PEQUENA ODE AO SUICÍDIO de tonicato miranda / curitiba

para 4 “Js”: Joplin, Hendrix e Morrison

Pensar no suicídio como esconderijo

A raposa acuada na busca da toca

Pensar no suicídio como o baque rijo

O corpo vindo ligeiro ao beijo do cimento

.

Pensar no suicídio como o balido da voz

A carne dura do bode ferindo a faca

Pensar no suicídio como o rio na sua foz

Afogando-se nas águas ele feito de água

.

Pensar no suicídio como bebida amarga

O absinto sem sentido e fora de nexo

Pensar no suicídio e a descarregada carga

A arma prenhe de pólvora a explodir o ego

.

Pensar no suicídio como tropel de cavalos

Assustando a platéia meu corpo sob cascos

Pensar no suicídio como o sangue nos ralos

A gilete no chão, o pulso gotejando vermelhos

.

Pensar no suicídio como o vôo de asa delta

O precipício na montanha é sua eternidade

O corpo voando ao nada e à música celta

Mas no átrio da descida perguntei:

Oh, mãe de verdes e de pedras:

__ Por quantos anos meu corpo esteve por aqui?

__ Por que perguntas? Não cabe entender,

por que medras?

A montanha sempre será mais do que a carne.

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