Arquivos Mensais: agosto \31\UTC 2009

VÍRUS H1NI (A) desenvolvido em laboratório /vídeo / usa

dê UM clique no centro do vídeo:

De aorcdo com uma peqsiusa / recebido da rede mundial

De aorcdo com uma peqsiusa


de uma uinrvesriddae ignlsea,
não ipomtra em qaul odrem as
Lteras de uma plravaa etãso,
a úncia csioa iprotmatne é que
a piremria e útmlia Lteras etejasm
no lgaur crteo. O rseto pdoe ser
uma bçguana ttaol, que vcoê
anida pdoe ler sem pobrlmea.
Itso é poqrue nós não lmeos
cdaa Ltera isladoa, mas a plravaa
cmoo um tdoo.

Sohw de bloa.

.

Fixe seus olhos no texto abaixo e deixe que a sua  mente leia corretamente o que está escrito.

35T3 P3QU3N0 T3XTO 53RV3 4P3N45 P4R4 M05TR4R COMO NO554 C4B3Ç4 CONS3GU3 F4Z3R CO1545 1MPR3551ON4ANT35! R3P4R3 N155O! NO COM3ÇO 35T4V4 M310 COMPL1C4DO, M45 N3ST4 L1NH4 SU4 M3NT3 V41 D3C1FR4NDO O CÓD1GO QU453 4UTOM4T1C4M3NT3, S3M PR3C1S4R P3N54R MU1TO, C3RTO? POD3 F1C4R B3M ORGULHO5O D155O! SU4 C4P4C1D4D3 M3R3C3!

P4R4BÉN5!

PIERRE LÉVY cria língua universal para WEB / frança

Filósofo cria língua universal para web e prevê nova revolução do conhecimento

Para Pierre Lévy, web semântica vai transformar maneira de fazer ciência.
Em breve, aposta francês, computadores saberão como ‘traduzir’ conceitos.



A internet permitiu que, pela primeira vez na história, se tornasse possível manter um arquivo universal do conhecimento e da produção cultural de nossa espécie. Mas para o filósofo francês Pierre Lévy, esse poder já começa a mostrar limitações, e é hora de promover uma “recauchutagem” na estrutura da rede.
Mas para transformar a web em uma máquina capaz de identificar a verdadeira inteligência coletiva, no entanto, Lévy prevê dois grandes desafios: a ausência de profissionais habilitados para trabalharem na organização das informações, e a necessidade da adoção de um padrão para a chamada “web semântica” – que permitirá que todo o conhecimento seja coordenado automaticamente por conceitos, e não mais simplesmente pelos links entre documentos.

A evolução proposta por Lévy – dono de uma bibliografia extensa sobre cibercultura e sobre a relação entre o virtual e o real – passa pela criação de regras para a organização das informações. Para isso, o filósofo desenvolveu uma linguagem universal capaz de compreender as ideias expressas em qualquer idioma e que, ao mesmo tempo, pode ser processada por computadores.

“Isso significaria o fim da fragmentação da informação, atualmente dividida por conta de barreiras de linguagem e escolhas diversas de sistemas de organização”, afirma Lévy, em entrevista ao G1. O projeto coordenado pelo francês é desenvolvido por um grupo de pesquisadores na Universidade de Ottawa, no Canadá.

A IEML (sigla em inglês para “metalinguagem da economia da informação”) é completamente artificial, e segue, nas palavras de Lévy, “regras bastante estritas”. Conceitos universais são codificados utilizando sequências de seis símbolos com significados primitivos: o código *E:**, por exemplo, significa “vazio”. Os símbolos são organizados em grupos de três, e cada “camada” de informação reúne três grupos anteriores. Termos utilizados constantemente ganham abreviações, o que facilita a criação de frases.

“Você está lendo um documento e identifica que ele trata sobre os conceitos ‘x’, ‘y’ e ‘z’. O computador será capaz de identificar que este documento está ligado a outros, e ajudará a filtrar, navegar e expandir seu acesso a conhecimentos correlatos”, afirma Lévy.

Ciências como psicologia, economia e sociologia seriam as maiores beneficiadas com a adoção deste código universal. Lévy acredita que as ciências humanas viverão, na próxima geração, uma revolução semelhante à que impulsionou os estudos naturais com a invenção da prensa rotativa por Johannes Gutenberg, no século XV.

“Hoje em dia, todos os dados sobre o comportamento humano podem ser reunidos no ciberespaço, o único problema é que ainda não temos a capacidade de explorar essas informações”, explica o francês. “Se alguém escreve um blog em chinês, eu não consigo ler, você não consegue ler e os programas de tradução automática, como do Google, não são muito bons. Portanto, não há comunicação”.

Mas há barreiras – reconhecidas pelo próprio criador – para transformar esse “Esperanto eletrônico” em realidade. Há outros projetos que pretendem ocupar essa “quarta camada” da internet (ver infográfico abaixo), alguns deles inclusive apoiados pelo próprio inventor da web, o engenheiro britânico Tim Berners-Lee. “Talvez não seja a língua que eu criei que será a base dessa revolução científica, mas haverá (na web do futuro) algo nesses moldes”, diz Lévy.

mapa da netinfonet

Leopoldo Godoy – g1- São Paulo

POEMA I de mario benedetti / montevidéo.ur

A mais lindafoto de miguel afonso.

às vezes sou

manancial entre pedras

e outras vezes uma árvore

com as últimas folhas

mas hoje me sinto apenas

como lagoa insone

como um porto

já sem embarcações

uma lagoa verde

imóvel e paciente

conformada com suas algas

seus musgos e seus peixes

sereno em minha confiança

acreditando que em uma tarde

te aproximes e te olhes

te olhes ao lhar-me.

JOANNA ANDRADE e poesia I / curitiba

Quando os minutos demoram a passar a gente vive a eternidade

Ao contrario morremos a cada instante na felicidade etérea

O sofrimento e seu espelho experiência

O riso e seu efeito coringa

A vida de cabeça para baixo

Um morcego para cada jugular

UTÓPICA INTUIÇÃO (v) de joão batista do lago / são luis.ma

Rasgo meu coração atormentado

Viscerado pelas madrugadas indormidas

Cálido dos calores humanos

Destruídos pelos hinos das insônias

Soçobradas dos cansaços vomitados pelas almas

.

Hoje à noite quero o sono mais profundo

Adormecer no colo da utopia que me segreda

Como a criança ‘inda não nascida

Como a esperança ‘inda que desesperada

De todas as vidas desaparecidas nos campos de guerras

.

Hoje à noite quero a eternidade de todas minhas paixões

Quedá-la no meu peito com profundidade

Qual punhal (!)

Estraçalhando meu coração em mil paixões

E desta visceral volúpia arrancar-me de dentro como antihumano

.

Quero, enfim, nesta noite sacrossanta

Batizar-me de todos meus desejos

Tomar o corpo da minha amada, minha Temis!

E deitá-lo no mais profundo dos meus gozos

E sabê-lo eterno no tempo da eternidade que me restara

ONDE ARTISTAS MORREM por hamilton alves / florianópolis

Não sei se acontece com todo mundo, mas comigo dá-se esse interesse por saber ou ter curiosidade por lugares (hotéis, cidades, ruas) onde grandes artistas morreram ou foram sepultados. Ou deixaram um registro qualquer. Ainda que não sejam os artistas escritores propriamente ditos, mas seus personagens.

Há pouco, soube, lendo um conto de Hemingway, que Verlaine morreu num hotel modesto perto da rue Mouffetard, uma rua sempre atravancada como conta Hemingway. Mais recentemente, lendo uma crônica de Rubem Braga, ao acaso, para fazer outro tipo de consulta (saber se em alguma crônica teve a infelicidade de usar a palavra “todavia” – (discuti com um amigo sobre a questão de que essa palavra não soa bem numa crônica; em outro qualquer lugar, sim, poderá ser muito própria, por exemplo, num ofício de um excelentíssimo senhor para um outro excelentíssimo senhor) – lendo uma crônica do Braga, li que Proust morreu na rua Hamelin, próximo de onde morou quando passou curta temporada em Paris.

Sei que Odete de Crécy, personagem de “Em busca do tempo perdido”, de Proust, morou numa rua atrás do Arco do Triunfo, na rue La Pérouse (com um restaurante com esse mesmo nome). Um dia irei lá, nem que seja na forma de espectro.

Sei que Joyce foi sepultado no cemitério Fluntern, em Zurique, Suíça.

Tenho esses dados espalhados (ou anotados) em livros.

Kafka foi enterrado, em Praga, sua cidade natal.  Augusto Frederico Schmidt, o poeta, com quem, em certa época, andei trocando algumas cartas, esteve lá para conhecer esse local. Procurou colher informação com um e outro. Nada ficou  sabendo. O mesmo acontecera com Carpeaux, que foi numa clínica onde Kafka se tratara de sua doença, que o matou. Só conheceu a clínica e o filho do médico que deve ter cuidado do escritor, mas nada mais além do local em que estivera cuidando de sua saúde, que descreve como sendo muito discreto. Até pode observar por uma janela envidraçada uma sala onde provavelmente estivera Kafka sob tratamento. Ou o quarto onde se hospedara.

Há curiosidade em torno dessas coisas, que, afinal, marcam a história de um artista, que há pessoas que têm interesse de saber.

Se for um dia a Paris, procurarei conhecer o hotel modesto, no dizer de Hemingway, em que morreu Verlaine ou a rua, na informação de Rubem Braga, em que morreu Proust.

Ou ainda, em Praga ou em Zurique, conhecer os locais onde estão sepultados Kafka e Joyce.

E nos respectivos túmulos depositar uma flor.

CONCHAS por omar de la roca / são paulo

Colei as mãos aos ouvidos como conchas.Como conchas que contam estórias e que as vezes prendemos em nossas orelhas.Conchas que contem água mas não a bebemos.Talvez por ser estranha ,salgada e não querermos.Coloquei as mãos a cintura,como quem espera.Como mãos que esperam a concha vir a elas,resvalando pela onda.Mas a concha cala e seca.Pus meus pés no chão,que no ar estavam.Como pinheiros altos querendo possuir o céu.No chão molhado escorrego,mas não caio .Me segurando nas franjas do papel.Pus minha mente nas estrelas.Que nublada estava a visão do chão.Me veio a sempre névoa rosada e me embalou,me toldando de novo a visão.Serei como um carvalho teimoso,que insiste em crescer na ribanceira?Ou oliveira a produzir frutos amargos? Que trago a curtir em mim para melhorar o gosto e servi-los ?Como conchas moídas a distribuir fortalezas,hidratadas,concisas,continuas certezas ?Pus meus olhos no horizonte.Como alguém que espera,que alguém pelo caminho venha.Que venha e tenha certeza do que quer e que seja eu o que quer,o que deseja.Para que eu então,finalmente seja.Como a luz que ilumina o caminho escuro.E que por ele também segue tateando.Como o fogo que aquece e consome,mas ao mesmo tempo se acaricia e estrebucha e morre.Como a água que a tudo leva e tudo lava.E tudo limpa e permanece limpa.Como a lava que tudo derrete.Como a frágil folha que tremula e cai.Como o galho fino que o vento quebra.Como quebra a onda nas pedras que a lava funde.E confunde o vento que muda de direção.E foge,foge para longe.Para outras terras que penteará sem dó.Levantando as asas dos pássaros.Ou como o fundo triste de pedras de algum riacho. Que se lava e se lava e continua sujo. Mas limpo,que apenas aos seus olhos esta poluído.E segue mexendo uma pedra aqui,outra ali,outra oscilando. Na água que tudo vê e que corre zombando.Correndo sem saber pra onde,pro mar pro oceano pra longe na certa.Se fundindo no sal,ao sol que a areia aperta.E a areia escolhe seus grãos,e a eles presenteia,com outro grão de sol,que colhe alheia.E os peixes prateados que voam lá no fundo lambiscando molusco,pólem  e planta,seguem firmes pensando,que triste esse mundo e,solitário ,pobre de quem canta.E as conchas gritam que não só feitas de branco não são só feitas de nada.E reclamam furiosas,quem irá sozinho percorrer o caminho?Eu que era prosa sem graça e agora penso em rimas, falsas, corretas,perfeitas quase cristalinas.E me empenho em ajeitar o injusto,ainda me espanto,me surpreendo com o susto.Que levo ao abrir o e mail.E encontrar a mensagem que não esperava,mas esperava.Por que sabia que não viria mas ansiava que viesse e veio. Entrando em minhas veias dilatando tudo, latejando feio. E quieto, cedo, agradecendo tudo e nada. Como poderia ser de outra forma , meu caminhar nesta estrada?

Rumorejando (Com a vitória de Rubinho Barrichello vibrando. Só por ele. Tal esporte continuo não apreciando. Esporte?) por juca (josé zokner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

O livro do meu grande amigo Valdir Izidoro Silveira, Escritos de Resistência – Quatro Décadas de Reflexão é leitura obrigatória para quem quer tomar conhecimento de nossa história e da luta do escritor em defesa das injustiças sociais. Rumorejandorespeitosamente recomenda.JUCA - Jzockner pequenissima (1)

Constatação II (De uma dúvida crucial).

Se a fórmula química da água é H2O, a fórmula do fogo é 1/H2O (Um sobre H2O) ?

Constatação III (De outra dúvida crucial).

A Progressão Aritmética decrescente é parente da Ordem e Progresso que consta na nossa bandeira, como os positivistas apregoaram?

Constatação IV

E a Progressão Geométrica é comadre da euclideana, analítica e da espacial?

Constatação V

A Pílula de Vida do Dr. Ross morreu?

Constatação VI

O médico mandou

Ela fazer uma dieta,

Mas ela se revoltou.

Ao invés de obedecer

Desbragadamente passou

A comer

O triplo da meta

Recomendada.

Finou.

Coitada!

Constatação VII (Quadrinha para ser recitada pelas mamães).

Vai dormir menino sapeca

Amanhã tem que ir à escola

E no recreio jogar bola

Pra não ser um Juca, digo, Jeca.

Constatação VIII

Não se pode confundir açulou que o dicionário Houaiss dá como 1 incitar (cão) para que morda, ataque ou se porte agressivamente (contra).

transitivo direto e bitransitivo

2 Derivação: por extensão de sentido.

provocar em (alguém) irritação, agastamento (contra); enfurecer, exasperar

Ex.: <ruídos muito agudos o açulam> <a. a torcida contra o time adversário> com azulou, que o mesmo dicionário diz, dentre outros3 Regionalismo: Brasil. Uso: informal.

pôr-se em fuga, retirar-se em debandada; fugir, escapar, até porque se um cão, açulado ou não vier em sua direção com ares indistintos e, se der no jeito, a melhor coisa é azular.

Constatação IX

“A tua prima escorregou

Quando me encontrou

E na bochecha me beijou”,

O marido explicou

Quando a mulher encontrou

Baton na sua gravata.

“Deixe-se de lorota!

Prefiro que você me conte

Alguma bravata.

Afinal, é inesgotável tua fonte

E a marca da bochecha não se nota.

Seu mentiroso,

Metido a talentoso

Seu descarado,

Seu safado!”

“Se eu não a tivesse segurado,

Ela teria se esborrachado

Na calçada”.

Coitada!*

Coitado!

*Não ficou devidamente esclarecido à qual das duas se refere o termo “coitada”. Tão logo Rumorejando tome conhecimento dará ciência aos seu prezados leitores.

Constatação X

O septuagenário não conseguia entender porque os atendentes esboçavam um sorriso – quando não, um riso – e iam falar com o gerente, pedindo esclarecimentos, quando ele estacionava no posto de gasolina e pedia: “Me encha o tanque com um hectolitro de gasolina comum”; quando no armazém pedia um decagrama de queijo e mais ou menos um decímetro de salame e um galão de manteiga. E, na casa de tecidos, 100 polegadas de determinado tecido. Coitado!

Constatação XI (Pseudo-soneto, da série Ah, o amor…).

Ternura

Olhos nos olhos e de mão dadas

O casal idoso senta na praça.

Será que ele diz piadas?

Ela ri. De alguma graça?

Súbito, ficam sérios

Se beijam como antigamente

Afinal, não há mistérios

Em se beijar de modo ardente.

Agora, ela apóia a cabeça no seu ombro.

E ele beija os seus brancos cabelos

Para quem passa, nenhum assombro.

Os vizinhos já estão habituados

Com essa sucessão de doces desvelos

Só os de fora ficam com olhos arregalados.

Constatação XII

Com a absolvição do ex-ministro e atual deputado federal Antonio Palocci pelo Supremo Tribunal Federal, deu na mídia: O ex-presidente da Caixa Econômica Federal Jorge Mattoso será o único a responder a ação penal por suspeita de participação na quebra do sigilo bancário e na divulgação dos dados do caseiro Francenildo dos Santos Costa”. Data vênia, como diriam nossos juristas, masRumorejando acha que o ex-presidente da Caixa quis fazer média, na época, com o então ministro Antonio Palocci. Ver a constatação seguinte.

Constatação XIII

Não se pode confundir costura com postura, até porque quando o garotão costura no trânsito, porque tem pressa em não ter nada a fazer, pondo em risco a sua vida e de outros, e porque assistiu a vitória do Rubinho na Fórmula I, está tendo uma postura digna de ser enquadrado como qualquer simples mortal, obviamente exceto deputados, senadores, ministros, juízes e desembargadores de um país de alhures.

O “HOMEM” CULPADO por alceu sperança / cascavel.pr

A indústria da morte é uma das mais lucrativas na atual etapa superior do capitalismo – o neoliberalismo.

Ela se distribui em vários ramos, dos remédios às armas (e às guerras), passando pela liquidação de gente e vida vegetal na progressiva ocupação da Amazônia via moto-serra, na disseminação de doenças entre os povos, no recrudescimento da aids nos países pobres, especialmente na África e na Ásia.Alceu sperança  - AJC (1)

E se mascara na repetida, malandra e continuada pregação ideológica de que é tudo culpa “do homem”. Não se atribui essa indústria da morte a um sistema cruel de exploração das necessidades humanas e dos recursos naturais, mas ao “homem”.

Um grande brasileiro, o médico gaúcho Ciro de Quadros, ao assumir o comando do Instituto Sabin de Vacinas, em Washington, decidiu voltá-lo a iniciativas para levar às populações mais pobres os benefícios da ciência.

Pode-se imaginar o que ele tem passado, no coração e no cérebro do neoliberalismo, enfrentando cara a cara a indústria da morte! Mas ele tem conseguido pelo menos duas vitórias: uma, está desmascarando a indústria da “saúde” a serviço do lucro e não da vida; outra, vai ampliando o alcance da vacinação de crianças em todo o mundo.

Empregos para robôs – Anualmente morrem ao redor de 10 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade. A maioria dessas mortes poderia ser evitada com as vacinas. Meio milhão morrem por sarampo, um milhão por pneumonia, 600 mil por rotavírus, doenças que podem ser perfeitamente prevenidas.

Por que não são? Ora, porque a saúde não dá lucro. Pessoas doentes alimentam toda uma estrutura “curativa” que movimenta fortunas cada vez maiores, tirando o dinheiro do bolso das pessoas com um pouco mais de posses e drenando dos cofres públicos para essa estrutura uma babilônia que poderia estar sendo empregada na melhoria da vida de todos.

Por exemplo, através de professores bem pagos em escolas integrais, boas bibliotecas e laboratórios equipados, centros de formação de jovens, estabelecimentos melhores que as Febems do inferno para tratar as crianças miseráveis etc.

O maravilhoso desenvolvimento da tecnologia está contribuindo para aprofundar as desigualdades. Ele reduz a geração de empregos e semeia o desespero entre os que estão ocupados, sob o risco de se trocar dez a vinte pessoas por uma nova máquina ou robô.

Como diz o dr. Ciro, “com o advento de novas e mais caras tecnologias, está ocorrendo uma grande iniquidade: os que não têm continuam não tendo e tendo menos, e os que têm continuam tendo e tendo mais”.

Rebelião geral – O economista norte-americano Jeremy Rifkin, autor do livro O Fim dos Empregos, adverte que os postos de trabalho serão poucos no futuro, ocupados por uma pequena e bem paga elite profissional altamente qualificada.

Ao menor sinal de esgotamento físico ou mental e o advento de nova tecnologia, esse profissional cai do topo para o buraco: já era. “Os dias de oferta de empregos em massa para os trabalhadores não qualificados ou com pouca qualificação acabaram”, diz Rifkin.

Ele, no entanto, crê ser possível uma solução capitalista para esse caos todo. Acha que dá para evitar a rebelião geral que isso vai causar se o governo estimular os grandes grupos econômicos a ganhar ainda mais.

Aí, generosamente, eles repartiriam os lucros com a sociedade através da redução da jornada de trabalho, gerando mais empregos…

Mesmo que os governos incompetentes atrelados ao neoliberalismo façam isso, o que é duvidoso, e mesmo que as mega-corporações passem a lucrar mais, como estão lucrando, não vão gerar mais empregos. Não adianta pôr a culpa no “homem”.

A culpa é de uma estrutura injusta, cruel, sem futuro. Pois o “homem” acusado de tamanhos crimes contra si mesmo, a natureza e a vida, um dia perceberá que é escravo e se libertará.

O POETA ALTAIR DE OLIVEIRA convida para a I BIENAL DO LIVRO EM CURITIBA

O poeta Altair de Oliveira convida-lhes para uma “Manhã de Autógrafos” de seu quarto livro de poemas “O Lento Alento” que ocorrerá no dia 30/08/09 (domingo) das 9:30 às 11:30 hs no espaço offline daPrimeira Bienal do Livro de Curitiba“. O poeta participa também da primeira bienal curitibana do livro no sábado, fazendo leitura de poemas no “LITEROMANIA – SARAU DOS JOVENS POETAS” (das 19 às 21:30 hs), um espaço destinado aos poetas independentes pelo organizadores do evento. Não percam.

PRIMEIRA BIENAL DO LIVRO
Local: EXPO UNIMED CURITIBA (Campus da Universidade do Positivo)
Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300
Campo Comprido – Curitiba.

ANDAR, ANDEI de otto nul / palma sola.sc

andar, andei,

e foi tanto andar,

tanto procurar,

que nada encontrei;

.

olhar, olhei,

e foi tanto olhar,

tanto descobrir,

que nada achei;

.

chorar, chorei,

e foi tanto chorar,

tanto me lastimei,

que só me acabei;

.

sofrer, sofri,

e foi tanto sofrer,

tanto padeci,

que quase morri;

.

chegar, cheguei,

e foi tanto chegar,

que só me lamentei

de tanto querer voltar.

A ONDA de manoel de andrade / curitiba

MANOEL DE ANDRADE - ondas-fotoarte-clark-little-att00008foto de clark little.

Canto a onda…
amazona das águas e dos ventos
a cavalgar esbelta sobre o dorso do oceano
pelas planícies tropicais dos mares
a cavalgar sob o sol e sob a lua
até a longínqua solidão dos hemisférios
a cavalgar sua cadência fugidia
pelo imenso território dos silêncios.
.
Canto a onda
salgada crista
verde brancura sempre erguida
e sempre despejada
canto teus canteiros borbulhantes de frescor e de açucenas
teu sorriso derramado em pétalas de espuma
canto teu beijo sugado ardentemente pela Terra
úmida fragrância espalhada nas areias do tempo
ritmo incessante dessa dança milenar.
.
Canto a onda
guardiã do mar e dos mistérios
atlética miragem que caminha sem descanso
vigiando as inumeráveis multidões de vidas
a caminhar sobre a imensa solidão das águas
a caminhar nos passos de lépida gazela
ou no galope da vaga majestosa.
.
Canto a onda
a grande onda
potência elementar
coluna insustentável que anuncia o precipício
súbita cascata, túnel e turbilhão
força imbatível, peso imponderável
filha do ventre ancestral das águas
vulto encoberto que avança obstinado
até surgir qual serpente coleante
galgando o planalto submarino
empinando a cabeça para o bote
tentáculo de sal, insólita medusa
invencível lâmina cortada por afiadas proas
sedução e pavor dos navegantes.
.
Longe… longe sobre as águas,
pairando na calmaria,
surge no céu um negrume…
e tudo é brusco e fantástico na paisagem que ressurge
são nuvens redesenhadas num borrão assustador
vem alargando seus passos
invadindo o horizonte
desterrando as claridades
turvando as ondas vadias
vem vindo no verde mar qual corcel em disparada
assanhando os elementos sobre a linha do horizonte
é o céu baixando à Terra
chegando na ventania, na rajada, no aguaceiro.
.
Um raio risca a penumbra e mergulha no oceano
e num frêmito aquoso se enruga a superfície.
Há uma tensão sob as águas
há um prenúncio nos ventos
as vagas se levantando
ressurgindo poderosas
no punho emerso do abismo
nos bramidos da procela colossal
na indomável fúria da tormenta
na invasão que avança.
.
Eis onda…
ora calma e deslumbrante
e agora o vulto apavorante
a galopar, qual indomável centauro sobre o mar,
avançando em sua marcha soberana
qual extensa muralha em movimento
alçando seu punho inumerável
exibindo seu pesado látego de espumas
chicoteando a muralha, o arbusto e a penedia
bramindo no poder dos elementos
chegando no estrondo, no vendaval, na fantástica sinfonia
invadindo, inundando e espalhando seus despojos.
.
Praias varridas
orlas de vida e de sonhos afogados
os imensos litorais tragados
os restos desfigurados da invasão
pedaços de barcos destroçados
lágrimas que ainda esperam
pescadores que não mais voltarão.
.
Contém, ó mar
teus passos sobre a Terra
tua reconquista
teu apocalíptico destino.
Já são tantos os sinais dos tempos
tanta irreverência ante tantos pressentimentos.
Ó mar…
são tão grandes teus domínios
escavados na origem desta concha planetária.
Deixa intacta esta nossa única terça parte
este verde agonizante que nos resta
esta solitária relva de esperança.
.
Curitiba, março de 2004
Este poema consta do livro CANTARES  editado por Escrituras

“O ESPECÍFICO e a APARÊNCIA” BATE PAPO no BRDE / curitiba

Bate papo sobre “O Específico e a Aparência”

Amanhã (29), das 14 às 17 horas acontece um bate papo com o grupo de gravadores da exposição ‘O Específico e a Aparência’, no Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões.

Quem ainda não conferiu a mostra, ainda tem uma chance de aparecer para a conversa. Durante o bate papo, Maikel da Maia, Andréia Las, Paula Monteiro, Julcimarley Totti e José Roberto da Silva, falam sobre as concepções da exposição e explicam sobre os trabalhos de cada um. Os cinco artistas dão às suas gravuras um significado relacionado ao ser humano. Estilos que na verdade se relacionam mostrando quantas formas existem para retratar as relações humanas.

Espaço Cultural BRDE – Palacete dos Leões
Av. João Gualberto, 530 – Alto da Glória
Curitiba-Paraná – Com estacionamento
Dia 29 de agosto – das 14 h às 17 h

Informações: (41) 32198056

BRDE

COMISSÃO PRÓ FORUM de CULTURA (SC) CONVIDA:

forum f_rum

estranho íntimo – de charles silva / florianópolis

o cara me chamou pra ser parceiro
ando tão ímpar!
o cara me chamou pra um cruzeiro
só tiro onda!
o cara apareceu com um pandeiro
caí no samba!
o cara é aprendiz de feiticeiro
vela e muamba!

conta aí, meu camarada
é caramelo de camelo
ou camelô de encruzilhada?

mundo ligeiro
um beijo virtual pra minha amada
uma pegada na real em minha amante
porque a carne ainda não vai pela tomada
e o monitor escolhe a cor do diamante

estranho íntimo
a vida não é bem essa levada
segura o ritmo!

“GETÚLIO VARGAS DEIXOU BILHETES PARA A HISTÓRIA DO BRASIL” pela editoria

Com antenas direcionadas para a área cultural e sensibilidade apuradíssima para os temas oportunos, Mary Garcia Diretora do CIC-CENTRO INTEGRADO DE CULTURA do Estado de Santa Catarina, localizou na capital do estado, Florianópolis, um tesouro histórico. Com a cautela e bom senso que a descoberta requeria Mary Garcia marcou com o médico Dr. Francisco Batista Neto, dono do tesouro, o encontro onde ela “veria com os próprios olhos”. A preciosidade trata-se, nada mais nada menos, de mais de 700 bilhetes, manuscritos, do ex Presidente Getúlio Vargas onde dirigindo-se ao seu chefe de gabinete dava ordens e cobrava soluções. Com tal achado o povo brasileiro poderá compreender grande parte de como ocorria a administração e os bastidores políticos da era Vargas. Com rigorosos cuidados Mary busca contato com o amigo escritor e biógrafo Toninho Vaz no Rio de Janeiro a fim de assessorar-se sobre como proceder para dar divulgação desse grande quinhão histórico. Toninho com sua vasta experiência em grandes mídias costura os primeiros passos, leva a Florianópolis o repórter Marcos Strecker da Folha de São Paulo, que encantou-se com a notícia da futura matéria. Daí para frente tudo tomou seu rumo após algumas ciosas reuniões. De imediato, a publicação na Folha da matéria produzida por Marcos no dia em que eram lembrados os 55 anos da morte do grande Presidente, 24 de agosto. Os bilhetes agora serão analisados por técnicos e historiadores para aferirem a veracidade e importância histórica, apesar de  a neta do Presidente, Celina do Amaral Peixoto, reconhecer a autenticidade. Novos passos, já definidos, iremos anunciando no devido tempo. Sem dúvida um grande achado parabéns Mary Garcia.

JB VIDAL

Editor

A rotina do Presidente Vargas

São bilhetes políticos e administrativos dirigidos ao Chefe de Gabinete, Lourival Fontes.

GETÚLIO - BILHETE PREFEITO

foto de toninho vaz.

“Perguntar ao prefeito se está tudo preparado para receber a carne argentina, inclusive a distribuição em combinação com frigoríficos.” 12.2.51.

O bilhete acima, no qual o presidente Getúlio Vargas se mostra preocupado com o abastecimento de carne, é apenas um dos 700 encontrados numa caixa e que estão sendo analisados por historiadores e especialistas. A primeira informação mostra o hábito do Presidente de emitir recados administrativos, sobretudo ao seu braço direito, o sergipano Lourival Fontes, que trabalhava na sala ao lado. Ao longo dos quatro anos do segundo governo, Fontes teve o cuidado de arquivar todos os pequenos e grandes recados que ficaram guardados por mais de 50 anos. Eles revelam aspectos da rotina no palácio do Catete.

GETÚLIO VARGAS - PASTAS COM BILHETES - TONINHO VAZ DSC04436

foto de toninho vaz.

são pastas e mais pastas e mais pastas com os mais de 700 bilhetes do Presidente Vargas. foram dedicados, ao longo do tempo, cuidados especiais, pois encontram-se em ótimo estado de conservação apesar da umidade da ilha de Santa Catarina.

o repórter da Folha de São Paulo Marcos Strecker, o jornalista e biógrafo Toninho Vaz e o médico Francisco Baptista Neto que tem a posse dos documentos. foto de Mary Garcia.

o repórter da Folha de São Paulo Marcos Strecker, o jornalista e biógrafo Toninho Vaz e o médico Francisco Baptista Neto que tem a posse dos documentos. foto de Mary Garcia.

Depois de passar pelas mãos de Lourival Baptista, também sergipano e companheiro de bancada de Fontes no Senado, os documentos finalmente estão agora com o filho de Baptista, o médico Francisco Baptista Neto, que mora em Florianópolis..

.

na grande mídia virtual e impressa dos estados do sul o PALAVRAS, TODAS PALAVRAS “fura”  a reportagem.



MARY GARCIA e TONINHO VAZ celebram OS BILHETES DO EX PRESIDENTE VARGAS pela editoria

após as reuniões para os destinos da grande descoberta histórica de mary garcia (CIC), os mais de 700 bilhetes do ex Presidente Getúlio Vargas, mary e toninho vaz,  vão celebrar com muita alegria no Mercado Público, em Florianópolis, local também histórico.

MARY GARCIA E TONINHO VAZ NO MERCADO toninho vaz e mary garcia 22/8/09. foto de jb vidal.

-.-

MARY GARCIA - JB VIDAL E BI NO MERCADO

mary garcia, nossa “indiana jones” da cultura, o poeta e editor, deste site premiado, jb vidal e a educadora rô stavis compartilham da celebração. 22/08/09. foto de toninho vaz.

“DUAS LUAS NO CÉU” é HOJE A MEIA NOITE e meia / planeta terra

RECEBEMOS:

“HOJE dia 27 de agostode 2009, a meia noite e meia, olhe para o céu, chame as crianças, os amigos, os familiares:

O Planetario Internacional de Vancouver, da British Columbia – Canadá, calculou a precisão em que Marte estará orbitando perto da terra. Será HOJE dia 27 de agosto de 2009.

Todavia, o mais interessante de tudo é que isto estava previsto em um código Maya, encontrado na pirâmide ao lado do Observatório Estrelar em Palenque, Chiapas -México.
Com este cálculo matemático Maya, agora os Mayas estão sendo vistos como os gregos da America, e orgulho da Guatemala..
Pelo menos, quatro ou cinco gerações da humanidade não voltará a ver este fenomeno natural, e poucas pessoas sabem até o momento, embora tenha sido noticiado em 11 de maio de 2009.

O planeta Marte será a estrela mais brilhante do céu, e será tão grande quanto a lua cheia, e estará a 55,75 milhões de kilometros da terra.

Não perca!!

Será como se a terra tivesse duas luas, e este acontecimento só se produzirá de novo no ano de 2287.”

NOTA DO EDITOR: será uma pegadinha? estamos postando porque o fenômeno é raríssimo e está muito divulgado por fontes sérias, pelo menos tidas como. a dúvida fica em razão da data e horário: dia 27 a meia noite e meia! perceberam? um dia não tem 24:30 hs o dia tem 0:30 hs ou 24 hs (horários). se dizem que será meia noite meia, deduz-se que seja as 0:30 hs do dia 28 ou já aconteceu as 0:30 de hoje. pode o planetário cometer tal erro ?  primário, diga-se.

vamos aguardar. se já aconteceu alguém viu? tem foto?

lua cheia. foto livre.

lua cheia. foto livre.

DASPU lança coleção 2010 na Praça Tiradentes / rio de janeiro

Desfile foi realizado na tarde desta quarta-feira (26). Tema da nova coleção é “Da farofa ao caviar”.

Desfile da Daspu foi realizado nesta quarta-feira (26) na Praça Tiradentes, no Centro do Rio (Foto: Fábio Motta / Agência Estado)

Desfile da Daspu foi realizado nesta quarta-feira (26) na Praça Tiradentes, no Centro do Rio (Foto: Fábio Motta / Agência Estado)

A grife Daspu, criada por prostitutas, realizou nesta quarta-feira (26), na Praça Tiradentes, no Centro do Rio de Janeiro, o desfile de lançamento da coleção Verão 2010, com o tema “Da farofa ao caviar”.

“A comida caracteriza esse duplo sentido entre o prazer e o comer. Todo mundo gosta de uma boa refeição, todo mundo gosta de sexo. Trabalhamos com essas referências, indo desde os botequins até estabelecimentos mais nobres. Fizemos essa brincadeira entre esses dois extremos”, explica a estilista Alzira Calhau, criadora da coleção.

Nas estampas das camisetas e vestidos de malha, motivos gastronômicos e mensagens bem humoradas, como “pintiscos”, “porção de putas” e “Daspu à la carte”. Inspirada nos cartazes de lanchonete, cardápios e uniformes de garçons e garçonetes, a coleção traz cores fortes como o vermelho, amarelo e azul em shortinhos, saias e bordados.

Além das próprias prostitutas, outras cinco modelos profissionais também entraram na passarela e serviram de modelo para as peças da coleção. Simpatizantes, jornalistas e atrizes também participaram do evento.

G1(parcial)

A LINGUIÇA (autor desconhecido) enviado por costa lemos / foz do iguaçu.pr



A medida que envelheço e convivo com outros, valorizo mais ainda as mulheres que estão acima dos 30;
Elas não se importam com o que você pensa, mas se dispõem de coração se você tiver a intenção de conversar;
Se ela não quer assistir ao jogo de futebol na tv, não fica à sua volta resmungando, pirraçando… vai fazer alguma coisa que queira fazer… E geralmente é alguma coisa bem mais interessante;
Ela se conhece o suficiente para saber quem é, o que quer e quem quer.

Elas definitivamente não ficam com quem não confiam;
Mulheres se tornam psicanalistas quando envelhecem.
Você nunca precisa confessar seus pecados… elas sempre sabem…

Ficam lindas quando usam batom vermelho.
O mesmo não acontece com mulheres mais jovens… Por que será, hein??
Mulheres mais velhas são diretas e honestas.
Elas te dirão na cara se você for um idiota, caso esteja agindo como um!
Você nunca precisa se preocupar onde se encaixa na vida dela.
Basta agir como homem e o resto deixe que ela faça…

Sim, nós admiramos as mulheres com mais de 30 anos!
Infelizmente isto não é recíproco, pois para cada mulher com mais de 30 anos, estonteante, bonita, bem apanhada, sexy, e bem resolvida, existe um homem com mais de 30, careca, pançudo em bermudões amarelos, bancando o bobo para uma garota de 19 anos…

Senhoras, eu peço desculpas por eles,  não sabem o que fazem!

Para todos os homens que dizem: ‘Porque comprar a vaca, se você pode beber o leite de graça?’, aqui está a novidade para vocês: hoje em dia 80% das mulheres são contra o casamento e sabem por quê? Porque ‘ as mulheres perceberam que não vale a pena comprar um porco inteiro só para ter uma lingüiça!’.
Nada mais justo!

WONKA BAR: SEXTA IMPERDÍVEL (28/08) / curitiba

THE JAM MESSENGERS

JAM MESSENGERS

FESTA DE GARAGEM

A sexta-feira traz MARCO BUTCHER e ROB K (jam messengers)

Rob K foi um dos criadores do hard core em 76, com a banda The Chumps de Washington.

Marco Butcher dispensa apresentações, é o nosso velho conhecido, baterista dos Pin Ups,

um dos músicos mais resistentes do underground brasileiro.

Juntos formam o Jam Messengers que vem com um novo album: the Dictionary of Cool,

que coloca a música sexy e insana do duo em um nível ainda mais alto de experimentação,

trazendo a Soul Music, Jazz, Blues, Garage Rock e White Noise novaiorquino na sua mais pura essência,

100% demente e insano como só esse duo pode ser.

Além disso, a noite conta com a discotecagem refinada de DJ MM.

O Wonka abre às 20h

Entrada R$10

MÚSICA, MAESTRO! por jorge lescano / são paulo

– Para esses ouvintes a arte deve se parecer com um bom jantar ou um par de sapatos macios!

Ao Maestro parecia-lhe que a educação musical havia chegado a um ponto no qual era possível ouvir as estruturas à par da melodia, do ritmo. Pensava em termos de som e pausas expressivas. Os ouvintes do Café Concerto precisavam de música de fundo para não ouvir suas próprias palavras, e de melodias que se gravassem na memória para reproduzi-las, ou convites à dança.

– A isto chamam de utilidade, justificação social da arte! Eu chamo de ganha-pão!

Alguma vez pensou num concerto só de cadenzas, uma para cada instrumento. Assim a orquestra permaneceria como estrutura, porém, sua função seria outra, destacando as qualidades de todos os sons sem se misturarem:

– O ouvinte vinculará esses elos dentro do seu tempo de escuta. Uma composição que utilize a descontinuidade do tempo através de instrumentos musicais e temas sonoros diversos, unidos, no entanto, pela estrutura da orquestra e a continuidade da audição.

Lamentava não poder discutir estes assuntos com seus companheiros do Café. Todos estavam preocupados com o artesanato da música, a reprodução exata das notas do pentagrama. Todos eram partidários da melodia bem feita:

– Apenas o trivial variado, não variado demais se se quer trivial. Mas eu entendo; é preciso sobreviver!

Às vezes se abandonava aos impulsos de mudança, de rupturas:

– Não respeitar as formas estabelecidas pelo romantismo, e ainda estamos nisso, é o único modo de ser autenticamente romântico! Pense nas Humoresques de Sibelius, nos Caprichos de Paganini, nos Noturnos de Chopin, mas sem o instrumentista virtuose. Houve um caso de flautista virtuose. Seu maior sucesso era o Moto Perpétuo. Fez carreira até que se soube que era gago. O interesse do público esfriou e ele acabou como faquir, pobre, em sânscrito. É uma piada, naturalmente, mas ilustrativa. Compreende o que quero dizer? Na situação em que foi colocado, o público só aprecia fenômenos, e o artista, em tanto que profissional, só pode aspirar a ser um fenômeno. Tudo isso é puro romantismo. O indivíduo exótico contra a multidão comum, para agradá-la. Mas, como poderia ter dito Mozart: vida de artista não é uma valsa de Strauss. Nunca sentiu que o Bravo! Ouvido na sala de concertos é o Gol! das elites culturais? Eu sempre penso nos concursos de arte como um campeonato. Como se o amor, o ódio, a consciência e o medo da própria morte e a perplexidade ante a vida, pudessem ser avaliados com pontos, como uma redação escolar, e premiados numa competição! Arte é forma, diz você. Concordo, mas todo prêmio é por bom comportamento, e há de convir comigo que os sentimentos não respeitam convenções formais. Eu quero construir algo assim como haikus musicais. Fragmentos que são um todo. Sim, Webern, mas não é isso…

Coçava o queixo, impotente ante as limitações da palavra

– Cada instrumento criará seu próprio contexto, sic, confiando na perspicácia do ouvinte, e com ele se relacionando de forma sutil, no mesmo plano de criação. O músico provocando e o ouvinte, que é tão musical quanto ele, estimulando sua criatividade. Os dois no mesmo plano, unidos pelo som e este diversificado por cada instrumento.

Antecipava-se à jogada do outro:

– O jazz era isso! Hoje também tem partitura e autor e arranjador e direito autoral e empresas gravadoras e colecionadores e críticos e tratados enciclopédicos. A arte, como o esporte, é boa quando praticada. Chega de ver o rei passar! A música, meu amigo, deve ser vivida. Imagine um coro que cantasse em uníssono a mesma melodia, mas cada cantor cantando em língua diferente, segundo suas necessidades e convidando o público, vamos pôr aspas na palavra público, e convidando o público as participar ativamente, juntando sua voz e melodias ao tutti. Que festa!

O outro poderia ter avançado seu Ives, ou atacado com a música para não ser ouvida de Satie, para não apelar com John Cage, a música aleatória e tutti quanti:

– Sim, sim! Isso já foi feito, ouviu Deus que lhe diziam…

Segundo o Maestro, o Concerto é um gênero romântico: o mocinho solista contra a orquestra de bandidos:

– Não importa se surgiu antes do romantismo. Estou falando de uma atitude, não de baboseiras escolares. É um gênero, como o nu, a natureza morta e o soneto. Agora abundam os Concertos num só movimento. Veja as sonatas de Béla Bartók, têm um ou dois movimentos, quer dizer, não são Sonatas. A Sinfonia Inacabada de Schubert não é uma Sinfonia porque não preenche os requisitos formais da Sinfonia. Você já leu algum Soneto de sete ou oito versos? Nem poderia! Eu já vi um Nu Corretamente Vestido, o que não está errado, se pensarmos que todos somos Adão sob a roupa; e outro nu intitulado Natureza Morta, mas o autor dos dois quadros era um poeta que propositadamente misturava as linguagens e confundia os gêneros para chegar a outra coisa. Meu amigo Rodrigo Barrientos, um pintor colombiano que atualmente reside em Paris, ameaçava pintar um Nu Esotérico. Nunca soube como seria, provavelmente estava tão oculto que nem ele sabia como era. Quero dizer que vivemos presos às palavras; chamamos de inacabado algo que o autor não teve necessidade de continuar. No Masp há um retrato de Diego Rivera pintado por Modigliani. Aparentemente não está terminado porque aparecem trechos da tela que não foram preenchidos, mas está acabado. O pintor percebeu que não era necessário acrescentar nada. Fugiu da redundância parando onde o assunto se esgotou como pintura. A coisa muda e nós continuamos usando as mesmas definições, ou então acreditamos que mudando o nome mudamos a coisa. Para que chamar uma composição musical de Concerto ou Sonata, Suite ou Sinfonia? Para não falar do absurdo do Poema Sinfônico, como se a música precisasse da literatura! Talvez o contrário seja verdadeiro. O que importa é a música, não o rótulo. Eu quero desnudar a orquestra, por assim dizer, e mostrá-la ao vivo. Lembra de Pedro e o Lobo?, ampliar essa idéia musical, desafiar o ouvinte a unir os fragmentos e construir mentalmente sua própria composição. Falo de ouvintes, não de todos os que têm orelhas. Orelha não é documento! Ir além da sensualidade do som, reorganizar o tempo de escuta. Imagino uma composição como um quebra-cabeça, um mosaico e um caleidoscópio de sons, onde a orquestra não seja o meio, o suporte de uma Sinfonia ou de um Concerto, mas apenas produtora de som, do qual o objeto será a própria orquestra. Quanta música na Sinfonia Inacabada! Bartók compôs um Concerto para Orquestra, e Barber um Ensaio para Orquestra, mas não é isso, ainda não é isso… Isto está parecendo um manifesto! É melhor deixar sempre algo por dizer, parar antes de chegar à idéia, essa Musa morta!

(do Livro de Marievar)

EM BUSCA DA PRÓPRIA VERDADE por titi vidal / são paulo


Vivemos em busca de algo e nem sempre sabemos o que. Baseados nesta busca, passamos a vida fazendo escolhas. Desde cedo, somos obrigados a fazê-las. Escolhemos com o que vamos brincar, quem será nosso amigo, o que vamos ser quando crescer, que caminho profissional vamos seguir, com quem vamos nos casar. Escolhemos também coisas mais simples, como o que vamos comer, que caminho vamos fazer, com que roupa vamos sair. Mas se pararmos para pensar, veremos que nossa vida nada mais é do que uma grande seqüência de escolhas que fazemos a cada instante de nossa existência. Das mais simples às mais complexas, das mais mutáveis às mais definitivas. As escolhas são a essência de nossa vida.

Mas será que escolhemos com consciência e de acordo com nossa própria verdade? Geralmente não. É certo que a todo momento criamos nossa realidade. Tudo que nos acontece é fruto de nossas escolhas. Isto porque, em primeiro lugar, uma escolha sempre leva a outras. Além disso, muitas vezes escolhemos sem saber, pois nossos pensamentos e sentimentos possuem mais força do que podemos imaginar. Pensamentos e sentimentos são vibrações capazes de materializar acontecimentos em nossa vida. E como muitos deles são inconscientes, nem sempre sabemos o quanto estamos materializando determinadas coisas em nossa vida. E tanto os pensamentos e sentimentos conscientes como os inconscientes têm poder. Muitas vezes, os inconscientes têm até mais poder por buscar uma forma de se fazerem presentes. Querem nos mostrar o que passa dentro de nós mesmos e que sua voz seja ouvida. Acontece que muitos deles também não estão em sintonia com nossa verdade interna.

O tempo todo fazemos escolhas baseadas em nossos pensamentos, sentimentos e padrões. E como tudo que acontece em nossa vida é fruto de nossas escolhas, devemos estar mais atentos ao que estamos escolhendo e ao que de fato queremos. Por isso o autoconhecimento é tão importante! Pois quando nos conhecemos e estamos sintonizados com nossa verdade, tudo parece fluir melhor e fica mais fácil encontrar a felicidade verdadeira. E sempre podemos rever nossas escolhas e mudar o nosso futuro.
Muitas vezes nos lamentamos, pensando em escolhas erradas que fizemos no passado. Devemos nos perdoar e seguir em frente. Se escolhemos errado foi porque não tínhamos uma sintonia com nossa essência, com nossa mais pura verdade, fazia parte de nosso caminho e aprendizado. Temos que nos conscientizar que podemos e devemos escolher o que acontece no “aqui e agora” e no que acontecerá daqui para a frente.

É possível escolher diferente. É possível mudar de opinião, de escolha, de caminho. É possível seguir em frente de acordo com o que nosso eu verdadeiro deseja. É ele quem sabe o que é melhor para nós. Para isso, podemos nos auto conhecer e contar também com os sinais que a vida nos dá. Esses sinais vêm através de nossas sensações, dos sonhos, das pessoas que conhecemos e encontramos, e de muitas outras maneiras.
Se estamos atentos, fica mais fácil observar o que se passa à nossa volta. Mas é sempre bom lembrar que sintonizamos algo que tenha ressonância com o que estamos emitindo.

Vejo que temos muitas formas de chegar a esta nossa verdade. E uma delas é o mapa astrológico, capaz de nos apresentar ao nosso eu verdadeiro, à nossa própria verdade. Ele nos mostra o caminho a seguir. Nos mostra quem somos e onde queremos chegar. Mostra quais nossas motivações e onde nossas escolhas se baseiam: se em fatores conscientes ou inconscientes, se escolhemos de acordo com o que nos é mais fácil ou confortável, se na nossa verdade ou em padrões herdados ou aprendidos etc.
O mapa também pode nos mostrar quais os desafios e dificuldades que encontramos em nosso caminho, onde tendemos a esbarrar ao fazer uma escolha e ao buscar nosso futuro. Nos apresenta, também, as oportunidades que temos que aproveitar, além de nos mostrar quais nossos verdadeiros talentos. É como um mapa que nos mostra o caminho do tesouro, que é nossa verdade, nosso bem mais precioso.

Quando paramos de escolher baseados no que nos prende, no que não é compatível com nossa essência, tudo começa a fluir em nossa vida e podemos de fato encontrar a felicidade. O caminho pode ser trabalhoso, difícil, cheio de obstáculos. Mas sem dúvida vale a pena encontrar-se com aquilo que mais importa em nossa vida: nossa própria verdade. Ao fazermos isso, é como que um milagre estivesse se manifestando. Passamos a fazer escolhas mais conscientes. Conseguimos mudar o que precisa ser alterado, fortalecer o que precisa ser mantido e então estamos prontos para viver em plenitude a nossa felicidade. Por isso, convido todos a fazerem esta busca, a reverem as escolhas e a encontrarem-se consigo mesmos. Vale a pena tentar!

ESCRITURAS EDITORA e CASA DAS ROSAS CONVIDAM: QUINTA POÉTICA em SÃO PAULO

Com os poetas convidados:

Rubens Jardim (anfitrião), Raquel Naveira, Zuleika dos Reis e a jovem poeta Deborah Goldemberg. Participação especial de Neuza Pinheiro.

Quinta-feira, 27 de agosto de 2009

a partir das 19h

Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos

Av. Paulista, 37 – São Paulo/SP

Próximo ao metrô Brigadeiro.

Convênio com o estacionamento Patropi – Alameda Santos, 74

Informações: (11) 5904-4499

Próxima QUINTA POÉTICA: 24 de setembro de 2009, quinta-feira, às 19h, na CASA DAS ROSAS.

Escrituras Editora

Rua Maestro Callia, 123 – Vila Mariana
04012-100 – São Paulo – SP – Brasil
Tel.: (11) 5904-4499 (Pabx)

.

nota do editor:  ZULEIKA DOS REIS é PALAVREIRA DA HORA PREMIADA!


ERNÂNI GETIRANA CONVIDA:

ernâni getirana comenta sobre o prêmio recebido pelo PALAVRAS, TODAS PALAVRAS:

Só podia dar nisso!! Prêmio merecidíssimo. Estamos todos de parabéns.

E  CONVIDA:

para lançamento de seu livro LENDAS DA CIDADE DE PEDRO II

dia 27 de agosto, as 19:00 hs, na sala de cultura do Banco do Nordeste

na cidade de  Pedro II – PI.

.

quero dizer aos leitores que este site é muitissímo acessado no estado do piauí e na bela cidade de pedro II. o piauí é grande produtor de talentos artísticos que se tornaram nomes nacionais e internacionais. para não esquecer nenhum vou citar, representando a todos, o poeta e letrista TORQUATO NETO, já falecido, parceiro de músicas com caetano veloso, gilberto gil e outros. e agora nos manda ernâni getirana.

TODOS LÁ!

obrigado amigo pelas palavras de carinho e incentivo,

jb vidal

Editor

“PALAVRAS, TODAS PALAVRAS” AGITA A BLOGOSFERA COM A PREMIAÇÃO.

Vej@Blog
Seleção dos melhores Blogs/Sites do Brasil!
http://www.vejablog.com.br
……………………………………………………………………………
Parabéns pelo excelente Site!
Palavras todas Palavras ]

Você está fazendo parte da melhor e maior
seleção de Blogs/Sites do País!!!  – Só Sites e Blogs premiados  –
Selecionado pela nossa equipe, você está agora
entre os melhores e mais prestigiados Blogs/Sites do Brasil!
– Parabenizamos pelo ótimo trabalho! –

vini-vidal

o poeta e editor vinícius alves/vini e o poeta jb vidal. bebemorando.

o site (blog) PALAVRAS, TODAS PALAVRAS,
do meu querido amigo Vidal, acaba de receber
o prêmio de um dos melhores blogs do país.

Parabéns, mano véio. / vini


confira lá:
www.palavrastodaspalavras.wordpress.com/

veja no blog do vini. clique.

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COMENTÁRIOS NO LINK DA PREMIAÇÃO DO “PALAVRAS, TODAS PALAVRAS” até as 11:40 de hoje.

manifestam-se PALAVREIROS DA HORA, amigos e leitores. centenas de emails! OBRIGADO À VOCÊS!

.

  1. Publicado por vera lucia kalahari em Agosto 24, 2009 10:08 am às 10:08 am edit

Um prémio mais do que merecido, por este blog de excepção , com uma equipe fantástica que tem dado oportunidade a todos aqueles que fazem da escrita o seu meio de comunicar, independentemente das suas origens, das suas camadas sociais e de outras diferenças que, para muitos, são objecto de exclusão ou marginalização. Um blog de eleição, com uma equipe fantástica.
Congratulo-me com esta distinção e só espero que haja muitos mais a reconhecerem o vosso mérito e o vosso excelente trabalho.
Um abraço de parabéns.
Vera Lucia

Responder

Publicado por Avani M. Slveira Martins em Agosto 24, 2009 11:37 am às 11:37 am edit

Parabéns. Merecido este reconhecimento parabéns à toda equipe. Espero que outros recomheçam seus
méritos. Obrigada por nos brindar com um blog sem preconceitos dando oportunidades à todos que possuem algo para compartilhar.
Um gande abraço e mais uma vez parabéns,
Avani Maria Silveira Martins

Responder

Publicado por Miriam Catão em Agosto 24, 2009 12:33 pm às 12:33 pm edit

Êta palavra boa esta! Reconhecimento. Vocês fazem o caminho entre densos ramos. Parabéns para esta equipe que se redobra para do melhor fazer a excelência! Um abraço carinhoso em cada um. Sucesso sempre. miriam Catão

Responder

Publicado por Zuleika dos Reis em Agosto 24, 2009 12:37 pm às 12:37 pm edit

Parabéns, caríssimo Vidal. Parabéns a todos os palavreiros da hora e a cada um dos colaboradores e leitores deste magnífico site. Sinto-me profundamente honrada e feliz por meus grãozinhos fazerem parte da areia de praia tão vasta; honrada como palavreira; honrada como leitora.
Beijo
Zuleika.

Responder

Publicado por Ana Maria Maruggi em Agosto 24, 2009 15:05 pm às 15:05 pm edit

Um site tão completo, tão sério e importante como é o PALAVRAS, não poderia jamais ser deixado fora de um podium..PARABÉNS!

Responder

Publicado por maze mendes em Agosto 24, 2009 15:16 pm às 15:16 pm edit

Parabens ao Palavreiros e toda sua equipe! premio merecido,sempre divulgando a arte,poesia,literatura. PARABENS ! Maze Mendes

Responder

Publicado por Paola em Agosto 24, 2009 15:19 pm às 15:19 pm edit

Premiação merecida a este site que é destaque na divulgação da literatura. Abraços. Paola.

Responder

Publicado por lilian reinhardt em Agosto 24, 2009 19:03 pm às 19:03 pm edit

Parabéns Palavreiros pela premiação recebida! Merecidamente um espaço de Arte de interação de linguagens, de contribuição artística/cultural/humanística, sem fronteiras, parabéns estimado poeta Vidal, é uma honra estar aqui e participar dessa uníssona confraternização, agradecendo sempre o vosso apoio e carinho! Um grande abraço, Lilian

Responder

Publicado por Manoel de Andrade em Agosto 24, 2009 23:37 pm às 23:37 pm edit

Vidal, meu caro,
temos partilhado tantas alegrias
e bem quisera dividir uma mesa de bar
para comemorar hoje contigo esta homenagem.
Dizer …, palavras, todas palavras
e saber que esse é o melhor livro que escrevemos,
dizer orgulho
e saber que somos cidadãos dessa aldeia,
dizer amizade
e beber da água pura desse cântaro,
dizer amigo
e sorver contigo um vinho capitoso.
dizer saudade
e te esperar sempre em minha casa.

Responder

10.

Publicado por Joanna em Agosto 24, 2009 23:43 pm às 23:43 pm edit

Aproveito o espaço para congratular o Blog e realçar a disposição do Vidal para tal façanha.
Obrigada

obs: Somente mulheres têm vindo parabenizar o Blog ‘ Palavras Todas Palavras’ ??????

Responder

Publicado por Joanna em Agosto 24, 2009 23:45 pm às 23:45 pm edit

Desculpe-me Sr Manoel de Andrade…………….. foi mais rapido que eu………….retiro a obs anterior.
Thx

Responder

12.

Publicado por cdeassis em Agosto 25, 2009 9:20 am às 9:20 am edit

Chegou um raro presente
muito antes do Natal.
Mas isso já era evidente
pelo afã permanente
de por poetas e afins
nesta rede mundial,
daqui até os confins
deste mundo sem portão.
Parabéns, meu caro irmão!
Você merece, Vidal!

Responder

13.

Publicado por retta rettamozo em Agosto 25, 2009 9:23 am às 9:23 am edit

Saravá!

Responder

14.

Publicado por cdeassis em Agosto 25, 2009 9:25 am às 9:25 am edit

Repeteco — Desculpe-me pelo erro de digitação, Vidal. O verbo pôr saiu sem o circunflexo. Justifica-se: até ele tira o chapéu para você…

Responder

Publicado por Tonicato Miranda em Agosto 25, 2009 9:32 am às 9:32 am edit

Meu Caro Vidal,

Você construiu e estamos lhe ajudando a erguer um “blog” formidável.
Permita-me, junto com outros palavreiros, como o Manoel de Andrade e outros;
e tantas mulheres maravilhosas, compartir este prêmio maravilhoso.
Penso que a sua vocação como articulador cultural, por vezes inibindo o poeta,
é grandiosa porque você valoriza muito as mulheres.

Não fora elas este “blog” não teria tanta luminescência.
Não fora elas este “blog” não seria tão perfumado de idéias.
Não fora elas este “blog” não “cheirava bem”, no dizer dos lisboetas.
Não fora elas este “blog” não ganharia prêmios e declarações tão entusiasmadas.

E este breve discurso não petende, de forma alguma, ser um poema.
Ele é apenas a repetição de constatações e certezas agradáveis.

Parabéns, Vidal.
Ao parabenizá-lo, deixo um grande abraço
a todos os que se apresentam neste “blog” e que contribuem com seu sucesso:
escritores, poetas, pintores, gravuristas, fotógrafos e artistas em geral.
Tenho orgulho de ser palavreiro,
maior ainda em ser seu amigo.

TM

Responder

16.

Publicado por ERNÂNI em Agosto 25, 2009 9:36 am às 9:36 am edit

Só podia dar nisso!! Prêmio merecidíssimo. Estamos todos de parabéns. Aproveito para dizer do lançamento de meu livro LENDAS DA CIDADE DE PEDRO II (dia 27 de agosto, 19:00 h, na sala de cultura do Banco do Nordeste – Pedro II – PI.

Ernâni Getirana.

Responder

Publicado por Virginia Rojas em Agosto 25, 2009 10:06 am às 10:06 am edit

Carisimo JV,

Fiquei extremadamente contente pela premiação a su labor neste site, agradeço participar nele e receba meus abraços e o carinho de sempre. Continue em frente amigo!!!

Virginia Rojas

Responder

18.

Publicado por Vicente Martins em Agosto 25, 2009 10:21 am às 10:21 am edit

Como professor, adoro, ao final de uma aula, ser elogiado pela contribuição à formação dos meus alunos. Um site também deve ter esse mesmo sentimento: a alegria de ser premiado. Isso porque site é virtual na Internet, mas real no ambiente de trabalho. Reúne pessoas com inquietações, dúvidas, angústias e alegrias. Espero que doravante, com este Nobel da Internet, cheguem novos prêmios e com eles novas e maravihosas conquistas. Do amigo cearense, Vicente Martins

Responder

19.

Publicado por Juca em Agosto 25, 2009 10:25 am às 10:25 am edit

Vidal, mano velho.
Você merece, menino! [ ]’s Juca.

Responder

20.

Publicado por Marco Aurélio Jacob em Agosto 25, 2009 10:37 am às 10:37 am edit

PARABÉNS AOS PALAVREIROS DA HORA!!!

QUE SUAS CONTRIBUIÇÕES À CULTURA PREVALEÇAM PERANTE O IMPERIALISMO DA MASSIFICAÇÃO CULTURAL!

Marco Aurélio Jacob

Responder

21.

Publicado por wagner em Agosto 25, 2009 11:09 am às 11:09 am edit

Foi um premio merecido,devia ter mais sites como esse na Internet um site que aborda assuntos inteligentes e úteis.

NOTA DO EDITOR:

não faz parte dos nossos objetivos inscrever-se em concuros de site, prêmios de qualquer ordem. este prêmio veio porque veio, porque os responsáveis pelo levantamento/pesquisa entenderam que era necessário nos incluir entre milhões de pesquisados. portanto, às dezenas de emails que o site está recebendo com agressões estúpidas respondemos com os comentários, de pessoas dignas e respeitáveis, acima.

JB VIDAL

Editor

Prece à boca da minha alma – de nauro machado / são luis.ma

Não te transformes em bicho,
ó forma incorpórea minha,
só porque animal capricho
perdeu o humano que eu tinha.

Guarda, do animal, o alheio
esquecimento. E somente.
Mas lembra aquele outro seio
que te nutriu a boca e a mente.

E recorda, sobretudo,
que não babas ou engatinhas,
a não ser quando te escuto
pelos becos, dentre as vinhas.

Vive como um homem morre:
em solidão e na esperança.
guardando a fé que socorre
em mim, semivelho, a criança.

Mas não te tornes em bicho,
nem percas o ser humano,
só porque a tara (ou o capricho)
deu-me este existir insano.

De Do Eterno Indeferido (1971)

GETÚLIO VARGAS, 55 anos HOJE da sua morte – editoria

Getúlio Dornelles Vargas (19/4/1882 – 24/8/1954) foi o presidente que mais tempo governou o Brasil, durante dois mandatos. De origem gaúcha (nasceu na cidade de São Borja), Vargas foi presidente do Brasil entre os anos de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954. Entre 1937 e 1945 instalou a fase de ditadura, o chamado Estado Novo.

Revolução de 1930 e entrada no poder

Getúlio Vargas assumiu o poder em 1930, após comandar a Revolução de 1930, que derrubou o governo de Washington Luís. Seus quinze anos de governo seguintes, caracterizaram-se pelo nacionalismo e populismo. Sob seu governo foiGetuliopromulgada a Constituição de 1934. Fecha o Congresso Nacional em 1937, instala o Estado Novo e passa a governar com   poderes ditatoriais. Sua forma de governo passa a ser centralizadora e controladora. Criou o DIP ( Departamento de Imprensa e Propaganda ) para controlar e censurar manifestações contrárias ao seu governo.
Perseguiu opositores políticos, principalmente partidários do comunismo. Enviou Olga Benário , esposa do líder comunista Luis Carlos Prestes, para o governo nazista.

Realizações

Vargas criou a  Justiça do Trabalho (1939), instituiu o salário mínimo, a Consolidação das Leis do Trabalho, também conhecida por CLT. Os direitos trabalhistas também são frutos de seu governo: carteira profissional, semana de trabalho de 48 horas e as férias remuneradas.
GV investiu muito na área de infra-estrutura, criando a Companhia Siderúrgica Nacional (1940), a Vale do Rio Doce (1942), e a Hidrelétrica do Vale do São Francisco (1945). Em 1938, criou o IBGE ( Instituto brasileiro de Geografia e estatística). Saiu do governo em 1945, após um golpe militar.

O Segundo Mandato

Em 1950, Vargas voltou ao poder através de eleições democráticas. Neste governo continuou com uma política nacionalista. Criou a campanha do ” Petróleo é Nosso” que resultaria na criação da Petrobrás.

O suicídio de Vargas

Em agosto de 1954, Vargas suicidou-se no Palácio do Catete com um tiro no peito. Deixou uma carta testamento com uma

VARGAS em CURITIBA a caminho do Rio de janeiro. revolução de 1930.

VARGAS em CURITIBA a caminho do Rio de Janeiro. revolução de 1930.

frase que entrou para a história : “Deixo a vida para entrar na História.”  Até hoje o suicídio de Vargas gera polêmicas. O que sabemos é que seus últimos dias de governo foram marcados por forte pressão política por parte da imprensa e dos militares. A situação econômica do país não era positiva o que gerava muito descontentamento entre a população.

Conclusão

Embora tenha sido um ditador e governado com medidas controladoras e populistas, Vargas foi um presidente marcado pelo investimento no Brasil. Além de criar obras de infra-estrutura e desenvolver o parque industrial brasileiro, tomou medidas favoráveis aos trabalhadores. Foi na área do trabalho que deixou sua marca registrada. Sua política econômica gerou empregos no Brasil e suas medidas na área do trabalho favoreceram os trabalhadores brasileiros.

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A CARTA TESTAMENTO DE GETÚLIO VARGAS

Mais uma vez, a forças e os interesses contra o povo coordenaram-se e novamente se desencadeiam sobre mim. Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes.

Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre.

Não querem que o povo seja independente. Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores do trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançavam até 500% ao ano. Nas declarações de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia, a ponto de sermos obrigados a ceder.

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo, renunciando a mim mesmo, para defender o povo, que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar, a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida.

Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão.

E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate. Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História.

Rio de Janeiro,  23/08/54

ASSINATURA DE VARGAS  get_lio_vargas01_02mar07

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EU e os GREGOS por joão batista do lago / são luis.ma

A senhora pergunta, sob o meu ponto de vista “(caso a vida continuasse após a morte do corpo)”, que destino eu daria:

1) Ao Sócrates Histórico?;
2) Ao Sócrates de Xenofonte?;
3) Ao Sócrates de Platão?;
4) Ao Sócrates de Aristóteles?

“- Não lhes daria nenhum destino.”

Mas esta resposta é por demais simplória, e não abarca, ou seja, não contempla a excelsa sabedoria introjetada em vosso argumento (segundo minha visão). No seu parêntesis estão contidos já três temas fenomênicos fundamentais JOÃO BATISTA 002para a história do pensamento, para a filosofia e para a história da formação do humano, assim como das espécies: Vida, Morte e Corpo.

“EU”, não acredito na morte, do que quer que seja. Mas, ao inferir este brocardo, ocorre-me um fluir paradoxal, isto é, sou, pelo senso comum, assim como pelo senso intelectual, dos quais sou construído, condicionado a pensar no contrário da “Morte”, ou seja, na “Vida”. E, ao pensar na Vida, ocorre-me um novo paradoxo: o Corpo. Eis, aqui, um “João Poeta” totalmente agrilhoado. Preso ao “MEU” desconhecimento, à “MINHA” não-sabedoria.
Mas, como sou anti-humano, por demais anti-humano, e penso, anti-humano “despertado” e “desperto”; inquietado com a “MINHA” ignorância, e ansioso para alcançar a “MINHA” Sabedoria, não canso em buscar aprender, e apreender, sobre essas questões metafísicas, uma razão racional tendo como laboratório de análise, estudo e pesquisa o meu próprio “EU”. E, em razão disso, questiono-me, desde que me considerei desperto, respostas para fenômenos como esses que a senhora se me remete.

Para justificar a minha não-crença na Morte, tomo, por empréstimo, o pensamento de Arthur Schopenhauer (1788-1860), pensamento que também foi emprestado por Friedrich Nietzsche (1844-1900): tudo que sabemos do mundo é puro fenômeno, ou seja, aparência, ilusão, fantasia; qualquer objeto de conhecimento é sempre condicionado ou, melhor, “DETERMINADO”, pelos esquemas radicados na mente do sujeito cognoscitivo: o espaço, o tempo, a relação de causa e efeito…; Isso significa que é sempre e essencialmente uma construção mental, uma representação…; Todas as nossas convicções são subjetivas, pois, não existe objetividade, nem mesmo no campo científico, e o mundo inteiro no seu conjunto, mesmo que nos pareça estável, real e independente de nós, é somente uma totalidade de representações mentais pessoais.

(*****)

Portanto, minha prezadíssima filósofa, penso que a Morte, assim como a Vida, são representações mentais. Assim sendo, “EU”, não tenho como “destinar” nenhum dos “Sócrates” para “destino” quaisquer. O “destino” não passa de representação individual da mente do humano. Mas é interessante perceber-se, no interior da sua questão, a existência desse fenômeno: o corpo.

Qual daqueles “Sócrates” (inclusive o de Alighieri, como refere a senhora) tem um Corpo? E o que é Corpo? E na possibilidade da existência de um Corpo, de que matéria são compostos esses corpos? Como e de que forma se pode ter consciência sobre a existência de Corpo naqueles “Sócrates”? Qual matéria constitui o corpo do “Sócrates de (…)”, que “com certeza perambularia por toda a eternidade através do planeta, conhecendo povos e épocas diferentes?”

(*****)

E agora invertamos os papéis: e se a esta nossa existência, deste aqui e agora, chamássemos Morte, e depois do desaparecimento do corpo a concebêssemos como Vida? Porventura não continuariam sendo apenas representações fenomênicas, isto é, representação mental individual de cada humano?

(*****)

E quanto ao corpo, vejamos o que diz Schopenhauer: que cada um é capaz de conhecer apenas “UM” objeto, somente “UM” no universo inteiro, em toda a sua objetivação e realidade efetiva. Esse objeto é o “NOSSO” corpo. Porventura não é a única “coisa” fenomênica que realmente percebemos, ou seja, que não percebemos por meio dos sentidos?
Ser; Ser-si; Sentir-se um corpo vivente é, para “NÓS”, o único conhecimento númeno possível, isto é, verdadeiro, essencial, objetivo, não fenomênico.

(*****)

Contudo, além de todas essas razões que apontei aqui e agora, lógico, partindo do pensamento de Schopenhauer, no qual acredito e, portanto, tomo-o como a “MINHA” verdade fenomênica, há, ainda, em sua questão, um fenômeno que subjaz, que está envolto por uma obscuridade apolínea, mas que a contesto dentro de uma concepção dionisíaca: a existência da “alma” que perambula.

(*****)

Se, porventura, “EU” destinasse para algum lugar, quaisquer daqueles “Sócrates” [inclusive o Sócrates de Alighieri, assim como o Sócrates de (…)], “EU” estaria pressupondo a existência de um outro ser ou de uma outra entidade: a alma, o que, por inferência lógica, com base numa tipologia de intuicionismo ou, quando muito, estabelecida a partir de uma teoria empirista da metempsicose, teria uma forma, ou seja, acabaria, de alguma maneira, prefigurando a existência de um corpo que “com certeza perambularia por toda a eternidade através do planeta, conhecendo povos e épocas diferentes”, como acredita a filósofa (…).

(*****)

Permita-me, filósofa (…), discordar do vosso aforismo filosófico, mas se porventura entendi errado o vosso pensamento, conceda-me, por gentileza, o dom da vossa correção. De minha parte não acredito na existência de uma alma que vaga mundo afora “conhecendo povos e épocas diferentes”, transmigrando de um corpo para outro após a morte, para novamente se instalar num novo “parto”, ou pairando em algum limbo, que “soi-disant” em humanos adormecidos pela estética do apolíneo. Isto, entretanto, não significa dizer que “EU” esteja com a verdade ou que tenha razão sobre este fenômeno. E, com certeza, provavelmente não estou com a verdade ou com a razão sobre este fenômeno. A verdade e a razão também não passam de representações mentais da mente pessoal.

(*****)

Por sua vez, Dante Alighieri, que não faz parte da história e do pensamento da Filosofia, a não ser sob o aspecto literário, nos remete para o “limbo”, um espaço metafísico ou um provável lugar onde “almas que não puderam escolher a Cristo”, pelo batismo, continuam a experienciar suas vidas após a morte. Devo admitir que esta é um das mais belas criações da literatura universal, e que se junta à “Odisséia” e à “Ilíada”, de Homero, assim como ao “Erga”, de Hesíodo. Não é a-toa que ‘o’ “Dante” da “Divina Comédia” encontra-se no Limbo com ‘o’ “Homero” da mesma obra dantesca, construída em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso.

Não seria isso tudo, pois, a representação mental fenomênica de Alighieri? E o que são o Inferno, o Purgatório e o Paraíso se não representações mentais fenomênicas? Podemos assinalar que Alighieri, nesta obra, em que pese toda a sua beleza, a sua plasticidade, a sua estética enfim, é um “ser adormecido”? Porventura a sua obra não foi criada para “(contentar em parte a igreja)”, conforme assinalou a senhora ao criar o tópico em debate?

(*****)

Veja, cara filósofa, o quanto de importância, beleza e profundidade têm o vosso questionamento. E o que se disse até aqui não é sequer um grão de areia nessa imensidão de conhecimento e sabedoria. Talvez não seja nada mesmo! Quem sabe!? Mas o fato é que estamos todos – todos mesmo – imbricados nessa avalancha monolítica do desconhecimento da origem das espécies, assim como do universo, apesar das teorias científicas modernas que nos alentam de conhecimentos racionais e científicos… E ainda sequer falamos de quaisquer dos “Sócrates”: o Histórico, o de Xenofonte, o de Platão e o de Aristóteles.

(*****)

Penso que o maior problema do debate sobre Sócrates reside, fundamentalmente, na dissonância discursiva dos principais discípulos, sobretudo quando falamos do “Sócrates” de Platão ou do “Sócrates” de Xenofonte, ou de ambos simultaneamente. E pior ainda, quando associamos a esses dois o Sócrates Histórico.

(***)

Mas para que possamos falar em (e de) Sócrates é indispensável que lembremos de um autor “maldito”, mas que me é caro e atraente, mesmo que dele discorde em muitas coisas: Friedrich Nietzsche. Sem este autor, quer gostemos ou não do seu pensamento, é quase que impossível, nos dias de hoje, estudarmos a socrática. Senão vejamos: foi a partir do instante em que N. desligara-se do Cristianismo, a partir do instante em que proclamara o advento do super-homem, que Sócrates teve de dar contas do ilimitado poder que desde o início da Idade Moderna exercera, como protótipo da “anima naturaliter christiana”. Somente para se ter como alocução sobre o poder de Sócrates, na Idade Média, veja-se o que o grande humanista da época da Reforma, Erasmo de Roterdam, sentia a respeito do helenista, chegando, inclusive, a incluí-lo entre os seus santos. E orava: “Sancte Socrates, ora pro nobis!”.

Isso, de certa maneira, atravessou os séculos, até que, na tendência anti-socrática de N. renascia, sob nova forma, o velho ódio do humanismo erasmiano contra o humanismo conceptual dos escolásticos. Para N., não era Aristóteles o “Príncipe” da Escolástica, mas o próprio Sócrates era “a autêntica personificação daquela petrificação intelectualista da filosofia escolástica, que durante meio milênio manietava o espírito europeu e cujos últimos rebentos o discípulo de Schopenhauer julgava descortinar nos sistemas teologizantes do chamado idealismo alemão” (Werner Jaeger) [Já na primeira obra de N., Die Geburt der Tragödie aus dem Geist der Musik, manifesta-se o ódio contra Sócrates, convertido pelo autor pura e simplesmente em símbolo de toda a “razão e ciência”. Nesta obra, N. tomava uma decisão interior entre o espírito racional da socrática e a concepção trágica do mundo dos Gregos. Esta mesma formulação do problema só se poderá compreender se o situarmos nos estudos sobre o helenismo que preenchem toda a vida de Nietzsche. Cf. E. SRANGER].

(*****)

Minha Mestra, permita-me fazer, por enquanto, um corte a este meu comentário, que, agora percebo, já se alongou, mas que está distante de sua conclusão.

UM JORNALISTA DE VISÃO por hamilton alves

Só conheci Assis Chateaubriand, que mantinha uma rede de jornais e emissoras de rádio, por longo anos, pontificando entre os primeiros “O Jornal”, que era, para seu tempo, algo que representava um avanço além dos marcos já conquistados pela imprensa do país e até, por que não dizer?, mundial, pelo nome e por via de fotos. Era um velhote baixote, muito simpático – e mais que tudo isso velha raposa do jornalismo tupiniquim. Conheceram-no os grandes jornalistas brasileiros que com ele conviveram e lhe conheceram certamente as pequenezas e grandezas características de todo o ser humano.

Refiro-me a Chateaubriand para lembrar o senso jornalístico que possuía. Ou a forma de conquistar leitores quando as coisas lhe pareciam não ir bem, o que falta nos proprietários de muitos de nossos jornais de hoje, que se contentam com o rebotalho de que dispõe (não vou citar nomes).

Houve, por exemplo, um momento em que “O Jornal” passou por uma crise de anunciantes e até mesmo de boiar nas bancas de meter medo e assustar Chatô (como era chamado pelos mais íntimos).

O que é que fez?

Usou a cabeça ou a imaginação, que lhe serviram de bússola a vida toda.

Convocou à redação Nelson Rodrigues, que, por essa época, pontificava em algumas colunas de jornais menos badalados e menos importantes, mas com público fiel que o lia.

O que lhe propôs Chatô para atrair leitores e ganhar anúncios? Simplesmente lhe disse:

– Nelson, você vai inaugurar no jornal uma história em folhetim. Cada dia publica-se um novo capítulo.

Nelson não deve ter achado difícil cumprir a missão que lhe foi confiada. Até porque era uma coisa que sabia fazer como poucos: inventar histórias, as mais dramáticas e rocambolescas, como eram, tempos depois, as crônicas que escrevia, na “Zero Hora”, de Samuel Wainer, na última página, no rodapé, que hoje foram transformadas em livro por iniciativa de seu grande admirador, Ruy Castro, que conta no prefácio (A vida como ela é) que sua mãe as lia para ele, que ouvia entre deslumbrado e embevecido.

Chatô acertou em cheio com a convocação de Nelson para iniciar esse folhetim, que assinava com o pseudônimo de Suzana Flag, que acabou noutro de seus grandes romances, lançado pela Companhia das Letras, prefaciado também por Ruy, com o título de “Núpcias de Fogo”.

Estamos assistindo à decadência de alguns de nossos jornais (notoriamente os que ainda mantêm algum prestígio e boa circulação, mas que dão sinais evidentes de descompasso com os novos tempos, com a concorrência forte do computador, com a formação de blogs) e pergunto se os donos desses jornais têm alguma receita pronta para reagir aos solavancos eventuais de falta de leitores e anunciantes?

Ou pretendem manter as coisas dentro do atual padrão? Vale lembrar a lição de Chatô.

FOTOPOEMA 138 de rudi bodanese e paulo leminski / florianópolis

RUDI BODANESE - fotopoema 138

GENTE BRONZEADA por alceu sperança / cascavel.pr

Se males piores o capitalismo em sua etapa neoliberal não contivesse além da brutal contradição entre desenvolvimento e destruição ambiental e da liquidação geométrica dos postos de trabalho proporcional à evolução Alceu sperança  - AJC (1)aritmética do progresso científico e tecnológico, ele deveria ser condenado como desumano no mínimo por uma constatação inquestionável e da maior relevância: ele é cruel para com o futuro da nossa espécie.

Evidencia-se isso de várias formas, inclusive pela destruição ambiental e pelo desemprego gerado com a introdução de computadores e robôs nas empresas, mas a face mais ofensiva desse sistema injusto é o que está acontecendo com as crianças, agora mesmo.

Mais de 200 milhões de crianças menores de cinco anos nos países mais pobres não atingem seu potencial de desenvolvimento, apontou um estudo do University College de Londres, publicado na revista médica The Lancet. Os pesquisadores mostraram o óbvio: pobreza e desnutrição redundam num cérebro menos capaz de aprender.

Essas crianças podem até ter vagas na educação “universalizada”, mas entram em sala com desvantagem competitiva com aquelas cujas mães conseguiram cuidar bem desde a gestação.

No que isso dá

É claro que a maioria delas, com exceção de um André Rebouças aqui ou de um Milton Santos acolá, devido às condições excepcionais de sua criação, poderão erguer a cabeça além do nível da água, mas essas crianças em desvantagem tendem a ter mau desempenho na escola, reproduzindo a velha equação: baixa renda + alta fertilidade = mais gente com menos dinheiro. E sempre mais gente infeliz.

É assim que a pobreza vai atravessando as gerações e explode na forma de insegurança e violência nas nossas cidades sitiadas no medo e nas injustiças sociais, agravadas dia a dia pelo neoliberalismo e sua máquina ideológica de engabelar.

O estudo promovido pela instituição britânica desfila um rol de obviedades: as crianças dos países pobres sofrem com a pobreza renitente, a má nutrição continuada e a completa falta de estímulo da família para elas, e à família por parte da sociedade e dos governos eleitos pelo povo para a alegria dos banqueiros compradores de votos. O fruto óbvio dessa desgraceira toda é a criança afetada em seu desenvolvimento cognitivo, motor e socioemocional.

Hoje, vivem em países pobres mais de 600 milhões de crianças menores de cinco anos, das quais 160 milhões têm problemas de crescimento e 130 milhões penam na absoluta pobreza. Essas crianças estão condenadas a ter menos educação, um menor desenvolvimento cognitivo e a ser menos produtivas.

“Deveriam implementar”

Ingenuamente, os pesquisadores que elaboraram o estudo concluem que “para alcançar os Objetivos do Milênio para reduzir a pobreza – e assegurar que meninos e meninas completem a escola primária –, os governos e as sociedades civis deveriam implementar programas de desenvolvimento infantil de alta qualidade”.

Esses governos neoliberais do tipo PT/PSDB/PMDB/DEM e essa sociedade omissa e conivente que aí estão não vão fazer nada disso em homenagem à bela cor dos olhos pidões e sofridos dos miseráveis em geral. Vão enrolar a massa a bolsadas e enriquecer os barões assinalados que financiam as campanhas eleitorais.

Pois, já dizia Marx em Miséria da Filosofia, essa coisa hoje dominante só pensa no que lhe dá lucro:

“É o tempo da corrupção geral, da venalidade universal ou, para falar em termos de economia política, em que qualquer coisa, moral ou física, tendo-se tornado valor venal, é levada ao mercado para ser apreciada por seu valor adequado.”

Por aqui, temos que reviver a bela palavra-de-ordem do poeta Assis Valente:

“Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar seu valor” (Brasil Pandeiro, 1941).

RUMOREJANDO -PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES. por juca ( josé zokner) / curitiba


Constatação I

Não se pode confundir acata com ataca, até porque quem acata quem te ataca quer dizer que você é um bunda-mole que o dicionário Houaiss define como:

1 Regionalismo: Brasil. Uso: informal, pejorativo.

Pessoa fraca, covarde; pusilânime.

Ex.: agora vamos ver quem é homem e quem é b.JUCA - Jzockner pequenissima (1)

2 Regionalismo: Brasil. Uso: informal, pejorativo.

Pessoa pouco ativa, desanimada.

Nota de Rumorejando: Os deputados e senadores são pessoas de muita atividade. Lamentavelmente, em seu próprio benefício…

Constatação II

Deu na mídia: “O Banco católico Pax Bank pediu desculpas por investir em armas, cigarros e pílulas anticoncepcionais”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejando acha que banqueiro é banqueiro, sem distinção de raça, cor ou religião. Aliás, a religião do banqueiro é o dinheiro. E, em certos países, sempre visando lucros estratosféricos e, consequentemente, pornográficos… Não é à-toa que o irlandês George Bernard Shaw disse que “o pecado do ladrão é a virtude do banqueiro”.

Constatação III (e já que falamos no assunto…)

Ela era toda circunspeta

Inclusive sua bunda,

Pouco rotunda,

Que tava mais para atleta.

A dita, nunca mostrava os dentes

Foi a única que conheci assim

As demais, sempre sorridentes,

Como costumam ser

As bundas femininas,

Pela manhã, à tarde e ao anoitecer.

Sejam de meia-idade,

Da longínqua mocidade

Ou de meninas;

Sejam brancas, morenas ou carmesim.

Será que, além dos glúteos, os músculos,

Das bundas que abrigam algum biquíni,

Grandes ou minúsculos,

Possuem também o músculo Risório de Santorini*?

*que ou o que se localiza na proximidade dos lábios (diz-se de pequeno músculo).  (Houaiss). Músculo do riso.

Constatação IV (Pseudo-soneto da série Ah, o Amor…)

Meus sensíveis pontos erógenos

Ela, irritada, me ponderou,

São os que mexem com meus estrógenos

E você mais uma vez se enganou.

Você foi muito pro lado e acima

E, como sempre, muito depressa.

Você só pensa na tua superestima,

Você ainda não aprendeu, ora essa!

Me diga, então, os pontos exatos

To cansado de ouvir teus desacatos.

Preciso reaprender com exatidão.

Meu nariz, meu pulso e meu cotovelo;

Meus cílios, minhas unhas e meu tornozelo,

As bochechas, o cabelo e o metatarso do dedão.

Constatação V (De diálogos matrimoniais intelectualizados).

Sugeriu à mulher

Um “ménage à trois”.

Ela, como quem nada quer,

Esnobou no francês:

-“Ce serait bon, tu crois?

Você vai convidar

Teu amigo javanês?”

-“Não. Queria que você convidasse

A mulher dele”.

-“Aí, vamos ficar

Num baita impasse.

A javanesa,

Que, reconheço, é uma beleza,

Apenas topa ir com ele.

No ménage que eu participei

Com os dois

Eu só fiquei

No feijão com arroz”*

*Não ficou claro o que ela quis dizer com o “feijão com arroz”. Quem souber, por favor, cartas a este assim chamado escriba, pelo correio eletrônico, para podermos esclarecer aos nossos prezados leitores. Obrigado.

Constatação VI

Não se pode confundir prensado com repensado, mormente no caso da crise do Senado brasileiro, até porque, cada vez que o presidente do Senado é prensado por atos que cometeu e/ou tinha conhecimento sem tomar providencias e a Oposição tenta afasta-lo entram variáveis do tipo “eles também têm o rabo preso” e o caso passa a ser, incontinentemente, repensado

Constatação VII

Pintou e bordou:

Pintou o sete;

Bordou no corpete

A foice e o martelo.

O marido de Direita

Pôs-se amarelo.

Broxou.

Cortou, logo, o elo

E com ela não mais se deita.

E com cara amarrada

Falou muito zangado:

“Quem assim se enfeita,

Por si só se enjeita”.

Coitada!

Coitado!

Constatação VIII

Incorrigível,

O Senado doente

Acertou os ponteiros

Que o seu presidente,

Ainda por muitos janeiros,

À semelhança de anos inteiros,

Parece ser irremovível.

Constatação IX

O coringa ensejou

Que ele batesse

No jogo de canastra.

Aí, ela a roupa tirou,

Conforme combinado

De quem perdesse.

Ela, de tão magra,

Parecia uma pilastra.

Eis que o pai entra na sala

E os dois flagra.

Brande sua bengala.

Em sua direção.

“Seu safado!”

Ele nem se despede,

Se escafede

E na escuridão

Do jardim

Cai numa vala.

E rasga sua túnica

E sua única

Calça de brim.

Coitado!

Constatação X

Rico sempre seus ganhos dobra; pobre, soçobra.

JULIO DAIO BORGES entrevista o poeta MANOEL DE ANDRADE / são paulo

América Latina foi minha grande universidade

Hoje gerente de uma empresa da área médica, o poeta brasileiro Manoel de Andrade se destacou nos anos 70 pelos versos nos quais expressava o sentimento do homem latino-americano no livroPoemas para a Liberdade, reeditado recentemente em edição bilíngue no Brasil (Escrituras Editora).

Sua forte ligação com a América Latina começou no final dos anos 1960, quando saiu do Brasil devido à perseguição política pela luta estudantil contra a ditadura e, especificamente, por um poema que escreveu em homenagem a Che Guevara.

Na viagem, percorreu 15 países latino-americanos, onde viveu, segundo ele, sua universidade poética, apesar de termanecosido preso e expulso de alguns deles. Em cada cidade, aproveitava o tempo para estudar, aprender o idioma espanhol e ler grandes escritores.

Os frutos da empreitada resultaram em reconhecimento internacional, com o livro Poemas para la Libertad publicado na Bolívia, Colômbia, Equador e Estados Unidos, além de edições panfletárias no Peru, Nicarágua, El Salvador e México.

De volta ao Brasil, em 1972, não exerceu mais sua vocação e só voltou à poesia mais de 30 anos depois, com a publicação do livroCantares, em 2007.

Qual foi o impulso para reeditar Poemas para a Liberdade (1970) hoje?

Primeiramente pela grata recepção que teve meu livro Cantares, lançado em 2007. E, depois, pela memória de 1968, relembrando as bandeiras da luta estudantil empunhadas por minha geração. Recordar toda nossa corajosa resistência, como porta-vozes da sociedade contra o regime militar, me fez relembrar também meus anos de luta pela América Latina, onde minha trincheira e meu fuzil foram os meus Poemas para la Libertad, finalmente editados no Brasil.


Você é um dos únicos casos que conheço de poeta brasileiro que escreveu para a América Latina inteira (e obteve êxito) – como aconteceu essa sua ligação tão forte com o idioma de Cervantes?

A ligação antiga foi a leitura dos clássicos espanhóis na juventude e a imediata foi a convivência diária com o idioma castelhano em meu imenso caminhar. Ao longo dos 15 países que percorri, tinha o hábito de reservar as primeiras semanas para ler, nas melhores bibliotecas, sua história política e literária e seus principais poetas e prosadores. Aprendi muito rápido: lendo muito, falando e escrevendo.

Sua saída do Brasil está relacionada a um poema seu em homenagem a Che Guevara. Quando ele morreu, era tão perigoso assim homenageá-lo no Brasil?

Quando ele morreu, em 8 em outubro de 1967, ainda não existia o AI-5 [Ato Institucional nº5]. Saudação A Che Guevara foi escrito para comemorar o primeiro ano de sua morte. O poema colocava, liricamente, a sua imagem de comandante no centro dos movimentos revolucionários do continente, convocava a luta armada e saudava a sua imortalidade como uma consigna triunfante na conquista de um mundo novo.

Quatro mil cópias foram panfletadas até o início de dezembro, quando a nação já respirava uma atmosfera carregada pelo pressentimento de uma surda e sinistra ameaça por trás dos biombos do poder. No dia 13 de dezembro, a edição do AI-5 sufocou os últimos suspiros da democracia.

Em março, o DOPS [Departamento de Ordem Política e Social] já tinha em mãos cópias do meu poema, e a caça às bruxas já havia começado no país inteiro. Eu já estava sendo procurado nos recintos universitários, e os suspeitos de subversão eram presos, mantidos incomunicáveis, e alguns começaram a sumir. Nesse perigoso contexto, eu saí do Brasil.

Como foi percorrer 15 países por conta da sua obra, que foi, finalmente, editada em livro na Bolívia em 1970? Hoje seria possível algum poeta brasileiro experimentar uma acolhida remotamente parecida?

A América Latina foi minha grande universidade. Com meus versos na garganta, muitos percalços e alegrias pelos caminhos, preso e expulso de alguns países, mas avançando sempre rumo ao norte, meus poemas atravessaram o continente, cruzaram o Rio Bravo e foram cantar a justiça e a liberdade nas próprias entranhas do “monstro” livro capaimperialista. Ecoaram na Califórnia de 40 anos atrás, para dizer da saga revolucionária latino-americana aos nossos irmãos chicanos, cuja latinidade, maculada pelo esbulho da própria pátria mexicana, buscava forças em suas raízes para lutar contra a discriminação, as humilhações e as injustiças após 150 anos de genocídio cultural, com a anexação, em 1848, do Novo México, Arizona, Califórnia, Utah, Nevada e Colorado ao território estadunidense.

Por outro lado, não creio que hoje se possa experimentar uma acolhida tão solidária como aquela fraternidade ideológica que envolveu a América Latina nos anos 70. A Revolução Cubana acendeu uma fogueira que iluminou a tantos e nos sulcos das suas trincheiras muitos nos alinhamos, segurando o mesmo estandarte. O mundo mudou e hoje eu não cantaria mais a mudança do mundo com as armas na mão. O muro de Berlim se despedaçou sobre nossos sonhos. A Rússia centralizou sua “democracia” e a China negociou o socialismo com o “Capitalismo de Estado”. É triste dizer que, hoje, não temos mais uma utopia.

Mas a consagração, aqui, só veio em 1980, graças a Moacyr Félix e Wilson Martins… Como foi esse reconhecimento tardio?

Na verdade esse foi um reconhecimento solitário e prematuro. Meu primeiro livro publicado no Brasil foi Cantares, em 2007. Meu nome começou a surgir no cenário poético paranaense em 1965, quando minha poesia foi premiada num  concurso literário, e por minha participação na Noite da Poesia Paranaense no Teatro Guaíra, onde lancei, solitariamente, minhas primeiras farpas contra a ditadura. O destaque para minha poesia chegou, em fins de 1968, pelas amplas portas que o jornalista Aroldo Murá abriu no “Diário do Paraná” e  pela minha longa “Canção para os homens sem face”, publicada em dezembro daquele ano na Revista Civilização Brasileira, onde pontificava a elite intelectual de esquerda brasileira e mundial. Mas em março de 1969 deixei o país e me coloquei no olho do imenso furacão ideológico que agitou o continente. Minha poesia amadureceu nesse embate e frutificou nas edições de meu livro na Bolívia, Colômbia, Equador e Estados Unidos, além de edições panfletárias no Peru, Nicarágua, El Salvador e México. Quadros, cartazes, revistas, jornais, panfletos, recitais, palestras e debates foram os caminhos por onde transitaram os meus versos, partilhando também páginas de antologias com Mario Benedetti, Juan Guelmann e Jaime Sabines entre outros. Mas tudo isso fora do Brasil.

Apesar de você já ser uma promessa, nos anos 60, ao lado de Paulo Leminski e Dalton Trevisan, se ressente de não ser considerado, pela crítica especializada, tão importante quanto eles?

E nem poderia sê-lo. Voltei a ocupar esse espaço há dois anos, depois de 40 anos de ausência. Os que se lembram do poeta que fui têm hoje mais de 50 anos. Eu era uma promessa? Talvez literariamente realmente fosse. Mas esse tipo de importância nunca o foi para mim. Encaro o significado da vida numa dimensão muito maior que a literária. Quanto à crítica especializada de hoje, não crio expectativas em relação ao reconhecimento da minha poesia.

Meu livro Poemas para a Liberdade não é apenas mais um livro no mercado editorial, mas um documento histórico e político. Sua verdadeira importância está na expressão literária de um sonho que transcendeu as fronteiras do espaço e do tempo, e a crítica atual, com raras exceções, despreza a ideologia.

Meu respeito pelas palavras, a reverência do meu estilo e a clareza cartesiana com que escrevo meus versos não fazem concessões ao mero intelectualismo e aos paradigmas da pós-modernidade.

A crítica que me gratifica são os comentários sinceros que fazem na Internet aos meus poemas. Como me gratifica ver este meu livro citado publicamente por um grande escritor como Domingos Pellegrini, com dois Jabutis nas costas, e que, em mensagem a mim enviada, relembra a mesma bandeira que desfraldamos no passado e confessa que meus Poemas para a Liberdade lavaram sua alma.

E o que andou fazendo de 1980 pra cá?

Voltei em meados de 1972, quando o país passava pela sua mais aguda fase de repressão. Era a época da Guerrilha do Araguaia e quando a Anistia Internacional revela ao mundo o nome de centenas de torturadores e de milhares de torturados no Brasil. Depois de alguns meses, os agentes do DOPS já estavam à minha procura. Transferi minha [carteira da] OAB para Santa Catarina, na esperança de advogar em meu estado. Também lá não foi possível assumir publicamente qualquer trabalho.

Neste anonimato voltei para Curitiba e fui vender a Enciclopédia Delta Larousse. Era uma forma itinerante de trabalhar pelo interior sem que os agentes do DOPS me localizassem. Profissionalizei-me rapidamente, cheguei ao topo na hierarquia dos títulos nacionais e tive um grande sucesso financeiro.

Em 1987, já na abertura democrática, ingressei na área gerencial de uma empresa de medicina de grupo onde estou até hoje. Durante todo este período, embora não tenha escrito poesia, fui sempre um leitor insaciável e sempre envolvido com o voluntariado.

Foi difícil retomar o caminho da poesia em Cantares (2007)?

O caminho pelo qual retornei à poesia deu-se de forma intrigante em termos de inspiração poética: em setembro de 2002, durante a campanha eleitoral para governador no Paraná, meu velho amigo Roberto Requião foi covardemente atacado, na mídia, com uma série de infâmias e inverdades pelos seus inimigos políticos.

Indignado com tanta mentira, comecei a rabiscar um poema relembrando sua coragem, depois do golpe de 1964, quando partilhamos sua afiada oratória e minha poesia nos protestos estudantis contra a ditadura. Relembrei, sobretudo, seu gesto solidário quando, em março de 1969, me ajudou a sair do país, num dos momentos mais difíceis da minha vida. Este poema chama-se Tributo e consta do livro Cantares, e foi com este poema que voltei a escrever poesia depois de 30 anos.

E aquele sonho, dos anos 60, acabou mesmo – como disse John Lennon?

O sonho tem a dimensão que lhe queremos dar e sempre acreditei que o DNA dos poetas é feito de sonhos. Embora aquele sonho dos anos 60 tenha acabado, nos restou a indignação por termos que arriar tantas bandeiras. E essa indignação, que caracteriza toda a humanidade contemporânea, é a nova tese no misterioso processo dialético da própria vida que se renova, sobrepondo-se a todos os reveses. Em algum lugar sempre haverá alguém sonhando, ou nascendo para sonhar com um mundo novo, assim como Colombo um dia sonhou com o Novo Mundo.

Leia poema de Manoel Andrade:

Por que Cantamos*

Se tantas balas perdidas cruzam nosso espaço
e já são tantos os caídos nesta guerra…
Se há uma possível emboscada em cada esquina
e temos que caminhar num chão minado…

“você perguntará por que cantamos”

Se a violência sitia os nossos atos
e a corrupção gargalha da justiça…
Se respiramos esse ar abominável
impotentes diante do deboche…

“você perguntará por que cantamos”

Se o medo está tatuado em nossa agenda
e a perplexidade estampada em nosso olhar…
Se há um mantra entoado no silêncio
e as lágrimas repetem: até quando, até quando, até quando…

“você perguntará por que cantamos”

Cantamos porque uma lei maior sustenta a vida
e porque um olhar ampara os nossos passos.
Cantamos porque há uma partícula de luz no túnel da maldade
e porque nesse embate só o amor é invencível.

Cantamos porque é imprescindível dar as mãos
e recompor, em cada dia, a condição humana.
Cantamos porque a paz é uma bandeira solitária
a espera de um punho inumerável.

Cantamos porque o pânico não retardará a primavera
e porque em cada amanhecer as sombras batem em retirada.
Cantamos porque a luz se redesenha em cada aurora
e porque as estrelas e porque as rosas.

Cantamos porque nos riachos e lá na fonte as águas cantam
e porque toda essa dor desaguará um dia.
Cantamos porque no trigal o grão amadurece
e porque a seiva cumprirá o seu destino.

Cantamos porque os pássaros estão piando
e ninguém poderá silenciar seu canto.
Cantamos para saudar o Criador e a criatura
e porque alguém está parindo neste instante.

Pelo encanto de cantar e pela esperança nós cantamos
e porque a utopia persiste a despeito da descrença.
Cantamos porque nessa trincheira global, nessa ribalta,
nossa canção viverá para dizer por que cantamos.

Cantamos porque somos os trovadores desse impasse
e porque a poesia tem um pacto com a beleza.
E porque nesse verso ou nalgum lugar deste universo
o nosso sonho floresce deslumbrante.

(*) Manoel de Andrade escreveu estes versos motivado pelo poema “Por que Cantamos”, do uruguaio Mario Benedetti.

LEIA TAMBÉM ARTIGO SOBRE MANOEL DE ANDRADE: clicando AQUI.

“il pleure dans mon coeur” PAUL VERLAINE / frança

GERAÇÃO BEAT, COMO ESQUECER… por daisy carvalho / rio de janeiro

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JACK KEROUAC. foto livre.

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Para mim, falar de livros, além de ser sempre um prazer, me remete à cultura, ao tempo e espaço onde o escritor se inspirou para escrever seu livro. Eles são eternos, porém datados política e socialmente. Quando um escritor tem sua inspiração para desenvolver sua obra, ele está cercado pelo espaço e pelo tempo e, assim, não tem como não catalogar em seu livro, questões sociais, comportamentais e filosóficas. Respeito, mais que tudo nesta vida, aquele que emprega seu tempo e seu coração no ato de escrever. São deuses os escribas e devem ser sim reverenciados como disse-o bem nosso querido amigo Christian Gurtner.

Hoje vou falar de Jack Kerouac, para mim um dos maiores e mais sensíveis escritores de seu tempo. Vou falar de revolução cultural. Revolução! Uma revolução cultural que ficou conhecida como a Geração Beat.

On The Road

Em 1957, Jack Kerouac publicava On The Road e iniciava uma revolução cultural nos Estados Unidos. Este livro tornou-se o manifesto da geração beat, que rompia com o compromisso do american Way of life e pregava a busca de experiências autênticas, um compromisso selvagem e espontâneo com a vida até seus mais perigosos limites. Diante de uma sociedade que aniquilava o indivíduo, os beatniks queriam uma consciência nova, libertada de padrões, escolhiam a marginalidade. (Trecho O Autor e sua Obra)

Não queriam continuar numa sociedade morna, desprovida de vida, de ação e liberdade de pensar e viver.

Apesar das experiências com o êxtase através das drogas, na minha opinião é apenas um detalhe dada a importância desta revolução, a geração beat marcou nova era no mundo cultural. O homem tem direitos de indivíduo e o mais sagrado é, possivelmente o de mudar o Status Quo. Perceber que pode repensar as coisas e, diga-se de passagem, estamos falando de uma revolução artística – Literatura essencialmente…

Por intermédio de Burroughs, Kerouac tomou contato com escritores como Kafka, Céline, Spengler e Wilhelm Reich. Os três amigos passaram a conviver com as barras pesadas do Times Square.

Descendente de uma família de franco-canadenses, Jack Kerouac recebeu uma educação católica e graças às suas aptidões de atleta foi estudar na Universidade de Colúmbia. Lá no Campus, conheceu Allen Ginsberg, também estudante e William Burroughs, formado em Harvard. Os três iriam se tornar os principais representantes da geração beat.

Em 1947 Kerouac resolveu sair viajando pelo mundo e pegou a estrada. Associou-se com vagabundos, caroneiros, e bebeu muito por aí. Terminou o On The Road em 1951. Seu estilo é notável e inconfundível, com suas longas frases, onde descartava o uso da pontuação.

Mas sempre foi um individualista. Terminou dividindo um apartamento com sua mãe, onde pintava quadros com Cristos tristes, ficava horas a fio diante da televisão. Ou seja, era, no fundo um espírito conservador e não entendia como influenciara pessoas como Allen Ginsberg (poeta)!

Considerado um rebelde existencial, quedou-se ao budismo mas foi sempre um inadaptado ao mundo em que vivemos.

Escreveu vários romances, como “O Subterrâneo”, Desolate Angels”, “The town and the city”, entre outros.

Se alguém estiver se perguntando o que a geração beatnik tem a ver com os dias de hoje, eu poderia responder, de pronto, que tudo que somos e fomos depois desta revolução, tem a ver com a abertura literária no campo das experiências, da pós modernidade, da noção de liberdade de pensamento e principalmente, tem a ver com a felicidade de fazermos parte de uma cadeia de pensadores e escritores que nos deixaram um legado inestimável.

Trechos de On The Road

Casualmente, uma gostosíssima garota do Colorado bateu aquele shake pra mim; ela era toda sorrisos também; eu me senti gratificado, aquilo me refez dos excessos da noite passada. Disse a mim mesmo: Uau! Denver deve ser ótima. Retornei à estrada calorenta e zarpei num carro novo em folha, dirigido por um jovem executivo de Denver, um cara de uns trinta e cinco anos. Ele ia a cento e vinte por hora. Eu formigava inteiro; contava os minutos e subtraía os quilômetros. Bem em frente, por trás dos trigais esvoaçantes, que reluziam sob as neves distantes do Estes, eu finalmente veria Denver. Imaginei-me num bar qualquer da cidade, naquela noite, com a turma inteira; aos olhos deles, eu pareceria misterioso e maltrapilho, como um profeta que cruzasse a terra inteira para trazer a palavra enigmática, e a única palavra que eu teria a dizer era: “Uau!”…

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE

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CORRENTE AMPLIADA por harry laus / florianópolis

Num bar de esquina da Barata Ribeiro com a Siqueira Campos, eu tomava um cafezinho antes de ir para o Ministério da Guerra, onde o expediente da Diretoria de Armamento começava às 11 horas. De Juiz de Fora à Vila Militar, da Vila ao Ministério, agora podia dormir tarde, acordar sem o alarde do despertador.

Foi nesse bar que encontrei Walter Wendhausen, catarinense, meu conhecido das noites de Copacabana. Apresentou-me seu companheiro de apartamento, Luís Canabrava, contista premiado em São Paulo com o livro Sangue de Rosaura. Morava no 418 da Barata, eu no 435 do outro lado da rua. Bastaria o fato de trabalharem em publicidade (na Sears, depois na Mesbla) para nos unir. Meu fascínio pela propaganda vinha de longe, quando mandei o layout de um anúncio para uma agência de Porto Alegre e nunca soube o resultado. Mas havia outros elos: ambos desenhistas e pintores. Walter conhecedor da música popular, guardando seus preciosos discos numa velha geladeira pintada de verde-oliva.

No 418 morava também o contista Renard Perez, irmão do gravador Rossini Perez, e o ator Jason Cesar. No apartamento junto ao meu, o jornalista Antônio Pinto de Medeiros, conhecido de Natal, redator deO Jornal. Sálvio de Oliveira, em frente ao meu prédio, completava este simpático quadro de vizinhança, onde não faltavam gostosas confabulações sobre arte, literatura e teatro, algumas vezes acompanhadas pelo brilho verbal de Jayme Maurício ou a irreverência de Sansão Castello Branco.

Sansão aparecia sempre de improviso, sandálias nordestinas, uma pasta com desenhos, projetos de decoração, o caderno de capa preta com os telefones “de todo o Rio de Janeiro”. De calça cinza, larga camisa preta, levou-me um dia a um velho edifício da rua Barão de Ipanema:

– Eneida, este é o Laus, oficial do exército, também contista.

Eneida, outra pessoa-chave de minha vida, uma das mais importantes como ser humano autêntico. De uma vivacidade sem limites, tinha seu caderno com os telefones também “de todo o Rio”. Jornalistas, críticos de arte, compositores, cantores, conhecia a todos, por todos conhecida como cronista do Diário de Notícias, responsável pelo Baile do Pierrots, lançadora das tardes de autógrafos na Livraria São José de Carlos Ribeiro.

Numa livraria ou galeria de arte, na entrada dos teatros ou no bar Vermelhinho, chegava com o ruído das pulseiras e colares de prata, os ativos olhos verdes saltando de uma pessoa a outra, beijos, abraços, um dito gostoso, uma palavra de humor. Mulher excepcional, amiga incondicional de seus amigos, defendia-os mesmo no erro:

– Sei que você não está certo, seu porcaria, mas afinal somos ou não somos amigos?

Impossível relacionar todas as pessoas conhecidas através de Eneida. Algumas, pura apresentação; outras, convivência rápida, sem consequência; mas também muitas de sólida ligação. Na literatura, Jorge Amado, James Amado, Aníbal Machado, José Condé, Valdemar Cavalcanti, o coronel M. Cavalcanti Proença, além de Antônio Bandeira, Ana Letícia, Rossini Perez, nas artes plásticas. Figura obrigatória nos Bailes do Pierrots, Elizeth Cardoso cantava sem se fazer de rogada nos grandes almoços de sábado, em casa de escritores e artistas.

Jayme Maurício, como bom gaúcho, aparecia no 435 com uma garrafa de vinho. Um dia, em 1954, trouxe Mário Faustino, o poeta, o maior poeta com quem convivi, poeta desde o amanhecer até a noite. Antes de dormir, para o descobrimento de novas palavras, ia avançando sua busca nas páginas do Pequeno Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. Conversação instigante, agressiva, fulgurante, não concedia aos outros o que não concedia a si próprio: comodismo e improviso na criação artística.

Quando Mário voltou de Belém do Pará, onde morava, para trabalhar na Fundação Getúlio Vargas, ficou hospedado dois meses comigo. Esse período permitiu-me conhecer e avaliar sua inteligência, a cultura profunda. A presença do poeta trazia uma grande carga de emulação. Insistia para que se trabalhasse, lia sem cessar e, de vez em quando, interrompia a leitura para mostrar uma descoberta, fosse um poema inteiro, um verso ou uma simples palavra.

Tudo isso reforçou em mim uma convicção posta em letra de forma numa entrevista que concedi a um jornal de Belém, onde estive com Eneida e Renard Perez em 1956:

– Escrever pra mim, corresponde a uma necessida de interior que posso, quando muito, adiar; impedir é impossível.

Mas, em 1956, ia perder o amigo (Sansão) que me chegou sob a forma envolvente e mágica de um balé.

.

(Capítulo I, texto 5, do livro De-Como-Ser – Memórias de Harry Laus, 1978)

SARA VANEGAS e poesia / ecuador

mar: un cuchillo de sal me atraviesa el pecho y las palabras

—-

las voces llegan a borbotones. como el oleaje a las naves sumergidas de la catedral eterna. voces que ascienden al coro y las cúpulas. como alas o lluvia mansa

tras los vitrales encendidos: peces arrodillados y tu sonrisa

dormida

—-

alguien dibuja en la arena el recuerdo de un nombre

y se arroja a la mar

.

—-

alguien me dice que es la luz azulada de la luna. y yo vuelvo a confundirla con un río submarino. nunca conoceré el origen del agua. me pregunto si el mar devorará sus propias lunas …

—————

la luna y sus manantiales. el mar henchido de campanas. aquí: castillos de espuma y sal. para tus ojos solos

AMIGO de pablo neruda / chile

Amigo

  1. Amigo, toma para ti o que quiseres,
    passeia o teu olhar pelos meus recantos,
    e se assim o desejas, dou-te a alma inteira,
    com suas brancas avenidas e canções.

  2. Amigo – faz com que na tarde se desvaneça
    este inútil e velho desejo de vencer.

    Bebe do meu cântaro se tens sede.

    Amigo – faz com que na tarde se desvaneça
    este desejo de que todas as roseiras
    me pertençam.

    Amigo,
    se tens fome come do meu pão.

  3. Tudo, amigo, o fiz para ti. Tudo isto
    que sem olhares verás na minha casa vazia:
    tudo isto que sobe pelo muros direitos
    – como o meu coração – sempre buscando altura.

    Sorris-te – amigo. Que importa! Ninguém sabe
    entregar nas mãos o que se esconde dentro,
    mas eu dou-te a alma, ânfora de suaves néctares,
    e toda eu ta dou… Menos aquela lembrança…

    … Que na minha herdade vazia aquele amor perdido
    é uma rosa branca que se abre em silêncio…

Pablo Neruda, in “Crepusculário”
Tradução de Rui Lage

SIETE PUÑALES EN EL CORAZÓN DE AMÉRICA por fidel castro / cuba

Leo y releo datos y artículos elaborados por personalidades inteligentes, conocidas o poco conocidas, que escriben en diversos medios y toman la información de fuentes no cuestionadas por nadie.

Los pueblos que habitan el planeta, en todas partes, corren riesgos económicos, ambientales y bélicos, derivados de la política de Estados Unidos, pero en ninguna otra región de la tierra se ven amenazados por tan graves problemas como sus vecinos, los pueblos ubicados en este continente al Sur de ese país hegemónico.

La presencia de tan poderoso imperio, que en todos los continentes y océanos dispone de bases militares, portaaviones y submarinos nucleares, buques de guerra modernos y aviones de combate sofisticados, portadores de todo tipo de armas, cientos de miles de soldados, cuyo gobierno reclama para ellos impunidad absoluta, constituye el más importante dolor de cabeza de cualquier gobierno, sea de izquierda, centro o derecha, aliado o no de Estados Unidos.

El problema, para los que somos vecinos suyos, no es que allí se hable otro idioma y sea una nación diferente. Hay norteamericanos de todos los colores y todos los orígenes. Son personas iguales que nosotros y capaces de cualquier sentimiento en un sentido u otro. Lo dramático es el sistema que allí se ha desarrollado e impuesto a todos. Tal sistema no es nuevo en cuanto al uso de la fuerza y los métodos de dominio que han prevalecido a lo largo de la historia. Lo nuevo es la época que vivimos. Abordar el asunto desde puntos de vista tradicionales es un error y no ayuda a nadie. Leer y conocer lo que piensan los defensores del sistema ilustra mucho, porque significa estar conscientes de la naturaleza de un sistema que se apoya en la constante apelación al egoísmo y los instintos más primarios de las personas.

De no existir la convicción del valor de la conciencia, y su capacidad de prevalecer sobre los instintos, no se podría expresar siquiera la esperanza de cambio en cualquier período de la brevísima historia del hombre. Tampoco podrían comprenderse los terribles obstáculos que se levantan para los diferentes líderes políticos en las naciones latinoamericanas o iberoamericanas del hemisferio. En último término, los pueblos que vivían en esta área del planeta desde hace decenas de miles de años, hasta el famoso descubrimiento de América, no tenían nada de latinos, de ibéricos o de europeos; sus rasgos eran más parecidos a los asiáticos, de donde procedieron sus antepasados. Hoy los vemos en los rostros de los indios de México, Centroamérica, Venezuela, Colombia, Ecuador, Brasil, Perú, Bolivia, Paraguay y Chile, un país donde los araucanos escribieron páginas imborrables. En determinadas zonas de Canadá y en Alaska conservan sus raíces indígenas con toda la pureza posible. Pero en el territorio principal de Estados Unidos, gran parte de los antiguos pobladores fueron exterminados por los conquistadores blancos.

Como conoce todo el mundo, millones de africanos fueron arrancados de sus tierras para trabajar como esclavos en este hemisferio. En algunas naciones como Haití y gran parte de las islas del Caribe, sus descendientes constituyen la mayoría de la población. En otros países forman amplios sectores. En Estados Unidos los descendientes de africanos constituyen decenas de millones de ciudadanos que, como norma, son los más pobres y discriminados.

A lo largo de siglos esa nación reclamó derechos privilegiados sobre nuestro continente. En los años de Martí trató de imponer una moneda única basada en el oro, un metal cuyo valor ha sido el más constante a lo largo de la historia. El comercio internacional, por lo general, se basaba en él. Hoy ni siquiera eso. Desde los años de Nixon, el comercio mundial se instrumentó con el billete de papel impreso por Estados Unidos: el dólar, una divisa que hoy vale alrededor de 27 veces menos que en los inicios de la década del 70, una de las tantas formas de dominar y estafar al resto del mundo. Hoy, sin embargo, otras divisas están sustituyendo al dólar en el comercio internacional y en las reservas de monedas convertibles.

Si por un lado las divisas del imperio se devalúan, en cambio sus reservas de fuerzas militares crecen. La ciencia y la tecnología más moderna, monopolizada por la superpotencia, han sido derivadas en grado considerable hacia el desarrollo de las armas. Actualmente no se habla solo de miles de proyectiles nucleares, o del poder destructivo moderno de las armas convencionales; se habla de aviones sin pilotos, tripulados por autómatas. No se trata de simple fantasía. Ya están siendo usadas algunas naves aéreas de ese tipo en Afganistán y otros puntos. Informes recientes señalan que en un futuro relativamente próximo, en el 2020, mucho antes de que el casquete de la Antártida se derrita, el imperio, entre sus 2 500 aviones de guerra, proyecta disponer de 1 100 aviones de combate F-35 y F-22, en sus versiones de caza y bombarderos de la quinta generación. Para tener una idea de ese potencial, baste decir que los que disponen en la base de Soto Cano, en Honduras, para el entrenamiento de pilotos de ese país son F-5; los que suministraron a las fuerzas aéreas de Venezuela antes de Chávez, a Chile y otros países, eran pequeñas escuadrillas de F-16.

Más importante todavía, el imperio proyecta que en el transcurso de 30 años todos los aviones de combate de Estados Unidos, desde los cazas hasta los bombarderos pesados y los aviones cisterna, serán tripulados por robots.

Ese poderío militar no es una necesidad del mundo, es una necesidad del sistema económico que el imperio le impone al mundo.

Cualquiera puede comprender que si los autómatas pueden sustituir a los pilotos de combate, también pueden sustituir a los obreros en muchas fábricas. Los acuerdos de libre comercio que el imperio trata de imponer a los países de este hemisferio implican que sus trabajadores tendrán que competir con la tecnología avanzada y los robots de la industria yanki.

Los robots no hacen huelgas, son obedientes y disciplinados. Hemos visto por la televisión máquinas que recogen las manzanas y otras frutas. La pregunta cabe hacerla también a los trabajadores norteamericanos ¿Dónde estarán los puestos de trabajo? ¿Cuál es el futuro que el capitalismo sin fronteras, en su fase avanzada del desarrollo, asigna a los ciudadanos?

A la luz de esta y otras realidades, los gobernantes de los países de UNASUR, MERCOSUR, Grupo de Río y otros, no pueden dejar de analizar la justísima pregunta venezolana ¿Qué sentido tienen las bases militares y navales que Estados Unidos quiere establecer alrededor de Venezuela y en el corazón de Suramérica? Recuerdo que hace varios años, cuando entre Colombia y Venezuela, dos naciones hermanadas por la geografía y por la historia, las relaciones se volvieron peligrosamente tensas, Cuba promovió calladamente importantes pasos de paz entre ambos países. Nunca los cubanos estimularemos la guerra entre países hermanos. La experiencia histórica, el destino manifiesto proclamado y aplicado por Estados Unidos, y la endeblez de las acusaciones contra Venezuela de suministrar armas a las FARC, asociadas a las negociaciones con el propósito de conceder siete puntos de su territorio para uso aéreo y naval de las Fuerzas Armadas de Estados Unidos, obligan ineludiblemente a Venezuela a invertir en armas, recursos que podían emplearse en la economía, los programas sociales y la cooperación con otros países del área con menos desarrollo y recursos. No se arma Venezuela contra el pueblo hermano de Colombia, se arma contra el imperio, que intentó destruir ya la Revolución y hoy pretende instalar en las proximidades de la frontera venezolana sus armas sofisticadas.

Sería un error grave pensar que la amenaza es solo contra Venezuela; va dirigida a todos los países del Sur del continente. Ninguno podrá eludir el tema y así lo han declarado varios de ellos.

Las generaciones presentes y futuras juzgarán a sus líderes por la conducta que adopten en este momento. No se trata solo de Estados Unidos, sino de Estados Unidos y el sistema. ¿Qué ofrece? ¿Qué busca?

Ofrece el ALCA, es decir, la ruina anticipada de todos nuestros países, libre tránsito de bienes y de capital, pero no libre tránsito de personas. Experimentan ahora el temor de que la sociedad opulenta y consumista sea inundada de latinos pobres, indios, negros y mulatos o blancos sin empleo en sus propios países. Devuelven a todos los que cometen faltas o sobran. Los matan muchas veces antes de entrar, o los retornan como rebaños cuando no los necesitan; 12 millones de inmigrantes latinoamericanos o caribeños son ilegales en Estados Unidos. Una nueva economía ha surgido en nuestros países, especialmente los más pequeños y pobres: la de las remesas. Cuando hay crisis, ésta golpea sobre todo a los inmigrantes y a sus familiares. Padres e hijos son cruelmente separados a veces para siempre. Si el inmigrante está en edad militar, le otorgan la posibilidad de enrolarse para combatir a miles de kilómetros de distancia, “en nombre de la libertad y la democracia”. Al regreso, si no mueren, les conceden el derecho a ser ciudadanos de Estados Unidos. Como están bien entrenados les ofrecen la posibilidad de contratarlos no como soldados oficiales, pero sí como civiles soldados de las empresas privadas que prestan servicios en las guerras imperiales de conquista.

Existen otros gravísimos peligros. Constantemente llegan noticias de los emigrantes mexicanos y de otros países de nuestra área que mueren intentando cruzar la actual frontera de México y Estados Unidos. La cuota de víctimas cada año supera con creces la totalidad de los que perdieron la vida en los casi 28 años de existencia del famoso muro de Berlín.

Lo más increíble todavía es que apenas circula por el mundo la noticia de una guerra que cuesta en este momento miles de vidas por año. Han muerto ya, en el 2009, más mexicanos que los soldados norteamericanos que murieron en la guerra de Bush contra Irak a lo largo de toda su administración.

La guerra en México ha sido desatada a causa del mayor mercado de drogas que existe en el mundo: el de Estados Unidos. Pero dentro de su territorio no existe una guerra entre la policía y las fuerzas armadas de Estados Unidos luchando contra los narcotraficantes. La guerra ha sido exportada a México y Centroamérica, pero especialmente al país azteca, más cercano al territorio de Estados Unidos. Las imágenes que se divulgan por la televisión, de cadáveres amontonados y las noticias que llegan de personas asesinadas en los propios salones de cirugía donde intentaban salvarles la vida, son horribles. Ninguna de esas imágenes procede de territorio norteamericano.

Tal ola de violencia y sangre se extiende en mayor o menor grado por los países de Suramérica. ¿De dónde proviene el dinero sino del infinito manantial que emerge del mercado norteamericano? A su vez, el consumo tiende también a extenderse a los demás países del área, causando más víctimas y más daño directo o indirecto que el SIDA, el paludismo y otras enfermedades juntas.

Los planes imperiales de dominación van precedidos de enormes sumas asignadas a las tareas de mentir y desinformar a la opinión pública. Cuentan para ello con la total complicidad de la oligarquía, la burguesía, la derecha intelectual y los medios masivos de divulgación.

Son expertos en divulgar los errores y las contradicciones de los políticos.

La suerte de la humanidad no debe quedar en manos de robots convertidos en personas o de personas convertidas en robots.

En el año 2010, el gobierno de Estados Unidos empleará 2 200 millones de dólares a través del Departamento de Estado y la USAID para promover su política, 12% más que los recibidos por el gobierno de Bush el último año de su mandato. De ellos, casi 450 millones se destinarán a demostrar que la tiranía impuesta al mundo significa democracia y respeto a los derechos humanos.

Apelan constantemente al instinto y al egoísmo de los seres humanos; desprecian el valor de la educación y la conciencia. Es evidente la resistencia demostrada por el pueblo cubano a lo largo de 50 años. Resistir es el arma a la que no pueden renunciar jamás los pueblos; los puertorriqueños lograron parar las maniobras militares en Vieques, situándose en el polígono de tiro.

La patria de Bolívar es hoy el país que más les preocupa, por su papel histórico en las luchas por la independencia de los pueblos de América. Los cubanos que prestan allí sus servicios como especialistas en la salud, educadores, profesores de educación física y deportes, informática, técnicos agrícola, y otra áreas, deben darlo todo en el cumplimiento de sus deberes internacionalistas, para demostrar que los pueblos pueden resistir y ser portadores de los principios más sagrados de la sociedad humana. De lo contrario el imperio destruirá la civilización y la propia especie.

Fidel Castro Ruz
Agosto 5 de 2009
11 y 16 a.m.

VIRANDO À DIREITA por walmor marcellino / curitiba


NÚCLEOS POLÍTICOS, CORPORAÇÕES E MOVIMENTOS SOCIAIS

Não por acaso o individualismo burguês que interpenetra a “esquerda” e o movimento social assume um coletivismo “prático” como padrão, onde predomina, mais que “o coletivo”, o conforto de “formar um conjunto popular contra o WALMOR MARCELLINO FOTO 1inimigo à vista”, e que se transformou em “o grande obstáculo ao avanço social”. Dentre as lideranças intelectuais, desde aí, predominará o grupismo “heroico” com o “relativismo das alianças conjunturais” contra os inimigos “expressamente ideológicos” — sem discernimento da luta de classes e da necessidade de fortalecer atitudes e posições científico-políticas, para uma longa e difícil batalha de formação de lideranças conscientes e de militâncias esclarecidas.

Nossa visão dialética errou na compactuação com um movimento operário-intelectual “de esquerda” apropriado por uma cúpula oportunista do PT que fez de Lula (não socialista e de ideologia “confusa à esquerda”) a vaca madrinha de um movimento capaz de substituir o antigo trabalhismo e os programas reformistas dos “comunistas”. Todavia, não restavam muitos caminhos claros no caos da “esquerda heroicizada” pela resistência estilhaçada que fizera à ditadura; o desmonte dos intentos socialistas-reformistas ficou no mostruário da anistia de 1979.

Perdão, por voltar a esse assunto. Quem não conhece história fica ofuscado pelo presente; ou fará de seu clubismo político a satisfação de todos os dias e a oportunidade de reconhecimento público. Mas, independente de maiores estudos, a grande crise brasileira, social, política e institucional está sendo vista e desvirtuada em lulismo x fernandismo, em partidos da “afirmação nacional” x partidos liberal-conservadores, nesse primarismo nacional-populista. O liberalismo governista Meirelles-Lula, a substituição dos “sem-terra’” pelos aventureiros capitalistas no São Francisco e na Amazônia, as obras e serviços “público-privados”, o petróleo nacional “compartilhado” até no pré-sal; enfim, a farsa do fortalecimento dos serviços públicos de educação, saúde, segurança (que não concentra seus esforços na ação do Estado), e, acima de tudo, as alianças à direita para “manter o necessário”. A lista é muito grande do que faz a nova classe “nem direita nem esquerda” (só o Obama jura que é “esquerda”).

Sem quadros revolucionários a militância social é cega ‑ os quadros revolucionários são a expressão de qualidade na quantidade de militância. Esse truísmo as pessoas estudiosas da política sabem, até eu, o aprendiz de realidades. Porém, no movimento social, a formação de militantes políticos em coexistência com partidos de experiência histórico-concreta na luta de massas e com o horizonte definido para uma revolução socialista sempre foi o grande desafio, debaixo do dispersionismo, do voluntarismo e espontaneísmo das massas e, de outro lado, o revolucionarismo pequeno-burguês querendo impor-lhes “disciplinas” autoritárias.

Guapo – de marilda confortin / curitiba

Encontrei-o todo encilhado,

Amarrado dos pés a virilha

Completamente adestrado

Preso na própria armadilha

.

Vestindo caros apetrechos

Argolas de prata e de ouro

O dorso coberto de adereços

Escondiam marcas no couro

.

O olhar daquele potro

Parecia fazer-me um apelo:

Desencilhe-me deste fardo

Cavalgue-me nua em pelo

.

Palavras são como rosetas

Cravadas na pele da gente

Pontiagudas picaretas

Ferindo o coração do vivente

.

Seguindo o instinto amazona

Afrouxei as cordas do arreio

E fingindo ser sua dona

Intentei tirar-lhe o freio

.

Mas o potro corcoveou,

Feito fera ainda xucra

Deu um coice, empinou,

Expulsou-me da garupa

.

Decidi então ir-me embora.

Afinal, um chicote ele merecia,

Só que em vez de espora

Tentei amansá-lo com poesia.

.

Devia ter apertado a barrigueira

Ter me fingido de perua

Usado espartilho, peiteira

E não mostrado a alma nua.

.

Poesia é como chincha no abdome:

Aperta, mas não machuca

Para prender aquele homem

Só era preciso ser puta.

MASTURBAÇÃO FEMININA: ” Junta da Andaluzia encoraja masturbação feminina ” / espanha

ANDALUZIA - SEVILHASEVILHA. foto livre.

“Melhorar o desejo das mulheres” é o objectivo desta iniciativa financiada com o dinheiro dos contribuintes.

Uma publicação oficial, editada pelo Conselho da Igualdade da Mulher da Junta da Andaluzia, incentiva a masturbação feminina, chegando ao ponto de recomendar a leitura de livros eróticos para “melhorar o desejo” das mulheres.

“Desde sempre deixámos que o homem descobrisse por si onde gostávamos que nos acariciassem. Com a masturbação temos a oportunidade de fazermos essa descoberta por nós próprias”, lê- -se neste folheto editado pela junta socialista da Andaluzia e financiado por dinheiros públicos, como ontem noticiava o diário madrileno ABC.

“Não tem nenhum problema, não causa doenças, não torna louca quem o faz nem vicia como se fosse uma droga”, sublinha o texto, transcrito pelo jornal espanhol.

O folheto, refere o ABC, está escrito como se fosse um manual de instruções e destina-se, entre outros motivos, a eliminar qualquer “sentimento de culpa” que as mulheres possam sentir ao masturbarem-se.

“As pessoas que tenham concepções morais que proíbam esta prática e não desejem a masturbação não têm de praticá-la, sobretudo porque é uma actividade que controlamos, como qualquer outra, sem grande esforço”, refere ainda a publicação.

mulher da andaluziaMULHER SEVILHANA . foto livre.

CÂMARA VAI INVESTIGAR MORTE DE JOÃO GOULART – por mário coelho

Comissão de Direitos Humanos decide requisitar documentos dos serviços secretos das ditaduras do Brasil, da Argentina, do Chile e do Uruguai. Ex-agente uruguaio confirma denúncia de que ex-presidente foi assassinado a mando de generais brasileiros

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Ex-presidente João Goulart morreu em 6 de dezembro de 1976


A Comissão de Direitos Humanos da Câmara vai requisitar documentos dos serviços secretos do Brasil, da Argentina, do Uruguai e do Chile sobre a Operação Condor. A intenção dos deputados é descobrir detalhes que joguem luz sobre a morte do ex-presidente João Goulart em 6 de dezembro de 1976. O motivo do requerimento foi o depoimento prestado na última sexta-feira (7) a integrantes do colegiado pelo ex-agente do serviço secreto uruguaio Mario Neiva Barreto, que reafirmou que Jango foi assassinado a mando dos generais brasileiros.

O presidente da comissão, Luiz Couto (PT-PB), e os deputados Pompeo de Mattos (PDT-RS) e Domingos Dutra (PT-MA) estiveram no Rio Grande do Sul para colher o depoimento de Barreto. Por aproximadamente três horas, eles ouviram do ex-agente um extenso relato sobre as circunstâncias da morte do ex-presidente. “Foi uma conversa longa. O tema é muito complexo e envolve uma série de ações daqui pra frente”, avaliou Domingos Dutra.

De acordo com o ex-agente, aproximadamente 20 dias antes da morte de Jango houve uma reunião com a presença de integrantes dos serviços secretos dos quatro países, além de um representante norte-americano e do então chefe do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo, Sérgio Paranhos Fleury. Nesse encontro, ainda segundo relato do uruguaio, ficou decidido como seria o assassinato de Jango: por meio de uma overdose de medicamentos.

Os deputados que ouviram o ex-agente acreditam que é necessário buscar provas físicas para comprovar as declarações de Barreto. Oficialmente, Jango morreu vítima de um ataque cardíaco no município argentino de Mercedes. Por conta da ditadura militar da época, não houve necropsia no corpo do ex-presidente. Somente foi emitido um laudo médico.

Ao viajar para Charqueadas, na região metropolitana de Porto Alegre, os deputados queriam de Barreto a confirmação das declarações dadas por ele ao jornal Folha de S. Paulo em 27 de janeiro de 2008. Na época, ele disse que João Goulart foi envenenado por ordem de Sérgio Fleury, com autorização do presidente da época, Ernesto Geisel (1908-1996). Com a confirmação da acusação e os detalhes fornecidos, a comissão pretende montar, a partir desta semana, um plano de trabalho para continuar as investigações.

Junto com o pedido de documentos que estejam disponíveis e não tenham sido destruídos, os deputados querem apoio da Câmara na continuidade das investigações. “Precisamos que a Câmara nos dê condições de investigar”, antecipou Dutra. O petista diz que, se o Parlamento der suporte à Comissão de Direitos Humanos, a apuração pode ser aprofundada.

Provas físicas

A principal preocupação dos deputados é com a falta de provas físicas. De acordo com Barreto, o medicamento que teria causado a morte de Jango não deixaria vestígio por muitos anos no sistema sanguíneo. Mesmo assim, Dutra não descarta a possibilidade de a comissão pedir uma exumação do corpo do ex-presidente. “Apesar das declarações, sem uma prova técnica fica meio complicado fazer uma acusação”, disse o maranhense.

“Por isso, a necessidade dos documentos”, reforçou Pompeo de Mattos. Entre os primeiros arquivos a serem vasculhados pela comissão estão os papeis do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), entidade criada pelo governo brasileiro em 1969 para coordenar e integrar as ações dos órgãos de combate às organizações armadas de esquerda. “Segundo Barreto, o Dops e o DOI-CODI eram constantemente informados de todos os detalhes da operação”, relatou o deputado gaúcho.

Golpe

Com o golpe militar de 31 de março de 1964, Jango exilou-se no Uruguai e mais tarde na Argentina. No dia 2 de abril, o Congresso Nacional declarou a vacância de João Goulart no cargo de presidente, entregando o cargo de chefe da nação ao então presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli. Dez dias após o golpe, João Goulart teve seus direitos políticos cassados por dez anos, com a publicação do Ato Institucional Número Um (AI-1).

A morte de Jango, assim como a do ex-presidente Juscelino Kubitschek, vive cercada de dúvidas até hoje. Tanto que, em julho de 2008, uma comissão especial da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul divulgou um relatório afirmando que “são fortes os indícios de que Jango foi assassinado de forma premeditada, com o conhecimento do governo Geisel”.

Entre as sugestões dadas pelos deputados estaduais gaúchos, estava a requisição de informações do médico brasileiro que, segundo o ex-agente uruguaio, participou de reuniões de trabalho com um colega uruguaio para a preparação do composto químico que, na versão dele, matou o ex-presidente Goulart. A comissão da Assembleia do Rio Grande do Sul também recomendou que fosse ouvido o hoje senador Romeu Tuma (PTB-SP), ex-integrante do Dops que, segundo os deputados estaduais, seguiu os passos de Jango no exílio na França. “Algumas pessoas citadas por Barreto ainda estão vivas. Vamos atrás delas para solicitar informações”, antecipou Mattos.

A Operação Condor, da qual a Comissão de Direitos Humanos pretende buscar documentos, consistiu numa aliança político-militar entre os regimes militares do Brasil, da Argentina, do Chile, da Bolívia, do Paraguai e do Uruguai para coordenar a repressão a opositores dessas ditaduras na América do Sul. Uma das ações do movimento foi o sequestro de filhos de presos e perseguidos políticos nas décadas de 1970 e 1980.

JOÃO GOULART (JANGO), O PRESIDENTE DEMOCRÁTICO – editoria

Jango - BRESCOLA(1)

João Goulart (Jango) assumiu a presidência em 7 de setembro de 1961, sob o regime parlamentarista, e governou até o Golpe de 64, em 1º de abril. Seu mandato foi marcado pelo confronto entre diferentes políticas econômicas para o Brasil, conflitos sociais e greves urbanas e rurais. Seu governo é usualmente dividido em duas fase: Fase Parlamentarista (da posse em 1961 a janeiro de 1963) e a Fase Presidencialista (de janeiro de 1963 ao Golpe em 1964).

Plebiscito – O parlamentarismo foi derrubado em janeiro de 1963: em plebiscito nacional, 80% dos eleitores optaram pela restauração do presidencialismo. Enquanto durou, o parlamentarismo teve três primeiros-ministros, entre eles, Tancredo Neves, que renunciou para candidatar-se ao governo de Minas Gerais.

Conquistas Trabalhista – Em 1961 a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria e o Pacto de Unidade e Ação, de caráter intersindical, convocaram uma greve reivindicando melhoria das condições de trabalho e a formação de um ministério nacionalista e democrático. Foi esse movimento que conquistou o 13º salário para os trabalhadores urbanos. Os trabalhadores rurais realizaram, no mesmo ano, o 1º Congresso Nacional de Lavradores e Trabalhadores Agrícolas, em Belo Horizonte, Minas Gerais. O Congresso exigiu reforma agrária e CLT (Consolidação das Leis de Trabalho) para os trabalhadores rurais. Em 62, com a aprovação do Estatuto do Trabalhador Rural, muitas ligas camponesas se transformaram em sindicatos rurais.

Plano Trienal – João Goulart realizou um governo contraditório. Procurou estreitar as alianças com o movimento sindical e setores nacional-reformistas, mas paralelamente tentou implementar uma política de estabilização baseada na contenção salarial. Seu Plano Trienal de Desenvolvimento Econômico e Social, elaborado pelo ministro do Planejamento Celso Furtado, tinha por objetivo manter as taxas de crescimento da economia e reduzir a inflação. Essas condições, exigidas pelo FMI, seriam indispensáveis para a obtenção de novos empréstimos, para a renegociação da dívida externa e para a elevação do nível de investimento.

Reformas de Base – O Plano Trienal também determinou a realização das chamadas reformas de base: reforma agrária, fiscal, educacional, bancária e eleitoral. Para o governo, elas eram necessárias ao desenvolvimento de um “capitalismo nacional” e “progressista”.

O anúncio dessas reformas aumentou a oposição ao governo e acentuou a polarização da sociedade brasileira. Jango perdeu rapidamente suas bases na burguesia. Para evitar o isolamento, reforçou as alianças com as correntes reformistas: aproximou-se de Leonel Brizola, então deputado federal pela Guanabara, de Miguel Arraes, governador de Pernambuco, da UNE (União Nacional dos Estudantes) e do Partido Comunista, que, embora na ilegalidade, mantinha forte atuação nos movimentos popular e sindical. O Plano Trienal foi abandonado em meados de 1963, mas o Presidente continuou a implementar medidas de caráter nacionalista: limitou a remessa de capital para o exterior, nacionalizou empresas de comunicação e decidiu rever as concessões para exploração de minérios. As retaliações estrangeiras foram rápidas: governo e empresas privadas norte-americanas cortaram o crédito para o Brasil e interromperam a negociação da dívida externa.

Agitação no Congresso – No Congresso se formaram a Frente Parlamentar Nacionalista, em apoio a Jango, e a Ação Democrática Parlamentar, que recebia ajuda financeira do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (I.B.A.D.), instituição mantida pela Embaixada dos Estados Unidos. Crescia a agitação política. A polarização entre esquerda e direita foi-se rescrudescendo. Na “esquerda”, junto a Jango, estavam organizações como a UNE, a CGT e as Ligas Camponesas; no campo oposto, na “direita”, encontravam-se o IPES, o IBAD e a TFP (Tradição, Família e Propriedade).

A crise se precipitou no dia 13 de março, em razão da realização de um grande comício em frente à Estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. Perante 300 mil pessoas Jango decretou a nacionalização das refinarias privadas de petróleo e desapropriou, para a reforma agrária, propriedades às margens de ferrovias, rodovias e zonas de irrigação de açudes públicos. Paralelamente a tudo isso, cumpre assinalar que a economia encontrava-se extremamente desordenada.

Apoio ao Golpe – Em 19 de março foi realizada, em São Paulo, a maior mobilização contra o governo: a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, organizada por grupos da direita, com influência dos setores conservadores da Igreja Católica. A manifestação, que reuniu cerca de 400 mil pessoas, forneceu o apoio político para derrubar o Presidente. No dia 31 de março, iniciou-se o verdadeiro movimento para o golpe. No mesmo dia, tropas mineiras sob o comando do general Mourão Filho marcharam em direção ao Rio de Janeiro e a Brasília. Depois de muita expectativa, os golpistas conseguiram a adesão do comandante do 2º Exército, General Amaury Kruel. Jango estava no Rio quando recebeu o manifesto do General Mourão Filho exigindo sua renúncia. No dia 1º de abril pela manhã, parte para Brasília na tentativa de controlar a situação. Ao perceber que não conta com nenhum dispositivo militar e nem com o apoio armado dos grupos que o sustentavam, abandona a capital e segue para Porto Alegre.

Nesse mesmo dia, ainda com Jango no país, o Presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, declarou vaga a Presidência da República. Ranieri Mazzilli, Presidente da Câmara dos Deputados ocupou o cargo interinamente. Exilado no Uruguai, Jango participou da articulação da Frente Ampla, um movimento da Redemocratização do país, junto a Juscelino e a seu ex-inimigo político, Carlos Lacerda. Mas a Frente não logrou êxito. João Goulart morreu na Argentina em 1976.

PENSADORES E SEUS PENSAMENTOS

“Ninguém educa ninguém, ninguém se educa sozinho, nos educamos mutuamente.”
Paulo Freire

“Antes de desejarmos fortemente uma coisa, devemos examinar primeiro qual a felicidade daquele que a possui.”
La Rochefoucald

“Para se ser feliz até um certo ponto é preciso ter-se sofrido até esse mesmo ponto.”
Edgar Alan Poe

“Não há nada mais terrível do que uma ignorância ativa.”
Goethe

“Nada perturba tanto a vida humana como a ignorância do bem e do mal.”
Cícero

“Os grandes navegadores devem sua reputação aos temporais e tempestades.”
Epicuro

“É mais importante fazer as coisas que devem ser feitas do que fazer as coisas como devem ser feitas.”
P. Drucker

“Devemos seguir adiante, penetrar no desconhecido, no incerto e no inseguro, e utilizar nosso entendimento – o que temos – em fazer planos tanto para a segurança como para a liberdade.”
Karl Popper

“Na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma.”
Lavoisier

“Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno.”
Cecília Meireles

“A verdade nunca é injusta; pode magoar, mas não deixa ferida.”
Eduardo Girão

“A repetição não transforma uma mentira numa verdade.”
Roosevelt

JOÃO BATISTA DO LAGO jornalista e poeta, COMENTA em “FLORES ROUBADAS DO JARDIM ALHEIO” de ivo barroso / são luis.ma

COMENTÁRIO:

Belíssimo texto.

Belíssima denúncia.

Corajosa reflexão.

Permito-me, neste comentário, reproduzir o seguinte trecho:JOÃO BATISTA 002

“Essa prática inescrupulosa da apropriação de traduções alheias – pela cópia deslavada ou enganosa maquiagem – parece estar se ampliando junto a editores de livros em série ou coleções ditas populares. Há muitos títulos de obras clássicas que circulam por aí que, se examinados com cuidado, revelariam – como um triste palimpsesto – o nome apagado e explorado do tradutor original.”

E por que o reproduzi?(!)

Exatamente para embasar e solidificar este meu comentário que não faz crítica ao tradutor em si, pois este, é filho bizarro da subcultura que se vem propagando sob o patrocínio da pós-modernidade ou de uma modernidade tardia.

Minha crítica tem endereço certo: a indústria cultural brasileira (e de resto mundial) que se fundamenta em livreiros que não têm quaisquer compromissos com a “Paidéia”; essa indústria cultural, responsável por um sem-número de títulos imbecis (este não é o caso das Flores do Mal) é quem, de fato, deveria ser condenada e denunciada veementemente – como o fazem aqui o site e o autor do texto – pois, para além do plágio tosco e inculto, produzem uma tipologia de circularismo da circularidade presente de livros e textos de autores consagrados, sobretudo daqueles com mais de 100 anos, para evitar pagar os direitos autorais.

É devido a essa produção daninha – inescrupulosa mesmo! -, dessa tipologia de indústria cultural, desses fornos de subcultura – produto do capital capitalista -, que não vemos nascer novos grandes escritores que vivem condenados ao esquecimento e, possivelmente, suas obras jamais serão conhecidas do grande público.

Paralelamente, o Poder Público, ou seja, o Estado (no caso brasileiro: o Estado Brasileiro) não se tem revelado competente para o estabelecimento de uma política cultural que vislumbre o aparecimento ou a “produção” de uma indústria cultural capaz de revelar os novos atores da literatura nacional ou das belas artes brasileiras.

…E assim ficamos – todos, todos mesmos! – refém de uma produção literária ou de uma indústria cultural incapaz, ineficiente, imbecil, decursiva da idiotia idolatrada pelos senhores donos do capital da subcultura nacional.

Tenham todos um bom dia.

Bem sejam.

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A LUTA PELAS TREVAS – da redação de CARTA CAPITAL

jereissatifoto de geraldo magela. agência senado.

Lê-se na coluna de Merval Pereira, em O Globo, que o pedido de desculpas na tribuna do senador tucano Tasso Jereissati, metido dias antes em um duelo verbal com o colega peemedebista Renan Calheiros, foi mais um gesto do grupo de parlamentares “éticos”, preocupados em recuperar o Senado das mãos da horda de meliantes que o administra. Finda a leitura, era possível até imaginar Jereissati vestido em uma armadura, como Ricardo Coração de Leão, a liderar um exército para salvar Jerusalém dos infiéis.

Merval, como se sabe, é da mesma estirpe do tucano. Jornalista equidistante e imparcial, movido pelas mais nobres intenções, não deve ser confundido como gente como nós, da CartaCapital, sempre prontos a vender a alma ao demônio por qualquer moeda, não é mesmo? Não importa se o colunista de O Globo peque em um fundamento essencial do jornalismo: o apego à verdade factual. Na nossa última edição, que chegou às bancas na sexta-feira 7, o texto de autoria de Cynara Menezes antecipa uma informação a que o resto da mídia só atentaria dias depois: a costura de um acordo entre o PMDB e o PSDB para zerar a contenda no Senado. Salva-se o pescoço de José Sarney, preserva-se o de Arthur Virgílio, cujos pecados seriam suficientes para queimá-lo na fogueira da Comissão de Ética.

Portanto, o gesto “nobre” de Jereissati está mais para aceno a um acordão conveniente a todas as partes. Os leitores de O Globo foram iludidos. Não existem Ricardos e Saladinos neste episódio. Há sim uma luta política corriqueira, grosseira, pautada pelo calendário eleitoral. Jereissati e Calheiros, Virgílio e Sarney são espelhos da institucionalização da política como trapolim para a realização de interesses privados, paroquiais, na melhor das hipóteses. Circunstancialmente, estão em lados contrários no momento. Mas no Brasil, onde o mundo intelectual foi dominado pelo embuste, jornalistas disfarçam seus desejos de análises desapaixonadas sem nenhum pudor.

Por falar em santos e demônios, a tevê imita o Senado. GloboRecord, Jereissati e Calheiros. Tudo a ver.

A rede da família Marinho esbalda-se nas denúncias de lavagem de dinheiro contra os integrantes da Igreja Universal. Acuados pelas transações mal explicadas, Edir Macedo e sua turma apontam as baterias contra a Vênus Platinada. A Globo reprisa os métodos nada ortodoxos de arrecadação ensinados por Macedo. A Record relembra as mazelas da rival, das relações promíscuas com o regime militar às manipulações nos sucessivos governos civis. O pano de fundo é a guerra milimétrica da audiência. Em nome dela, vale tudo. Assim como no Senado, trata-se de uma batalha pelo controle das trevas.

FORA SARNEY! ontem, sábado (15/08/09), nas capitais deste BRASIL!

FORA SARNEY

em Belo Horizonte. foto de bruno figueiredo.

BRASIL
autor e interprete: CAZUZA

Não me convidaram
Pra esta festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer…

Não me ofereceram
Nem um cigarro
Fiquei na porta
Estacionando os carros
Não me elegeram
Chefe de nada
O meu cartão de crédito
É uma navalha…

Brasil!
Mostra tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim…

Não me convidaram
Pra essa festa pobre
Que os homens armaram
Pra me convencer
A pagar sem ver
Toda essa droga
Que já vem malhada
Antes de eu nascer…

Não me sortearam
A garota do Fantástico
Não me subornaram
Será que é o meu fim?
Ver TV a cores
Na taba de um índio
Programada
Prá só dizer “sim, sim”

Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim…

Grande pátria
Desimportante
Em nenhum instante
Eu vou te trair
Não, não vou te trair…

Brasil!
Mostra a tua cara
Quero ver quem paga
Pra gente ficar assim
Brasil!
Qual é o teu negócio?
O nome do teu sócio?
Confia em mim…(2x)

Confia em mim
Brasil!!

.

FORA SARNEY RIO DE JANEIRO

Copacabana/ Riode Janeiro. foto de nelson de paula.

FORA SARNEY - SÃO APULO

fora sarney. em São Paulo. foto de nelson antoine.

PROTESTO/SARNEY/CURITIBA

em Curitiba. foto de rodolfo buhrer.

FIM DE JOGO por hamilton alves

A peça famosa de Beckett “Fim de Jogo” chegou-me às mãos por um texto em espanhol. Comecei a lê-lo e, a partir de certo ponto em diante, o larguei. Não pude colher nenhuma impressão das poucas páginas lidas. Sabia, no entanto, que se tratava de uma das melhores peças do dramaturgo irlandês. Vinha precedido de outro sucesso de palco, esse mais estrondoso – “Esperando Godot”, representado, no Brasil, pela primeira vez, por Walmor Chagas e Cacilda Becker, que, num dos espetáculos, teve uma crise de aneurisma e morreu em cena.

“Fim de Jogo” foi exibida aqui por Edson Celulari (canastrão global) e Cacá Carvalho (ator excelente). Revezavam-se ambos na interpretação dos personagens Clov e Hamm (dificílimos). Mas se saíram muito bem de sua missão árdua, melhor do que se poderia esperar.

Como fui ver essa peça é preciso que se conte.

Não tinha nenhum interesse de vê-la porque não acreditava em Celulari. Cacá era, para mim, um ilustre desconhecido, se bem que, como o outro, trabalhava nas novelas xaropes da Globo.

Um amigo, um dia antes da sessão a que compareci, me ofereceu dois ingressos.

Tinha-os ganho mas não revelava nenhuma disposição de ver a peça.

De minha parte, como aludido, tinha minhas restrições a Celulari, mal conhecia os demais atores, que formavam um quarteto, dois dos quais tinham pouca participação.

Sabia do valor do texto de Beckett, que, àquela altura, tinha corrido mundo.

Enfrentando uma má vontade de rotina de sair de casa à noite, onde invariavelmente me enfurno para distrair-me com leitura de livros ou jornais ou para compor algum trabalho literário, além do convívio com a família, fui ver a peça, já sabendo de ante-mão o que me esperava. Ou as poucas perspectivas de assistir a alguma coisa que me agradasse.

Bem, para resumir: o tiro me saiu pela culatra. Ou seja, foi um dos maiores espetáculos de teatro que já vi.                                                                                                Celulari que, na oportunidade em que assisti à peça, interpretava Hamm, e Cacá, Clov, deram ambos um show ”au complet” de arte teatral.

Punha as barbas de molho pela crítica ferina que havia feito de suas possibilidades de atores. Celulari, especialmente, estava absolutamente senhor de seu complicado papel de interpretar um velho caquético e autoritário como Hamm, que submetia sob seu tacão o pobre Clov, que lhe era todo servil. Cacá merece igualmente destaque especial (fez Clov de forma absolutamente espetacular). Trata-se, para mim, da revelação de um ator genial.

Quando saía do teatro, vinha comentando com um amigo a funda impressão que me deixara o desempenho de todos os quatro atores, com destaque para Celulari e Cacá. Notei que uma pessoa, que me ouvia, fez um risinho de mofa, levando-me a crer que não entendera lhufas da peça.

Não quero aprofundar o tema, mas me ocorreu como são mal aproveitados e pior dirigidos os atores de novelas.

RUMOREJANDO – PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES (16.08.09) por juca (josé zokner) / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

A torcida do Paraná contra o Bragantino chegou a gritar olé. É. Quem nunca come melado, quando come chega até a esquecer que pode se lambuzar na próxima. Mas, afinal. A gente estava acostumado a apenas levar e não dar olé…

Constatação II (E já que falamos no assunto, vamos externar nossa modesta e abalizada opinião):

A possibilidade do Paraná ser campeão

E ascender pra Primeira Divisão

É inversamente proporcional

A eu encontrar um adversário local,

Nacional ou mundial

Que me ganhe no truco.

Mesmo me deixando maluco.

Enfim, um cara bom…

Constatação III

Deu na mídia: O senador Artur Virgílio, que protocolou ações contra o presidente do Senado José Sarney, admitiu que manteve em seu gabinete um funcionário que estudava na Espanha. O líder do PSDB negociou com a diretoria do Senado o ressarcimento do dinheiro pago, R$ 210 mil em quatro parcelas”.

Moral I: Quem tem telhado de vidro não joga pedra no telhado do vizinho.

Moral II: Em certos países os desonestos são sempre os outros.

Moral III: Aparentemente, os dois não estavam do mesmo lado. A nossa relativa suposta sorte é que eles estavam se degladiando entre eles. Até a hora que sobreveio a tradicional e não surpreendente pizzada: “Eu não mexo com V. Excia.. E V Excia. não mexe comigo”. E viva “nóis” que não somos V. Excias…

Constatação IV (Classe é classe…)

Deu na mídia: “SÃO PAULO – O senador Fernando Collor de Melo (PTB-AL), disse em discurso em plenário dia 10 de agosto estar “obrando” na cabeça do jornalista Roberto Pompeu de Toledo, da revista Veja”. Data vênia, como diriam nossos juristas, masRumorejando supõe que na bacia sanitária seria bem mais cômodo e confortável.

Constatação V (Quadrinha para ser recitada em algum Fórum Mundial, daqueles que não levam absolutamente a nada).

Se eu fosse o presidente

Da República do Burundi

Eu viveria por lá, somente

E não viveria por aqui.

Constatação VI (Dúvida crucial via pseudo-haicai).

Na chuva, foi o amigo Bertoldo

Que, ao invés de guarda-chuva,

Usava um baita de um toldo?

Constatação VII (De outra dúvida crucial via pseudo-haicai).

Inspiro gás carbônico

Sobrevivo assim mesmo.

Será que sou biônico?

Constatação VIII (Quadrinha de cinco estrofes [pentinha?] para ser recitada no Senado ou na Câmara dos Deputados).

Conversa vai, conversa vem

Sempre haverá alguém

Que jamais, na vida, fará um bem.

E, qual um líquido, outro alguém

Tomará a forma do vaso que o contém…

Constatação IX (E já que falamos no assunto…)

Falta pros simples mortais perspicácia

Em se dar conta  que a democracia,

Apregoada por esses políticos, é uma falácia?

Constatação X (Pseudo-soneto da série Ah, o Amor…)

Chegamos no motel rotundo

Fechamos a porta do apartamento

E ficamos separados do mundo.

Nos olhando por um momento.

Trocamos beijos e abraços

No estilo “finalmente sós”.

Não foram pouco escassos.

As línguas, só faltavam dar nós.

As peças de roupa voavam

Quais corruíras no firmamento

E o teu corpo desnudavam

Você disse: “Vou tomar um banho

E volto em um momento”.

Tardou. Te segui. Visões de antanho.

Constatação XI (Com os agradecimentos ao professor de Educação Física, Personal training e Fisioterapeuta João Paulo de Andrade Alarcão).

Rico tem escápula; pobre paleta.

Rico tem gastrocnêmio; pobre, batata da perna.

Rico tem patela; pobre, rótula.

Constatação XII

O empate do Campinense um minuto após o gol do Paraná aos 46 minutos do segundo tempo lembra “mutatis mutandis” que o pão de pobre sempre cai com a manteiga voltada para o chão. E que alegria de pobre dura pouco…

Constatação XIII

Foi a mosquita

Que disse pro mosquito:

“Você andou chupando pirulito

Ou alguém que tomou birita?”

Constatação XIV

Foi a tigresa

Que disse pro tigre:

“Mas que beleza

Chegando essa hora!

Vá embora!

Emigre!

Você tá atrasado!

Seu desmiolado!”

Coitado!

Constatação XV

Não que a gente seja contra. Ao contrário. Mas a facilidade com que certas mulheres mostram os seios também pode ser explicado pelo fato delas acharem que estão mostrando algo que não lhes pertencem. Eles não são os seus seios originais. Eles foram siliconados. Elementar…

Constatação XVI

Escritor rico é vocabularista; pobre, sensacionalista.

.

FREIRAS - DE MARTA FERREIRA

a mesa diretora do senado federal em pose especial para o domingo de sol.

foto de marta ferreira.

ilustração do site.

MAU SUCO por alceu sperança / cascavel.pr

O PPS cometeu um enorme desserviço à história do País quando tentou destruir o Partido Comunista Brasileiro (PCB), dando-nos um enorme trabalho para reconstruir tudo do zero.

Para dificultar esse trabalho, espalhou por aí, sem o menor pudor, todo o patrimônio documental do Partidão, que acabou nas mãos da Globo, veja só!

Em seguida, irrefletidamente, apoiou a tucanagem nas eleições. E agora anuncia a intenção de promover discussões sobre a “esquerda democrática”… Deveria ter mais respeito pela própria história e não levar água ao moinho da direita.

A esquerda é democrática por definição e a adjetivação dela é absolutamente imprópria e malandra. Sugere que o PPS é “esquerda democrática” em oposição a uma esquerda que seria “antidemocrática” ou “não-democrática”.

O que é a esquerda, hoje, neste planeta? É não se render à ideologia capitalista, que hoje se apresenta com sua cara mais feroz e, contudo, hipnótica: o neoliberalismo. A ideologia que leva o escravo a desejar ser escravo, querer consumir e ser consumido, gastar e ser gasto.

Coisa gagá

O grande ridículo dos últimos tempos foi aquela coisa gagá dita pelo presidente Luiz Inácio:

“Se uma pessoa idosa é muito esquerda, então ele não sofre bem da cabeça”.

A besteira está menos na questão da idade que no conceito absurdo de intensidade: o que é ser “muito esquerda”, “pouco esquerda” ou “médio-esquerda”? Uma bobagem como “muito grávida”, “medianamente grávida” ou “pouco grávida”.

A esquerda é um amplo e multifacetado movimento anticapitalista e antineoliberal, de teor humanista e ambientalista, comandado pelas forças do mundo do trabalho em sua autodefesa, que procura de forma admirável, persistente, enfrentando toda a ardilosa e renitente ideologia vigente, radicalizar a democracia e não se opor a ela.

Sequer está em busca do Comunismo, um horizonte ainda impossível de compreender sem antes construir o socialismo como processo de transformação do antigo em novo.

O deputado Chico Alencar, do PSol – um dos partidos integrantes da Frente de Esquerda, ao lado de PCB e PSTU nas últimas eleições presidenciais –, fez, em uma palestra, um resumo do que é a esquerda nos dias atuais:

“Pela democratização radical: dos grandes meios de produção e… dos meios de governar (inclusive as caixas-pretas dos bancos centrais e dos gestores econômicos)”.

Abraça ainda a utopia de um governo mundial cooperativo (que Paulo VI já pregara, na encíclica Populorum Progressio, de 1967, atenção!) e de um planeta saudável e auto-sustentável.

Ou seja: ser esquerda hoje é pensar mais ou menos como o Papa pensava em 1967.

Frutos amargos

Essa mania de adjetivar a esquerda lembra aquilo que o filósofo Michel Foucault (1926–1984) dizia pensarem dele:

“Fui considerado um tecnocrata, agente do governo gaullista pelos democratas. E pelos gaullistas, pela direita, como um perigoso anarquista. Até mesmo um docente americano indignou-se porque nunca um veterano marxista como eu, certamente um agente da KGB, seria convidado pelas universidades americanas, e assim por diante”.

Mas se o neoliberalismo é o inimigo principal da esquerda, que não precisa de adjetivos e nem merece que alguém tente rachá-la com adjetivação, não é inimigo menor o neo-anarquismo, que também conduz à despolitização, à desmobilização e à omissão.

O neoliberalismo e o neo-anarquismo têm de muito parecido entre si o fato de semearem o desinteresse dos cidadãos por aquilo que é seu, é público e precisa do controle e da iniciativa popular para no mínimo corrigir rumos.

Ambos apostam na disfuncionalidade do Estado-nação. Ou seja, uns querem o Estado mínimo no sentido de ausente, outros querem nenhum Estado, acreditando que basta negá-lo para destruí-lo. Os frutos dessas duas árvores são igualmente amargos e nocivos. Dão mau (e antidemocrático) suco.

Ser esquerda é estar serviço da humanidade. É, portanto, ser radicalmente, e sempre, democrático.

“NÃO DIREI:” de fernando pessoa / portugal

Não direi:

Que o silêncio me sufoca e amordaça.

Calado estou, calado ficarei.

Pois que a língua que falo é de outra raça.

Palavras consumidas  se acumulam,

Se represam, cisterna de águas mortas,

Ácidas mágoas em limos transformadas,

Vaza do fundo em que há raízes tortas.

Não direi:

Que nem sequer o esforço de as dizer merecem,

Palavras que não digam quanto sei

Neste retiro em que me não conhecem.

Nem só lodos se arrastam, nem só lamas,

Nem só animais bóiam, mortos, medos,

Túrgidos frutos em cachos se entrelaçam

No negro poço de onde sobem dedos.

Só direi,

Crispadamente recolhido e mudo,

Que quem se cala quando não calei

Não poderá morrer sem dizer tudo.

CURADOR de josé dagostim / criciúma.sc


Abrigo-te no calor de meu coração.

Entre as montanhas avistaremos as flores.

Nos arroios sinuosos banharemos a angústia.

No amanhecer os pássaros com suas orquestras anunciarão o sol.

Nas tardes esquecidas brindaremos juntos o anoitecer.

Nas noites te recolho junto aos meus braços.

Não sentirás mais expiação.

BALEIAS à VISTA ! na ILHA DE SANTA CATARINA / brasil

Baleia franca 2

na Praia dos Ingleses, mãe com filhote.

Três baleias foram avistadas no último domingo – 09/08/09 – na Ilha de Santa Catarina. Duas estavam na Praia dos Ingleses,um adulto e um filhote, e uma na Praia do Campeche, ao Sul.
A temporada reprodutiva das baleias francas no Brasil é de julho a novembro, mas o melhor período para encontrá-las é entre a segunda quinzena de agosto e primeira quinzena de outubro, quando um maior número de baleias costuma estar na região.
Semana passada, foram avistadas 61 baleias entre Torres (RS) e Garopaba, no Sul do Estado, durante o primeiro sobrevoo do ano para observação de cetáceos.
De acordo com o Projeto Baleia Franca, a temporada 2009 pode ser uma das melhores para a observação de baleias em Santa Catarina. Geralmente, são avistados pares de mãe e filhote nadando em paralelo à costa, e muitas vezes elas expõem a nadadeira peitoral ou a cauda e dão impressionantes saltos n’água.
Segundo o Corpo de Bombeiros, uma baleia estava encalhada neste domingo na Praia Palmas do Arvoredo, em Governador Celso Ramos. A Polícia Ambiental se dirigiu ao local para verificar a situação do animal.

fernando alexandre.

SARNEY E EU* / brasília

Algumas semanas atrás recebi um email sobre uma manifestação na frente do Congresso Nacional pedindo “Fora Sarney”, na hora fiquei bastante animado, encaminhei o email para toda a minha lista de contatos e pensei que finalmente as pessoas iriam se indignar e reagir à tanta sujeira.

No dia da manifestação me bateu uma preguiça… após um longo dia de trabalho o cansaço me venceu, e afinal, quem iria sentir a minha falta?

No dia seguinte eu procurei eufórico nos sites de jornalismo sobre a tão falada manifestação que foi toda planejada em comunidades virtuais e bastante divulgada pelo twitter.  Para a minha surpresa não existia nenhuma manchete, nem ao menos uma nota de rodapé . Resolvi entrar em uma das comunidades do orkut que organizaram a manifestação, e para a surpresa de todos, apenas cinqüenta pessoas se dispuseram a ir para a frente do Congresso.

Apenas 50 pessoas? Sendo que eu sozinho divulguei para mais de 1000?  Que povo mais acomodado, pensei indignado, porque será que eles não foram??….

Não demorou muito para a ficha cair.  Eles não foram pelo mesmo motivo que eu não fui.  Esperava que “alguém” iria no meu lugar.

Recostei-me na poltrona em frente à televisão e olhei para a janela do meu apartamento, que refletia a minha imagem.  Fiquei olhando para mim e para a minha confortável inércia.  Foi quando de súbito, eu tive a arrebatadora visão daquilo que sempre procurei e nunca encontrei, o meu verdadeiro papel na sociedade.

“Que bunda- mole!!!”.

Finalmente, depois de tantos anos de crise existencial, pude perceber que eu era uma peça importante na sociedade, um legítimo Bunda-mole brasiliense (ou BMB).

Existem bunda- moles municipais e estaduais, mas eu tenho orgulho de dizer que sou um bunda-mole federal!! Nas minhas viagens de férias sempre algum engraçadinho vinha falar: “De Brasília né….já tem conta na Suíça?”. Eu ficava indignado, falando que eu era um funcionário público concursado, que pagava os meus impostos, enquanto o povo que roubava vinha de fora e blá blá blá. Mas agora eu vejo com nitidez que eu tenho um papel importante nesse cenário. Eu como um legítimo BMB ajudei a criar esta barreira de proteção que mantém os verdadeiros FDP livres para fazerem o que bem entenderem.

Eu acho que as coisas estão bem do jeito que estão. Tenho dinheiro todo mês para pagar a prestação do meu carro 1.0 e do meu apartamento de dois quartos, freqüento uma academia para queimar o meu excesso de ociosidade, tenho meu smart phone comprado na feira do Paraguai, e no final do ano ainda vou ficar um mês em uma casa de praia alugada junto com a minha família para a incrível experiência de assarmos como batatas na areia… Mais BMB impossível!!

Nas sextas-feiras, eu me sento com os meus amigos em um barzinho e depois do terceiro copo de cerveja soltamos toda a nossa indignação contra a patifaria que rola solta em Brasília, cada um conta um caso de um amigo próximo que enriqueceu da noite para o dia às custas do dinheiro público (o difícil é disfarçar aquela pontinha de admiração pelo “ixperto”). Depois traçamos os planos para endireitar o país. Planos que vão embora pelo ralo do mictório antes de pagar a conta. BMB de carteirinha!!

Os anos passam e as conversas vão mudando: PC Farias, anões do orçamento, precatórios, privatizações, dólar na cueca, mensalão, sanguessugas, vampiros, Lulinha Gamecorp, Daniel Dantas, o dono do castelo, Petrobrás, e agora a cereja do bolo, ele, o único, o inigualável Sarney!! Sarney é como um ícone do atraso nacional (clientelismo, fisiologismo, nepotismo, coronelismo, apropriação da máquina pública, desvio de verbas públicas etc), mas o que seria do Sarney sem a legitimidade dos BMB´s? O que seria da ilha da fantasia, dos cabides de emprego, dos lobistas, do QI (quem indicou), dos cargos de confiança, dos funcionários fantasmas, dos atos secretos sem a nossa apática presença?

Imaginem se no nosso lugar estivessem aqueles sul-coreanos malucos que iam para a rua protestar partindo pra cima da polícia, ou aqueles jovens em Seattle que furavam um forte esquema de segurança da OMC para protestarem contra a globalização.

O BMB precisa ter o seu papel reconhecido, somos nós que deixamos tudo correr frouxo, somos nós que damos uma cara de democracia a este coronelismo em que vivemos. O nosso poder aquisitivo acima da média nacional protege o Congresso e os palácios da miséria e da violência que fervilham em nosso entorno.

Bunda-moles: Vamos exigir os nossos direitos!! Precisamos finalmente mostrar a nossa cara. Nunca antes na história deste país o bundamolismo foi tão grande. Seja ele de centro, de esquerda ou de direita. Bundamolismo no movimento estudantil chapa-branca, nos sindicatos que só vão para a frente do Congresso para pedir aumento e nos artistas que se acomodaram no conforto dos patrocínios oficiais.

Vamos exigir que se crie em Brasília o museu do bundamolismo nacional na esplanada dos ministérios, uma enorme bunda branca de concreto, que irá combinar muito bem com a arquitetura de Niemeyer.

Assistimos de nossas poltronas o Brasil tomar o rumo da mediocridade, sem um projeto à altura do seu papel de grande potência ambiental do planeta, que pode liderar a nova economia limpa e inclusiva que irá gerar milhões de empregos. Mas que faz o contrário, age como a eterna colônia de exportação de matéria-primas, fazendo vista grossa para o colosso chinês que irá nos engolir com a sua máquina movida à destruição ambiental e desrespeito aos direitos humanos, para criar uma efêmera ilusão de prosperidade às custas de nossa biodiversidade e da nossa água doce (estes sim os nossos bens mais valiosos).

A bundamolização é muito mais eficaz do que o autoritarismo, ela pode ser eletrônica, através de novelas, videocassetadas, big brotheres e cultos picaretas. Pode ser química, com cerveja, maconha ou anti-depressivos. E também pode ser ideológica, com receitas milagrosas, e debates calorosos que sempre desaparecem em um clicar de mouse. Vivemos em uma sociedade anestesiada e chapada, sem rumo, imersa em ilusões baratas.

O bundamolismo nos une, não segrega ninguém, é a democracia verdadeira, que brilha por debaixo de uma crosta de hipocrisia e ignorância. E como toda ideologia que se preze, nós temos o nosso avatar, o nosso guru. Aquele que nos trás para a realidade e mostra quem realmente somos, revela o nosso eu profundo, a nossa essência.

Obrigado Sarney, só você para tirar as minhas dúvidas e me mostrar o mundo real por trás das ilusões. Sarney, nós somos duas faces da mesma moeda. Somos Yin e Yang. Nós somos os pilares deste país, um não existiria sem o outro. A sua cara de pau só existe porque do outro lado está a minha babaquice.

Bunda-moles de todo o país uni-vos!!

Vamos celebrar a nossa mediocridade, vamos sair às ruas gritando: Viva Sarney!! Viva Collor!! Viva Maluf!! Viva Roriz!! Viva Gim Argello!! Viva Renan Calheiros!! Viva Romero Jucá!!Viva o FHC!! Viva a República das bananas do Brasil!!!

Mas isso é pedir demais para um bunda-mole, vou voltar para a minha poltrona porque o jornal nacional já vai começar.

*Por Adelécio Freitas (um BMB legítimo).

.

ARTE DE RUA 1

enquanto o povo é sacricrucificado os “bunda-moles” assistem. foi assim há mais de 2.008 anos.

ilustração do site. foto livre.

CAOS de otto nul / palma sola.sc

Do fundo primordial

Das coisas

.

Difuso entre tudo

E nada

.

Ouve-se o canto

De um pássaro

.

Que permeia o ar

E impõe o silêncio

.

Entre sombra e luz

Sob forma de sonho

.

O canto perpassa

Todos os limites

.

Até restabelecer

A atmosfera do caos

NASA tira foto inédita do centro da galáxia – por paula rothman, de INFO

centro-via-lactea-NASA-20090807155547

O telescópio espacial Spitzer conseguiu registrar o centro da Via Láctea, uma região escondida por nuvens de gás e poeira.

Com suas lentes infra vermelhas, ele fotografou o coração da nossa galáxia, um local há cerca de 26 mil anos luz de distância da Terra, em direção à constelação de Sagitário.

O amontoado de pequenos pontos  é falsamente colorido pelo efeito da câmera, e mostra estrelas mais velhas e frias em tons azulados. As nuvens de poeira brilhantes e vermelhas indicam estrelas mais jovens e quentes nos berçários estelares.

A imagem tem um alcance de cerca de 900 anos luz.

OS INIMPUTÁVEIS por sérgio da costa ramos / florianópolis

Se pudesse invocar a Deus, o Senhor não deixaria de tomar uma divina providência. O Todo-Poderoso entendeu que aquele era um caso pessoal, de intervenção imediata. Num lugar exótico do planeta Terra, homens e mulheres transgrediam a lei, a moral social e os bons costumes e não lhes cabia qualquer tipo de penitência.SERGIO DA COSTA RAMOS

O primeiro desses “anjos caídos” habituara-se a tomar o público como privado. Apropriava-se dos bens do povo com a desenvoltura de um Lúcifer. Nomeara parentes e amigos, distribuíra empregos e benesses sem a devida contraprestação em trabalho. Pior: amealhara dinheiro de falsos convênios, subtraíra recursos que poderiam socorrer um carente, manter um hospital, salvar uma vida.

Ironia: chamava-se José, como o carpinteiro do Novo Testamento, em cujo abrigo nasceu o Salvador.

O segundo desses anjos decadentes era um “administrador de obras públicas”. Ou melhor: um “sugador” de recursos orçamentários. De uma única avenida, chupou nada menos do que US$ 400 milhões. Fortuna que viajou pelo mundo e, devidamente “lavada”, voltou ao domínio desse Ali Babá. O político – brasileiro, é claro – já foi condenado em duas instâncias do Judiciário, mas ainda não conhece penitência. Naquele bizarro país, trambiqueiros costumam viver soltos e impunes.

Num país da reforma de Lutero, os que “subtraem”, pagam. Como aquele financista do mal, Bernard Madoff. Condenado a 150 anos de prisão.

Nesse outro país da contrarreforma, o “administrador em causa própria”, Maluf, acabou ungido como o deputado federal mais votado – apesar de condenado a 23 anos de prisão. Estranha condenação – que o condenado cumpre em total liberdade, fundado na onírica presunção de que “mesmo os culpados, havendo recurso, são considerados inocentes e não se obrigam à penitência”…

E havia ainda aquela menina de rosto angelical, belas feições de “anja” numa persona dissimulada. Aquela jovem havia reunido representantes de Satanás, a quem abriu as portas de sua casa, para que massacrassem seu próprio pai e sua própria mãe, enquanto eles dormiam.

Naquele país, tristemente conhecido como “O Limbo dos Inimputáveis”, as forças do mal estão prontas para libertar a ré desse crime hediondo, depois de cumprido apenas um sexto da pena que lhe destinaram, já de si branda e “compreensiva”.

Está nas mãos do Senhor visitar esse “Limbo” e justiçar José Sarney, Paulo Maluf e Suzane Von Richthofen – os Inimputáveis.

Alexandre França apresenta sua Música de Apartamento – hoje / curitiba

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Publicado em 13/08/2009 | Pedro de Castro, especial para a Gazeta do Povo

Seguindo a linha de temas tristes e intimistas iniciada com “A solidão não mata, dá a idéia”, o novo disco do músico curitibano Alexandre França toma um espaço de clausura das cidades como metáfora para falar de um personagem ordinário, o chefe de uma família de classe média. Música de Apartamento transforma a previsibilidade deste cenário numa sequência de tragédias teatrais, acompanhada de uma instrumentação pouco carregada. França lança o novo disco hoje e amanhã, no Teatro Paiol, às 21 horas.
O apartamento é o espaço onde se desenvolvem as histórias das letras das canções, que mantêm uma tênue linha narrativa, pouco evidente de propósito. Dentro dele, o homem experimenta decepção, traição e morte. Porém a continuidade não é mais importante que os episódios isolados. O espaço delimita a ação, é a clausura do personagem, e acumula outro significado. “Exploramos o sentido burguês do apartamento, símbolo desta camada, que não só contém como está ligado ao percurso do sujeito de classe média”, explica França. A presença do tema do isolamento remete ao disco anterior, que o músico faz questão de diferenciar. “Bus ca mos outro sentido além da solidão do apartamento, e este disco tem um tom mais intimista”, esclarece.
A visão voltada para si próprio é reforçada por um arranjo de poucos instrumentos, que tam bém abre espaço ao viés cênico das canções. Sons encontrados no ambiente de um apartamento, como o barulho de água fervendo na chaleira até o ranger de portas ou o choro de um bebê, interferem na melodia das canções, pautadas pela estética da MPB. Um exemplo é a faixa que abre o trabalho, “Valsa de Apartamento”, onde o som de escovar de dentes dita o ritmo da canção. “A intenção é que o ouvinte fique absorvido na atmosfera do lugar através do disco e a instrumentação contribui com isso”, conta o músico.
França espera que o trabalho tenha uma boa recepção. “O outro disco já tinha recebido boas críticas”, lembra. O CD foi produzido dentro do âmbito do projeto Pixinguinha, da Funarte, que visa difundir a música popular brasileira.
* * *
Serviço
Música de Apartamento – Alexandre França. Teatro Paiol (Lgo. Guido Viaro, s/nº – Prado Velho), (41) 3213-1340. Hoje e amanhã, às 21 horas. Ingresso: R$ 15 (com CD), R$ 10 e R$ 7 (estudantes).

POESIA VISUAL de hugo mund junior / brasilia

HUGO MUND JUNIOR - POESIA VISUAL mund

-.-

HUGO MUND JUNIOR - VISUAL poema0011

PEDAÇOS DE MIM de martha medeiros / porto alegre

Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos

Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão

Sinto falta de
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci

Eu sou
Amor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante


Tive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.

A RAINHA DE SABÁ por eliane percília / brasília

Pouco se sabe sobre a belíssima rainha de Sabá, cuja história é repleta de mistério. A parte conhecida de sua história está relatada no Velho Testamento, datadas no século 6 d.C., e em um dos livros de Talmudu (coletânea das tradições orais judaicas).
No Alcorão (livro sagrado muçulmano) encontramos referência à suposta cidade natal da rainha, Marid. Dentre todos os relatos a respeito da rainha de Sabá, o mais conhecido é o da Etiópia, o Kebra Nagast, do século 11 a.C. Segundo esse documento, ela teria assumido o trono com apenas 15 anos de idade, após a morte do pai.

Em Sabá as mulheres e os homens possuíam praticamente os mesmos direitos, por isso sua coroação foi muito festejada pelos súditos. A única coisa que fazia a diferença entre homens e mulheres em seus direitos era a determinação religiosa de a rainha manter-se virgem. Como uma boa seguidora dos costumes de seu povo, Bilqis como era chamada no Alcorão, aceitou conformada. Já que não poderia jamais deliciar-se dos prazeres carnais, dedicou-se ao estudo da filosofia e do misticismo. Seu reinado esbanjou luxo e riqueza, isso graças à farta colheita, que era estimulada por avançadas técnicas de irrigação, e à localização privilegiada que impulsionava o comércio. Sabá era ponto de encontro de mercadores

a rainha de Sabá e o seu amado o rei Salomão.

a rainha de Sabá e o seu amado o rei Salomão.

vindos de todos os lugares. Vendia-se e comprava-se de tudo pelas pequenas ruas do reino, em especial mercadorias oriundas do Oriente. Para se distrair a rainha circulava em meio ao tumulto do comércio. Gostava de conversar com os viajantes, foi em uma dessas conversas, que sobe da existência do rei Salomão. Foi o chefe das caravanas reais, Tamrim, que lhe relatou a história de tal rei.

Ele vendia incensos de Sabá para diversos lugares do mundo e trazia muitos tecidos e jóias para a rainha. Ao retornar de uma viagem à cidade de Jerusalém, ele contou que havia feito negócios com um rei cujo nome era Salomão, muito rico e que tinha fama de sábio e generoso. A soberana ficou muito intrigada com os dotes intelectuais do rei de Jerusalém, então resolveu viajar para conhecer o soberano pessoalmente. Anunciou que iria junto com Tamrim em sua próxima viagem à Jerusalém, para isso saiu pelo reino em busca de presentes para Salomão.

A comitiva tinha 800 animais, apesar da curta distância a viagem durou seis meses. Chegando à Jerusalém, a rainha se dirigiu ao palácio, trajando roupas caras, coberta de jóias e seguida por servos trazendo os presentes para o anfitrião. Divertiu-se testando a sagacidade de Salomão, muito culta e bem-humorada ela disparou um arsenal de charadas com a intenção de desafiá-lo. O rei, muito sábio, não deixou nenhuma pergunta sem resposta.

Por sua vez, Salomão pregou a ideologia e os valores de sua religião, o Judaísmo, e conquistou mais uma adepta. Como um grande sedutor, ele também cortejou a visitante. Mesmo tendo feito o voto de castidade, a rainha de Sabá em sua primeira noite no palácio não resistiu ao charme de Salomão e se entregou a ele. Permaneceu meses na companhia de Salomão e retornou para casa grávida do amado, o filho foi chamado de Menilek.

Após o retorno da rainha, os relatos foram se tornando escassos. Nenhuma das histórias sobre a rainha de Sabá é arqueologicamente comprovada. Dessa forma, a célebre e lendária rainha tornou-se um grande enigma da história, não há comprovação de sua verdadeira história e nem relatos de seu fim.

PEQUENA ODE AO SUICÍDIO de tonicato miranda / curitiba

para 4 “Js”: Joplin, Hendrix e Morrison

Pensar no suicídio como esconderijo

A raposa acuada na busca da toca

Pensar no suicídio como o baque rijo

O corpo vindo ligeiro ao beijo do cimento

.

Pensar no suicídio como o balido da voz

A carne dura do bode ferindo a faca

Pensar no suicídio como o rio na sua foz

Afogando-se nas águas ele feito de água

.

Pensar no suicídio como bebida amarga

O absinto sem sentido e fora de nexo

Pensar no suicídio e a descarregada carga

A arma prenhe de pólvora a explodir o ego

.

Pensar no suicídio como tropel de cavalos

Assustando a platéia meu corpo sob cascos

Pensar no suicídio como o sangue nos ralos

A gilete no chão, o pulso gotejando vermelhos

.

Pensar no suicídio como o vôo de asa delta

O precipício na montanha é sua eternidade

O corpo voando ao nada e à música celta

Mas no átrio da descida perguntei:

Oh, mãe de verdes e de pedras:

__ Por quantos anos meu corpo esteve por aqui?

__ Por que perguntas? Não cabe entender,

por que medras?

A montanha sempre será mais do que a carne.

JOÃO DE ALMEIDA NETO declama o poema ” O MEU PAÍS” / porto alegre

UM clique no centro do vídeo:

.

Um país que crianças elimina;
E não ouve o clamor dos esquecidos;
Onde nunca os humildes são ouvidos;
E uma elite sem Deus é que domina;
Que permite um estupro em cada esquina;
E a certeza da dúvida infeliz;
Onde quem tem razão passa a servis;
E maltratam o negro e a mulher;
Pode ser o país de quem quiser;
Mas não é, com certeza, o meu país.

Um país onde as leis são descartáveis;
Por ausência de códigos corretos;
Com noventa milhões de analfabetos;
E multidão maior de miseráveis;
Um país onde os homens confiáveis não têm voz,
Não têm vez,
Nem diretriz;
Mas corruptos têm voz,
Têm vez,
Têm bis,
E o respaldo de um estímulo incomum;
Pode ser o país de qualquer um;
Mas não é, com certeza, o meu país.

Um país que os seus índios discrimina;
E a Ciência e a Arte não respeita;
Um país que ainda morre de maleita, por atraso geral da Medicina;
Um país onde a Escola não ensina;
E o Hospital não dispõe de Raios X;
Onde o povo da vila só é feliz;
Quando tem água de chuva e luz de sol;
Pode ser o país do futebol;
Mas não é, com certeza, o meu país!

Um país que é doente;
Não se cura;
Quer ficar sempre no terceiro mundo;
Que do poço fatal chegou ao fundo;
Sem saber emergir da noite escura;
Um país que perdeu a compostura;
Atendendo a políticos sutis;
Que dividem o Brasil em mil brasis;
Para melhor assaltar, de ponta a ponta;
Pode ser um país de faz de conta;
Mas não é, com certeza, o meu país!

Um país que perdeu a identidade;
Sepultou o idioma Português;
Aprendeu a falar pornô e Inglês;
Aderindo à global vulgaridade;
Um país que não tem capacidade;
De saber o que pensa e o que diz;
E não sabe curar a cicatriz;
Desse povo tão bom que vive mal;
Pode ser o país do carnaval;
Mas não é, com certeza, o meu país!

SAUDADE de pablo neruda / chile


Saudade – O que será… não sei… procurei sabê-lo
em dicionários antigos e poeirentos
e noutros livros onde não achei o sentido
desta doce palavra de perfis ambíguos.

Dizem que azuis são as montanhas como ela,
que nela se obscurecem os amores longínquos,
e um bom e nobre amigo meu (e das estrelas)
a nomeia num tremor de cabelos e mãos.

Hoje em Eça de Queiroz sem cuidar a descubro,
seu segredo se evade, sua doçura me obceca
como uma mariposa de estranho e fino corpo
sempre longe – tão longe! – de minhas redes tranquilas.

Saudade… Oiça, vizinho, sabe o significado
desta palavra branca que se evade como um peixe?
Não… e me treme na boca seu tremor delicado…
Saudade…

.

tradução de rui lage.

AFOGO-ME de ana carolina cons bacila / curitiba

Neste mundo de bolhas,
aqui me vejo
aqui me fico.
Me desgraço
me desvio,
aqui me estravio.

As memórias,
as lembranças,
aquelas prosas
que trançam,
me tranço
me esqueço,
a bolha se desfaz
e eu me lembro.

Que era tudo um sonho,
que agora se acaba,

Me afogo.

.

ana carolina (16) faz parte do grupo de poetas iniciantes do site.

PIVETE de marinaldo gonçalves / são luis.ma

Por favor,

Tirem-me os piolhos da cabeça.

Por amor,

Antes que a fome me desfaleça,

Tenham piedade,

Evitem que mau destino me aconteça.

Sou pobre,

Mas também sou gente;

Estou sujo,

Falta-me mãe ou parente;

Sou triste,

Por isso tão carente.

Ainda não sei,

Como é que vai ser.

Apenas percebo

Que um dia vou crescer.

Forte,

Pelo muito que sofrerei;

Duro,

Ante o desprezo que passarei;

Mau,

Face a perversidade

Que na pele sentirei.

Então,

Vendo-me forte,

Sabendo-me mau,

A sociedade,

Que não ligou na minha sorte,

Há de me chamar de marginal.

Mas,

Outro já serei:

Revólver,

Na destra terei;

Punhal,

Na sinistra usarei!

E,

Vivenciando

O que aprendi,

Nem lembrando

O amor que nunca senti,

Em próprio juiz me farei,

Minha Justiça empregarei,

A todos roubando

E muitos matando!

Se ao menino

Repulsa e dor ofertaram,

Do homem,

Menos gente, mais fera,

As elites

Receberão a paga:

Nas ruas, nas estradas,

Pessoas, viaturas assaltadas:

Nos becos, nas moradas

Suas mulheres e filhas estupradas!

———-

“A + FORTE” com CAROL PUCU e PATRÍCIA MELO / rio de janeiro

A+Forte_web_v1_2

MOFO de josé dagostim / criciuma.sc

É nos arrabaldes do umbral que brota a trágica doutrina das sombras e duplos…

Os escravos do sistema afinam o dorso das vítimas nas letradas universidades.

Abrolham crianças sem celebro, na sombra clínica dos doutores formatados nas institucionais academias da simulação capitalista…

Assisto ao bolor acadêmico do serviçal sistema, anjos perfumados com o mineral da fome proletária…

Operário patrão do dia seguinte, como um presidente maquinal de ilustres banqueiros, besta do mato e sanguinário revendedor da elite adoçante…

Fora o morno, quero a raiz!

ONDAS, as incríveis FOTOS de clark little / hawai.usa

ONDAS - FOTO ARTE - CLARK LITTLE - ATT00007

um ex-surfista americano agora se dedica a uma atividade inusitada: fotografar ondas de dentro delas.

ONDAS - FOTOARTE - CLARK LITTLE - ATT00001

Clark Little, de 39 anos, começou a fazer as imagens depois que sua mulher manifestou o desejo de ter uma foto para decorar a casa do casal, no Havaí.

ONDAS - FOTOARTE - CLARK LITTLE - ATT00005

Há dois anos, ele vive do dinheiro que ganha com a venda das fotos.

“O mar é minha segunda casa e eu amo o que faço”, disse Little. “Não existe para mim aquela sensação de encarar o trabalho como uma obrigação.”O fotógrafo conta que para obter as melhores imagens, ele utiliza uma câmera capaz de obter até dez fotos por segundo.

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As ondas que ele encara variam entre 90 cm e 4,5 m.
Muitas vezes, ele chegou a ser arremessado a até 10 m de distância de sua localização original.

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“Sempre existe um risco para mim, por conta da força e tamanho das ondas. Mas minha experiência como surfista me deixa à vontade para encarar as ondas sem medo”, afirmou.

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colaboração enviada por rô stavis.

DIALÉTICA da SARJETA de joão batista do lago / são luis.ma

As palavras estão nas sarjetas

Escorrem fazendo pequenas ondas

Olas que se confundem em si mesmas

Num breve instante onde o tempo

Disseca o vilipêndio dos discursos

Eivados do niilismo de todas as gentes

.

Quantas elucubrações prestadas

Na divina ceia dos que calam (e)

Não se assemelham na fala

Que veem das poses dos discípulos

Instalados nos púlpitos dos poderosos

Bem-aventurados do verbo-nada

.

Há que se juntar cada palavra

Arrastada pela lama que corre nas veias das cidades

Já transformadas em antros de sacerdotes podres

Que uivam versículos num latido frenético dos mercados

Onde um só deus assassina santos e demônios

Para consumi-los como hóstia do deus-mercado

A IMPRENSA BRASILEIRA, entre o porre e a ressaca – por alberto dines / são paulo

O CASO PAULA OLIVEIRA

Onde foi parar a brasileira sem nome que há poucos dias estava nas primeiras páginas e na escalada dos telejornais identificada apenas pela nacionalidade – foi seqüestrada, confiscada, embargada, censurada?

Que fim levou a advogada pernambucana Paula Oliveira que emocionou o país quando apareceu como vítima da agressão dos skinheads suíços?

Depois que se descobriu que foi protagonista de uma farsa, embuste, patranha, a moça simplesmente sumiu. Evaporou.

A brasilidade é um sentimento que só se manifesta quando inflado pela indignação. Solidariedade só no câncer – parafraseando Nelson Rodrigues – e, mesmo assim, somente no velório ou féretro.

Paula Oliveira está vivendo agora um drama terrível, maior ainda do que o de ter sido supostamente seviciada por três hooligans da extrema-direita suíça.

Há poucos dias tinha o apoio e o consolo de 190 milhões conterrâneos; agora está sozinha, com suas mágoas, família e amigos mais próximos.

Solidão penosa

Ninguém quer saber por que razão fez o que fez. A alegação de doença apresentada por seus advogados pode atenuar a sentença judicial, mas coloca-a numa solidão ainda mais penosa. Ninguém gosta de saber que foi manipulado por um surto de paranóia ou fantasia persecutória.

Nunca se saberá se Paula Oliveira se auto-imolou para denunciar o ressurgimento do nazifascismo europeu (e mundial) ou se apenas queria chamar a atenção para si mesma. Está condenada a assumir definitivamente o papel de vítima de um acesso maníaco.

A implacável gangorra que transformou a heroína em vilã foi construída por nossa mídia. Não houve má-fé, todos agiram com as melhores intenções, é sempre assim. Porém todos são igualmente responsáveis pelo vexame sofrido pelo Estado brasileiro, legítimo representante da brasilidade e o maior prejudicado nesta história.

O sumiço total do caso no fim de semana carnavalesco escancara os procedimentos e valores que comandam os nossos meios de comunicação. O assuntão transformou-se magicamente em assuntinho.

A metamorfose impõe um questionário:

** O surpreendente desfecho por acaso tornou sem importância o recrudescimento da violência política na Europa, Américas e Ásia?

** Os fantasmas de Hitler e Mussolini devem voltar para os armários ou para os museus só porque a patrícia Paula Oliveira fez uma acusação sem fundamentos?

** O neonazismo, o neofascismo, o neostalinismo e o neototalitarismo porventura deixaram de representar uma ameaça?

** A democracia está definitivamente implantada no Ocidente e já não carece de mobilizações em seu favor?

** Saiu de cena definitivamente o espectro da intolerância política, religiosa e étnica só porque Paula Oliveira simulou uma violência contra si mesma?

Nossa mídia vive de porre, esta é a verdade.

De porre e de ressaca, alternadamente. Aos estouros da manada sucedem mergulhos modorrentos, num ritmo regular, constante e invariável, que só serve para estimular a implantação da cultura da afoiteza e da morbidez.

Como a grande imprensa recusa a olhar-se no espelho, auto-amordaçada, estamos condenados a repetir indefinidamente o caso Paula Oliveira.

Doravante, quem vai encarnar o conflito entre verossimilhança e veracidade será a grande imprensa brasileira. Merecido castigo para aqueles que tiveram vergonha de rememorar sua história e seu passado de glórias.

***

A tenebrosa Segunda Guerra Mundial deve ser engavetada justamente quando o mundo prepara-se para reverenciar os 50 milhões de mortos no 70º aniversário da sua execução?

As revistas semanais e os cadernos de idéias não conseguiram.

OPOSTO do CONTRÁRIO de osvaldo wronski / curitiba


Direita ou esquerda

Para que lado eu vou

O destino desta vez titubeou

para frente ou para trás

simplesmente sair  do mesmo lugar

sem o risco de pestanejar

O vento veio me abanar

De cima para baixo

Quero ver o abismo se precipitar

Eu sigo girando a direção

Mesmo que você me dê

a sua contra-mão

Vou te tocar em dó menor

tirar de letra para ser o que for

sem aproximar o oposto do contrário

HIROSHIMA, o maior crime de guerra do mundo – por rogério beier / são paulo

bomba_atomica

o cogumelo alcançou 6 mil metros de altura e 2 km de raio na devastação.

Em agosto o mundo relembra com muito pesar os 64 anos do maior crime de guerra já desferido contra a humanidade. O holocausto nuclear contra as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki. Crime do qual jamais seus culpados foram sequer acusados, muito pelo contrário, foram saudados como heróis em todo o mundo simplesmente por terem vencido a guerra e movido uma propaganda capaz de fazer o mundo inteiro se esquecer do horror nuclear.

Mas muitos ainda não se esqueceram do verdadeiro culpado dessa verdadeira história de horror, a maior nação terrorista de todo o planeta, os Estados Unidos da América, e provoca o leitor a conhecer um pouco mais sobre o que a grande mídia mundial insiste em fazer-nos esquecer. Os crimes de Hiroshima e Nagasaki. Aqui você verá um pouco do que realmente ocorreu e que pode ser facilmente comprovado por documentos públicos estadunidenses considerados ultra-secretos e que foram recentemente abertos à população.

150 mil civis inocentes são condenados à morte por Harry Truman. Primeira e única nação do mundo a jogar bombas atômicas sobre civis

Em Agosto de 1945 os Estados Unidos da América entraram para a história mundial por ser a primeira e única nação a despejar o terror atômico sobre enormes populações de civis. Com a II guerra mundial praticamente acabada e sem ter podido justificar o gasto de 2.6 bilhões de dólares no Projeto Manhattan (projeto de construção da bomba atômica), Harry Truman busca oportunidades para jogar uma, ou quem sabe até mais, de suas bombas envenenadas sobre cidades inimigas e demonstrar ao mundo o tamanho do poder que os Estados Unidos detinham na mão. O povo estadunidense já estava sendo “envenenado” há muito tempo por sua mídia tendenciosa que os fazia crer que a bomba atômica daria fim a uma guerra e salvaria vidas, já que seus filhos voltariam da guerra. De acordo com Peter Scowen, autor do Livro Negro dos Estados Unidos, “para os estadunidenses, a detonação das bombas em Hiroshima e Nagasaki foram ações militares realizadas contra uma nação despótica que só podia culpar a si mesmo pelo sofrimento de seu povo. (…) Havia até um fervor religioso no desempenho estadunidense, pelo menos na cabeça de Truman: “… Agradecemos a Deus por [a bomba] ter vindo a nós ao invés de nossos inimigos; e oramos para que Ele nos guie para usa-la a Sua maneira e com Seus propósitos…” . Pior que isso, só mesmo uma reveladora pesquisa que mostra o desejo dos estadunidenses em substituir um genocídio por outro. Ainda de acordo com Scowen, “…Uma pesquisa do Gallup feita em dezembro de 1944 revelou que 13% dos estadunidenses eram a favor da eliminação do povo japonês por meio do genocídio…”

Infelizmente para os planos de Truman, a Alemanha havia assinado rendição incondicional em Maio de 1945 logo após o suicídio de Adolf Hitler. A Itália já havia se rendido anteriormente quando da prisão e assassinato de Mussolini. Naquele momento só restara o Japão. Ao ver-se sem muitas alternativas para concretizar seus planos, Truman se apega na última oportunidade que lhe apareceu ao alegar a não rendição incondicional do Japão, que insistia em manter seu reverenciado imperador. Grandes estrategistas de guerra desaconselharam o presidente a utilizar as armas atômicas, propondo como alternativa um grande bloqueio marítimo, aliado à entrada da Rússia na frente do Pacífico e mais os bombardeios focados em alvos militares. De acordo com esses especialistas, essas manobras seriam suficientes para acabar com a guerra até Julho de 1945. Mesmo assim, Truman simplesmente ignorou-os e, utilizando o mote da não rendição incondicional, decidiu o destino de duas cidades e centenas de milhares de vidas humanas.

Alvos escolhidos: Hiroshima e Nagasaki
O plano original previa ataques com bombas atômicas a quatro cidades japonesas. O comitê de alvos do projeto Manhattan decidira atacar Hiroshima, pois segundo as minutas das reuniões desse comitê, em razão de seu tamanho e planta, “… grande parte da cidade seria extensamente danificada…”, Nagasaki e Kyoto, pois, ainda de acordo com essas minutas, Kyoto “…era um centro intelectual do Japão e seu povo é mais capaz de avaliar o significado de uma arma assim…” 1

Assim, no fatídico dia 06 de Agosto de 1945, movidos além de tudo por um sentimento indissimulável de vingança pelo ataque japonês à base militar de Pearl Harbor, aviões estadunidenses se aproximaram do primeiro alvo a sofrer os horrores das armas nucleares. Hiroshima, a então sétima maior cidade japonesa, com 350 mil habitantes, foi atacada por Little Boy, que até o fim do ano de 1945, decretou a morte de aproximadamente 150 mil japoneses, dos quais apenas 20 mil eram militares. Não satisfeitos com tamanha atrocidade e apenas três dias depois do primeiro ataque, como se fosse possível preparar uma declaração total de rendição incondicional em três dias, os estadunidenses atacaram a segunda cidade-alvo no dia 09 de agosto. Nagasaki e seus 175 mil habitantes foram a vítima de Fat Man, segunda e mais poderosa bomba, que vitimou aproximadamente 70 mil seres humanos na contabilidade macabra feita em dezembro de 1945.

Os efeitos nefastos de Little Boy e Fat Man
Se analisarmos brevemente o número de vítimas de little boy e fat man, 40% da população original das cidades de Hiroshima e Nagasaki morreram na contagem feita em dezembro de 1945. Estes números ainda não refletem a realidade do verdadeiro montante de vítimas das bombas, uma vez que milhares de outras pessoas morreram posteriormente em decorrência dos nocivos efeitos da radiação. Em uma comparação meramente ilustrativa, é como se nos ataques de 11 de Setembro, ao invés de terem morrido três mil pessoas, aproximadamente quatro milhões de nova-iorquinos tivessem perdido sua vida no World Trade Center. E isso não é tudo, pois os efeitos da bomba não são apenas a morte e a destruição imediatas. Até hoje continuam morrendo pessoas vítimas de câncer herdado geneticamente de seus pais e avós, além de ser possível encontrarmos ainda hoje, milhares de pessoas com deformações físicas, câncer congênito, problemas de esterilidade e outras doenças decorrentes da liberação radioativa sobre essas cidades em 1945.

De acordo com estudos realizados nos escombros das cidades, praticamente todas as pessoas que estavam até 1 km do centro da explosão foram mortas instantaneamente (86%). As bombas explodiram nos centros das cidades e pulverizaram escolas, escritórios, prisões, lares, igrejas e hospitais. No centro do ataque, tudo virou pó, não havia cadáveres. Mais longe do ponto zero havia corpos espalhados por toda parte, inclusive de bebês e crianças. De acordo com Peter Scowen, “Yosuke Yamahata foi enviado pelo exército japonês para fotografar Nagasaki no dia seguinte ao bombardeio. Suas fotos mostram uma cidade completamente aplainada, homogeneamente alisada. (…) Ele tirou fotos de uma mãe morrendo de envenenamento radioativo e amamentando seu bebê, também à morte; fotos de fileiras de cadáveres, pais tentando, inutilmente, cuidar das queimaduras no corpinho de seus filhos. Yamahata morreu de câncer em 1966, com 48 anos”. As vítimas da radiação apresentam febre e hemorragias arroxeadas na pele, depois surge a gangrena e o cabelo cai. Esta morte dolorosa, tão parecida com o envenenamento por gás mostarda na tortura lenta que provoca, não era coisa na qual os estadunidenses desejariam que o público se concentrasse após o lançamento das bombas, afinal, os Estados Unidos da América haviam assinado tratados em 1889 e 1907 que baniam o uso de “armas envenenadas” na guerra. Pior que isso, os Estados Unidos haviam concordado com uma resolução de 1938 da Liga das Nações que tornava ilegal o bombardeio intencional a civis. Ou seja, com os ataques de Hiroshima e Nagasaki, os Estados Unidos simplesmente ignorou todos os tratados que haviam assinado até então.

Os verdadeiros motivos por trás do bombardeio
Os verdadeiros objetivos por trás dos bombardeios de Hiroshima e Nagasaki ficaram obscuros durante muito tempo. Na época foi alegada a resistência dos japoneses em aceitar rendição incondicional, já que os Estados Unidos exigia a deposição do imperador japonês e eles não aceitavam essa condição. Dwight Eisenhower, general americano que futuramente se tornaria presidente, disse que “O Japão estava buscando alguma forma de render-se com uma perda mínima de aparência (…) não era necessário golpeá-lo com aquela coisa” 2. Com a recente liberação de documentos e diários antes considerados ultra-secretos, hoje já se pode concluir documentalmente que o principal objetivo por trás dos ataques a Hiroshima e Nagasaki foi a necessidade de enviar uma mensagem clara à União Soviética, que vinha se expandindo pelo leste europeu (Polônia, Romênia, Hungria), de que os Estados Unidos tinham em mãos uma arma poderosa e que não hesitariam em utilizá-la caso fosse necessário. Ainda de acordo com Peter Scowen, “… já em 1944 os americanos haviam considerado a arma um trunfo em suas relações com Stalin e Truman acreditava que uma exibição pública da capacidade da bomba iria tornar a URSS mais manejável na Europa…”. Quanto a motivação do ataque, o próprio governo estadunidense acaba por se contradizer na hipótese de que teria sido a não rendição incondicional do Japão. No dia 10 de agosto, apenas um dia após a explosão de Nagasaki, o Japão entrega sua rendição assinada e os Estados Unidos abandonam a idéia da rendição incondicional alegando que se o imperador continuasse no poder isso permitiria uma ocupação mais ordeira pelas tropas estadunidenses.

Ironicamente, ao contrário do que desejavam os estadunidenses liderados por Harry Truman, a demonstração pública do poder da bomba atômica fez os líderes de todas as nações tremerem, mas, ao invés de ficarem sentados esperando que os Estados Unidos deixasse seu poder nuclear nas mãos da ONU, todos queriam ter tal poder nas mãos, especialmente a União Soviética que, liderada por Josef Stálin, deu início a Guerra Fria e a corrida armamentista nuclear, que só iria arrefecer praticamente 45 anos após os bombardeios, com o fim da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas sob a liderança de Mikail Gorbatchev.

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dê um clique no centro do vídeo:

O PROJETO LULA por walmor marcellino / curitiba


APAGÃO DA INFLUENZA

Assisti constrangido ao debate no Senado sobre crimes e irregularidades praticados pela Mesa da Câmara Alta sob o comando de José Sarney (com antecedentes em Renan Calheiros e outras figuras “de escol”). Sem qualquer pudor, os amorais Wellington Salgado, Fernando Collor de Mello, Epitácio Cafeteira et caterva defenderam a quadrilha deWALMOR MARCELLINO FOTO 1concussionários e atacaram seus opositores Pedro Simon e Cristóvão Buarque

O espetáculo está sob as luzes do Palácio do Planalto e sob a inspiração de Lula, que engendrou uma aliança PT-PMDB que é decisiva para a virtória de Dilma. A ética política da esquerda e da direita será a mesma?  José Sarney está acima do bem e do mal ou só a direção do PT afirma isso? Renan Calheiros, Gilmar Mendes, Nelson Jobin, Fernando Collor, Gedel Vieira, José Sarney e Paulo Malluf são a democracia em movimento? Sim! Há uma canalha da esquerda justificando tudo menos o Meirelles e a reforma agrária. Ah!, os eternos radicais oportunistas!..

Os tempos estão bicudos, as teses da esquerda gorda  somam com as idéas da direita “compreensiva”, pelo menos com sua estratégia dominante desde a redemocratização. Somos todos democratas, só que ao nosso jeito.

Bem… grande crise político-institucional à parte, soube-se que Lula e seus ministros retiraram do orçamento da Saúde parcela ponderável para ampliara política do “bolsa-família”. Daí seja assustador que a infra-estrutura de saúde esteja tão precária para enfrentar a gripe suína e outras ocorrências, e com a consequente ameaça de “apagão” de UTIs e hospitais, enquanto são negociados acordos eleitorais, pedágios de rodovias, canais de telefonia e toda a Amazônia.

Agora, se Lula e Sarney ganharem, o Brasil perde; e se Lula e Sarney perderem, nós continuaremos perdidos. Esse dilema continuará graças a quem e a quê? À banda de música do “eleitoralismo inteligente”.

Desde já me declaro culpado de ter somente emitido grasnidos contra o peleguismo de esquerda e a voracidade criminosa da direita. Enfim, quem não for politiquista atire a primeira pedra.

Curitiba, 4/8/2009

O POETA FLORIDEU por hamilton alves / florianópolis

Na década de 50 do século passado (quem diria que ainda usaria essa expressão), conheci um senhor de personalidade interessantíssima, diferente de todos os seres que até então conhecera no meu trânsito pela vida, que beirava os 25 anos.

Chamava-se Florideu Gervásio, nome belíssimo. Florideu é raro de encontrar-se, Gervásio é mais comum, embora não tão comum assim. Sempre supus que se escondesse nesse pseudônimo, que a mim, desde o primeiro contato com ele, me parecera sê-lo. De alguma maneira, queria esconder-se por trás de um nome falso.

Pelo que soube depois de uma semana de convivência diuturna (pertencia a essa época a uma turma risonha e franca para não dizer que era dada a viver intensamente madrugadas infinitas nos locais mais imprevisíveis), viera à Ilha gerenciando uma companheira pianista, que faria alguns shows na cidade, com programações acertadas em várias outras.

Durante a semana que passou conosco, Florideu sequer compareceu à estréia do recital da pianista nem muito menos aos demais, tal o encanto que revelou por estar em contato conosco a todo o momento, certamente atraído por uma jovem muito bonita que integrava o grupo, a quem Florideu cortejou mas sem êxito. A moça não revelou recíproca atração por ele. Mas Florideu não era homem de perder o rebolado fosse porque fosse. Enfrentou o fracasso de sua proposta de envolvimento amoroso com grande categoria, como era de seu feitio.

Com aproximadamente 60 anos bem vividos, Florideu revelava uma juventude superior, em todos os aspectos, a de qualquer um de nós, pelo senso de humor, pelo enfrentamento de dissabores, por sua bonomia imbatível. Estava sempre pronto a tirar de letra a menor dificuldade que surgisse por isso ou por aquilo, segundo nos deu prova cabal.

Queria confraternizar com o grupo e relembrar-se, de certo, de seus saudosos tempos de mocidade.

Éramos livres de qualquer vínculo ou liame social. Seu senso de liberdade juntou-se ao nosso. Numa semana que fosse, queria viver essa sensação de desregramento de toda a conveniência ou convenção. Que fosse tudo às favas, inclusive seu compromisso com a pianista.

Que lhe diria no acerto de contas quando a poeira baixasse?

Não imaginávamos o que fosse.

Florideu teria uma saída.

Na última noite que dividiu a madrugada conosco, recitou-nos um poema longo, que passei para um tosco papel de embrulho, que me acompanhou durante anos, até que o perdi. Terminava com esses versos:

“Mistério, mistério,

Na vida e na morte,

Tudo é mistério”.

MÃOS AO ALTO por alceu sperança / cascavel.pr

Deixou-nos, ao cabo de seus maravilhosamente bem vividos 94 anos, em 2007, o padre francês Henri Antoine Groués, mais conhecido como Abbé Pierre, o tipo do sujeito que a gente quer ser quando crescer.

Histórico defensor dos sem-tetos, um ás na luta pelos direitos humanos, padre Pierre se tornou um aríete no combate às injustiças. Como nos fazem falta os padres Pierres, especialmente hoje, quando a engabelação líbero-túcano-lulo-petista toma conta do País!

A ditadura prometeu construir casas para o povo, mas seu BNH no máximo construiu para a classe média alta e para os ricos. Banco é sempre banco. A década de 80, na democradura então vigente, terminou com a sofrível média anual de 259 mil moradias financiadas pelo poder público, caindo ao longo da década de 90 para 219 mil.

Atualmente, “Minha Casa” é “Minha Vida” mas a vida anda pela hora da morte, aos trancos e barrancos. A produção atual de casas para a população de baixa renda nem de longe projeta um dia resolver o problema.

No País, faltam ao redor de 8 milhões de casas. No Paraná, fala-se num déficit no mínimo de 270 mil casas. Só em Cascavel, cidade rica, que não deveria ter um só sem-teto, ao redor de 40 a 50 mil pessoas – quase três Corbélias, minha gente! – não têm casa própria, morando em favelas ou habitações precárias, sem contar o pessoal da classe média que paga os tubos em aluguéis e tem o justo desejo de morar no que é seu.

A verdade, padre Abbé, é que o déficit habitacional só aumenta aqui neste paraíso de ricos fazendeiros, e a política da moradia é o retrato da incompetência, mediocridade e cara-de-pau dos governos neoliberais.

A coisa só não é pior porque em alguns lugares, onde a democracia já começa a se instalar de fato, as comunidades se organizam e se apóiam e a indústria faz sua parte ao lançar uma quantidade crescente de itens pré-fabricados cada vez mais baratos, por causa do aumento da escala de produção.

Mas ao lado da autoconstrução há outro dilema: apenas um sexto desse tipo de obra tem planta aprovada na prefeitura. É a informalidade habitacional paralela à segregação geográfica.

E o outro lado da moeda é que há 5 milhões de lugares vagos no Brasil (para um déficit nacional de 8 milhões de lares), a maioria casas e apartamentos em áreas centrais e consolidadas. E no atual ritmo de investimentos, diz projeção da ONU, haverá em 2020 cerca de 60 milhões de brasileiros morando em favelas. Uma França inteirinha, padre Pierre!

Não é preciso grande esforço investigativo para achar o culpado. Se os gastos com habitação em 1990 representaram apenas 22% dos registrados em 1980, e não mais aumentaram desde então, é mais do que claro que essa coisa monstruosa é mais um pecado mortal do neoliberalismo, que no Brasil é sustentado pela dupla PSDB-PT, agregados e aderentes.

Com a extinção do BNH, grande fracasso da ditadura, Estados e municípios passaram a ter políticas próprias de habitação. A toda hora surgem mais programas habitacionais e, contudo, os recursos minguam. Claro, precisa sobrar dinheiro para encher o saco dos banqueiros por conta das dívidas suspeitas que o Império criou, a ditadura aumentou, a tucanagem multiplicou e o lulismo paga sem bufar, à custa do sacrifício de milhões de brasileiros levados no bico pelo bolsismo reinante.

Mantenha as mãos ao alto, pois o assalto secular continua.

COLUNA DO JUCA – Rumorejando (Triste ver o presidente da República com relação a crise do Senado, palpitando)(09/08/09) – por josé zokner / curitiba

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES.

Constatação I

Deu na mídia: “PMDB retaliará Virgílio com até quatro representações”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejandoacha que a gente sobrevive porque eles guerreiam politicamente entre si, ainda que oJUCA - Jzockner pequenissima (1)corporativismo seja muito forte. Afinal, ninguém é de ferro para se opor aos projetos que beneficiam a todos eles. Se houvesse só aliados entre eles, nós estaríamos todos ferrados*…

*Usamos a palavra “ferrados” porque somos educados.

Constatação II

Este assim chamado escriba se pôs a assistir o jogo Fluminense e Atlético pela televisão. As duas emissoras de televisão que transmitem o futebol estavam transmitindo esse jogo. Não havia, portanto outra opção. O jogo foi tão ruim que este assim chamado escriba pagou pecados que ainda não cometeu. Ficou credor de cometer pecados. Com o meu Paraná não tem sido diferente. Pena!

Constatação III (Pseudo-soneto da série Ah, o Amor…).

Você e insaciável

Mas eu já não agüento

A tua sede notável

Nem mais um momento.

Você esquece

Que sou septuagenário

E não arrefece

Muito ao contrario.

Como não tá morto

Quem peleia

Supero o, digamos, desconforto.

Patino, mas não esmoreço,

Vou comer mais aveia.

Caso contrário desfaleço…

Constatação IV

20 assuntos de agrado deste assim chamado escriba:

-O humor de Tutty Vasques no Estadão;

-O programa Certa Vez do amigo Beto Guiz que é levado na Rádio Educativa;

-O desempenho dos atores brasileiros;

-Publicidade inteligente. Exemplo: a das sandálias Havaianas;

-Um jogo de truco com parceiros de nível;

-Mulher não turbinada;

-Livro de prosa ou poesia que seja entendível por um simples mortal;

-A Estrada da Graciosa ou por trem para Antonina, Morretes e Paranaguá;

-As diversas regiões do estado do Paraná; os pontos turísticos, mormente Vila Velha e               Foz do Iguaçu;

-A emoção de ver os atletas, times ou a seleção do Brasil ganhar e a bandeira brasileira sendo hasteada enquanto o hino brasileiro é tocado;

-Escutar música clássica, o Quinteto e Orquestra Armorial; Chorinhos, Elomar, Noel Rosa, os uruguaios Daniel Viglietti e Alfredo Zitarrosa, o argentino José Larralde, os tangos clássicos, a música gauchesca, os discos produzidos por Marcus Pereira, etc.

-Cinema brasileiro e dos hermanos;

-Torcer pro Paraná;

-Os gols da rodada (assistir um jogo inteiro é muita perda de tempo porque jogos bem disputados são muito raros);

-Ler os gurus Millôr Fernandes, Mário Quintana, Mario Benedetti;

-Rodar pião;

-Assistir o balê do grupo Corpo;

-Sentir a mão dos netos segurando a nossa mão;

-As reações das minhas cachorras com suas diversas personalidades;

-Chimarrão.

Constatação V

Deu na mídia: O Bradesco informou que encerrou o segundo trimestre com lucro líquido de R$ 2,297 bilhões, o que representa um crescimento de 14,7% em relação ao apurado em igual período de 2008”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas será que não tá na hora de socializar estes lucros bancários para deixar de serem pornográficos e mais pessoas usufruírem? Cartas. Obrigado.

Constatação VI

Não se pode confundir despontar com desapontar, até porque você vai se desapontar quando uma pessoa desagradável despontarna esquina para te visitar. Da sogra, nem falar…

Constatação VII (Quadrinha para ser recitada pelo presidente do Senado).

O Senado não está desmoralizado.

É tudo intriga da Oposição.

Alguém não é bem comportado

Mas isso representa uma exceção.

Constatação VIII (Quadrinha para ser recitada pelo presidente da Câmara dos Deputados).

Deixaram a gente em paz

Os olhos tão voltados pro Senado

Afinal a gente é eficaz

E, de há muito, já está tarimbado.

Constatação IX (Quadrinha para ser recitada pelos eleitores).

Somos obrigados a votar

Se não paga-se uma multa

E mesmo se novos forem pro lugar

Absolutamente em nada resulta.

Constatação X (Quadrinha para ser recitada por quem já é septuagenário).

Não sou mais obrigado a votar

Assim não preciso anular os meus votos

Meu tempo fora não posso jogar

Que já perdi em tempos remotos.

Constatação XI’(Quadrinha para ser recitada pela mulher do candidato eleito).

Agora, vou poder comprar na Daslu,

Que sempre foi o meu desiderato.

Chega de se vestir como jacu

Como antes dele assumir o mandato.

Mendiga cibernética – de marilda confortin / curitiba


Tens um poeminha para me dar?

Adoro poesia, mas tenho preguiça de fazer.

Fugi da escola literária e virei marginal.

Vivo de esmola.

.

A frieza assola, a insônia ronda,

a realidade esfola, a noite sonda.

Tenho medo, sinto fome.

Cadê teu altruísmo, homem?

Me dá um poeminha, pelo amor de Deus!

.

Um poema, por misericórdia!

Tens tantos. Custa dar-me um?

Nem precisa ser grande.

Pode ser uma trova, um poetrix, um haikai,

um verso inacabado,  usado,

velho, roto, vago,

um soneto fora de moda

que não uses mais…

.

Porque te escondes, poeta?

Temes que eu te delate ou te delete?

Que eu te plagie ou te copie?

Despreocupa-te!

Conheço o avesso e o direito autoral.

Sei do não dito, do bem dito

e do maldito verso implícito

nas reticências desse mundo virtual.

.

Não te iludas… Sou uma mulher infiel.

Só quero uma poesia para dormir essa noite.

Amanhã te esqueço e me aqueço

nos braços de outro anônimo qualquer.

FOI POUCO O DIA de otto nul / palma sola.sc

Foi pouco o dia

Poucas as horas

.

Andei por aqui

Por ali

.

Movido por isso

Por aquilo

.

Sem um centro

Definido

.

Na troca de assuntos

Ou de opiniões vagas

.

Que nem sempre procurei

Nem menos sustentei

.

Ao fim, vi o sol baixar

No horizonte

.

E me perguntei

De que me valeu o dia

POEMA I de joanna andrade / miami.usa

Palavras arquivadas na memoria

Fugazes Faces Flashes

Um momento sem dono

A cada piscar de olhos um blackout

Um tiro Uma facada

Um  Coração Assassinado

Um vale de lagrimas caramelizadas no peito

Uma saudade Um adeus Um comfronto

Uma escapatoria Uma falta

Aleatoria Alegria Algoz

Um sorriso que mata

Em seu sinonimo social

Palavras modelos em perfis anorexicos

Cheios de pose cheios de posse

Gordas atras de suas grades

Finas nos chás da tarde

Intelectuais às 9 da noite

Voluptuosas na madrugada

Ensalivadas em bocas lacradas com o proprio orvalho na manha seguinte

Decoram o ceu das bocas

Ensimesmadas.

CIFRAS de carolina correa / curitiba

“As asas que me foram dadas
ja nao batem mais

As penas que me foram arrancadas
despercebem o vento

O nu que te envolve
é  resto de seda

alma de borboleta.”

MAESTRO VILLA-LOBOS desvendado por TONINHO VAZ / rio de janeiro

maestromaestro VILLA-LOBOS em um dos seus grandes momentos no teatro municipal do rio de janeiro. foto livre.

.

Biógrafo de Paulo Leminski, Toninho Vaz iniciou pesquisa sobre a trajetória de Heitor Villa-Lobos. Para elaborar o que ele promete ser a mais completa biografia já feita sobre o maestro, o escritor terá à sua disposição 25 mil documentos inéditos pertencentes a viúva do compositor e doados este ano ao Museu Villa-Lobos. A publicação virá acompanhada de um DVD com o making off da pesquisa que abrangerá as cidades de Nova YorkParis.

jornal valor econômico 07/08/09.

TONINHO VAZ - LÁ NO VIDAL

o biógrafo toninho vaz. foto de rô stavis.

MARINA SOLDA, a Paleta de Vida – por silas correa leite / itararé.sp

a artista visual MARINA SOLDA.

a artista visual MARINA SOLDA. foto de diego singh.

“O que nunca morre é espaçotempo/Mas
pode chamá-lo de Mamãe/Quem nunca
abandona esta mulher/O Céu e a Terra
fecunda/Suave é o seu poder/Sempre
e sempre a nos amamentar/Desça – ela
estará lá/ Suba – ela tomará no colo.

(Lao Tsé, O Tao Feminino)

Marina Solda, natural de Itararé-SP, “Santa Itararé das Artes”, ela mesma uma grande artista, mãe de outros tantos grandes artistas; as tintas e tons e cores de sua paleta-vida “como palavras de sua alma rica”, sensível, enternurada, oriunda de descendentes de imigrantes, que foi morar em Curitiba e lá se tornou conhecida, amada, vencedora, personalidade cultural de destaque.

Marina da Conceição Nunes Vidal é filha da dona Alzira Nunes e do popular “Marinheiro”, irmã do boêmio Tio Jannys da Cantina do Tio de Itararé. Marina Soldapossui mais de 1000 (mil) telas já pintadas e algumas vendidas para o exterior, duas para a Itália.

Exposições individuais: Assembléia Legislativa do Paraná – Curitiba – Acrílico sobre tela de linho e óleo sobre tela de linho. Coletiva no Museu Alfredo Andersen. Coletiva na Galeria Andrade Lima e Escola de Arte.Cursos de desenho – desenho livre, desenho da figura humana, xilogravura, aquarela, cerâmica, escultura e pintura. Homenageada pela Câmara Municipal de Curitiba, importante cidade onde residiu por muitos anos, pelos trabalhos realizados nos mais diversos campos comoArte, Política (assessoria parlamentar qualificada), Educação e Jornalismo.

Artista plástica revisionista, Marina Solda evidencia em suas obras a ruptura com os conceitos tradicionais da arte, propondo uma nova linguagem artística, uma espécie de Revisionismo, posição ideológica preconizando a revisão de uma doutrina política dogmaticamente fixada.

Artista Plástica Marina Solda expôs as telas “Arte Contemporânea Sem Fronteiras” no Espaço Cultural da Assembléia Legislativa do Paraná. Paulista de Itararé, onde é muito querida, morou na capital paranaense por mais há mais de 50 anos. Suas obras expressionistas são pintadas com tinta especial importada, e o diferencial dessas obras é que elas são expostas sem molduras, possibilitando ao comprador emoldurar a tela ao seu estilo. A exposição que fez em Curitiba foi parte das homenagens ao Dia Internacional da Mulher, ocorrendo a convite da deputada Cida Borghetti (PP).

A artista Marina Solda foi noticia no “Journal of the Senate” em janeiro de 2001, para orgulho do Clã dos Fanáticos de Itararé que têm na como a mais importante personalidade feminina de destaque, valorada na arte da histórica cidade da batalha que não houve, mas de uma batalha que ainda há para cultuar seus artistas como o mote“Sempre Haverá Itararé” por intermédiodeles, entre os quais se destacam nomes como Maestro Gaya(itarareense que é nome de rua em Curitiba), Armando Merege, Rogéria Holtz, Jorge Chuéri e o próprio Luiz Antonio Solda, filho ilustre da Marina e o mais importante e premiado cartunista brasileiro. Como diz Fábio Luciano no site http://www.itarare.com.br:
“Marina Solda Itararé nasceu em 18 de junho de 1935em Itararé, e faleceu em Curitiba, dia 20 de fevereiro, 2009. “Artista de Itararé, Dona Marina, não nos deixa a sós, deixa na veia artista um belo traço de Itararé para o mundo(…) Luiz Solda, cartunista e blogueiro de teclado e mouse cheio.”

Agora que a Pintora Marina Solda é uma estrela deItararé no céu da saudade, seu nome ficará marcado pela paleta da vida que ela rebrilhou com suas tintas de presença marcante, matriarca de um clã forte e de nomes ilustres, pessoas inteligentes, criativas, porque, afinal todos os descendentes da Marina têm a quem puxar, por assim dizer; dela e do próprio patriarca da Marina, o popularMarinheiro que desenhou as matemáticas ruas de cacau quebrado de Itararé, a grande beleza urbana da Cidade Poema de Itararé.

Itararé costuma dar valor para os que a promovem em verso e prosa, artes e reinações de qualidade humanitária e ética, embora a melhor saída para os artistas de Itararéseja a Estação Rodoviária da cidade, capital artístico-cultural do sudoeste paulista, metade do caminho entreCuritibaSampa. Marina Solda foi o maior nome deItararé nesse sentido. Que Itararé lhe reconheça o mérito, e lhe dê o nome de uma rua ou mesmo de umaEscola de Artes, porque Curitiba, que sempre abrigou muito bem os “andorinhas sem breque de Itararé (quem nasce em Itararé é “Andorinha”), certamente saberá testemunhar oficialmente a importância de Marina Solda, para lhe dar um nome de Rua. Já pensou, Rua Artista Marina Solda?. Afinal, quem é bom já nasce luz, e, tirando de letra, Marina Solda literalmente pintou e bordou. Essa foi a sua marca, a sua lavra, a sua passagem brilhante por este PlanetaVida.

Silas Correa Leite

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muito oportuno, silas, o teu texto relebrando marina solda, grande amiga, fraterna, solidária, mesmo durante suas “explosões” era possível notar as dignas razões que as provocavam. infelizmente não pude estar junto quando marina entregou “as moedas para o barqueiro” pois já havia me transferido de curitiba. lanço mãos desta oportunidade para fazer  minhas as palavras do teu texto e como singela lembrança postar esta foto feita em outubro de 2008.

a artista visual MARINA SOLDA e o poeta jb vidal, na praça 19 de dezembro, em curitiba, degustando ostras e vinhos e outros frutos do mar na manhã de um sábado de outubro de 2008.

a artista visual MARINA SOLDA e o poeta jb vidal, na praça 19 de dezembro, em curitiba, degustando ostras e vinhos e outros frutos do mar na manhã de um sábado de outubro de 2008.

LAGUNA, CAPITAL DA REPÚBLICA JULIANA (1839) / editoria

laguna 4 museu anita garibaldi museu ANITA GARIBALDI.

A República Juliana foi declarada durante a revolução farroupilha que estourava no Rio Grande e, naquele momento, extendera-se até Santa Catarina.

Este movimento Revolucionário objetivava libertar aquela província de um controle econômico do governo imperial, considerado intolerável pela população gaúcha, e era alimentado por ideais republicanos e federalistas, sob o comando do coronel Bento Gonçalves. Em Santa Catarina, especialmente nas regiões mais próximas do Rio Grande, como Laguna e Lages, o número de simpatizantes pela causa rio-grandense aumentava, incentivados por famílias fugitivas gaúchas que haviam escapado às perseguições e à Guerra dos Farrapos.
Lages foi invadida pelos farrapos em 1838 e declarada parte da República Rio-grandense, que já havia sido declarada. No ano seguinte, liderados pelo italiano Guiseppe Garibaldi, os farrapos invadiram Laguna pelo mar. E chegaram por terra comandados por Davi Canabarro. Apoiados pela população, estabeleceram uma república com o nome provisório de Cidade Juliana de Laguna, presidida por Canabarro. Com a convocação de eleições, foi eleito para presidente da República o coronel Joaquim Xavier Neves, de São José. Neves, porém, não foi diplomado presidente pelos revolucionários gaúchos, assumindo o cargo o Padre Vicente Ferreira dos Santos Cordeiro, de Enseada do Brito, que havia sido derrotado na eleição.

Laguna foi designada Capital Provisória da República Juliana. Foram instituídas as cores oficiais – verde, amarela e branca – e Lages considerada parte integrante do território. Todos os impostos sobre o comércio do gado e indústria pastoril foram abolidos.

A reação do governo Imperial foi a nomeação do marechal Francisco José de Sousa Soares de Andréa para presidente de Santa Catarina, pois ele era conhecido por sua energia e rispidez. Nobre e de brilhante carreira militar, Andréa acompanhara D. João VI e a família real para o Brasil e fora comandante das forças brasileiras em Montevidéu. Enviando às terras barrigas-verdes somente para resolver os problemas do sul, Andréa governou apenas de 1839 a 1840.

Com 400 homens que trouxera do Rio de Janeiro e 3.000 de Santa Catarina, 20 navios e com amplos poderes, Andréa preferiu os caminhos diplomáticos para acabar com os republicanos: habilmente fez afastar o Padre Cordeiro e cooptar Neves para a causa imperial, prestigiando e elogiando o coronel publicamente e o tornando o comandante da Guarda Nacional de São José. Os demais revolucionários de Laguna foram derrotados por tropas navais do governo brasileiro, fazendo Garibaldi e sua companheira Anita refugiarem-se no Rio Grande, de onde saíram para lutar na Itália.

A instalação da República Juliana de Laguna, ainda que por pouco tempo, foi uma das páginas mais gloriosas da história catarinense, projetando internacionalmente o nome de Anita Garibaldi, denominada a Heroína dos Dois Mundos.

botos em Laguna.

botos em Laguna.

réplica de quinta portuguesa.

réplica de quinta portuguesa.

DARCI RIBEIRO, SEUS PENSAMENTOS, SUAS FRASES E POESIAS / rio de janeiro

“Memória…Através dela daremos livros, livros a-mãos-cheias, a todo o povo. O livro, bem sabemos, é o tijolo com que se constrói o espírito. Fazê-lo acessível é multiplicar tanto os herdeiros quanto os enriquecedores do patrimônio literário, científico e humanístico, que é, talvez, o bem maior da cultura humana.”

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“Nós, brasileiros, somos um povo em ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Nela fomos feitos e ainda continuamos nos fazendo. Essa massa de nativos viveu por séculos sem consciência de si… Assim foi até se definir como uma nova identidade étnico-nacional, a de brasileiros…”

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“Por isso mesmo, o Brasil sempre foi, ainda é, um moinho de gastar gentes.

Construímo-nos queimando milhões de índios.Depois, queimamos milhões de negros.

Atualmente, estamos queimando, desgastando milhões de mestiços brasileiros, na produção não do que eles consomem, mas do que dá lucro às classes empresariais.”

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“Dizem, também, que nosso território é pobre – uma balela. Repetem, incansáveis, que nossa sociedade tradicional era muito atrasada – outra balela. Produzimos, no período colonial, muito mais riqueza de exportação que a América do Norte e edificamos cidades majestosas corno o Rio, a Bahia, Recife, Olinda, Ouro Preto, que eles jamais conheceram.”

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“Nosso povo preservará, depois dessa drástica cirurgia, a vitalidade indispensável para sair do atraso ou estará condenado a afundar cada vez mais no subdesenvolvimento? Quem está interessado em que o Brasil seja capado e esterilizado? Serão brasileiros?”

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“Só há duas opções nesta vida: se resignar ou se indignar. E eu não vou me resignar nunca.”

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“O Delta do Amazonas constitui uma das áreas de mais antiga ocupação européia no Brasil. Já nos primeiros anos do século XVII ali se instalaram soldados e colonos portugueses, inicialmente para expulsar franceses, ingleses e holandeses que disputavam seu domínio, depois como núcleos de ocupação permanente. Estes núcleos encontrariam uma base econômica na exploração de produtos florestais como o cacau, o cravo, a canela, a salsaparrilha, a baunilha, a copaíba que tinham mercado certo na Europa e podiam ser colhidos, elaborados e transportados com o concurso da mão-de-obra indígena, farta e acessível naqueles primeiros tempos.”

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“Embora a civilização nas zonas de fronteira seja algo tosca e desconjuntada, é sempre a civilização ocidental que avança através da sua encarnação na sociedade brasileira. O que oferece aos índios não são, naturalmente, as conquistas te cnicas e humanísticas de que se orgulha, mas a versão degradada destas, de que são herdeiros os proletariados externos dos seus centros de poder.”

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“Fracassei em tudo o que tentei na vida. Tentei alfabetizar as crianças brasileiras, não consegui. Tentei salvar os índios, não consegui. Tentei fazer uma universidade séria e fracassei. Tentei fazer o Brasil desenvolver-se autonomamente e fracassei. Mas os fracassos são minhas vitórias. Eu detestaria estar no lugar de quem me venceu.”

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“O Brasil cresceu visivelmente nos últimos 80 anos. Cresceu mal, porém. Cresceu como um boi mantido, desde bezerro, dentro de uma jaula de ferro. Nossa jaula são as estruturas sociais medíocres, inscritas nas leis, para compor um país da pobreza na província mais  BELA da terra. Sendo assim, no Brasil do futuro, a maioria da gente nascerá e viverá nas ruas, em fome canina e ignorância figadal, enquanto a minoria rica, com medo dos pobres, se recolherá em confortáveis campos de concentração, cercados de arame farpado e eletrificado.

Entretanto, é tão fácil nos livrarmos dessas teias, e tão necessário, que dói em nós… A nossa conivência culposa.”

.

“ Nessa casona, hoje, um homem espera a Morte.

Eu. Nem homem sou.

Sou é um des-homem,

de punhos atados,

de dentes cerrados,

de pernas peadas,

aos pés do Senhor!

Quanta coisa boa!

Mas devo respeitar o espaço, e só tenho  TEMPO de falar de Emilinha,

uma gostosura de poema e de figura:

Emilinha não era desse mundo.

Ou era, demais da conta.

Safada de nascença.

Nela havia o sumo de dez,

de cem mulheres

muito fêmeas.

Tanto que extravasava,

sopitava em cheiros e barbas.

Suspiros e choros.

Era uma força viva,

selvagem como esses bichos silvestres.

Emilinha me fez homem

como jamais fui antes nem depois.

parecia até feitiço.

Eu e ela inesgotáveis…

Vi por fim,

me convenci,

de que Lea me vencia,

me amofinava.

Era mulher demais para um homem só.

Eu não podia com a mulinha!”.

.

“ Ele sentava na ponta do banco, comendo no prato com a mão,

fazendo capitão e me escutando.

Lindo, quando ele fala de Benedito Gomes:

Chamei o compadre Benedito.

homem de  SABEDORIA,

para ver se descobria

e me explicava a causa de tanto urubu

Não sabia! Ótimo quando se vê como o mulo:

Aquele sim, é o homem

que eu sou,

inteiro. Cabal.

Sossegado, Valente

Realizado.

Contente.

Isso tudo, sem saber.

Inocente “

ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE! pela editoria

estou impressionado com as loucuras no senado, será que é por isso que está escrito ZONA ELEITORAL no meu título de eleitor?

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SARNEY E IDELI SALVATTI -romance_planalto

senadora ideli salvatti (PT) e o senador zé sarnei (PMDB) em: ligações perigosas e atos secretos!

A GRIPE SARNEY por sérgio da costa ramos / florianópolis

Epidemias são como penitências que o Todo-Poderoso providencia para que o homem purgue as suas culpas e se defronte com a sua frágil natureza.

Sempre que a humanidade se entregou ao vício dissoluto da luxúria ou da corrupção, Deus enviou alguma praga para fazê-lo reconhecer as suas fraquezas e a fugacidade da própria vida – espécie de “concessão” por tempo limitado.SERGIO DA COSTA RAMOS

Houve época em que a besta do Apocalipse foi a peste bubônica, em Sodoma e Gomorra. Houve a peste negra na Roma de Nero e a febre espanhola no Brasil da Primeira República. Agora, é a vez da gripe suína. Imagino um porco invadindo a carcaça dos humanos – e disseminando a gripe porcina, com seus vírus mutantes e resistentes ao antiviral Tamiflu.

De repente, a medicina se revela impotente, desarmada e desorientada diante de um vírus que não tem asas, mas que se revela onipresente.

Desde que Alexander Fleming descobriu a penicilina, em 1928, a ciência de Hipócrates imaginava ter encontrado o caminho para todas as curas – e o próprio atalho para a imortalidade. Não há, hoje, peça do organismo humano que não possa ser recriada em laboratório. Com as células-tronco e as pesquisas com tecidos humanos, a ciência começou a reinventar o homem e a reescrever a Bíblia.

A engenharia do gene é a mais desenvolvida do mundo, e já pode realizar o que, há poucos anos, seria concebido apenas como um “milagre”. Se a humanidade desejar reproduzir seres rigorosamente iguais, em série, isto já é possível. Um “clone” é como uma muda capaz de gerar gêmeos em todos os caracteres. Mas por que a medicina não consegue “clonar” todos os tipos de vírus de uma gripe, deles extraindo uma vacina universal?

Talvez porque os vírus sejam tão mutantes quanto o caráter dos senadores. No Senado, viceja o “vírus Sarney”, e nem todo o esforço da sociedade, ameaçada por essa nova gripe, parece ser capaz de erradicá-la.

Se nem a vacina do Butantan resolve contra a resistência do vírus, o paciente chamado “Brasil” ainda amargará meses – quem sabe anos – tendo que conviver com os males dessa gripe virulenta, cujos principais sintomas são:

– Compulsão para apropriar-se do que é público; nomear toda a parentada – e ainda fundar e administrar a mais misteriosa das sociedades “dos atos secretos”.

Como uma das manifestações mais agudas dessa gripe é pendurar a conta na bolsa da “viúva”, o Tamiflu, claro, vai pra conta do SUS…

Papel, digital ou ambos? O Futuro do livro está em debate – CBL / são paulo

A criação de mídias digitais obriga os representantes da cadeia produtiva do livro a buscarem alternativas que lhes permitam acompanhar o processo evolutivo do setor.

Na última terça-feira, 30 de junho, a Diretoria da Câmara Brasileira do Livro, em encontro com seus associados, promoveu a primeira reunião da Comissão do Livro Digital, com o objetivo de abordar questões sobre o futuro da cadeia produtiva do livro, tendo como cenário a digitalização das mídias.

As discussões sobre as constantes inovações tecnológicas ganham cada vez mais espaço nos mais diversos segmentos da sociedade, e os representantes dos vários elos da cadeia produtiva do livro se apressam para acompanhar e incorporar esses movimentos.

Estamos no começo de uma nova tecnologia, a respeito da qual o mercado editorial tem pouco conhecimento”, observou Eduardo Blucher, da editora Blucher. “A indústria se acostumou a embalar e a vender. As editoras brigam por conteúdo, e precisamos ter cuidado para que as plataformas digitais  não anulem o trabalho editorial”, alertou.

Para o Diretor Editorial da Pearse, Roger Trimer, o formato do livro – ou seja, se ele é digital ou de papel – não deve ser a preocupação maior do mercado editorial: “O livro deve ter um conteúdo de construção de conhecimento. Seja encadernado ou digital, o essencial é que ele registre e retenha o seu poder de comunicação e informação, ressaltou.

Outra questão abordada foi relativa à segurança do conteúdo digital. Na discussão, ficou claro que o produto digitalizado é interessante e tem demanda, mas a indústria ainda não possui um padrão seguro de distribuição deste material, o que afeta diretamente a questão dos direitos autorais. “Uma das premissas da internet é o acesso, não a segurança”, declarou Henrique Farinha, da Editora Gente.

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Consoles versus páginas impressas

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A utilização do kindle e sua eficácia também foram objetos de debate. Para muitos, a lousa interativa é muito simples e pode ser compreendida até por uma criança, o que facilitará enormemente a popularização da nova tecnologia. Os presentes lembraram que as crianças e jovens de hoje vivem

numa “Nintendo Generation”,  que já está habituada à interação multimídia e tem mais afinidade com os consoles dos videogames do que com a manipulação dos livros impressos.

No final do encontro, os participantes chegaram à conclusão de que a cadeia produtiva do livro precisa entender o mercado editorial e se inteirar das novas tecnologias, para acompanhar o desenvolvimento das mídias digitais. Para tanto, serão criados  um cronograma com os assuntos a serem discutidos e um planejamento para difusão dos resultados.

Entre as ações previstas, está um mapeamento do mercado editorial, que deverá conter os formatos de plataforma bem como suas convergências de distribuição, para aprofundamento do tema.

Os aspectos legais, as questões tributárias, os canais de distribuição e os modelos de negócios também fazem parte das próximas pautas.

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CBL Informa – 02/07/2009

A LUTA ARMADA BRASILEIRA PODE SER EQUIPARADA A TERRORISMO? por celso lungaretti / são paulo

No ano passado, em meio à interminável polêmica sobre a punição ou não dos torturadores da ditadura militar, a ministra da Casa Civil Dilma Rousseff lembrou que a tortura é tida pela ONU e pelos países civilizados como um crime imprescritível.
O presidente do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes assim a contestou: “O texto constitucional também diz que o crime de terrorismo é imprescritível. (…) Direitos humanos não podem ser ideologizados, é bom que isso fique claro”.

Como jornalista veterano e que sempre me interessei pelas grandes questões jurídicas, eu lembrei, na minha refutação a Mendes, o direito de resistência à tirania, que impediria, tanto no caso de quem pegou em armas contra o nazifascismo na Europa como no caso de quem travou a luta armada contra o regime de exceção brasileiro de 1964/85, o enquadramento legal como terrorista.

Curiosamente, um ex-presidente do STF, o ministro da Defesa Nelson Jobim, acaba de dizer que, embora tratados internacionais e a ONU definam a tortura como crime imprescritível, isso não se aplica ao Brasil: “Os tratados internacionais aqui não valem mais que a Constituição. Eles estão sujeitos à Constituição brasileira, que dá imprescritibilidade para um crime só: o de racismo”.

Que os doutos juristas esclareçam quem tem razão, Mendes ao afirmar que o terrorismo é imprescritível no Brasil ou Jobim ao garantir que o único crime imprescritível no Brasil é o de racismo. Para nós outros, leigos, causa estranheza que o atual e um antigo presidente do STF divirjam num assunto de tal relevância.

Mas, a questão que merece mesmo ser aprofundada é a da luta armada brasileira x terrorismo. Nos anos de chumbo, essa equiparação foi lançada num artigo falacioso da imprensa carioca e chamou a atenção dos serviços de guerra psicológica das Forças Armadas, que passaram a utilizá-la em sua propaganda enganosa.

Assim, os cartazes que a Operação Bandeirantes confeccionou em 1969 para serem expostos em logradouros públicos me apresentavam como um dos “terroristas assassinos procurados” que “depois de terem roubado e assassinado vários pais de família, estão foragidos”.

No entanto, eu jamais participei de ações armadas, nem seria disto acusado quando me prenderam no ano seguinte. Ademais, julgado por quatro auditorias militares diferentes, em nenhuma das sentenças meus atos foram qualificados como terrorismo. Nem nas dos demais resistentes, aliás.

A própria ditadura percebia o quanto haveria de forçação de barra numa tentativa de caracterizar-nos, em termos legais, como terroristas. Era apenas um lance propagandístico, na linha goebbeliana: repisar uma mentira mil vezes até que ela seja tomada como verdade.

O que não impede de até hoje a extrema-direita bater nesta tecla, como única escapatória retórica diante das evidências avassaladoras de atrocidades cometidas pela ditadura. Já que não tem como negar as torturas e assassinatos perpetrados pelo seu lado, tenta equipará-los ao pretenso terrorismo.

Então, vale a pena atentarmos para estes esclarecimentos do professor de Direito Constitucional Alex Monnerat Baptista que, a meu ver, elucidam definitavamente a questão:

A Carta de 1988 previu tratamentos distintos para os crimes terroristas e os crimes denominados políticos. De acordo com o grande doutrinador de Direito Constitucional Daniel Sarmento:

“Não se devem caracterizar os atos praticados contra a ditadura militar como crimes políticos ou de terrorismo. Até porque, de acordo com a definição do art. 2º da Lei 7.170/83, foram os golpistas de 1964, e não os insurgentes de esquerda, que subverteram a ordem constitucional vigente, estabelecendo, sob a égide da violência, do terror e do medo, uma nova ‘ordem’ político-institucional, sem qualquer salvaguarda dos princípios básicos atinentes à fundamentação da soberania democrática do Estado.

“Ademais, a própria Lei da Anistia (que os próprios militares citam como uma lei pactuada democraticamente, mas não passou de mais uma decisão unilateral dos juristas da repressão) deixou de punir crimes considerados políticos. E se deixou de punir, excluiu a própria antijuridicidade destes atos”.

Há quem tente discutir esta questão à luz do Art. 20 (“Devastar, saquear, extorquir, roubar, seqüestrar, manter em cárcere privado, incendiar, depredar, provocar explosão, praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político ou para obtenção de fundos destinados à manutenção de organizações políticas clandestinas ou subversivas”).

Tal artigo, no entanto, faz menção a inconformismo político, mas não define que seja crime os atos praticados por militantes de esquerda contra regimes de exceção instaurados por violência e que tenham subvertido a Constiuição vigente (como ocorreu durante a ditadura militar).

A Jurisprudência já é assente neste sentido, asseverando ainda que, pelo fato de o Poder Judiciário estar impedido de apreciar matéria política, por força do art. 11 do odioso Ato Institucional nº 05, de 13 de dezembro de 1968, e pelo fato de o Congresso Nacional ter sido abruptamente silenciado pelo Poder Executivo (que se pretendia moderador), não podem ser tomados como terroristas os atos praticados pelos militantes contrários ao regime militar.

Os atos terroristas pressupõem, por definição, uma situação de normalidade democrática e uma concreta ameaça a esta normalidade oriunda de grupos armados e organizados (terroristas). O que havia, durante os tão famigerados anos de chumbo, era uma situação atípica na qual a opressão e a turbação às instituições democráticas partiam do próprio governo, este sim terrorista e com atitudes notadamente liberticidas.

No que tange aos acontecimentos ocorridos durante a ditadura, a questão fundamental é:

  • havia uma normalidade democrática?
  • os que tomaram o poder em 1964 tinham legitimidade para comandar os negócios políticos do país?
  • os Poderes Legislativo e Judiciário funcionavam de forma livre e desembaraçada (no que tange à apreciação de matéria política)?

Se a resposta a estas questões for “não”, então, sob a ótica da Jurisprudência, não há que se falar em atos terroristas cometidos pelos militantes da esquerda, durante a vigência do regime de exceção.


AOS POETAS MORTOS de anibal nunes pires / florianópolis

Não choremos nunca a morte do poeta,
Foi feliz com todas as mulheres belas.
E, eram as chamas dos beijos das donzelas
Que crepitavam em cada vela ereta

Na apoteose de quem alcançava a meta.
Flores nas paredes, flores nas janelas,
Perfume de versos, recendendo delas,
E, livrando uma alma, de sonhos repleta.

Quantas rosas e cravos de tons dispersos!
Eram versos, sim; eram bouquets de versos
Ao redor do caixão quantos malmequeres!

Os pensamentos, na linda morte imersos,
Representavam os miosótis diversos
Como se fossem os beijos das mulheres…

O DISCÍPULO de oscar wilde / irlanda



Quando Narciso morreu, a taça de água doce que era o lago dos seus prazeres converteu-se em taça de lágrimas amargas e as Oréadas vieram carpindo pelos bosques a fim de cantar para ele, consolando-o.

E, quando perceberam que o lago se transmudara de taça de água doce noutra de lágrimas amargas, desgrenharam as tranças verdes dos seus cabelos e disseram:

– Não nos admiramos de que pranteeis Narciso dessa maneira. Ele era tão belo!
– Narciso era belo? – indagou o lago.
– Quem sabe melhor do que vós? – responderam as Oréadas. Ao cortejar-vos, ele nos desprezava, debruçado às vossas margens mirando-vos, e, no espelho de vossas águas, contemplava a própria beleza.

E o lago retrucou:

– Eu amava Narciso porque, quando ele se debruçava sobre as minhas margens para contemplar-me, eu via sempre refletir-se no espelho dos seus olhos a minha própria beleza.

Tradução de Dilermando Duarte Cox

EU ODEIO CAIXAS PRETAS! por glauco fonseca / porto alegre

Caixas pretas têm esse nome não por conta de sua cor, até porque se fossem realmente pretas, ficariam muito mais difíceis de serem localizadas. Depois de um acidente aéreo, as caixas pretas são mencionadas pelos noticiários de três formas:

1) Os dados são ilegíveis, pois o acidente foi gravíssimo (quando se precisa saber o que há na caixa preta, o acidente não é sempre gravíssimo?),

2) Os dados são insatisfatórios para explicar a causa real do acidente, ou

3) Infelizmente não puderam ser encontradas, pois houve falha no mecanismo sinalizador altamente sofisticado.

Ou seja, caixa preta não serve para coisa alguma!

Aliás, serve para vender alguma expectativa e não entregá-la. Como propaganda de cigarro quando mostra o cara numa boa ou de cerveja quando mostra o sujeito rodeado de mulher bonita.

Até mesmo quando dizem “aquele cara é uma caixa preta”, é porque ou o cara não sabe de coisa alguma ou logo vai falar algo que não poderá ser comprovado nem numa sessão espírita.

Caixas pretas são pura ficção, assim como piadas. Caixas pretas são verdadeiras anedotas tecnológicas que deveriam estar em qualquer lugar, menos dentro de aviões. Aposto que ficam localizadas bem pertinho da ponta, no bico, bem naquele lugarzinho que é o primeiro a se destruir completamente num acidente. Caixas pretas são como computadores que dão pau a toda hora. Os computadores das caixas pretas, entretanto, costumam dar pau apenas quando há…acidente!

Abaixo as caixas pretas. Abaixo o nome caixa e o adjetivo preta. Deveria se chamar, sei lá, cilindro roxo, ou esfera fúcsia. Pensando bem, estes aí não porque ficaram meio gays demais. Então deixemos de lado o formato e a cor e nos concentremos na utilidade. Como não servem para nada, poderíamos chamá-las de caixas obnóxias, por serem submissas à destruição. Ou prismas franzinos, mais adequados à sua falta de estâmina.

Não confiemos em caixas pretas jamais. São como políticos, que prometem e não cumprem, faltam ao trabalho com freqüência e pecam pela falta de sinceridade. Caixas pretas deveriam ajudar a resolver problemas, ou fazer com que problemas possam ser evitados e que tragédias sejam cada vez menos freqüentes. São como a segurança pública que não temos no Brasil, pelos mesmíssimos motivos.

Vamos propor uma moção para banir caixas pretas de nossas vidas. Afinal de contas, elas são que nem político honesto. Quando tem, não funciona; quando funciona, não resolve e, quando resolve, é sempre pela metade. Bom, mas aí a caixa preta já virou caixa dois…

* Glauco Fonseca é consultor de Marketing.

MEU NARIZ MUSICAL de tonicato miranda / curitiba

para Moana

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Quem tem a companhia da música

pode viajar parado

visitar as estrelas faiscantes

provar no vento a maresia

beber o vinho e o sabor do travo

na boca do amado

pode dançar cirandas na praia

dançar com a Rosa e com a Lia.

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Na companhia da música

pode-se viajar num segundo

visitar terras, continentes

ser todo o comprido da serpente.

rastejar em Saaras distantes

ou no Cariri despelado.

girar na roda gigante ou no gospel

da igreja do crente.

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Quem vem de trem com uma música

viaja mais devagar

tão distraído com ela está

que não vê o cinema na janela

está tão feliz com seu nariz

que até um beija-flor cumprimenta

não percebe estar errante no mundo

andando no sapato dela.

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Quem pára para ouvir

a poesia debulhada no bordão

não sabe da força da cordoalha

no peito do compositor

desconhece quantos fluxos de sangue

jorraram no coração

para produzir perfumes musicais

roubados de uma flor.

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Somente tu, ó colibri

que voou sobre minha cabeça

anunciando a luz do dia

espantando o frio madrugadino

poderia levar de volta a ela

quando uma tarde amanheça

o sol do meu olhar.

lá onde está, preso no acorde

meu sorriso ainda menino.

MANOEL DE ANDRADE comenta em IMAN MALEKI O PINTOR HIPERREALISTA DO IRAN / TEHERÃ

Comentário:

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Na verdade, já não se sabe o que é arte. Seus paradigmas caíram no começo do século passado. Qualquer coisa, não é arte. O URINOL de Duchamp, para muitos é arte. O audacioso BIGODE na Monaliza é visto hoje como uma ridícula transgressão pós-moderna. A arte contemporânea joga com os conceitos da verdade e da mentira. E por esses sofismas é chamada arte conceitual. Atualmente é mais fácil transgredir do que fazer arte. E o que seria de toda a arte clássica se a transgressão tivesse surgido lá na antiga Grécia.  Agora, rejeitar esse conceito é ser taxado de reacionário.  O que quero reiterar é a necessidade de rever a ideologia sobre a arte no século XX. É indispensável ressuscitar  verdades e princípios porque a pós-modernidade aboliu a consciência crítica.
A arte contemporânea é um círculo fechado. As 7000 MAÇÃS  de Laura Vinci e o QUEBRA-MOLAS  de Débora Bolsoni mostram bem os rumos caóticos  da arte. São outras tantas aberrações,  além de ovos fritos, baldes e outras barbaridades sem vinculação com a realidade e o processo histórico, sem que com isso estejamos  contra os movimentos de vanguarda como o futurismo e o surrealismo que ao refletir as inquietudes do meio e da época se identificaram, respectivamente, com o progresso tecnológico e a psicanálise.
A crítica da arte está falida e o que sanciona o valor da arte são os critérios do mercado. Coisas do capitalismo e da globalização, Ou a arte, a literatura e a música estão expostas nas vitrines ou estão mortas. Todos nós sabemos disso.
Vamos às vitrines: um artista plástico da Costa Rica, Guilhermo Vargas Habacuc AMARROU UM CACHORRO NUM CANTO DE UMA GALERIA DE ARTE  —  numa exposição em Manágua  — E O DEIXOU MORRER DE FOME,  alegando chamar atenção à hipocrisia humana que somente ali davam atenção à fome do animal, mas que o desprezariam se estivesse na rua. Apesar da crueldade, o artista entrou na mídia.
Num outro caso o artista plástico australiano Stelarc (Stelios Arcadion) convocou  em 2007 a imprensa para mostrar, na época, sua última obra: UMA ORELHA IMPLANTADA NO PRÓPRIO BRAÇO.
Esta galeria de “arte” é muito grande e seria cansativo mostrar tantos quadros.
As polémicas sobre os espólios da pós-modenidade, na arte, são muitas e não são recentes. Aqui no Brasil, os poetas Ferreira Gullar e Affonso Romano de Sant’Anna têm empunhado essa bandeira, mas ela começou abertamente quando em  1956 o pintor espanhol Salvador Dalí publicou seu LIBELO CONTRA A ARTE MODERNA, ressaltando que a arte moderna promoveu a feiúra e a hipervalorização da técnica, condenando os críticos que se curvam aos paradigmas enganadores das vanguardas.

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A TRAGÉDIA COM O AIR BUS por hamilton alves / florianópolis

Na revista “Veja” desta semana as páginas amarelas trazem uma entrevista com um piloto de viagens internacionais, com larga experiência no ofício. Em resumo, diz que,  quando ocorre um acidente aéreo, a causa sempre é atribuível a erro humano. No caso do air bus da Air France, um avião de quase absoluta segurança (nunca antes houve acidente com aviões dessa companhia), o problema ocorrido foi com o “pilot”, que transmitiu uma mensagem falsa ao comandante da nave quanto à velocidade que vinha sendo mantida. Em razão disso, acelerou o avião além da conta, fazendo com que houvesse o impacto de materiais ou da estrutura do avião com o vento, o que teria ocasionado a quebra de arrebites e, em conseqüência, a despresurização e daí a queda da aeronave. Muito simples. Por que o “pilot” passou aviso falso? Isso pode ocorrer sempre? Em caso positivo, não haverá jamais segurança de vôo. A não ser que se adote outro sistema mais confiável de controle de velocidade.

O sr. Stevens Marks, que é o piloto que respondeu às perguntas (a maioria mal formuladas) da “Veja”, a certa altura diz o seguinte:

“Acidentes não são atos de Deus. Acontecem porque alguém cometeu um erro. Frequentemente, são produtos não de um, mas de uma série de problemas, que se sucedem porque as providências para evitá-los não foram tomadas. Isso tem de ser apontado, é preciso mostrar que aquilo não deveria ter acontecido daquele jeito para que se possam mudar e melhorar as condições de segurança”.

E diz mais, em resposta à pergunta se tem medo de voar:

“A maior parte das viagens é muito segura. Estatisticamente, os aviões continuam sendo o meio de transporte mais seguro. Quando acontece um desastre, evidentemente, isso provoca grande comoção porque morre muita gente…”

Algum dos leitores aí convenceu-se dos argumentos do Sr. Stevens? Ou há dúvidas em torno de suas teses?

A mim, tais palavras não me convenceram.

Viajar, seja de ônibus, de avião ou mesmo de canoa, na travessia de uma baía ou de um lago ou de um pequeno rio, me parece sempre uma aventura, em que o homem que segue em tais viaturas corre risco.

Chico Anysio tem uma frase sobre esse tema, a meu ver, lapidar. Diz ele:

“Quem não tem medo de viajar de avião é um idiota”.

Estou com o Chico. E não abro.