Arquivos Diários: 3 agosto, 2009

EU ODEIO CAIXAS PRETAS! por glauco fonseca / porto alegre

Caixas pretas têm esse nome não por conta de sua cor, até porque se fossem realmente pretas, ficariam muito mais difíceis de serem localizadas. Depois de um acidente aéreo, as caixas pretas são mencionadas pelos noticiários de três formas:

1) Os dados são ilegíveis, pois o acidente foi gravíssimo (quando se precisa saber o que há na caixa preta, o acidente não é sempre gravíssimo?),

2) Os dados são insatisfatórios para explicar a causa real do acidente, ou

3) Infelizmente não puderam ser encontradas, pois houve falha no mecanismo sinalizador altamente sofisticado.

Ou seja, caixa preta não serve para coisa alguma!

Aliás, serve para vender alguma expectativa e não entregá-la. Como propaganda de cigarro quando mostra o cara numa boa ou de cerveja quando mostra o sujeito rodeado de mulher bonita.

Até mesmo quando dizem “aquele cara é uma caixa preta”, é porque ou o cara não sabe de coisa alguma ou logo vai falar algo que não poderá ser comprovado nem numa sessão espírita.

Caixas pretas são pura ficção, assim como piadas. Caixas pretas são verdadeiras anedotas tecnológicas que deveriam estar em qualquer lugar, menos dentro de aviões. Aposto que ficam localizadas bem pertinho da ponta, no bico, bem naquele lugarzinho que é o primeiro a se destruir completamente num acidente. Caixas pretas são como computadores que dão pau a toda hora. Os computadores das caixas pretas, entretanto, costumam dar pau apenas quando há…acidente!

Abaixo as caixas pretas. Abaixo o nome caixa e o adjetivo preta. Deveria se chamar, sei lá, cilindro roxo, ou esfera fúcsia. Pensando bem, estes aí não porque ficaram meio gays demais. Então deixemos de lado o formato e a cor e nos concentremos na utilidade. Como não servem para nada, poderíamos chamá-las de caixas obnóxias, por serem submissas à destruição. Ou prismas franzinos, mais adequados à sua falta de estâmina.

Não confiemos em caixas pretas jamais. São como políticos, que prometem e não cumprem, faltam ao trabalho com freqüência e pecam pela falta de sinceridade. Caixas pretas deveriam ajudar a resolver problemas, ou fazer com que problemas possam ser evitados e que tragédias sejam cada vez menos freqüentes. São como a segurança pública que não temos no Brasil, pelos mesmíssimos motivos.

Vamos propor uma moção para banir caixas pretas de nossas vidas. Afinal de contas, elas são que nem político honesto. Quando tem, não funciona; quando funciona, não resolve e, quando resolve, é sempre pela metade. Bom, mas aí a caixa preta já virou caixa dois…

* Glauco Fonseca é consultor de Marketing.

MEU NARIZ MUSICAL de tonicato miranda / curitiba

para Moana

.

Quem tem a companhia da música

pode viajar parado

visitar as estrelas faiscantes

provar no vento a maresia

beber o vinho e o sabor do travo

na boca do amado

pode dançar cirandas na praia

dançar com a Rosa e com a Lia.

.

Na companhia da música

pode-se viajar num segundo

visitar terras, continentes

ser todo o comprido da serpente.

rastejar em Saaras distantes

ou no Cariri despelado.

girar na roda gigante ou no gospel

da igreja do crente.

.

Quem vem de trem com uma música

viaja mais devagar

tão distraído com ela está

que não vê o cinema na janela

está tão feliz com seu nariz

que até um beija-flor cumprimenta

não percebe estar errante no mundo

andando no sapato dela.

.

Quem pára para ouvir

a poesia debulhada no bordão

não sabe da força da cordoalha

no peito do compositor

desconhece quantos fluxos de sangue

jorraram no coração

para produzir perfumes musicais

roubados de uma flor.

.

Somente tu, ó colibri

que voou sobre minha cabeça

anunciando a luz do dia

espantando o frio madrugadino

poderia levar de volta a ela

quando uma tarde amanheça

o sol do meu olhar.

lá onde está, preso no acorde

meu sorriso ainda menino.

MANOEL DE ANDRADE comenta em IMAN MALEKI O PINTOR HIPERREALISTA DO IRAN / TEHERÃ

Comentário:

.

Na verdade, já não se sabe o que é arte. Seus paradigmas caíram no começo do século passado. Qualquer coisa, não é arte. O URINOL de Duchamp, para muitos é arte. O audacioso BIGODE na Monaliza é visto hoje como uma ridícula transgressão pós-moderna. A arte contemporânea joga com os conceitos da verdade e da mentira. E por esses sofismas é chamada arte conceitual. Atualmente é mais fácil transgredir do que fazer arte. E o que seria de toda a arte clássica se a transgressão tivesse surgido lá na antiga Grécia.  Agora, rejeitar esse conceito é ser taxado de reacionário.  O que quero reiterar é a necessidade de rever a ideologia sobre a arte no século XX. É indispensável ressuscitar  verdades e princípios porque a pós-modernidade aboliu a consciência crítica.
A arte contemporânea é um círculo fechado. As 7000 MAÇÃS  de Laura Vinci e o QUEBRA-MOLAS  de Débora Bolsoni mostram bem os rumos caóticos  da arte. São outras tantas aberrações,  além de ovos fritos, baldes e outras barbaridades sem vinculação com a realidade e o processo histórico, sem que com isso estejamos  contra os movimentos de vanguarda como o futurismo e o surrealismo que ao refletir as inquietudes do meio e da época se identificaram, respectivamente, com o progresso tecnológico e a psicanálise.
A crítica da arte está falida e o que sanciona o valor da arte são os critérios do mercado. Coisas do capitalismo e da globalização, Ou a arte, a literatura e a música estão expostas nas vitrines ou estão mortas. Todos nós sabemos disso.
Vamos às vitrines: um artista plástico da Costa Rica, Guilhermo Vargas Habacuc AMARROU UM CACHORRO NUM CANTO DE UMA GALERIA DE ARTE  —  numa exposição em Manágua  — E O DEIXOU MORRER DE FOME,  alegando chamar atenção à hipocrisia humana que somente ali davam atenção à fome do animal, mas que o desprezariam se estivesse na rua. Apesar da crueldade, o artista entrou na mídia.
Num outro caso o artista plástico australiano Stelarc (Stelios Arcadion) convocou  em 2007 a imprensa para mostrar, na época, sua última obra: UMA ORELHA IMPLANTADA NO PRÓPRIO BRAÇO.
Esta galeria de “arte” é muito grande e seria cansativo mostrar tantos quadros.
As polémicas sobre os espólios da pós-modenidade, na arte, são muitas e não são recentes. Aqui no Brasil, os poetas Ferreira Gullar e Affonso Romano de Sant’Anna têm empunhado essa bandeira, mas ela começou abertamente quando em  1956 o pintor espanhol Salvador Dalí publicou seu LIBELO CONTRA A ARTE MODERNA, ressaltando que a arte moderna promoveu a feiúra e a hipervalorização da técnica, condenando os críticos que se curvam aos paradigmas enganadores das vanguardas.

VEJA A MATÉRIA COMENTADA CLICANDO: AQUI