denúncia preocupante. A de que Floripa, há muito, deixou de ser um jardim de paz. A cada grupo de 100 mil habitantes, nada menos do que 3.926 já teriam sofrido perda patrimonial por furto – números que, proporcionalmente, superariam os desumanos prontuários do Rio e de São Paulo.

Dou a Floripa o benefício da dúvida, recusando-me a aceitar para a Ilha o mesmo e cruel destino de cidades que lhe são irmãs em beleza natural, como o Rio de Janeiro.

Afinal, “Casa de Horrores” já basta o Senado, naquela cidade ao mesmo tempo medieval e futurista, chamada Brasília.

CHARLES BUKOWSKI, o escritor e poeta – editoria

Nasceu em Andernach, na Alemanha, a 16 de agosto de 1920, filho de um soldado americano e de uma jovem alemã. Aos três anos de idade, foi levado aos Estados Unidos pelos pais. Criou-se em meio à pobreza de Los Angeles, cidade onde morou por cinqüenta anos, escrevendo e embriagando-se. Publicou seu bukowskiprimeiro conto em 1944, aos 24 anos de idade. Só aos 35 anos é que começou a publicar poesias. Foi internado diversas vezes com crises de hemorragia e outras disfunções geradas pelo abuso do álcool e do cigarro. Durante a vida, ganhou certa notoriedade com contos publicados pelos jornais alternativos Open CityNola Express, mas precisou buscar outros meios de sustento: trabalhou 14 anos nos Correios. Casou, se separou e teve uma filha. É considerado o último escritor “maldito” da literatura norte-americana, uma espécie de autor beat honorário, embora nunca tenha se associado com outros representantes beat, como Jack Kerouac e Allen Ginsberg.

Sua literatura é de caráter extremamente autobiográfico, e nela abundam temas e personagens marginais, como prostitutas, sexo, alcoolismo, ressacas, corridas de cavalos, pessoas miseráveis e experiências escatoló gicas. De estilo extremamente livre e imediatista, na obra de Bukowski não transparecem demasiadas preocupações estruturais. Dotado de um senso de humor ferino, auto-irônico e cáustico, ele foi comparado a Henry Miller, Louis-Ferdinand Céline e Ernest Hemingway.

Ao longo de sua vida, publicou mais de 45 livros de poesia e prosa. São seis os seus romances: Cartas na rua (1971), Factótum (1975 ),  Mulheres (1978),  Misto-quente (1982), Hollywood (1989 ) e Pulp(1994).

Bukowski publicou em vida oito livros de contos e histórias: Ereções, ejaculações e exibicionismos (1972) – que no Brasil foi publicado em dois volumes, Crônica de um amor loucoFabulário geral do delírio cotidiano (L&PM POCKET, 2006) – , South of No North: Stories of Buried Life (1973), Tales of Ordinary Madness (1983), Hot Water Music (1983), Bring Me Your Love (1983), Numa fria (1983), There’s No Business (1984) e Septuagenarian Stew (1990).charles-bukowski

Seus livros de poesias são mais de trinta, entre os quais Flower, Fist and Bestial Wail (1960), You Get So Alone at Times that It Just Makes Sense (1996), sendo que a maioria permanece inédita no Brasil. Várias antologias, além de livros de poemas, cartas e histórias foram publicados postumamente, como O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio (L&PM Editores, 1998 / L&PM POCKET 2001), com ilustrações de Robert Crumb. Este livro é uma espécie de diário comentado dos últimos anos de vida do autor.

Bukowski morreu de pneumonia, decorrente de um tratamento de leucemia, na cidade de San Pedro, Califórnia, no dia 9 de março de 1994, aos 73 anos de idade, pouco depois de terminar Pulp.

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O CORAÇÃO QUE RI

A tua vida é a tua vida
Não a deixes ser dividida em submissão fria.
Está atento
Há outros caminhos,
Há uma luz algures.
Pode não ser muita luz mas
vence a escuridão.
Está atento.
Os deuses oferecer-te-ão hipóteses.
Conhece-las.
Agarra-las.
Não podes vencer a morte mas
podes vencer a morte em vida, às vezes.
E quanto mais o aprendes a fazê-lo,
mais luz haverá.
A tua vida é a tua vida.
Memoriza-o enquanto a tens.
És magnífico.
Os deuses esperam por se deliciarem
em ti.


Charles Bukowski
(Tradução de Tiago Nené)

PATIFES ILUSTRES “AGAIN” por walmor marcellino

Os “patifes ilustres” continuam construindo o seu Estado brasileiro. Agora chegou a vez de um imbecil fazer dos arquivos “mortos” de crianças e adolescentes um agravante de criminalidade; com o aplauso da associação dos idiotas da aristocracia judiciária. De vez em quando, em vez de atacar especialmente a corrupção no seio do Legislativo, do Judiciário e do Executivo, um bilontra faz um projeto de lei para aumentar seus privilégios e elevar a repressão sobre as classes sociais subalternas, acusando-as de lamentáveis matrizes do crime. Não explicitamente o crime institucionalizado, de que é parte, o que é o mais grave no país, mas sim os crimes das classes sociais modeladas pelo poder de classe.

É tal nossa indigência político-cultural que às escâncaras qualquer patife da “justiça” usa sua “formação cultural-social” e seu “consenso aristocrático” para coitar-se e coabitar com essa “lei geral” — que em si é a civilização dos privilégios em nome da ordenação social. Paradoxalmente, alguém então estranhará que grileiros-assassinos na Amazônia sejam sócios de governadores, prefeitos, senadores e deputados e protegidos pelo Poder Judiciário? Confraria do seja grileiro e/ou político.

E assim não é de espantar que o patife ilustre-governador do Rio de Janeiro ande matando meia dúzia de cidadãos da periferia para cada acusação de que por ali existem bandidos armados; ou um juiz “ilustre” dê seu habeas corpus baseado em tecnicalidades jurídicas para um grileiro ou bandoleiro seu par social, como consócio no poder de classe e do projeto de civilidades…

“Crescei e multiplicai-vos” – diz um brocardo da mitologia religiosa. E então os meritocratas decidiram que à doença do bacharelismo somariam o equus-eqüi-burocratismo como “agente especial” na democratização de classe e sociedade, com foro tão mais elevado quanto a diplomacia conquistada. Esse funcionário nobiliárquico pode até fazer greve.

E toda essa patifaria política imitiu-se no poder — até por desavisada tradição na forma constitucional, de que lhes compete fazer e mandar cumprir suas leis, desde que esse “consenso” non sense lhes concede “a liberdade da esperteza”, com a unanimidade em seus iguais nos poderes Legislativo, Judiciário e Executivo. Vai daí que o Supremo não decide que é anticonstitucional a existência de foros privilegiados para altos bandidos, foros especiais para outros, prisão especial para as classes de “saber e formação”. E cana para “essa savandija”, essa malta malthusiana de espaços públicos e da produção direta, naturalmente.

A grande dúvida então aparece: essas classes de bosta estão no poder “que arduamente conquistaram” ou este é um país de bosta, cuja população se vai modelando pelo crediário e pelas vitualhas que caem ao chão durante o epulatio, nesse grande festim, fraternizando a horda com o patriciado.

SOBRE A POESIA, OS POETAS – editoria

  • “O poema não é feito dessas letras que eu espeto como pregos, mas do branco que fica no papel’

Paul Claudel

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  • “O poeta faz-se vendo através de um longo, imenso e sensato desregramento de todos os sentidos”

Arthur Rimbaud

  • “A poesia não voltará a ritmar a acção; ela passará a antecipar-se-lhe”

Arthur Rimbaud

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  • “Deus, que nos fizeste mortais, porque é que nos deste a sede de eternidade de que é feito o poeta?”

Luis Cernuda

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  • “A poesia não é nem pode ser lógica. A raiz da poesia assenta precisamente no absurdo”

José Hidalgo

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  • “Fazer poesia é confessar-se”

Friedrich Klopstock

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  • “A poesia numa obra é o que faz aparecer o invisível”

Nathalie Sarraute

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  • “Para mim, o importante em poesia é a qualidade da eternidade que um poema poderá deixar em quem o lê sem a ideia de tempo”

Juan Ramón Jiménez

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  • “A poesia é um nexo entre dois mistérios: o do poeta e o do leitor”

Dámaso Alonso