Arquivos Diários: 2 agosto, 2009

A TRAGÉDIA COM O AIR BUS por hamilton alves / florianópolis

Na revista “Veja” desta semana as páginas amarelas trazem uma entrevista com um piloto de viagens internacionais, com larga experiência no ofício. Em resumo, diz que,  quando ocorre um acidente aéreo, a causa sempre é atribuível a erro humano. No caso do air bus da Air France, um avião de quase absoluta segurança (nunca antes houve acidente com aviões dessa companhia), o problema ocorrido foi com o “pilot”, que transmitiu uma mensagem falsa ao comandante da nave quanto à velocidade que vinha sendo mantida. Em razão disso, acelerou o avião além da conta, fazendo com que houvesse o impacto de materiais ou da estrutura do avião com o vento, o que teria ocasionado a quebra de arrebites e, em conseqüência, a despresurização e daí a queda da aeronave. Muito simples. Por que o “pilot” passou aviso falso? Isso pode ocorrer sempre? Em caso positivo, não haverá jamais segurança de vôo. A não ser que se adote outro sistema mais confiável de controle de velocidade.

O sr. Stevens Marks, que é o piloto que respondeu às perguntas (a maioria mal formuladas) da “Veja”, a certa altura diz o seguinte:

“Acidentes não são atos de Deus. Acontecem porque alguém cometeu um erro. Frequentemente, são produtos não de um, mas de uma série de problemas, que se sucedem porque as providências para evitá-los não foram tomadas. Isso tem de ser apontado, é preciso mostrar que aquilo não deveria ter acontecido daquele jeito para que se possam mudar e melhorar as condições de segurança”.

E diz mais, em resposta à pergunta se tem medo de voar:

“A maior parte das viagens é muito segura. Estatisticamente, os aviões continuam sendo o meio de transporte mais seguro. Quando acontece um desastre, evidentemente, isso provoca grande comoção porque morre muita gente…”

Algum dos leitores aí convenceu-se dos argumentos do Sr. Stevens? Ou há dúvidas em torno de suas teses?

A mim, tais palavras não me convenceram.

Viajar, seja de ônibus, de avião ou mesmo de canoa, na travessia de uma baía ou de um lago ou de um pequeno rio, me parece sempre uma aventura, em que o homem que segue em tais viaturas corre risco.

Chico Anysio tem uma frase sobre esse tema, a meu ver, lapidar. Diz ele:

“Quem não tem medo de viajar de avião é um idiota”.

Estou com o Chico. E não abro.

PEQUENAS CONSTATAÇÕES, NA FALTA DE MAIORES. (02/08/09) por juca (josé zokner) / curitiba


Constatação I

Não se pode confundir inveterado que o dicionário Houaiss dá como: “que contém arraigado em si, por obra do tempo, determinada maneira de ser, determinado hábito (diz-se de pessoa)” com invertebrado que o mesmoJUCA - Jzockner pequenissima (1)dicionário assinala como “desprovido de coluna vertebral”, até porque quem é, por exemplo, um inveterado bajulador (rico é bajulador; pobre, puxa-saco) é um invertebrado, maria-vai-com-as-outras e outros epítetos desse jaez.

Constatação II

O que tem de time no Brasileirão e na Segundona surrando a bola não está escrito em lugar algum. Coitada!

Constatação III

Quando o Sr. Pedro Malan proferiu que o salário mínimo dava pra uma família e ainda sobrava será que ele e a sua – dele – família viviam assim?

Constatação IV (De um pseudo-soneto da série Ah, o amor…).

Pensar que algum dia

Você me disse vários não

Agora virou uma alegria

Você se deu conta o quanto é bom.

Até no meio da noite você me aborda

Me dizendo: Bem, façamos uma conjunção

Para certas coisas a gente sempre acorda.

E eu acedo com entusiasmo e emoção.

Você se contorce de prazer

Com a perspectiva do que vai acontecer.

Quando percorro teu corpo nu

Rola entre nós um forte ardor

E nos teus olhos brilha um fulgor.

Trejeitos de danças; jamais o lundu*

*Dança de par separado de origem africana, ainda que de grande sensualidade. (Houaiss).

Constatação V

Chamaram o septuagenário

De boa carcaça

Ele considerou isso uma pirraça;

De mau-gosto, uma chalaça:

“Sinto-me um bi-centenário,

Caquético e alquebrado”.

Coitado!

Constatação VI

Foi o contorcionista do circo que chegou tarde em casa e se pôs a fazer contorcionismo verbal com a patroa que lhe deu, em resposta, uma camaçada de pau. Coitado!

Constatação VII (Dúvida crucial via pseudo-haicai).

Anjo

Toca lá no céu

Lira ou banjo?

Constatação VIII

Resoluto

Quis votar

Num parlamentar

Que seja impoluto.

Depois de muito procurar

Cheguei a terrível decisão

Que não dá mais

E, é bem provável,

Que não dará jamais.

Triste e lamentável

Conclusão…

Constatação IX

Ele reconheceu

A assinatura

No notário.

Nela havia escrito,

Segundo ele, com ternura,

Com muito amor,

Tudo rimado,

Pedindo à namorada

Dinheiro emprestado.

Ela respondeu

Também com firma reconhecida:

“Você é um caradura,

Um salafrário.

Na tua carta está dito

Que eu sou tua querida

Que eu sou uma flor*.

Você tá com nada.

Você é um charlatão,

Um aproveitador,

Um desregrado.

Com essa demonstração

Falsa de carinho.

Vá catar coquinho”.

Coitada!

Coitado!

Coitado?

*Este cara, além de ser um mau-caráter ainda é do tempo que rima amor com flor. Nota zero pra ele.

Constatação X

Deu na mídia: “Bolsa-Família: Lula diz que governo tem papel de ‘mãe’. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas será que o nosso presidente sabe quem é o pai?. Se é conhecido, ou não? Ou o pai é o padrasto?

Constatação XI

Também deu na mídia: “Nos bastidores, Sarney já avalia deixar o cargo”. Data vênia, como diriam nossos juristas, mas Rumorejandoacha que, salvo membros da família e alguns amigos, ele não deixará saudades…

Constatação XII

Ainda a mídia: Lula diz que os economistas deveriam fazer um mea culpa”. Data vênia, mais uma vez, mas Rumorejando acha que só os economistas. Os políticos, não. Estes deveriam ser banidos para dar lugar a algum esquema de participação da Sociedade no assim chamado processo democrático, já que os políticos apenas representam o interesse deles mesmos.

Constatação XIII

“Cientistas australianos descobrem porque balançamos os braços ao caminhar”. Quanto ao fato das mulheres graciosamente rebolarem quando andam, nada foi pesquisado. Provavelmente, porque sim e tá acabado.

Constatação XIV

Deu na mídia: “Conselho de Ética já recebeu 11 ações contra Sarney”. Só??!!

Constatação XV

Atlético e Paraná têm trocado constantemente de técnicos. Mas pelos resultados que os dois times vêm alcançando dá a impressão que eles estão trocando entre eles mesmos…

Constatação XVI

Será que o esforço de se eleger vem do fato que para deputados e senadores a lei é diferente do que para os simples mortais? Quem souber a resposta, por favor, cartas por correio eletrônico. Obrigado.

No meio dessas gripes todas, livrai-nos do mal! – por alceu sperança / cascavel.pr

A globalização neoliberal, além de seus sete (mil) pecados capitais, tem um pecadilho adicional que incide sobre a cidade, a aldeia, o vilarejo: ela é tão massacrante, perversa e ardilosa que nos faz cruzar os braços na crença de que nada que façamos aqui e agora poderá ajudar o mundo e o País a melhorar.

Essa crença conduz à despolitização, que favorece a manutenção do poder pelos mensaleiros, sanguessugas e outras pragas que se cevam da desinformação e do controle ideológico das massas.

Esse cruzar de braços traz, além da despolitização, apatia e indiferença aos temas que nos interessam muito de perto e dos quais nossa vida depende:

1) Desemprego maciço, que não é efeito colateral da tecnologia, que seria “culpada” pelo desemprego, na propaganda dos donos do mundo. Na verdade, o desemprego resulta do entendimento desumano de que o ser humano de nada vale, a não ser na condição de máquina capaz de dar lucro ao escravocrata que a emprega.

2) As reais causas da criminalidade, da insegurança e da violência,  que não são um caso de polícia, mas de política. Causas como o aumento da dívida irreal e o aumento a corrupção real, sugando dos cofres públicos os recursos necessários à resolução concreta de problemas concretos – infraestruturais e sociais. E quem mais sofre com isso são os escravos, neo-escravos, inadimplentes, desempregados, doentes, ignorantes e desesperados. Só descer o porrete nos que sofrem não resolve, apenas realimenta o mal e os males.

3) O caos ambiental, que ameaça nossa descendência no planeta. Eles não dizem assim – caos ambiental – mas “aquecimento global”, que os cientistas comprados pela exploração capitalista colocam na conta da própria natureza e não de seus geradores. Ora, o AG é uma regulação natural: já existia desde o tempo dos dinossauros. Logo, não é uma criação deliberada, criminosa e desumana do capitalismo: é a “vontade de Deus”…

Refletir – Mas o que podemos fazer, aqui neste cantinho do mundo, para resistir a esse poder babilônico, sequioso de lucros e indiferente ao sofrimento de bilhões de pessoas?

Logo de saída, refletir. Que partidos e “lideranças” estão de algum modo comprometidos com o neoliberalismo? O saudoso Otávio Brandão (1896–1980) aconselhava: “Examine os políticos de acordo com o partido e com a classe que representam”.

E com cuidado, pois a maioria engana, até se fingindo de “socialistas” ou “verdes”, ocultando a submissão ideológica ao neoliberalismo no clássico modelo do lobo em pele de cordeiro.

Por isso, mais vale a ação que a palavra, o compromisso persistente que a repetição episódica e oportunista de chavões de efeito retórico, como nunca antes na história deste País.

Basicamente, o neoliberalismo, que tanto encanta (e controla) o governo Lula, inclinando-o perigosamente para a direita, e partidos como PT, PSDB, PMDB e DEM, seus aderentes, agregados e similares, é um moedor de carne representado, bem no alto, por empresas transnacionais e das altas finanças.

São máfias, “ruralistas”, o grande capital local associado ao estrangeiro, os corruptos, as empresas prestadoras de serviços a prefeituras, governo estaduais e à União.

No caso da mão-de-obra, esse moedor de carne leva à liquidação de empregos, pois um robô efetivamente desemprega um montão de pessoas. À redução do emprego direto via terceirização. E à transformação do salário em custo variável (remuneração vinculada às metas de produção e vendas).

E viva a informalidade, o banditismo, o salve-se-quem-puder!

Deuses malucos – O neoliberalismo nos faz dever os tubos: FHC assumiu o País com a dívida interna (aquela que nós, você e eu, teremos que pagar) na casa dos R$ 60 bilhões e saiu deixando-a na casa dos R$ 800 bilhões.

Aí veio Lula e fez a festa dos banqueiros, tendo o pagamento dessa dívida como prioridade, com a infraestrutura a perigo, a desindustrialização às portas e se mantendo no poder doando migalhas bolsistas a um povo sofrido, secularmente levado no bico.

Pode acreditar quando os lulistas dizem que “fizeram” duas vezes mais que o desastrado FHC: estão praticamente dobrando a dívida já monstruosa que a tucanagem ardilosa deixou!

Assim, há que apresentar resistência também aqui, localmente, ao massacre neoliberal, que é em primeiro lugar ideológico.

Ele entorpece com drogas de todos os tipos – cachaça, cocaína, crack, TV, cartão de crédito –, a consciência de quem, no mínimo por pensar na própria vida e na família, deveria estar combatendo o neoliberalismo no local de trabalho, na escola, no ponto de encontro.

Não é possível que alguém consiga ficar indiferente ao desemprego maciço que nos ameaça, à violência que nos cerca e ao caos ambiental que se manifesta desde já num espantoso aumento dos casos de câncer de pele e pandemias.

Tais fenômenos não resultam da vontade dos deuses, mas de nossa ação ou omissão: “Se a miséria de nossos pobres não é causada pelas leis da natureza, mas por nossas instituições, grande é a nossa culpa” (Charles Darwin).

VOU-ME EMBORA DE MIM de joaquim pessoa / rio de janeiro

Hoje é um dia qualquer. As coisas acontecem sempre
num dia qualquer, nós é que referenciamos o dia
em que as coisas aconteceram. O 14 de Julho, o 25 de Abril,
“faz hoje quinze anos que”, “completam-se dois séculos amanhã”,
e todos os dias acontecem coisas importantes para cada um de nós,
só que há dias em que as coisas que acontecem
são importantes para todos. Então o dia
deixa de ser um dia qualquer e, à posteriori, é quase sempre,
e para sempre, um dia de referência. Foi
num dia qualquer que te conheci. E, num dia qualquer,
comecei a amar-te. E amo-te. Todos os dias. Até qualquer dia.
O amor, a dor, a gente, toda a gente,
acaba, inevitavelmente, num dia qualquer.